Esquina, paranóia delirante...
28.06.07
Sabe por que São Paulo está gerando tanta gente maluca? Vou dizer apenas um dos motivos, claro, porque na verdade eles são centenas. Mas um muito, muito grave, é o trânsito e a má educação de vários tipos de motoristas/pedestres.
Eu ando pela cidade a pé, de ônibus (menos do que gostaria), de carro dirigindo (muito mais do que gostaria) e às vezes até na garupa do cavalo branco do meu príncipe, digo, sua Honda Sahara roxa. Sinceramente, fazer isso acho que gera um respeito maior do que quem apenas anda de carro (esquece como é ser pedestre e geralmente fica mal-educado e arrogante mesmo, ensimesmado, isso quando não generaliza e acha que todos os motociclistas são idiotas) e quem apenas anda a pé (também esquece completamente o quão chato e estressante é a vida ao volante, isso quando não xinga os motoristas sem motivo, simplesmente porque nunca dirigiu e realmente não entende muitas coisas inerentes à condição de motorista).
A cidade de São Paulo tem TODOS os tipos de motoristas e meios de locomoção que vocês podem imaginar e até mesmo os que não imaginam.
Há ciclistas, motociclistas, vans, peruas, ônibus, carros (milhares, é a segunda maior frota de carros DO MUNDO, ficando atrás apenas de Los Angeles... que beleza, não?) e até... carroceiros. Sim. Carroceiros, pela cidade toda. Já deparei com eles em vias como a Rebouças e até a Paulista. Se eles estão nelas, que dirá nas vias com um pouco menos (não muito) de fluxo de veículos?
Hoje estava andando por uma avenida que passa atrás da minha casa e cheguei em um ponto onde a calçada, do nada, acabava. Simples assim. Não é que ela acabava, ela fazia uma montanha de concreto de quase um metro (com o perdão do exagero, isso é algo quase intransponível para um ser da minha estatura), ao redor da raiz de uma árvore. A solução é ou subir neste monte de concreto - e mulher que estiver de salto alto se esborracha na certa - ou ir para a avenida, disputando lugar com os motoristas (os mesmos que vão xingar o pedestre por ele estar andando na rua, já que nem vêem que ali era um trecho intransitável para o coitado. Eu mesma passando de carro ali seria capaz de reclamar do pedestre na rua). Nestas horas tenho vontade de sair gritando e fazendo comício, igual àquele repórter da Globo que eu acho um tanto mala, Márcio Canuto.
Que desrespeito sem limite às pessoas, eu fico realmente boquiaberta.
Isso é por todo lado. Se você, leitor, morar em São Paulo e for pedestre por algumas horas, certamente poderá confirmar isso.
Eu lamentei muito não estar com a minha máquina para fotografar aquele monte de concreto. Mas enfim, este é apenas um dos 73.907 obstáculos que certamente existem pela cidade. Se eu fosse deficiente física e morasse no meu bairro, acho que já teria ficado louca.
Eu lamento não andar mais de metrô, no meu bairro ainda não existe nenhuma estação próxima. Lamento mais, muito mais, não andar de bicicleta, por medo de ser atropelada. O desrespeito é imenso, e eu acho muito corajosos estes ciclistas na Rebouças, na Consolação, na Paulista. Como eu queria ter a ousadia deles... estou mais do que cansada do trânsito, de dirigir, de enfrentar estresse e descaso por causa de ruas esburacadas, mal sinalizadas e iluminadas, motoristas completamente despreparados e sem noção, que nunca dão seta e certamente acham que isso é opcional e, mais ainda, das malas dondocas que andam com suas Pajeros a 60 km por hora e fazem fila dupla nas portas dos colégios e academias. Vontade der esganar é pouco.
Não ando mesmo muito "meiguinha", dá pra ver, mas chegar quase ao fim de uma semana com os nervos e o humor intactos sendo motorista/pedestre (digo os que realmente precisam dirigir diariamente e/ou dependem dos nossos ótimos meios de transporte público) em Sampa é uma missão para poucos.
Não tem como não fugir do clichê e afirmar que todo paulistano mantém uma relação de amor e ódio com esta urbe com 18 milhões de habitantes apressados e muitos sem respeito aos seus próximos.
Eu vou depois colocar um texto aqui que queria muito achar, sobre os transtornos psicológicos que o estresse do trânsito paulistano tem causado a muitas pessoas. Li isso há uns meses numa publicação muito boa e séria, e vou checar se há uma versão online e arquivos para textos passados.
O medo de sofrer seqüestro-relâmpago ou ser assaltado num farol fechado (eu fui duas vezes) deixa as pessoas mesmo bastante apreensivas, e qualquer pedinte que se aproxima de nós, dependendo do local e do horário, é motivo de receio, sim.
Um dia ainda tenho que morar em Roma e ter uma lambreta, só pra descer pelas ruas sinuosas de alguns bairros de lá sentindo o vento no rosto, como o Moretti fez em Aprile (um dos nossos filmes preferidos, né, Biajones? ;)) e esquecendo, por pouco que seja, do quanto já me estressei e me angustiei aqui ao presenciar e viver certas cenas e situações.
Se eu ficar mesmo em Sampa mais 20 anos, acho que meu filho vai ganhar um triciclo e eu vou apenas trocando o modelo, ano após ano, até ele ficar adulto. :P
De estressados por causa de trânsito, já bastam os pais. ;)
ps: apesar de eu não saber ainda o que minha mãe tem, ela está bem. Obrigada a quem desejou sorte a ela. E também a quem pediu pra eu parar de ser tão fatalista. :P
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Comentários:
Sobre carroceiros, ontem lá perto de meu lugar de trabalho vi um episódio daqueles de falta de condução defensiva: o carroceiro parou seu instrumento de trabalho na faixa da direita da Heitor Penteado, sentido bairro, bem em uma curva com ângulo de pouca visão. Detalhe: como há um posto de gasolina reformando, ele teria toda uma guia rebaixada para deixar a carroça sem causar problemas. Porém, lá víamos o fluxo de trânsito tendo de desviar para a esquerda por causa daquele estreitamento de pista momentâneo, fora ônibus freando. Pouco depois, vi o carroceiro pegando a mesma e indo embora. Não ocorreu um acidente por milagre.
Sobre a avenida atrás da casa da Pat, tudo bem que ela tem lugares meio baldios, que realmente não justificariam uma calçada, mas que é preciso dar um espaço para que ao menos os pedestres possam trafegar sem problema, isso é verdade. Árvores que erguem o piso, por sinal, são consequência da impermeabilização do solo, que as força a subir as raízes e nessa, quebrando as placas de concreto. Se não me engano, a cidade de Filadélfia conseguiu solucionar esse problema usando placas de borracha reciclada de pneu. Por serem elásticas, acomodam-se bem ao crescimento das raízes sem formar cantos vivos ou relevos maiores e também evitam impermeabilização do solo e, por causa disso, também evitando enchentes e nessa, fazendo as raízes das árvores descerem em vez de subir. Vale lembrar que a subida das raízes das árvores também acaba por prejudicá-las e a longo prazo, podendo fazer com que caiam. Só aqui perto de casa, umas cinco já foram para o chão, uma delas levando junto o muro do cemitério e, talvez, uns ossinhos que nunca mais serão recuperados na hora de exumar o vovô ou vovó de alguém.
Sobre metrô, vais mesmo ter de esperar a linha 4 ficar pronta, porém, há uma cratera impedindo isso, fora a possibilidade de uma série de materiais vagabundos que exigirão obras a posteriori, ao contrário das linhas 1, 2 e 3, que resistem bravamente, por serem caprichadas.
Sobre estresse no trânsito, sou outro que fica assim. Eis que você está na faixa adequada para sua velocidade e se depara com uma lesma que deveria estar mais à direita. Porém, ele não se lembrou desse detalhe. Vemos também motoristas que pisam excessivamente no freio para fazer uma simples curvinha ou entrar na garagem. Muitas vezes, ultrapassa-se pela direita não por vontade expressa de burlar a lei, mas sim porque na faixa à esquerda tem alguém bloqueando por lerdeza, quando deveria deixá-la livre tanto para ultrapassagens quanto para passagem de veículos de emergência. Pergunte aos bombeiros o problema que é lidar com lesmas ao atender ocorrências.
Em São Paulo, sobre seta, noto um problema: quando você dá seta, passa a impressão que aí sim é que as pessoas aceleram para cima de ti. Custa dar um espacinho que fosse para a pessoa passar? Não estamos falando de gente em contexto navalha (como alguém na faixa mais no extremo oposto da entrada que dá uma seta marota e fecha meio mundo), mas sim de gente que segue normal, mas muitas vezes tem de perder a entrada só para não bater e, por isso, evitar discussões que podem até custar a vida.
Sobre medo de assalto, é coisa que todos temos. Sugiro a quem mora aqui na cidade, ao vir um sinal vermelho ao longe, que reduza suavemente a velocidade muito antes até ele esverdear. Lembremos que não há registros de assaltos a motoristas em movimento, por motivos óbvios. Também me assustam pedintes, principalmente aqueles que vêm em um ponto cego e batem de leve com a mão no vidro ou lataria. Ainda sobre assaltos, o lance é cortar ao máximo possibilidades de elemento-surpresa dos meliantes, pois é com isso que eles em geral contam.
Por fim, ainda que não se saiba o que dona Edith tem, é bom saber que ela está bem e que, pelo visto, o tal troço não é nada incapacitante. E, claro, pare de ser tão fatalista...
muito bom, muito bom!
^^
De estressados por causa de trânsito, já bastam os pais.
gostei disso.
=*
http://www.thaaigoulart.blogspot.com/
Bem, é isso...
Ainda não enfrento trânsito caótico, apesar de achar meio chato dirigir, mas o máximo de tempo que já fiquei num engarrafamento foi meia hora.
Não conheço São Paulo, vejo aqueles engarrafamentos quilométricos pela tv e sempre ouvi falar no caos das ruas, é possível imaginar a frustração de não poder fugir disso. O filme "Não por acaso" que está nos cinemas mostra as ruas de SP de outro modo. Até poético.
E bom saber que sua mãe está melhor
Tb ando em vários meios, como você... e isso realmente mudou meu ponto de vista...
Lamentável... Viajo muito e nunca tinha vivido coisas assim como turista...
até!
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