Me deixando ver no meio de tudo, um pouco de você
31.05.08
Roupa. Uma invenção do ser humano. Mesmo as civilizações de climas quentes enfeitam o corpo com jóias, pinturas, cintos.
O brasileiro é, de forma geral, bastante habituado à visão da pele, do corpo exposto nas roupas justas, no short de lycra, nos biquínis pequenos e no Carnaval, que é o grande momento de culto à nudez, ao corpo e aos desejos do corpo.
E, ainda assim, o brasileiro tem certo pudor ante o corpo completamente nu.As famílias da novela não andam sem roupa dentro de casa - o que é um reflexo das famílias da vida real. Os homens até andam sem camisa, mas as mulheres não ficam só de calcinha. Tirar a roupa toda, normalmente só durante o banho...ou na hora de transar.
E é aí que tudo se torna mais engraçado. Os meninos que eu conheço comentam muito sobre o tesão ao ver uma mulher "peladona". Eu acho interessante perceber que há grande diferença entre a mulher despida, nua, pelada ou peladona. São diferentes níveis de exposição.
(Um médico jamais diria "por favor, fique peladona e deite-se na maca". Um namorado dificilmente dirá "Amor, quero te ver despida!")
E, enquanto os homens pensam logo na mulher peladona (ou peladinha, se for magrinha, hehe), as mulheres preferem não pensar tanto nisso, pelo que percebo. Todas falam dos homens malhadões, bíceps e peitoral, algumas falam das bundas masculinas, mas o ícone "homem nu" não é tão presente no imaginário feminino.
Essas coisas de filme brasileiro dos anos 70 me assusta, a mulher tirando a roupa e pulando em cima do cara, pimba. E o homem com a calça abaixada, cruzes.
Acho tão mais bonito o gesto de tirar a roupa do parceiro. A troca de energia do sexo começa aí, desembrulhando o outro devagar. Ou não precisa ser devagar; pode ser afoitamente, "travesseiros soltos, roupas pelo chão." Tirando as roupas, roupas que usamos o dia inteiro, vamos estabelecendo o que vai acontecer nos minutos seguintes; que tipo de toques, que nível de parceria, a força, a delicadeza, os acordos sutis.
Em parte por isso tudo, eu gosto muito de transformar o momento "tirar a roupa" em um ritualzinho. Não necessariamente um striptease, entendam. Mesmo porque ninguém aguenta fazer e/ou assistir showzinho sempre. Mas se preparar pra pessoa que você escolheu pra dividir algo (uma cama, seu corpo, duas horas, uma vida, são divisões que requerem confiança), é um carinho gostoso. E essa preparação não precisa ser uma lingerie de duzentos reais; pode ser só uma toalha, ou uma blusa de botões, que você, meio confusa, desabotoará.
Um belo embrulho faz parte do ato de presentear, não é mesmo?
P.S.: Não dá pra escrever um texto assim sem pensar nesse poema do Roberto Carlos. Poema, sim senhor. Em redondilhas menores. "Chovia lá fora e/a capa pendurada/ assistia a tudo/ não dizia nada".
Arquivado em: Comportamento, Relacionamentos, Mulherzinha, Sexo
4 comentários
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Comentários:
Se percebeu estou de email novinho, ocorreram alguns probleminhas no outro, por tanto qualquer coisa entre em contato comigo neste novo email - acima.
O texto é simplesmente deslumbrante, perfeito, também gosto de fazer como um "ritualzinho", acho que o antes, a muito mais cumplicidade, ansiedade, sintonia e troca, que realmente é de extrema importância.
O texto é ótimo amei mesmo.
***
Rob, obrigada pelos elogios ao texto, mas ele não é meu, é da Eva, a moça que divide o blog comigo.
Recebi seu mail no SACintaliga. O blog fechou.
Mas concordo, é um carinho gostoso. E uma ótima preliminar ficar um tirando a roupa do outro enquanto de beija, se passa a mão.
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