Para o pé, firmeza; para a mão, carícia.

22.04.08

Dia da Terra.

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Uma coisa pequena que eu sempre faço: no meu trabalho, o banheiro feminino tem janelões grandes e é fartamente iluminado pela luz do sol no período da manhã. Por puro hábito, as mulheres entram e acendem a luz.

Eu, sorrateiramente, quando saio do banheiro, apago as luzes. Ele permanece iluminado por luz natural. Com sorte, as lâmpadas (OITO!) permanecem desligadas durante umas três horas, porque as mulheres não notam que a luz está apagada.

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Manaus está incrustada na Amazônia. Mas, caso você procure Amazônia em Manaus, não encontra com facilidade. A floresta foi empurrada pra fora, sempre pra fora da cidade, pra estrada, pra longe. O amazonense, de modo geral, chama a Amazônia de "mato". Morar na zona rural é morar "no meio do mato".

Meu pai, que foi engenheiro enquanto esteve na Terra, reclamava muito disso. Que o manauara só sabia construir com trator. O trator derruba tudo, e depois o urbanista faz jardins com grama esmeralda e palmeiras imperiais.

Nem ao menos uma palmeira de tucumã, ou açaí, ou pupunha.

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Todo prédio com mais de oito andares, pra mim, parece um paliteiro. Coisa mais feia.
Manaus tem inaugurado dezenas de paliteiros.

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Quando papai descobriu o câncer, oito ou onze pessoas nos ensinaram, como remédio, fazer chá da entrecasca do cajueiro. Eu e mamãe saímos de carro, rodando, procurando um cajueiro.

O manauara só tem goiabeiras em sua casa. Não encontramos UM CAJUEIRO sequer.

Depois que ele morreu, fomos passar o Natal com minha avó, mãe dele, em Boa Vista. Mamãe engasgava com tantos cajueiros, cheios de frutas vermelhas, enfeites vermelhinhos de Natal. Toda casa em Boa vista tem quintal com cajueiros...

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Meu colega Búu, que é indígena Tukano, explicou pra mim outro dia que, quando ele entra em um igarapé, ele pega um pouco de água com a mão e põe na boca. No que ele faz isso, pediu licença pra todos - os peixes, as cobras, o rio - avisando que ele é dali. "Cobra, licença, cobra; não vou te fazer nada", ele diz. Ele diz que todos os índios sabem fazer isso.

Quantas plantas sumiram das cidades grandes?
Quantos remédios não podemos usar por indisponibilidade?
Quanta sabedoria se extinguiu?

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Feliz dia da Terra. Que todos possamos pisar na terra, pegar na terra, ficar com as unhas cheias de terra.
E que haja algo pra se comemorar.

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Esse post faz parte da segunda blogagem coletiva do Dia da Terra, organizada pelo pessoal do Faça a sua Parte.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Blogosfera, Esperança, Saudade, Sonho
2 comentários

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Comentário de: Luciana · http://www.cintaliga.org

Deixa eu te contar que em minha casa em Manaus, no Kissya II, tinha um cajueiro, sabia? Eu teria dado quantos você precisasse.
Lindo esse texto, Eva. Você é a parte politicamente correta do Cintaliga. Obrigada. :)

PermalinkPermalink 22.04.08 @ 18:49



Comentário de: Fabiola · http://www.eraumaveis.blogspot.com

Evinha amiga. Obrigada. Pelo apoio e pela amizade. Pelas orações. Pelos bons fluídos enviados a mim e a minha mãe. Obrigada mesmo.
Bisous
Fa

PermalinkPermalink 29.04.08 @ 17:39



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