Mascar alho, que situação!
09.08.07
"Quando eu nasci veio um anjo safado, um chato dum querubim... que decretou que eu tava predestinada, a ser zicada assim..."
Pronto, parei de reclamar, isso foi só uma introdução bem bobinha e infame para relatar algo que ocorreu hoje. Que marcou os 30 anos da Lady Murphy na minha vida.
Dormi na casa do meu namorado e, ao acordar, fui tomar café da manhã. Achei uma margarina à base de alho na geladeira e quis experimentar, já que eu adoro alho.
Comi um pão francês com a dita cuja, imaginando que fosse sentir um leve sabor de alho, apenas. Na verdade o sabor nem é tãão forte assim, mas a sensação após a ingestão, é a de ter comido dois dentes de alho inteiros. Aquele sabor forte bem característico do alho, vocês sabem.
Terminado o café da manhã, fui direto para o banheiro escovar os dentes. E aí é que aconteceu o pior. Cadê a escova? Procura daqui, procura dali, e nada. Mexo em todas as 25 mochilas que trouxe pra casa dele pra passar poucos dias, e nada também. Começo a suar frio, o gosto de alho vai tomando conta de mim e eu tenho receio de estar emitindo cheiro de alho para o andar inteiro.
Troco o pijama por uma roupa e desço para ir a uma farmácia aqui perto, comprar uma escova.
Dou graças a todos os deuses por estar andando em território desconhecido, onde o risco de eu esbarrar em alguém e precisar falar, é mínimo.
Chego à farmácia, compro uns anti-gripais e vou para a seção das escovas. Olho várias e pego uma das mais baratas, já que era mesmo uma situação emergencial. Aliás, as escovas ali custam os olhos da cara, quase todas.
Percebo um rapaz andando pela farmácia, com uma prancheta.
Fico ali mais uns segundos e vou pro caixa. Pago e saio, andando calmamente, quando o mesmo rapaz que estava lá dentro com a prancheta minutos atrás me aborda:
"Oi, moça, será que você me daria dois minutos da sua atenção para responder a uma pesquisa?"
Como eu disse, eu estava andando super calmamente, com jeito de quem passeia mesmo (fazia muito tempo que não via ruas civilizadas e movimentadas logo pela manhã. Meu bairro é bem diferente disso) e fiquei sem jeito de simular uma pressa que estava longe de existir. E tive dó do rapaz também, sei lá. Enfim.
"Oi, moço, claro, diga", falo meio que soltando a voz aos poucos - numa técnica recém inventada que eu nem sabia que possuía - e também um pouco afastada dele.
"Então, eu estou aqui fazendo uma pesquisa sobre higiene bucal e..."
(Sim, leitor, você leu bem e eu não estou inventando. Tem horas que eu me sinto dentro de um episódio do Seinfeld ou de algum outro sitcom, de tantas situações ridículas e irônicas que passo constantemente).
Eu fiz uma cara de "não pode ser, é pegadinha", quase procurando uma câmera escondida por ali.
Ele continua: "Então, é que eu reparei que você estava procurando escovas de dentes... e que escolheu uma. Qual a marca da escova que você comprou?"
Eu: "Olha, moço, vou ser sincera, eu nem sei. Peguei uma das mais baratas, pois é uma emergência", digo, dando mais dois passos para trás e talvez até torcendo pra que o possível hálito de alho chegasse a ele, para ele se compadecer e me liberar logo daquela tortura.
("Nossa, que hálito de alho, ela não mentiu ao falar que é uma emergência!". "Tudo bem, moça, obrigada pela pesquisa, tchau.")
"Ah, entendi. Mas você não tem alguma marca de sua preferência? E as outras que você olhou, não pegou por que não gosta delas ou por causa do preço mesmo?"
Mais dois passos para trás. Logo mais teria que responder a ele por sinais.
"Olha, tem outras marcas das quais gosto mais, sim, mas elas estão muito caras para serem compradas apenas em uma situação assim. Eu tenho boas escovas em casa. Tenho até uma elétrica, uma maravilha", falo, me empolgando e quase esquecendo que meu hálito poderia estar desabonando todo aquele meu discurso.
("Hum, sei, ela tem várias escovas em casa? Tá bom, conta outra")
Mais uma pergunta e finalmente ele me liberou.
Volto pra casa do meu namorado, entro no banheiro e escovo os dentes por uns dez minutos, desta vez jurando nunca mais ingerir nenhum tempero forte destes sem antes me certificar de estar com uma escova de dentes à mão.
Ps: eu nem ia escrever esta amenidade, mas eu e Lu rimos tanto disso no MSN que eu quis relatar. ![]()
Ps2: você achou o título do post infame, leitor? Eu, meu namorado, a Lu e toda a torcida do Corinthians também achamos, mas trocadilhos infames fazem parte da minha vida. Quem sabe na próxima "encadernação" eu nasça menos boba? 
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Hahahahahaha... ai, ai, dona Lu, a senhorita me faz morrer de rir. LOL, LOL, LOL! Hahahahahahaha!

A-do-rei o título do post!
Quase dei trela de rir de toda a situação!
Beijinhos
Ai, Jak, que bom que alguém não achou este título a coisa mais idiota do mundo! Valeu mesmo pelo apoio moral, viu?

Beijos.
ela nos dá tantas alegrias após as desgraças hahahahahaha
Sim, sim, Cottonboy, mesmo em meio às situações mais bizarras, conseguimos rir um pouco (bom, nem sempre, claro...
) 'Brigada, Emilio. Que bom.
Não foi, Claudinha? Eu achei mesmo muito bizarro isso.

Ah, e que bom, MAIS UMA pessoa achou que o título cALHOu bem. (Ai, ai, trocadilho idiota ATÉ respondendo leitor não pode, né, Patrícia? Menos, controle-se).
Tá vendo, Cláudia, é mais forte do que eu, não dá... haha...
Eu e todos os leitores adoramos a estória, a forma de narrá-la e o título. Pare de se desculpar, viu? Beijo.
Vivíssima, pensei mesmo, mas acho que vou começar a narrar certas coisas, por mais que eu as considere banais. A vida é isso mesmo, afinal, né? Uma sucessão de banalidades, que acabam tomando proporções maiores, como casamento, filhos, empregos...

Ai, tô me achando. Você é a TERCEIRA pessoa a não me condenar às chamas eternas por tamanha infâmia no título. Brigada, e aquele depósito na sua conta já foi feito. Hahahaha!

Beijo!
Bjos.
Carlinha, eu adoro alho. Mas não puro, eca. Adoro alho frito, bem sequinho. Pão de alho é uma delícia também. Hum, nham nham...
Mundo de Truman? Não tinha pensado nisso. Taí, gostei.

Beijo!
e acho o título sensacional!
A) "Sobre sua mãe trepando, filha da puta", em direta paráfrase de Batman - Feira da Fruta.
C) "Rola, salsicha, banana, entrando e saindo, tá?", como naquela altura do segundo bloco de "Caçadores de Zica" em que o cara passa a cantada na viuvinha dentro da igreja e diz do que ela precisa. Claro que aqui ficaria descontextualizado, mas dá para qualquer pessoa minimamente inteligente compreender que "rola, salsicha, banana" que dizer respeito a tudo aquilo que concerne sobre a vida do homem, usando-se uma metonímia, sinédoque ou que raios for de figura de linguagem.
Depois desse episódio, acredito em tudo. Porém, outras da lei de Murphy já nem conto mais, de tão freqüentes que são. Estar para atravessar um cruzamento e bem na minha hora o sinal fechar, seja a pé ou de carro, é uma delas. Já houve uma vez que saía da Abril e ia para as bandas da Aclimação. De lá do prédio, parte um ônibus que passa pertíssimo de onde eu ia descer. Mas eis que estou indo pegar o mesmo no ponto inicial e quando chego perto, ele já estava indo embora. Pego outro ônibus para aproveitar o Bilhete Único. Quando estou para descer em um ponto em que passa ônibus para a Aclimação, eis que vejo o que serve certinho do outro lado do canteiro central e, claro, indo embora. Nem preciso dizer que demorei uma eternidade.
Outra de lei de Murphy total foi quando eu ia para a entrevista de emprego na UM. Como era uma ocasião com tempo um tanto cronometrado, resolvi ir com meu ex-carro (já que mascar alho, picar alho e socar alho estão liberados...). Passo a Água Espraiada e paro no sinalzinho que tem depois. Abre o mesmo. Piso no pedal da embreagem e TÁÁÁÁÁÁÁ. Foi-se o acionamento da dita cuja. Um monte de buzinas instantâneas surgem, desligo o carro, espero uma frente ser dada, dou a partida, faço o carro se deslocar aos trancos até o posto e chamo o seguro. Ligo para a secretária explicando o problema. Cabo quebrado? Não. Era uma miserável de uma pecinha de plástico cuja rosca espanou. O cara do seguro pôs uma porca segurando a tal pecinha (a tal redundância segura esquecida pelo fabricante em um órgão tão vital) e lá fui contente até o lugar de entrevista. Pior foi chegar atrasado e falar para o diretor da revista o ocorrido. Até disse para ele: "se quiser, podemos ir até onde estacionei o carro e te mostro o que quebrou". Afinal, se há algo que não gosto é que a lei de Murphy me faça parecer mentiroso ou relapso. E, claro, nem preciso dizer que cheguei ao segundo compromisso do dia atrasadíssimo.
Fora contexto profissional, masco uns alhos em outras ocasiões. Ligar do telefone de casa para alguma mina que porventura cato, nem pensar, pois é pedir para que apareça mãe, pai ou sei lá quem me perguntando alguma coisa nada a ver e, portanto, interrompendo. Dei um ultimato à Lady e desde então, só faço isso por celular e bem longe de meu domicílio.
Mas o que seria da vida sem esses sitcoms reais!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
bjocas
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