Eu e Balão Mágico
08.04.08
Eu não assisti ao programa na TV. Eu não lembro do Tob, pelo qual a Luciana e a Patrícia, minhas colegas de blog, suspiram. Não lembro nem da Simony cantando com o Roberto Carlos - essa imagem eu só trago na memória graças ao Vídeo Show e ao Youtube.
Mas eu lembro das músicas, ah, como lembro. Eu tinha as fitinhas cassete.
Não sei dizer como é que eu tinha as fitas. Muito provavelmente, minha mãe comprou pra mim quando eu tinha um ou dois anos, porque eu nasci em 1985! Passei a primeira metade da década de 90 ouvindo Balão Mágico, o que comprova que esse meu anacronismo, de gostar do que está fora de moda, começou cedo.
Quem tem pai músico tem espaços musicais dentro de casa; eu ficava longo tempo na salinha de música, ouvindo minhas fitinhas do Balão. Dez ou quinze vezes seguidas, como convém a todo filho único.
(É adequado aqui relembrar como é o mecanismo de escutar uma fita cassete, pois deve haver leitores que não pegam numa fitinha há dez anos ou mais. A fita cassete tem lado A e lado B, ou "Programa A" e "Programa B", como vinha escrito. Você colocava a fita dentro do toca-fitas, apertava o play e ela começava a rodar. E aí, rodava em sequência, porque não dá pra separar as FAIXAS em uma fita. Se você quisesse pular uma música, tinha de acelerar a rotação e parar, escutar o pedaço que estava, acelerar de novo, escutar de novo, até ajustar. Nessas idas e vindas, perdia-se um tempo enorme, mas nada que uma criança de sete/oito anos não suportasse.
Nesse pula-pula de músicas, tinha uns esquemas. A fita tinha dois lados. Quando a música 3 do Programa A estava começando, você podia apertar stop, virar a fita, e ouvir o FINAL da música 3 do Programa B. Isso gerava toda uma gama de combinações, do tipo "Vou ouvir as três primeiras do programa A, virar, acelerar até o final da terceira do programa B, ouvir a quarta do Programa B e virar de novo pra ouvir a quinta do programa A".
E tinha as contagens. "Ouve a primeira música, aperta o botão de acelerar e um e dois e três e quatro e cinco e seis e sete e oito e PLAY!" E eu acertava direitinho o início da terceira música! Isso requeria bastante prática.
"Mas Eva", vocês perguntarão, "porque não ouvir a fita toda na sequência, com todas as músicas?" E eu responderei que eu queria pular as músicas que eu não gostava, oras (Esqueceram que eu era filha única?).
Nas minhas manhãs solitárias - jamais gostei do programa da Xuxa, olha o anacronismo aí, gente! - eu ficava lá, em companhia de Putz, o Grande Mago, que anda por um triz, pois fez sumir o seu amor e não pode ser feliz. Também tinha um gato que sempre entrava na tuba do Serafim, e um outro gato, que vivia sempre com um prato na mão. Era o Garfield.
Tinhas as músicas engraçadas. Eu gostava particularmente de Papabaquigrifismo. Porque eu me identificava COMPLETAMENTE com a personagem. Reparem:
"Meu nome é Clara dos Anjos Santos, sou professora, sou coisa e tal. Falou difícil? Falou comigo! Sou super-hiper, sou maioral...Eu tô sabendo, eu sei tudinho. Meu apelido é sabidão. Falou difícil? Falou comigo! Sou geniozinho, sou campeão!".
E vinha aquele refrão delicioso que eu aprendi a cantar de pura birra:
- Pa-pa-ba-qui-grifo!
- Pa-pa-ba o quê?
- Pa-pa-ba-qui-grifando!
- Não tá dando pra entender!
- Pa-pa-ba-qui-grifo!
- Pa-pa-ba o quê?
- Ora, vai vai vai!
- Ora, vai você!
Outra música que era muito engraçada, que contava uma parte da minha vida, era a alérgica "Ai, meu nariz". Eu fui uma criança asmática, alérgica a poeira no último grau, não podia tomar gelado (fui tomar picolé com DEZ ANOS, minha gente). Imaginem o que eu sentia: "Eu não sei o que é que eu fiz, eu só sei que o meu nariz funga, funga-a-a-a-ahhh... "
Não posso me esquecer das canções catárticas. Sim, sim. Aquelas que me faziam chorar, chorar, chorar, de tristeza por causa dos meus inúmeros, imensos, insolúveis, indescritíveis e infantis problemas pessoais - porque eu, como toda criança normal, me achava anormal. "Você é música" (linda, linda, poderia ser gravada por qualquer cantor adulto) me fazia pensar em como eu, sendo feia e gorda, nunca conseguiria ser feliz (céus, eu tinha preocupações existenciais aos sete anos); tinha a da excursão do ônibus, que hoje eu sei que é a Baby Consuelo do Brasil cantando, mas na época eu jurava que era minha professora, a Tia Marina; e tem aquela que é melhor nem lembrar porque senão eu..chuif...
E, é claro, é lógico, tem o super-mega-hit. Superfantástico. Todo mundo que ouviu essa música deve ter virado fã do Djavan, né? Eu virei!
No mais, foram horas doces, ingênuas, animadas. Eu nunca percebi que eles já tinham se desmanchado, porque eu nunca senti necessidade de vê-los na TV. Desde criança, o que importava pra mim era a música, e não a "atitude" do artista. A turma do Balão Mágico fazia shows lá em casa, sempre que eu queria. Eu deitava na rede e cantava junto, comendo biscoito Passatempo, num lugar onde a Terra era azul, azul tinteiro, azul luar. E, mesmo sendo asmática, filha única, anormal, eu fui uma criança bem feliz.
P.S.: Só quando começou esse revival dos anos 80 é que eu fui entender que eu NÃO TINHA vivido nada nos anos 80. Eu simplesmente não lembro da música do He-man, gente. Minha mãe lembra e canta inteirinha. :D
P.P.S.: É tão bom poder ser fã do Balão junto com a Pat e a Lu. Mesmo eu tendo nascido uma geração atrasada, me sinto parceira delas nisso. Acho que elas concordam. E vamos repartindo esse amor que faz viver.
P.P.P.S.: Eu não copiei nenhuma letra usada nesse post da internet, tudo saiu da minha cabeça musical; mas elas podem ser encontradas aqui. E também vale dar uma passadinha no bastante completo site Músicas Infantis 80.
P.P.P.P.Papelão.S.: É tão bom te ver / Chega mais pertinho / Faz um carinho / Gosto de você...
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6 comentários
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Comentários:
Mas... Esse Balão Mágico que você ouvia é, na maioria, o do último disco, do Circo - aquele que já é muito mais Jairzinho & Simony do que qualquer outra coisa.
"Sou Jairzinho, o cretino do Balão..."
meus filhos, porque já era um pouco crescidinho na época.
Ainda consigo cantar algumas músicas.
O pessoal curtia.
Muito bom seu textinho viu pequena?!
bjs pra ti
Eu escuto alguma(s) música(s) do Balão pelo menos uma vez por semana, Evinha, aqui no meu lap top. Quem quiser me achar retardada, que ache.
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