No Reino da Bicharada
25.09.07
Eu adoro animais. Os meus, os dos amigos (até dos inimigos), os da rua. Não sei se tem a ver com o fato de ter crescido sempre com um em casa, já que minha mãe e meu pai têm o péssimo hábito - até hoje - de pegar animais da rua e abrigar - "por um tempinho, até acharem quem queira", o que equivale muitas vezes a um, dois, sete ou vinte anos.
Hoje eu tenho oito gatos em casa, todos vira-latas da rua e castrados e lindos, mais três cachorros (apenas uma veio da rua, há quase nove anos) e um casal de maritacas em lua-de-mel que resolveu fazer seu ninho de amor no forro do teto do meu quarto. Este último espécime me dá um pouco de receio de algum vizinho politicamente correto - e um tanto desinformado - ligar para o Ibama me denunciando.
Já tive peixes, uma periquita chamada Kelly (esta quando morreu me deixou de luto mais de uma semana, e, aos oito anos de idade, eu tive meu primeiro contato com a perda de alguém querido), muitos gatos e cachorros marcantes, destes que renderiam livros a la "Marley e eu".
Tem uma coisa que chega a irritar quem anda comigo: se eu esbarro em algum gato na rua, eu invariavelmente paro para brincar com ele. Mas assim, paro mesmo. Já deixei uma amiga me xingando, dizendo estar com pressa. "Vai andando, então, te encontro mais tarde". Ora, a pessoa é destas que detesta gatos, e vem me dar a desculpa de que não pode esperar dois minutos? Ok, vá na frente que eu fico aqui com meu novo amigo.
Eu desvio de pombos dirigindo. Algumas pessoas riem disso e eu sempre me pergunto: "Mas o que tem de absurdo em desviar o carro de um pombo?" Por acaso eu teria o direito de matar o bichinho, só porque ele é meio lesado e anda na avenida Higienópolis no horário do rush como se estivesse em uma viela pacata de Sertãozinho da Mata Adentro? Sim, é um bicho lesado, mas eu não vou matar por causa disso.
Aliás, depois que eu descobri que o Todo Poderoso e sua esposa têm um pombo de estimação (!!), aí percebi ainda mais o quanto não podemos achar que certos animais não merecem respeito. Afinal, há ainda quem tenha verdadeiro amor por aranhas, répteis, morcegos e toda a sorte de animais peçonhentos.
Por mim eu teria coelhos, cobras (não venenosas, claro), sagüis e até cavalos, zebras, girafas, leões, chimpanzés, coalas, focas, pingüins e ursos panda. Uma Arca de Noé.
Tem um lado ótimo de não se ter animais, que é não conviver com a sujeira nem os estragos que eles fazem (e quem tem mais de um gato em casa pode entender muito bem o que é isso), além de uma bela quantia economizada todos os meses, que acaba sendo gasta com alimentação, veterinários, areia higiênica e um ou outro agrado que todo dono de bicho faz, como um osso, arranhadores ou saquinhos de Cat Nip.
Uma das cenas mais hilárias com estragos feitos pelos meus gatos envolve meu irmão (que na época ainda morava conosco), um quarto sem porta e duas fantasias de índio que ele havia alugado pra ir a um baile de Carnaval com sua namorada (hoje minha cunhada).
As fantasias estavam em cima da cama dele, que ficava no quarto sem porta do qual falei acima.
Uma noite eu chego em casa e vejo penas que pareciam de pássaros pelos degraus da escada. Fui subindo com um certo pavor, na certeza de deparar com um passarinho morto. Chego à sala e nada. Mas vejo mais penas em cima dos sofás e também pela segunda escada, que dá acesso ao mezzanino e ao quarto que era do meu irmão. Vou subindo, as penas são muitas, centenas. Minha expressão já era a da Drew Barrymore quando encontra o E.T., eu estava muito, muito apavorada. Imaginava que eles tivessem matado metade dos passarinhos do morro da minha rua.
Quando finalmente entro no quarto, a cena mais estapafúrdia que já vi nestes anos todos com os bichanos: meus gatos acabavam de destruir o que sobrara da saia e dos cocares das fantasias. Tinham penas até o meio da garganta.
Pelo chão jaziam apenas o cós da saia e as faixas dos cocares, de plástico.
E olha, a sério? Não tem como brigar com eles. Nestas horas a gente morre de raiva mas também ri muito.
Sim, todo dono de animal é um tanto masoquista. ![]()
P.S.: apesar de eu amar animais, não faço o gênero Dian Fossey, a pesquisadora vivida por Sigourney Weaver no filme Nas Montanhas dos Gorilas. Adoro pessoas, adoro meus amigos, adoro estar com gente fina, elegante e sincera, adoro rir, abraçar e interagir. Porque tem muita gente que acha que são coisas excludentes. Mas não. ![]()
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Os únicos animais de estimação que tive foram peixes. Tirando um casal de platis que não tinha televisão no aquário, todos os outros foram Carassius auratus, também conhecidos por peixe-dourado, peixe-japonês e por aí vai.
Talvez seja por isso que paro para olhar um aquário bem feito. Outra boa lembrança é a do aquário de um primo já falecido de meu pai. Como era bem cuidado. Gostaria de ter um aquário, mas o trabalho de jornalista me faz ter pena dos peixes, por mais que eles não demandem tantos cuidados quanto demandariam cães e gatos.
Sobre gatos na rua, confesso que não paro para brincar com eles, pois animal na rua é meio imprevisível. Vai que de repente o bicho está com o vírus da raiva (isso também vale para cachorros de rua)? Fora que em meus tempos de república, já descobri que pulga de gato pica o homem sim. Basta que ela fique fora do gato em um lugar em que só sentem pessoas que imediatamente ela te pica. O gato em questão foi um projeto fracassado de um morador que ficou na casa por bem pouco tempo.
Sobre pombos, sinceramente, se eu atropelar um não me massacrarei e só pensarei mesmo na roda desbalanceada. Pombos domésticos são espécie exótica e invasora, que junto com pardais tiram o espaço de aves até outra época comuns mesmo em áreas densamente concretadas, como sabiás, bem-te-vis e outras de porte menor. Quando era criança, via tico-tico de monte, porém hoje eles estão quase extintos na cidade por causa dessa porra de ratos com asas chamados pardais (as ratazanas aéreas são os pombos domésticos mesmo). Fico pensando uma coisa: se o ser humano teve a capacidade de extinguir o pombo-passageiro, espécie nativa dos EUA que existia aos bilhões, por que não consegue erradicar ao menos das Américas o pombo doméstico, o pardal e o estorninho? Essas três aves introduzidas geram não só problemas de desequilíbrio ecológico como problemas econômicos.
André, eu tinha certeza que você iria fazer comentários bem menores agora, que fez seu próprio blog, mas me enganei. Hahahahaha!
(Ei, isso não é uma crítica ou censura, apenas uma observação galhofenta que eu, na condição de sua amiga, me permito fazer.
Ah, eu não consigo matar pombos, mesmo sabendo que eles são transmissores de doenças, sim. Nunca matei, mas acho que ficaria bastante chateada se isso acontecesse.
Olha só, eu não gosto muito de aquários. Amo peixes, mas não curto vê-los confinados. Pássaros idem. Tive uma periquita, como disse no post, mas eu era super pequena e quem comprou (pegou?) foi meu pai, eu não opinei em nada. Hoje em dia não teria mais.
Aqui em casa fizemos um gatil pros meus gatos e até agora custo a me acostumar à idéia de vê-los limitados àquele espaço (que nem é tão pequeno, muito pelo contrário, segundo a veterinária deles).
Felizes esses bichos de terem uma dona feito você.
Beijos, adorei o texto.
Tuca, eu amo ficar no gatil com meus filhotes no colo. É uma das partes mais gostosas do meu dia e que acaba compensando muita coisa ruim que eu porventura esteja atravessando...
E sinto a maior falta deles aqui dentro, você sabe... mas melhor assim, com a casa mais em ordem e muito menos sujeira. Fora o medo constante que eu tinha de sempre imaginar que poderiam envenenar um deles ou mesmo todos. Ou que morressem atropelados, que algum cachorro da rua matasse ou outra coisa ruim... enfim, não sinto mais nada disso agora.
Mas que me parte o coração vê-los lá presos, ah, isso parte...
Sorte deles, que têm uma dona feito eu, e, mais ainda, que ela namore alguém como você.
Cara, também amo bicho e tenho três cachorros. Mas teve uma época que cheguei a morar com 15 gatos, acredita? Minha gata de estimação foi tendo gatinhos e gatinhos e gatinhos... hauahuahauhaua...
Claudia, é mesmo, você tinha comentado. E o texto nem tinha final! Você achou que eu ia acabar o texto daquele jeito sem pé nem cabeça, "tinindo" total? Hahahaha!
Pior que a lesada aqui tinha certeza de ter salvo o comentário pra postar agora, mas que nada... sumiu... deve ter sido por causa do tilte que os comentários do IB sofreram nos últimos dias...
Claudia, eu cheguei a morar numa casa com - glup - 19 gatos! Sério. Eu era pequena e a lembrança dos gatos pela casa toda é bem forte.
Hoje em dia já nem sei como tenho oito. Acho mesmo exagero, mas infelizmente nasci deste jeito idiota... não posso deparar com gato abandonado... uma droga isso...
Só não curto insetos! irrrc!
Tenho vontade de adotar um cachorro ou gato, mas tenho um pouco de receio pois moro em apê... aiai
pat, se eu fosse vc largava tudo - menos o tuca, sua mãe e o cintaliga - e fazia biologia!
agora o meu momento andré fiori: quando leio seus textos lembro do motivo pelo qual eu sempre insisto pra vc escrever e nunca desistir desse blog - é porque vc escreve bem demais.
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