Jornalismo: MUITO MAIS que um diploma
24.05.07
Eu posso receber toneladas de comentários me xingando (e se for APENAS xingando sem explicar sua revolta, vou apagar sem dó), mas queria falar o que penso da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo.
Sou contra. Contra, contra e contra.
Em três anos de curso (eu tranquei minha faculdade por falta de recursos financeiros, talvez volte ano que vem), presenciei cenas que vão do ridículo ao bizarro, passando pelo vexaminoso.
No primeiro semestre da faculdade, tivemos de entrevistar uma personalidade política. O Cláudio Lembo havia acabado de assumir a vice-governadoria do Estado de São Paulo, e foi um dos nomes sugeridos por mim ao meu grupo.
Claudio Lembro havia sido reitor do Mackenzie por oito anos, e minha mãe, sua secretária (ela é secretária da Reitoria do Mackenzie, não particular do Dr. Claudio Lembo), de modo que não seria tão complicado chegar a ele. Não quis, no entanto, me valer disso para a entrevista. E muito menos o Claudio Lembo, que tem fama por ser bastante ético. Como ao menos seis pessoas do curso de Jornalismo queriam entrevistá-lo (três de cada uma das duas classes do primeiro semestre), ele sugeriu que mandássemos um texto sobre o que pensávamos do curso, quais eram nossos anseios e expectativas em relação a ele, e no que gostaríamos de fazer na condição de Jornalistas, quatro anos mais tarde. E que mandássemos o texto sem assinar, para que ele justamente não soubesse qual seria o meu.
Pois bem, ele escolheu o meu como sendo o melhor redigido e o que mais lhe agradou. Preciso falar o rebuliço que isso gerou nas classes, e que NINGUÉM acreditou na idoneidade da escolha?
A própria professora que nos incumbiu da tal entrevista leu os textos e admitiu que, se fosse o Claudio Lembo, também teria escolhido o meu.
Agora vou falar como era o comportamento dos alunos:
Professora diz: "Queria que vocês fossem ao – lugar x -, entrevistar alguma pessoa que pudesse responder sobre tal e tal coisa".
Reação imediata de quase todos:
- Ai, psôra, num sei chegar. Da minha casa pra lá não tem ônibus!
- É isso mesmo! Pra mim também não dá, prófs!
E isso contagia 90% dos alunos, que alegam não saber chegar ao lugar x ou y por falta de ônibus ou metrô, o carro do pai estará parado por causa do rodízio, é dia da prova da Cultura Inglesa, é dia de levar a Dolly pra ser tosada etc.
Se isso é ter alma de Jornalista, prefiro sair correndo de um lugar destes.
Em três anos eu entrevistei o Claudio Lembo, fui – sozinha, porque todos alegavam ser longe – à Polícia Científica e ao Denarc entrevistar policiais e fotógrafos, fui – desta vez QUASE sozinha, pois mais dois "corajosos" estavam comigo e com o professor de fotojornalismo – ao centro velho para tirar fotos de construções antigas (os alunos do meu grupo disseram "ter medo dos mendigos e crianças de rua", mesmo sendo às duas da tarde e com movimento intenso pelas ruas, inclusive policiamento), fui à Sabesp entrevistar um engenheiro hidráulico que fez as vezes de ambientalista, falando sobre os perigos do mau uso da água (novamente sozinha, minha companheira de trabalho disse que era muito longe e que ela "não se importava" de pegar a entrevista no gravador e redigir tudo, imprimir com letra bonitinha cor-de-rosa e colocar capa da Hello Kitty no trabalho depois – esta última parte é piada, e tenho que explicar porque infelizmente sempre tem gente que leva nossas ironias ao pé da letra), andei muito de ônibus e metrô pela cidade, me perdendo, para ir atrás de lugares para fotografar, li muitos livros ao invés de pegar a resenha na Internet e entregar sem entender nada, vi filmes que a maioria dos alunos desprezava, quando professores sugeriam.
Talvez precisassem criar dois cursos de Jornalismo: o de butique (caso da maioria dos meus colegas de faculdade) e um Gonzo, que é o que eu nasci mesmo pra fazer.
Para ser jornalista é preciso ter uma curiosidade inata, senso crítico, ser analítico, ter MUITA disposição para enfrentar adversidades e problemas de toda ordem (imagina, alguém que tem preguiça/medo de pegar um ônibus num bairro mais distante do seu, de pedir informação, de apenas falar com um morador de rua tem mesmo capacidade – nem digo intelectualmente, mas principalmente estrutura emocional - para chegar a cargos altos, sejam eles em redações ou como correspondentes em lugares ou situações nem sempre aprazíveis?) e mais uma série de atributos que ou você nasce com eles ou espera a próxima encarnação e conta com a sorte.
Antes que os chatos de plantão me falem "se reclama da universidade particular, por que não vai para uma pública?", como já fizeram anteriormente em conversas por aí, eu digo que já prestei na USP e não passei, e não tenho a menor vergonha disso, haja vista a relação canditado/vaga daquele curso. Não prestei Unesp ou mesmo univesidades fora do estado, e isso eu realmente lamento por não ter ao menos tentado.
Mas o problema, no meu entender, não reside apenas nisso. Há elite - e como há! – nas faculdades públicas, resta saber se eles agem como os alunos das particulares, com eventuais ataques de criança que se perdeu da mãe num supermercado, ou se lá eles resolvem agir de forma mais adulta e fazer valer os vários meses – às vezes mais de ano - de empenho nos cursinhos.
Mas eu JURO que queria saber o porquê do diploma para se exercer o jornalismo. JURO. Ninguém até hoje me deu respostas plausíveis. Quem sabe você, querido leitor, me convença?
Ninguém me ensinou a escrever na faculdade, muito menos a ler e ser criteriosa. Ninguém me imbuiu de coragem para ir a lugares sozinha com gravador e bloco de papel em punho. Ninguém fez recrudescer em mim a curiosidade, o interesse pela leitura, por ler artigos na Internet, em revistas, ler livros, por gostar de conhecer pessoas e suas vivências.
No dia em que um curso promover isso em um único aluno, talvez eu me renda.
E se é pra aprender a diagramar, fazer pauta, saber o que é uma lauda ou pirâmide invertida, deveriam criar um curso técnico de um ano, que certamente é tempo mais do que suficiente para aprender. Pelo menos para pessoas ávidas por conhecimento e principalmente para trabalhar, e que não esmorecem apenas porque "no meu bairro não passa ônibus para o lugar tal". Francamente.
(E este post talvez tenha continuação, para prazer ou desprazer de muita gente. Eu estou querendo mesmo é debater.
)
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Quanto à escola de jornalismo, é claro que não ensina tudo, mas uma BOA ESCOLA de comunicação prepara muito mais para a profissão do que uma faculdade de filosofia ou letras. Bons professores dão toques fundamentais que você sempre vai lembrar ao longo da vida, e usar em situações reais de trabalho. Escrever matérias jornalísticas e ter seu texto e reportagem analisados, revistos, é uma prática importantíssima antes de você ser jogado aos leões na hora de cair no mercado de trabalho.
Enfim, uma coisa é não tornar o diploma obrigatório, outra é considerar a faculdade de jornalismo inútil.
Essa história da obrigatoriedade do diploma para se "ser" jornalista (no sentido de exercer a profissão) é não apenas um papo muito mal explicado, como também uma furada. Basta dar uma olhada nos grandes blogueiros que temos por aí, muitos dos quais nunca tiveram a menor "formação acadêmica" na área do jornalismo. Alguns deles dão de 10 a zero no "jornalista médio" das redações pelo Brasil a fora -- tanto em paixão, quanto em disposição, informação, e recursos.
Talvez esta lei seja, inclusive, um dos elementos que ajuda a soçobrar a velha mídia, que perde cada dia mais espaço para as novas mídias (das quais fazem parte as blogosferas). Não só não há nada que te impeça de blogar, indiferente de credo, cor, formação ou ideologia, como também não há (quase) nada que te impeçam de blogar (se é que vc entende o trocadilho).
E os blogueiros estão se juntando, não é mesmo? E o jornalismo cidadão é cada vez mais uma realidade. Veja, por exemplo, o Global Voices, ou para dar um exemplo glorioso e brasileiro, o Overmundo.
Segue o papo...
Abraços do Verde.
quando a juíza deu liminar para quem quisersse "tirar Mtb"e "se tornar" jornalista, sem faculdade, eu escrevi um artigo pros jornais daqui concordando com a não-necessidade do diploma, mas dizendo que eu não ia tirar o "Mtb provisório" para poder "ser chamado enfim de Jornalista" - com jota maiúsculo.
Essa coluna foi um troço interessante: ela me LIMOU das faculdades (apesar de não ser formado, era sempre convidado para dar palestras ou cursos de extensão) e fez com que um monte de amigos "não-formados" virassem a cara comigo.
Entendo o que a Leila disse aí em cima, sobre a "preferencialidade" para quem se formou, porém, há 10, 11 anos (nem lembro), contratando e lidando com focas, devo dizer que minhas melhores experiências são com pessoas não-formadas - e digo isso com pesar.
recentemente a cora rónai escreveu um post sobre o assunto, parecido com a fatídica coluna que escrevi tempos atrás. não sei se ela também será limada das faculdades.
enquanto as faculdades se portarem assim, vão continuar formando estúpidos.
Vamos ao debate.
Não adianta, pra profissão alguma, só o diploma. Tem que ter muito mais. Talento mesmo pra coisa na qual você pretende trabalhar a vida toda.
Também vejo muito jornalista de boutique na faculdade, é terrível pra mim porque é como se nublassem algo com o qual eu sempre sonhei.
Com esse lance do diploma eu até brinco que já sou jornalista já que não precisa mais ser formado. Mas não abandono a faculdade...
Eu gosto da vida acadêmica, apesar de tudo. Gosto da orientação dos meus professores, me indigno quando acho que estou sendo mal-avaliada, almejo fazer um mestrado, um doutorado.
Na faculdade onde estudo tem uma de avaliação docente e eu acho que deveria ter uma discente também. Uma auto-avaliação de cada aluno, pra que eles próprios se tocassem se é ou não certo continuar ali. Ia rodar tanta gente...
Um beijo, querida.
Por outro lado, conheço muitos recém-formados nessa profissão, saídos das Unimerdas da vida, que teriam muitas chances de trabalho caso existissem publicações escritas no miguxês, com conteúdo obtido pelo bom e velho Copy and Paste.
Eu ia opinar mais por aqui, mas, enfim, prefiro deixar isso com o pessoal que vive o dia-a-dia da área, seja como estudante, seja como profissional. Só digo que assino embaixo tudo que você escreveu.
Prá terminar o assunto, eu acho que ninguém se torna jornalista e sim é ou não jornalista. Beijocas
Agora, outra coisa também tem que ser pensada e avaliada: é muito interessante pro jornal, rádio, emissora o que for, contratar alguém não formado e pagar menos pelo trabalho dele do que contratar alguém formado. Isso dá margem à defasagem salarial, ao meu ver. Você mesma vive isso com seu trabalho de revisora, que sei que é tão competente ou mais quanto qualquer um que seja formado.
Logo, eu faço faculdade de jornalismo pra obter um diploma pra apresentar pra maldita sociedade que me cobra, sim. Não pra aprender a escrever. Isso eu já aprendi faz 22 anos.
Na boa, às vezes me decepciono mais com minha turma, os futuros jornalistas de boutique, do que com meus professores.
Pra você ter uma idéia, a minha professora de Impresso teve que orientar as meninas da sala em como se vestir pra fazer matéria em delegacia: nada de blusa de alcinha, calça da Gang, etc. e tal. Ela tira o maior sarro desse povo e ninguém se toca, morro de rir.
Enfim, o título do texto resume o que penso: jornalismo é muito mais que um diploma sim, mas eu acredito que, na sociedade em que vivemos, é ruim com ele, pior sem ele.
Aqui é a Luciana - tô logada de Cintaliga porquê tô fazendo umas alterações...
É engraçado como não pode existir médico sem diploma e jornalista pode.. Por isso, que hoje, temos grandes assassinos da nossa profissão, que não entendem nada de ética, que simplesmente se vendem!!
Sobre a questão dos jornalistas de boutique, isso acontece, assim como em qualquer outro curso! Não é exclusividade desse, achei muito engraçado ter lido esse comentário, ou vc acha que não existem as patricinhas que fazem serviço social? No final, o mercado seleciona quem é bom ou não, por isso nem me preocupo com elas!!
é isso!!
Primeiramente, levemos em conta que aqui é Brasil, terra com tecnologia de ponta em malandragem e avançados estudos da lei de Gérson. E o Brasil não é só São Paulo. O Brasil só é Sudeste mesmo para a CBF que quer reduzir o Brasileirão para 20 clubes, esquecendo-se que o Brasil é maior que toda a Europa ocidental. Se alguém aqui ainda acredita que o jornalismo das antigas era melhor, que leia "Cobras Criadas", ótimo livro de Luiz Maklouf de Carvalho. Duvido que continuem com a mesma opinião.
Vale lembrar que em tempos não-diplomados, tínhamos apuradores analfabetos, gente que conseguia o registro de jornalista para ficar isenta de Imposto de Renda, fora carteiradas diversas. Sim, para quem ainda piamente acredita que só existia um ataque de clones de Cláudio Abramo, que tire os óculos com lentes cor-de-rosa, jogue-os no chão e pisoteie-os. Se possível, passe com um rolo-compressor em cima dos mesmos para tirar quaisquer tentações de levá-los para consertar. "Acorda, sangue-bom, aqui é Capão Redondo, tru, não Pokemon" (Racionais).
A outra é a trajetória normal dos ofícios e seus fazeres. Lembremos que dentes e mais dentes foram estragados pelos dentistas práticos. Para um bom profissional da área, havia uma infinidade de açougueiros. A outra é a contínua especialização dos ofícios e a divisão dos mesmos em outras especialidades. Em outras épocas, filósofos e cientistas eram uma coisa só, o mesmo valendo para astrônomos e astrólogos. Alguém aqui ainda se arrisca a dizer que hoje são ofícios indistinguíveis?
Não podemos pensar em casos individuais ou localizados, mas sim na média de uma profissão. Pode haver ANALfaburros (caixa alta proposital) funcionais na faculdade da Patrícia ou da Luciana? Sim, assim como houve na minha. Um exemplo simples e constatado na construção civil: pedreiros com segundo grau completo são mais eficientes no trabalho que os iletrados. Pode haver um iletrado eficientíssimo? Pode, mas isso não significa que ele será a regra, assim como pode haver um com segundo grau completo que seja uma anta completa. Estamos falando, isso sim de um coletivo. Pode haver Escolas Bases da vida no tempo do diploma? Pode, mas o número desses casos não se compara nem de longe aos ocorridos na tal época supostamente de ouro (repetindo: leiam "Cobras Criadas"). Lembremos também que, se a classe jornalística tem um ofício regulamentado, parte disso é por causa do diploma.
Lembremos que não é o fato de o diploma ser ou não obrigatório que significará que o ensino superior da área relacionada será melhor ou pior e que somente as faculdades boas é que sobreviverão. Ninguém precisa de diploma para ser empresário, mas nem por isso deixaram de existir péssimas faculdades de Administração. Todos precisam de diploma para ser advogado, mas isso não significa que só faculdades péssimas de Direito existam (elas existem e em alguns casos, seus alunos até conseguem a carteirinha da OA
É preciso pensar também no fato de que jornalista sempre ganhou pouco e que esses ganhos só aumentaram depois da obrigatoriedade do diploma. Sim, ainda há irregularidades flagrantes em nosso ofício, fora gente que trabalha de graça, mas isso já foi muito pior. Também temos de lembrar que o diploma ajudou a dificultar a entrada de legiões de apaniguados e outras picaretagens. Estamos no Brasil, lembremos.
Sobre multidões de ANALfaburros funcionais e oba-obas, isso nada tem a ver com diploma, mas sim com a fetichização de nosso ofício. Quando se fala de jornalistas, muitos logo pensam em Fátima Bernardes e William Bonner. Porém, esquecem-se de que a maioria dos jornalistas nem de longe chega a tal grau e do que é necessário para chegar a tal altura. Em parte, nós jornalistas também temos culpa, quando ficamos com aquela história de nos acharmos algo assemelhados a escritores, filósofos, escultures e outras afetações a quatro, sem saber que é isso que o patronato quer que nos achemos, em vez de sermos aquilo que somos: profissionais de um ofício regulamentado.
A outra parte que cabe a nós jornalistas é também termos maior união enquanto categoria e pararmos de ficar querendo que nosso igual de profissão vá se foder.
Voltando à questão do ensino do jornalismo em si, lembremos que comunicação virou ciência sim e que isso é importante. Quando sabemos o que envolve o trajeto emissor-receptor, isso nos ajuda muito a ter uma maior consciência do ofício. E isso é ótimo.
Outra coisa, e importante para as mulheres: o diploma lhes permite dar ainda mais argumento para serem contratadas por sua competência, e não seus corpinhos ou certas habilidades. Além disso, ajudou a sepultar e praticamente ir jogando pás contínuas de cal naquele conceito de que jornalista que era jornalista era aquele que se embebedava até cair, fumava desbragadamente e tinha o puteiro como lugar onde ia expandir o espírito. Será que as moçoilas aqui se sentiriam à vontade em um ambiente em que fossem vistas como algo semelhante a putas em vez de trabalhadoras de um ofício regulamentado? Posso até dizer que na atual situação do jornalismo, o sexismo pesa muito mais contra os homens do que contra as mulheres. Quem tiver dúvidas que veja nos 3.600 títulos brasileiros a porcentagem de femininos, masculinos e unissex e depois olhem os expedientes, dizendo para mim a quantidade de homens trabalhando em publicações femininas e a quantidade de mulheres trabalhando em publicações unissex e masculinas. Garanto que é muito mais fácil uma mulher ser admitida em uma revista de vale-tudo e, mais ainda, ser bem tratada e reconhecida por sua competência, do que um homem entrar em uma Cláudia e acontecer tal coisa.
Não vamos cair na utopia de que os blogs são a panacéia universal. Utopia, como diz a raiz grega da palavra é "u" (nenhum) topos (lugar). Querem ir para lugar nenhum? Creio que não. Pode ter caído a venda de revistas, é verdade, mas elas estão cada vez mais diversificadas. E, claro, perguntemos também se blogs tendem a ter o grau de apuração dos meios jornalísticos ou se estão muito permeados de opinião ou outros vícios.
Sobre eventuais colegas frescos da turma da Patrícia, como já disse antes, será mesmo que não existem coisas semelhantes em outras profissões? E, por fim, sobre esses que vêm com suas robotizações de "os incomodados que se mudem", em meus tempos de estudante na Unesp, sempre que falava do lixo que Bauru é (tanto em infra-estrutura quanto na cabecinha de ovo de boa parte de seus habitantes), também ouvia jeca-tatuzices parecidas, mas que em geral não saíam do tema "se não gosta daqui, que se mude". Assim fizeram Pelé, Mauro Rasi, Osíris Silva, Reali Júnior, Luciano Pires, Édson Celulari e tantos outros bauruenses que teriam muito a acrescentar a tal cidade, mas que foram embora sem sequer olharem para trás, sob o risco de virarem estátuas de sal. Poderia falar só de famosos, mas também conheço não-famosos que fizeram o mesmo.
Venho me arrastando no curso por diversos motivos, inclusive financeiro, e já tive o privilégio de fazer mta coisa no meio. Até pq "somos" mais baratos e "em conta" que os formados. Ok, o que me deixa menos mal é já ter ouvido de professores (q p/mim são exemplos de profissionais) as seguintes afirmações: "tu já tem mais experiência q eu nessa área, eu parti p/o científico e por lá fiquei".
Quem tem talento, disposição e garra (incluindo mto QI cerebral) chega lá sim, mesmo que esse tenha virado um curso para "ex-modelos", gente que quer aparecer a qq custo, ainda acredito no nosso valor, no meu e no seu trabalho.
Eu tô com o Arnaldo! Se não é pra exigir o diploma que não tenha nem o curso.
Mas enquanto tiver, eu vou fazer. Porque não quero trabalhar melhor que muita gente formada e receber menos por isso, como a Dani Koetz citou.
O pior é que o fenômeno não acomete somente o curso de jornalismo...parece papo de velho, mas, cara, essa juventude tá perdida. Na ignorância, na negligência...no tempo...
Também sou contra a obrigatoriedade do diploma. Em 10 anos que trabalho na área cansei de ver sociólogos, historiadores, psicólogos e até gente que não é formada em p.n, com mais capacidade do que muitos ditos "jornalistas" por aí.
Pra se destacar é preciso talento (isso fora o famoso E SUJO Q.I) - E "tino" jornalístico, me desculpem, é algo nato. Ou você NASCE com isso (seja vc um vendedor de cachorros-quentes ou um correspondente de guerra.) ou não.
Assim como artistas nascem com um dom, você nasce com o tal tino. Simples assim. Ele pode ser melhorado, talhado, forjado, com a experiência. Mas ou se tem ou não se tem. Ponto.
Eu não me considero uma jornalista porque fiz faculdade. Eu sou uma jornalista porque fui escolhida pela profissão, porque sou questionadora de nascença, porque sou curiosa, porque gosto de escrever e amo o meu trabalho e por mais mil e uma razões hehe
Mas não amo o jornalismo pro-forma, americanóide e idiota feito no Brasil. Sei lá se isso aqui pode ser chamado de jornalismo...essa semana vivi uma situação que...putz, preciso te contar pessoalmente, antes que eu tome toda a caixa de comments... só sei que às vezes dá vontade de chorar.
Ás vezes o que é feito aqui pode ser chamado de tudo, menos de jornalismo.
Que tal fazermos uma publicação verdadeiramente GONZO? Eu, você, o Bia, o Tuca, o Ina, o Rafa e mais um moonte de gente talentosa que a gente conhece?
Vamos, vamos, vamos?
- não é preciso diploma para escrever, e a Internet ajudou muito a democratizar o acesso às ferramentas. Tanto para o bem quanto para o mal (todo mundo conhece algum picareta explorador que decidiu virar editor de qualquer coisa e, pra isso, criou um site).
- A maioria das pessoas que defende o diploma não tem capacidade para se manter no mercado de trabalho, por alguma razão. Por isso, se seguram em ultrapassadas leis trabalhistas e/ou sindicais. O que também pode ser visto para o bem ou para o mal, já que as empresas de comunicação há tempos dispensam a carteira de trabalho.
Então deixa eu só dar pitaco, daqueles de quem discute em tática de guerrilha, de atirar e sair correndo pelas montanhas:
Vocês não acham que esta discussão a respeito da inadequação (ou mesmo anacronismo) da exigência do diploma para jornalistas se articula, de alguma forma, com a questão da decadência da mídia tradicional? Uma nova era midiática (e jornalistica) está surgindo com Global Voices e Overmundo e correlatos ganhando espaço. Em vez de discutir sobre o diploma para jornalistas, pq não discutimos até que ponto o "jornalismo cidadão" e a atividade blogueira não substituem, ou substituirão, esta profissão de pouco em pouco?
Tá bom... agora é hora de correr.
Famous last words:É Daniel DU-EN-DE! Só meus chefes me chamavam de Daniel Carvalho, e geralmente era na hora de dar alguma bronca.
Fui... saí correndo.... ninguém me viu!
(a Pat vai dizer: pare de avacalhar meus comentários, Lu!)
Vou responder um por um assim que puder. Tive uma sexta muito atribulada e a previsão não é muito animadora, de um fim de semana igualmente cheio e com acesso restrito à Internet.
Mais uma vez, obrigada.
Abraços e um ótimo fim de semana a todos.
No mais, concordo muito com a Leila. Deveria haver uma preferência nas redações por profissionais com o diploma, já q estes treinaram para exercer tal ofício, mas nunca a obrigatoriedade. Fica a sensação que o Marmota expressa mesmo: que os incompetentes se seguram nessa obrigatoriedade da lei para se inserirem no mercado, já que, com competição normal, não conseguiriam.
Estudo (não jornalismo, infelizmente) numa pública e ouso dizer que, sim sim sim, existem inúmeras crianças perdidas dos pais e querendo leite. Estudo com belos espécimes. E não podem fazer trabalhos no final de semana porque, ora bolas, é final de semana! Quer motivo melhor? Enquanto eu me lasco toda para frequentar sem ter dinheiro nem para a passagem, muito menos para os livros.
A verdade é que, sendo muito muito escrota, é maravilhoso que essas pessoas existam. Assim você se destaca na multidão.
Você acredita em tudo o que lê na internet?
Bruno Rodrigues (*)
Eu não acredito. Pelo simples motivo de que não sei se tudo o que leio é verdade. E por que desconfio tanto? Porque não sei de onde as informações vêm.
Por mais que eu tenha anos de trabalho e pesquisa com web, continuo a me comportar como um simples internauta. E compartilho com ele – e com você, portanto – este pé atrás.
Credibilidade sempre foi, e será, o Calcanhar de Aquiles da Rede. Institutos de pesquisa como o Jupiter e o Poynter nunca deixam de incluir este aspecto em seus formulários ao questionar os usuários sobre o que mais os incomoda na internet. Não conhecer o terreno em que se está pisando sempre é um dos primeiros itens da lista.
O que fazemos, sempre, seja na internet ou em qualquer outro ambiente de que temos receio, dúvida ou até mesmo medo, é procurar o conhecido. Na Rede, desde o início, os grandes grupos jornalísticos saíram na frente em credibilidade por ter um passado comprovado e uma bagagem de segurança junto aos leitores. BBC, Reuters, Le Monde, The New York Times, USA Today e The Times largaram antes por simples vantagem adquirida.
E em tempo de blogs e jornalismo cidadão?
Fato é que, após dois anos de hype, da mídia não parar de falar na participação do leitor na notícia, do surgimento dos superjornalistas e/ou blogueiros “comuns” que deixam os titãs da mídia de joelhos, acabou a especulação: os blogs já fazem parte do Jornalismo.
Então todos merecem a confiança dos leitores?
Não, mesmo. Fato é que um blogueiro, seja ou não de renome, não tem a mesma estrutura (explícita ou até política) para *checar* uma informação que um grupo jornalístico. Amigos probloggers (os que vivem disso) me dizem que desenvolveram uma ‘neurose sadia’ porque são mais próximos de uma fonte do que muitos jornalistas de big conglomerados de mídia, mas são muito mais vulneráveis a erros – embora se faça a correção mais rapidamente, é verdade.
Ainda assim, dá arrepios a possibilidade de pagar micos virtuais como o recente ‘Applegate’, em que um hoax (boato) publicado no blog de tecnologia Engadget de que a Apple atrasaria o lançamento de novos produtos – como o iPhone -, fez desabar as ações da empresa e quase gera um tragédia financeira. E olha que o Engadget era um blog acima de qualquer suspeita... Mas não tinha seguro contra erros.
Acreditar é uma questão de fé. E de risco. O que dá no mesmo, no final das contas.
Vamos dar um nó ainda mais complexo nesta questão de credibilidade na web? Um especialista em segurança da informação, na Finlândia, fez um teste no final do ano passado: colocou um anúncio na Rede oferecendo download gratuito de um vírus (isso mesmo) para quem não tivesse nenhum em seu computador. Um montante de 409 almas clicou. Deu na Reuters. O vírus era falso, mas - por Deus! – pouco importa ao ler e reler o resultado.
E você, acredita em tudo no que lê, vê e ouve na Rede?
(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, "Webwriting - Pensando o texto para mídia digital", e de sua continuação, "Webwriting - Redação e Informação para a web". Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete 'Webwriting' do 'Dicionário de Comunicação', há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.
adorei texto
Meus amigos de sala deveriam ler para esquecer essa idéia de que tudo é lonje e nesse dia ñ posso ir.
A discurção do diploma é muito válida, não sei como está ocorrendo no meio jornalistico, mas tbm estudo comunicação na area de pp, e para gente não é obrigatório, pode parecer um paraiso isos para você, mas para nós é um pesadelo, pois isso simplesmente só "prostitui" nossa profição, pois qualquer um pode fazer uma campanha, ganhar prêmios e ser feliz, o ruim é quando fazem merda e mesmo não sendo são chamados de publicitários.
Acredito que no jornalismo o problema pode ser o mesmo, imagine-se perdendo vaga numa redação para uma pessoas que não tem diploma, que sabe escrever muito bem, mas não tem base para isso.
O negocio é que a faculdade de fato n acrescenta ou cria algo em alguém....mas sim, estimula naqueles que já possuem intenção E vocação.
Quem sabe longe do curso voce nao teria se dado o trabalho de escrever ao Lembo....ou buscar informações junto à policia....
Desculpa as ideias meio desconectas, mas acho que vai me entender....
O negocio, é q assim como no Direito, o diploma é requisito formal para exercício da profissão.....esteja satisfeita com isso ou não.....
Regards....
E o mais importante nem sempre é O QUE vc conhece, e sim QUEM vc conhece... triste realidade!
Fantástico! Não pretendo nem entrar no mérito da questão, se para o referido curso um diploma deve ser obrigatório ou não. Mas pelo relato e indignação (da qual eu partilho) de como há gente acomodada e fresca neste mundo.
No final das contas, a não ser que esse bando de filho-de-papai tenha um ENORME QI (famoso Quem Indicou), o futuro reconhecerá aqueles que realmente fizeram por merecer. Infelizmente, o problema é que, no todo, o sistema educacional brasileiro fica frouxo. Lembro-me de uma reportagem onde executivos da LG ou Philips disseram não conseguir preencher vagas porque os candidatos já formados tinham dificuldade de redigir uma simples redação ou entender um texto!
Sucesso pra vc moça!
A grande maioria das universidades brasileiras, principalmente no que concerne às áreas de humanas, se reduziram hoje a um instituto que serve para referendar o esforço do estudante, que se submeteu a 4 ou mais anos do martírio das aulas, para a obtenção dum diploma. Além disso, a universidade continua sendo um dos ambientes mais propícios à união de uma classe comum, que compartilha de interesses assemelhados, propiciando ainda contato com a área na qual se pretende atuar.
Entretanto, nessa nova era global, em que as informações pululam, qual a necessidade de um estudante de jornalismo, direito, história ou filosofia se deslocar até a universidade para estudar o que deve? Decerto uma necessidade não tão grande quanto à do estudante de química, medicina ou biologia, que certamente vai se valer dos instrumentos que a universidade possui, indispensáveis ao estudo e prática pré-laboral, inacessíveis ao cidadão comum.
O curso de jornalismo, portanto, cumpre mais aquele primeiro papel do que este último. Durante o curso o estudante vai formar sua esfera de contatos, poder praticar, ainda que de modo amador, o que irá fazer profissionalmente depois, conhecer muita gente da área e, logicamente, se for esperto, estudar um pouco.
O problema é que a universidade brasileira, aquela que se assenta nos moldes tradicionais, como a maioria das públicas, e mesmo as privadas, não conseguiram se adaptar a esta nova era da informação.
Antigamente, informação era privilégio de quem freqüentava um curso superior; e hoje, não mais. A universidade passou a ser considerada, em muitos casos, mais um encargo do que um benefício. Vale o tempo despendido pelo prêmio ao final: o diploma.
E este cumpre um papel fundamental na sociedade: é um legitimador do esforço do cidadão, um documento que garante que ele passou por um longo período de estudo e treinamento, autenticando seu saber naquela área. Além disso tudo, há aquela velha defesa da classe, que os jornalistas não são muito bons em fazer valer, mas que os advogados sabem manter com muito mérito... além dum belo lobby no Congresso.
Não há causa na Justiça que prescinda da presença de um advogado inscrito na Ordem, salvo raras exceções. Eles sabem fazer valer seu diploma, mesmo que outro saiba fazer seu serviço, ainda que melhor. A lei veda: este serviço é prerrogativa de um advogado! É lógico que os formados em jornalismo queiram os mesmo, como o querem os psicólogos, médicos, engenheiros, eletricistas...
Enfim, diploma serve para referendar o suplício daquele que se dedicou à profissão futura. Simples. Mas é óbvio, claro, reluzente, patente e manifesto (com o perdão da redundância) que QUALQUER UM PODE SER MELHOR QUE OUTRO DIPLOMADO, DESDE QUE SE ESFORCE, ESTUDE E SE CAPACITE!!! Mas vai lhe faltar aquele pedacinho de papel... aquele mesmo. Mas se você for muito bom, mas fodido mesmo no que faz, não haverá papel que lhe tire o mérito: vai servir até mesmo como uma vantagem a seu favor... nem precisou de diploma, aquele cara é um astro!
Em tempo: eu larguei o curso de jornalismo da USP, depois de sofrer pra passar na FUVEST, ainda no primeiro semestre.
A escola e a faculdade são sistemas de educação falidos?
Talvez, mas enquanto não há outros, vamos lá validar nossas potencialidades.
Abraço.
http://semsalvacao.blogspot.com/2007/05/sociedade-no-tem-jeito-te-fode-man.html
Dêem uma olhada, vcs devem ter idéias em comum.
Abraço.
Acredito que essa eh a "dor e a delicia", de qualquer curso da area de humanas...Se colocarmos redeas no pensamento, se passarmos a nos comportar como ciencia, com metodos rigidos e leis, matamos a nossa propria essencia que eh mutavel como a humanidade.
Ate acho que a faculdade nos aprimora e nos da algum senso de perspectiva perante as coisas da vida ( ninguem sai mais burro do que entrou heheh).
Independente de "canudo" eh a qualidade do nosso trabalho que deve ser avaliada sempre...
Acho que muitas vezes para critério de escolha entre um profissional e outro,algumas "empresas" acabam por dar preferência aos formados.Mas tenho plena convicção de que o diploma é um referencial que não deve ser levado em consideraçao qto a definir se alguem pode ou nao exercer a profissao de Jornalista,até pq o profissional se faz com livros,e com interesse proprio.
Acho indispensável frequentar a Universidade,pois os professores passam muitos "macetes" da profissao e as esperiencias deles.
O bom profissional,antes de tudo deve se doar a profissao,seja ela qual for.A qualidade do trabalho tem muito mais do esforço,dedicaçao e talento de cada individuo do que a formaçao academica,que so vem a complementar a carga de conhecimento.
SOU REPÓRTER, OU MELHOR! FAÇO TUDO QUE UM JORNALISTA COM DIPLOMA NÃO FARIA.
VOU EXPLICAR! TRABALHO JÁ A CINCO ANOS NA ÁREA TELEVISIVA, FAÇO TUDO! E ATÉ MAIS, TENHO UMA EXPERIÊNCIA MUITO GRANDE ATUANDO DIA Á DIA ALÍ.
CARREGO UMA EQUIPE INTEIRA NAS COSTAS, QUE RESPONSABILIDADE....
PERGUNTO? O QUE SOU? QUAL A MINHA PROFISSÃO? RESPOSTA: NÃO É UM DIPLOMA QUE VAI MUDAR O QUE EU FAÇO, ALGO ESTA ERRADO AÍ! QUANTAS PESSOAS ATUAM COMO EU... SEM DIPLOMA E COM UMA ENORME REPONSABILIDADE ENTREVISTANDO DESDE GOVERNADORES ATÉ UM ANÔNIMO NA RUA... ENTÃO COMO VAI SER? RESPONDA MEU BRASIL.
DIPLOMA PARA JORNALISTA É MAIS UMA FORMA DE TIRAR DINHEIRO DE UM POVO QUE NÃO TEM, E COMO MUITOS FICAR AÍ DESEMPREGADO PASSANDO FOME.
PORQUE SER JORNALISTA É TER GARRA RAÇA TALENTO E NÃO UM CANUDO DE PAPÉL
E SEI O QUE FALO, TENHO MUITO ORGULHO DO QUE SOU, DOU AULA PARA MUITOS JORNALISTA COM CANUDO POR AÍ, SEM TRABALHO.
Tudo bem, não precisa gritar.
Um detalhe que eu acho importante destacar é a qualidade das faculdades, não só de jornalismo, mas de todas as carreiras. Não adianta nada a pessoa ter um diploma, se não aprendeu nada na faculdade.
Eu, que estou na minha segunda graduação, tenho certeza ABSOLUTA, que confio mais em um dos meus colegas da Letras, na USP, do que em grande parte dos alunos das uniesquinas da vida.
Atuei na área policial e dava dó quando os diplomados iam para as ruas em busca de reportagens policiais. Já observei um diplomado querendo entrevistar um mestre-sala em pleno desfile de carnaval.
Em minha opinião, o nosso maior MTB é o artigo da constituição que nos garante a liberdade de expressão e que a exigência do diploma, fere este artigo.
Penso que os órgãos de comunicações deveriam dar chance para estas pessoas que não cursaram uma faculdade, mas que são capacitados tanto quanto os que possuem um diploma. Poderiam eles criar duas faixas salariais, por exemplo, uma para os diplomados, outra para os não diplomados.
Jornalismo depende de capacidade, talento e não de diploma.
Dizer que um médico não pode operar sem diploma e querer comparar isso com um jornalista, oras, é no mínimo uma gozação. É obvio que a medicina não tem nada com saber escrever. Escrever é um talento, medicina depende de conhecimentos técnicos e ai sim, de estudos. As antigas benzedeiras nunca tiveram um diploma, e quem já não passou por uma?
Bombeiro não é médico, mas alguns deles realizam partos. Também serão processados por exercício ilegal da profissão?
Agora que a liminar está valendo já dei entrada no Ministério de Trabalho e me informaram que é só eu aparesentar os mais de 180 programas que já levei ao ar que terei a maior prova de que posso obter meu MTB.
Rodrigues Neto
Prog. Brasil Sertanejo
RMTV-SJC
Parabéns ao STF por uma interpretação racional e legal sobre o assunto. Matéria muito interessante neste link:
http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=11735
Entendo sua posição sobre a obrigatoriedade do diploma. E também não acredito que universidades públicas ou particulares tenham alguma diferença neste aspecto. O que faz o futuro profissional é o acadêmico, seu interesse e sua preocupação com a carreira no futuro. E, com certeza a sua carreira deve estar bem melhor do que a dos colegas dos quais você se queixava no passado, porque hoje, eles não tem condições de competir com você.
Quanto ao diploma, posso dizer que ele não é garantia de qualidade profissional. Mas é a única garantia de que este profissional passou por uma preparação prévia. E hoje, a única forma de caminhar para a construção de um conselho que regule os jornalistas corruptos, mal intencionados, vendidos e incompetentes que estão no mercado.
Além de estudar o jornalismo puro, da técnica, das tendências. Quem está no mercado por tempo de profissão esquece, repetidas vezes, dos conhecimentos complementares, de sociologia, humanística, teorias da comunicação, psicologia, filosofia e tantos outros que são sim necessários. Não para fazer jornalismo, mas para ter condições de assumir a imensa responsabilidade de formar opinião.
Compreendo e admiro os profissionais que tem registro por tempo de atuação no mercado em épocas que o curso nem existia no seu estado, ou na sua região. Pessoas que ajudaram a construir a profissão. Hoje, não há mais motivos para não fazer a faculdade. Isso tem relação com a vontade de se especializar.
Você confiaria em um médico que passou a vida estudando por livros?
Um jornalista ruim não mata pessoas por uma atuação desastrosa mas pode destruir uma vida com uma reportagem mal apurada, com olhar superficial e-ou tendenciosa.
Jornalismo é um dom. Há quem tenha este dom apurado a ponto de ensinar os professores, mas convenhamos, é excessão. A faculdade está aí para aprimorar o dom de quem quiser e torná-lo muito mais competente do que os colegas de classe desleixados que competirão com ele por vagas no mercado.
P.S.: Sou relações-públicas. Amo assessoria de imprensa e decidi cursar jornalismo para melhorar as técnicas, lapidar conceitos e aprimorar idéias. Não precisava, mas acredito que devo aos clientes e jornalistas com quem quero trabalhar, apurar minhas tecnicas e obter formação condizente com minha atuação no mercado.
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