Coração, mãos, teclado; internet; monitor, olhos, coração
23.02.08
Recebido:
"No sonho eu estava andando pela Av. Paulista, quando vi numa banca de jornal uma trufa de cupuaçu. Pode parecer bobo ou clichê, mas na vida real, sempre quando vejo algo relacionado ao Amazonas me lembro de vc, eu gosto do jeito que vc fala da sua cultura e do seu modo de vida, é uma espécie de admiração, sei lá. Voltando ao sonho, foco e objetividade. Nisso eu pegava o celular e falava pra alguém que estava comigo: "vou ligar pra minha amiga Eva", me sentindo a Paris Hilton brasileira com um celular de créditos ilimitados."
Resposta:
"Adorei você ter sonhado com a trufa e lembrado de mim. Ser do Amazonas é mesmo uma marca minha. E isso é meio estranho. Porque ser do Amazonas ainda é exceção, por incrível que pareça, mesmo pra nós que moramos aqui, sabe? Ser do Amazonas é tido como anormal, incomum, ou (usando um termo que eu não gosto muito) exótico. E eu ajo assim, como se ter nascido em tal ou tal quilômetro quadrado fosse privilégio ou definisse meu semblante, meu perfil, quem sou. Sabemos que não é, mas eu trago o Amazonas (e, mais ainda, Manaus) carimbado dentro de mim como se fosse uma virtude ou um defeito, um traço da minha personalidade. É estranho. Mas a Clarice Lispector disse que é impossível não amar o chão em que se pisa."
Quem disse que é impossível amar pela Internet é a mulher do padre.
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8 comentários
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Amazonas
E o Arthur Virgílio, heim?
I want to be a part of it, Manaus, Manaus...
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Pior para eles. Bem pior. =)
Sabe que às vezes eu me acho anti-social?
Fiz as unhas em um salão chique no adorável bairro da Aclimação, em São Paulo, e a manicure era de São Luis, Maranhão. Conversa vai, conversa vem, contei a ela que morava em Belém - e eu sempre digo que sou de Manaus, mas moro em Belém, viu? - e ela ficou super feliz, porque conhecia tudo aqui, Círio, tacacá, cupuaçu, açaí... E me tratou com um carinho de velhas conhecidas, como se eu fosse um pouco de Belém, de Manaus. E sou. E é muito.
Eu ia ofender feio se ela chamasse açaí de Juçara. Ia ter fight.
Ai, que fofo.
Agora... já tem um tempo - coisa de umas tres semanas - que tô com essa expressao "mulher do padre" na cabeca. apesar de ser historiadora, nao sei de onde surgiu isso.. sera por ser desvantagem ser mulher de padre, ja que nao havia heranca??
se voce souber, me conta?
beijos, eva.
Eu acho que deve ser porque é PECADO ser mulher do padre!
***
Tina, sabia que o bacuri é a fruta favorita da Rainha Elizabeth?
Ixe, Tina, nem sei se a citação está correta e bem aplicada, ai que vergonha. [Eva]
Eu sempre vou me lembrar de você ao ver, ler, escutar ou conhecer qualquer pessoa do Amazonas (o mesmo em relação à Lu, sendo que no caso dela isso vale para o Pará também). Tem coisa melhor do que ser sempre lembrada por causa do seu lugar de origem?
"É impossível não amar o chão em que se pisa."... mais certeiro, impossível.
Um grande amigo meu, o Policarpe di Emili, diz exatamente isso. Que hoje em dia achamos estranho as pessoas serem amigas e se amarem pela internet. Mas que a nova geração vai se locomover naturalmente dentro desse infor-Mar, assim como nós achamos normal beijar fotos e ouvir a voz pelo telefone.
É esquisito isso de me associar ao Amazonas. Afinal, o Amazonas não é só meu, não sou só eu. Mas isso é puro Market Share; São Paulo aparece mais, então está ligada a mais coisas e pessoas. O Amazonas aparece menos, e, quando aparece, fica vinculado àquilo. Mas não tem nexo, eu sou apenas uma pessoa que por alguma circunstância, nasceu no Amazonas. O Malvino Salvador também, e nem por isso ele é o "ator amazonense".
A frase está no conto "O Búfalo". LHÉNDO. [Eva]
E de outras pessoas que nem lêem teu blog nem falam contigo no msn direito. Sei. [Eva, a ciumenta]
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