Água brilhando, olha a pista chegando e lá vamos nós!
23.11.07
Estive no Rio de Janeiro fazendo uma prova. Mamãe perguntou como seria minha estada lá, e eu disse que a Ana Paula dos olhos claros ia cuidar de tudo.
A Ana Paula é uma mulher que não está vestida de sol, mas é feita de luz. A vaca não tem blog nem msn, mas com uma conta de e-mail e internet banda larga ela faz misérias. Ela é tipo a Cláudia Lyra antes de cruzar a fronteira entre os que lêem blogs e os que escrevem em blogs: lê um monte de blogs, comenta, pensa e cita as coisas escritas neles.
A Ana Paula me recebeu na casa dela. Me colocou pra dormir junto com os filhos dela. Fez de conta que não se aborreceu quando eu remexi nos livros dela. (A Ana Paula só não tem livros no banheiro. Mas nos outros cômodos, do chão ao teto, eles tomam conta do espaço.) Conversou comigo sobre livros, e sobre viagens, e sobre blogs. E contou que os computadores da casa dela são todos em Linux, e afirmou que a vida sem Control + Alt + Del é muito melhor. Quem sabe um dia eu experimente.
A Ana Paula me explicou como funcionava o chuveiro, e me deu leite com toddy pra eu fazer uma prova com bastante energia. Ela disse pra eu parar de chorar de medo da prova, que eu era boa o suficiente e não precisava ter medo. A Ana Paula me levou pro DP pra eu registrar o extravio de todos os meus documentos originais. (Lógico que eu perdi tudo, lógico. Rg, CPF, e até o título. Rá. Nem precisei ser assaltada, eu perco sozinha mesmo.)
Além disso, ela me explicou sobre arquitetura gótica e neoclássica, sobre piso de mercados de peixe e igrejas, sobre o Cassino da Urca e sobre e enseada de Botafogo e sobre o aterro e sobre o Tio Patinhas e sobre as maquetes dos alunos dela e sobre o metrô e as estações do metrô. Ela presenciou o momento em que eu fiz sinal pro metrô parar, e morreu de dar risada. Mas não bateu a foto do momento...
Os filhos da Ana Paula são dois adolescentes educados e carinhosos. Eles falam muito à vontade sobre Isaac Asimov, sobre The Nightmare before Christmas, sobre Linux também (quem sabe um dia eu experimente...). Eles falam com carinho de quando estiveram em Manaus e tomaram banho no Rio de Chá-Mate (mais conhecido como Rio Negro :D). E eles são filhos da Ana Paula, né.
Uma coisa pequena que eu observei e vou dividir com vocês. Eu ia sair pra jantar com meus irmãos. E estava preocupada de chegar tarde e sair acordando todo mundo na casa. A Ana Paula diz que vai me emprestar uma chave. E foi pedir o chaveiro de um dos meninos. Seguiu-se o diálogo:
- Filho?
- Oi?
- Cadê seu chaveiro de casa?
- Na mochila.
- Eu posso emprestar pra Eva? É porque ela vai sair e voltar meio tarde.
- Pega lá.
- Posso pegar emprestada?
- Pode.
Vocês estão vendo as noções de respeito ao espaço do outro, delicadeza, gentileza e consideração que essa mulher tem e passa pros filhos? Eu acho que consideraria o chaveiro de um filho meu como propriedade minha. Agora, repensei muita coisa.
Quem tem Falmigos tem tuda nessa vida.
*****
A Allinne é do Rio também (de Niterói davvero), mas eu não a encontrei desa vez porque ela está morando em Milão pra fazer o pós-doutorado dela. (Que tristeza, isso, morro de pena dela morando em Milão! ;)) Ela tem blog e MSN também. E já morou em Tefé, aqui no interior do Amazonas, trabalhando na Reserva de Mamirauá como bióloga, que é o que ela é, oras.
Eu precisava de um certo artigo pra fazer a prova. Procurei na internet em português. Nada. Procurei em inglês. Nada. O artigo é antigo, de 1993. Achei uma publicação de Buenos Aires, em espanhol. Vinte dólares pra baixar. Falei com a Allinne no msn:
- Allinne, tua Universidade aí em Milão acessa esse artigo x livremente?
- Aguarde e confie.
Recebi o artigo por e-mail e estudei para a prova.
Quem tem Falmigos tem tuda nessa vida.
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O Poeta Matemático. Meu grande amigo. Nos conhecemos jovens e ingênuos, em Cuiabá. Fizemos intenso intercâmbio de e-mails pela Internet, quando vi como ele era inteligente e culto e com uma cabeça legal. Ele criou blog por minha causa. Somos parceiros de blog. Ele me mostrou Brasília. Eu mostrei Manaus a ele. E agora, nos reencontramos no Rio. Foi bom. Foi para sempre.
Uma foto do Poeta do único ângulo possível. Senão, vocês ficariam ofuscados com tanto brilho...
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No meu primeiro dia no Rio, fui comer O BOLO DE CHOCOLATE DA TELINHA.
Se você não comeu o bolo de chocolate da Telinha, você viveu pouco.
Carla San e Cláudio Luiz. Telinha e gatinhos. Bolo de chocolate morno, com sorvete de creme. Tudo o que eu falar será pouco. Para resumir, falamos de vários assuntos - livros, filmes, propagandas engraçadas, o Rio, a internet, emprego.
E também falamos do nosso assunto FALvorito.

Na foto acima, repare que Telinha conjugou o verbo escoisear. Pra quem não entende o que é se escoisear, taí - é o que Telinha fez comigo.
Carla San me deu um colar Vicenzza, tá? Verde do jeito que eu gosto, tá? Eu afofei e escoiseei Carla San, viu?
Cláudio Luiz é um Perfeito Cavalheiro. Um momento engraçado: estávamos chegando no Metrô, e eu agoniada, sabia apenas que o bilhete que eu precisava comprar custava três reais e servia pra ônibus e metrô. Não sabia o nome da passagem. Cláudio Luiz, fino, notou isso e perguntou pra Ana Paula:
- Qual bilhete ela deve pedir?
- Um integração pra Urca.
Eu fui e pedi pro bilheteiro:
- Uma integração pra Urca, por favor?
E os três - Carla San estava conosco - começaram a rir. "Pô, tá na cara que ela NÃO É CARIOCA!"
***

Os meus irmãos são os filhos da minha mãe. E eu sempre tenho a agradável surpresa, quando os vejo, que somos mesmo irmãos, parecidos e com interesses em comum. Tenho muito carinho por eles, mesmo morando longe.
****
O Rio de Janeiro continua lindo. Ai, que lugar lindo. Parece que a natureza teve vertigens ali naquele lugar. Morros. Paredões verticais. Mar. Céu desgraçadamente azul. Céu filhadaputamente azul. Céu cariocamente azul. Iates estacionados na enseada. Pão de Açúcar. Morro da Urca.
E a beleza humana. Prédios antigos. Alamedas com árvores retorcidas. Casas bonitinhas. Meninos de olho claro. Meninos negros. Meninos de olho claro E negros. Mulheres goixtosas. Pessoas com sotaque chiadinho. Muitaix. Todaix.
Ah, o meu amor por Manaus é biológico e profundo. Mas o Rio é um lugar fácil de amar. Sou Rio, sorrio, sou Rio, sorrio...
(O rapaz que registrou o extravio dos meus documentos na DP era tão gato que eu não resisti. "Tiago, você é tão lindo por dentro quanto por fora..." A Ana Paula só achando graça. Eu sou um desastre na cantada.)
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E se não fosse essa mulher, eu não tenho certeza nem mesmo se eu teria me inscrito no mestrado. Não teria estudado bem. Não conheceria nem a Allinne, nem a Ana Paula, nem a Carla San, nem o Cláudio Luiz, nem a Telinha. E muitos conceitos que são hoje fundamentais na minha vida, foi dela que eu copiei na maior cara de pau. Cabe um agradecimento a ela também, com esse amor todo distribuído pela internet que transborda pra essa vida real, que pode ficar menos chata com gentileza e carinho. Te amo, Fal.
*****
A minha mãe.
Que é meu anjo da guarda, minha amiga. Obrigada por esse amor imenso, briguento e carinhoso - que é aquele que nós duas sabemos amar. Tenho medo de passar na prova e morar longe dela. Mas ela diz que vai dar tudo certo.
********
E é isso. Espero pelo resultado da prova pra marcar OUTRA ida ao Rio. O lindo Rio, com lindas pessoas, incríveis amigos.
Às vezes eu me sinto culpada por ser tão feliz.
Arquivado em: Blogosfera, Fotografia, Turismo, Amizade, Amor, Gente, Lugar, Saudade
8 comentários
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Comentários:
Eu tô daqui de longe torcendo pra vc se sair bem na prova e ir morar no RidiJaneiro. Que assim, qdo eu for lá uma vez por ano tomar na veia minha dose anual de carioquice, eu te escoseio, te afofo, te levo pra conhecer a Lapa e Santa Teresa.
Um beijo enorme, querida. Tô daqui torcendo.
Eu sei. E ainda acho isso tudo meio mágico.
Vc tem um jeito de contar as coisas que prende os olhos do leitor, sempre na expectativa de uma nova frase inteligente, um trocadilho bem posto, poesia e humor, tudo misturado e bem delineado.
Fora as belas imagens que ilustram o texto. Muito bom!
*Eva ficando corada*
O mundo ia ser mais gostoso, ah, se ia!
Não só o bolo era ótimo.
Você é ÓTIMO!
como eu não tenho blog, não contei assim, publicamente, como ela foi gentil e atenciosa quando nós fomos a Manaus este ano. Logo, eu não podia ter feito outra coisa em retribuição.
Boba, não fiz nem metade.
Eu amo o Poeta. Pra dizer a verdade, eu amo muito o Poeta. Pena que não sei demonstrar direito...
E eu posso dizer com a boca cheia: EU COMI O BOLO DA TELINHA!!! Morno, cheiroso e coberto com brigadeiro e com as incríveis raspas de chocolate de menta da Mani!!! Deus do céu, preciso fazer isso de novo!
Sua mãe só sabe fazer filho bonito, benza Deus!
Quanto à Fal... bem... vamos combinar? Quando você estiver morando no Rio, vamos visitá-la juntas? Vai ser bem legal...
Sua mãe é linda e forte. Benza Deus de novo!
Te amo, Evinha... e estou torcendo pra você virar minha "vizinha"!
Eu nem sei mais pelo que eu torço. Metade de mim é partida, metade de mim quer ficar. Metade de mim é amor, e a outra metade... cê sabe!
Foi rápido, corrido, intenso, mas foi legal...
Foi legal pra caramba...
rsrsrsrs
Abraços
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