Sobre Sebos, Livros e Marcianos
05.03.07
Um dos meus maiores sonhos é ter um sebo. Na verdade, megalomaníaca que sou, um sebo-brechó-cafeteria. Freqüento sebos há muitos anos. Conheço praticamente todos de Pinheiros e alguns do centro da cidade.
Um dos que eu mais gosto e freqüento fica a quatro quarteirões da minha faculdade, no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo. O nome é uma graça: “Metido a sebo”.
O dono não poderia ter nome mais apropriado: Marciano. Sim, Marciano. E ele parece mesmo ser de outro planeta, de tão adorável e conhecedor dos produtos que vende.
Alto e esguio, com um sorriso contido que às vezes se abre, me lembra muito o ator André Valle transvestido de Visconde de Sabugosa – aliás, um dos meus personagens preferidos!
O sebo do Marciano é procurado por todos os estudantes da minha faculdade, de todos os cursos. E quem realmente gosta de ler, e não compra um livro apenas porque é necessário para algum trabalho, encontra um verdadeiro oásis naquele aconchegante espaço de quatro cômodos com prateleiras que vão do chão ao teto. Tudo devidamente catalogado, claro.
Marciano foi, por mais de doze anos, gerente de uma famosa livraria na rua Dr. Villa Nova, uma transversal à Maria Antônia, rua da minha faculdade. Amante de livros, acalentava o sonho de ter o próprio negócio. Até que um belo dia – sim, pra mim, belíssimo! – realmente pediu as contas, fez algum acordo e, com o dinheiro recebido, montou este sebo.
Sou capaz de passar duas horas ali facilmente, mesmo saindo de mãos abanando. Ele jamais olha feio por alguém folhear seus livros, desde que os cuidem com esmero e não os amassem - aliás, coisa que quem ama livros não faz. Se o sebo estiver com movimento tranqüilo e Marciano com tempo sobrando – o que é meio raro, mas acontece – consigo conversar com ele sobre Camus, Moacyr Scliar, Monteiro Lobato e até Truman Capote. Por conta de uma esfuziante dica sua três anos atrás, li “1968, o ano que não terminou”, do Zuenir Ventura.
Eu não gosto de mega livrarias e só recorro a elas quando sei que não encontrarei determinado livro num sebo, como no caso de um lançamento que me desperte um desejo louco de ler. Ou livros muito específicos, como os fotográficos. Como isso não acontece com tanta freqüência, é mais provável que eu compre meus livros no Marciano do que na Fnac. Afinal, no meu mundo, é muito melhor comprar um livro com quem entende do assunto. E talvez eu seja mesmo de outro planeta, porque o Marciano fala a minha língua. :)
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Comentários:
Eu queria ter uma papelaria... além de sebo, cadernos coloridos e canetinhas...
Quem me disse a respeito do Cintaliga foi o Biajoni. Achei muito legal. Sou de Belém, parece que a Luciana é tb daqui. Adorei o blog!!
Olá, Círia (como disse a Lu, que nome mais paraense!
Eu também ADORO papelarias. Acho que por mim, abriria mesmo um sebo-brechó-papelaria-cyber café-loja de brinquedos educativos (outro lugar em que sou capaz de passar horas).
Ai, ai... sonhar não custa nada, né?
***
Círia, que nome mais paraense, menina!
Nasci em Manaus, mas moro em Belém há um bom tempo já... meus pais são daqui.
Lu, vamos um dia montar este negócio? Mas terá de ser em algum lugar entre Belém e São Paulo, pra dar o mesmo tempo de avião pra uma e pra outra (e, claro, teremos de estar milionárias pra bancar isso.
).beijo, doce Pat. Não sabe como fico feliz em poder comentar aqui. Um beijo bom do seu amigo e fã.
Ian, sim, entendo os seus motivos, que sempre foram os mesmos que me levaram a recorrer a sebos e brechós. Acho que eu já nasci usada, sabe? Sou naturalmente uma pessoa de segunda mão.

De qualquer forma, adoro estes lugares e não abro mão deles, independentemente do salário que eu possa vir a ter um dia. É questão de bem-estar mesmo. E, claro, se eu posso encontrar um vestido maravilhoso num brechó a 30 reais, por que raios pagaria 300 reais por um numa grife? Prefiro usar estes 270 que eu "economizei" (vamos usar este raciocínio) em outras coisas, como por exemplo, dezenas de livros comprados nos sebos que eu freqüento. Simples assim.
Ah, e você sabia que pelo menos 80% de todos os meus livros foram comprados em sebos? Se eu fizesse questão de ter livros novos, teria menos de um terço da minha linda, estimada e imprescindível biblioteca.
Meu sonho é de ter uma escada que vai ao longo da estante, deslizando em uma barra, que nem o Derrida tinha.
E o Monteiro Lobato é demais, não é?
Tina, sei bem ao que você se refere, e também tenho uma certa alergia a isso. Mas os sebos que eu costumo ir felizmente têm livros muito bem conservados (o do Marciano, por exemplo, vende muitos praticamente novos), cujo cheiro pouco difere dos que se encontram nas livrarias. Assim como passo longe de brechós que cheirem a naftalina. Irc!
Ah, eu também morro de vontade de ter uma escada destas! Ano passado visitei uma amiga que possui uma estante com uma escada assim... fiquei maravilhada.
E sim, Monteiro Lobato é demais.
Finalmente achei uma alma gêmea (no sentido existencial apenas).
Minha fantasia também é ser dono de um sebo-brechó, como o seu. O meu incluiria acesso à Internet,o que o tornaria um cyber-sebo.
Olá, Sérgio. Aqui é a Patrícia Köhler... estranho que meu nome não tenha aparecido ao fim do texto para você. Deve ter dado algum tilt momentâneo, sei lá.
A idéia do seu cyber sebo é unânime. O meu também teria de ter acesso à Internet, porque não sou tão anacrônica assim.

Mas não me deixa a idéia de ter uma livrolocadora. Ai, ai.
Evinha, a idéia da livrolocadora é ótima! E este negócio de "ninguém sai, ninguém sai" - comum entre a ala masculina em alguns jogos de poker - seria engraçado, no seu cyber-sebo-brechó-lanchonete-loteria.

Beijos.
P.S.: reformei a casa
Tata, precisa meeesmo. Você vai adorar o lugar! Aliás, a Camila, como boa Mackenzista, talvez também conheça o sebo do Marciano, será que não?
Não sei de qual casa você está falando, mas vou visitar seu espaço virtual loguinho pra ver se é nele em que foi feita a tal reforma.

Sobre Marciano, lembremos que o Caçador de Marte, super-herói da DC Comics, tem o poder da telepatia e de mudar a forma de seu corpo, fora que voa, tem superforça e sua fraqueza é o fogo.
André, um dia eu terei de ler este livro, pois você sempre fala sobre ele de maneira inflamada. :-)
Puxa, Claudia... nenhunzinho sebo sequer?? Que triste! Espero que alguém logo mais repare este erro.
Eu queria ter uma banca de revistas.
Mas sebos são mesmo maravilhosos. Vc disse bem, são lugares onde é possível passar horas e horas e horas. E o mais legal é ir quando não se está procurando nada específico, pois aí o faro parece que fica mais apurado, vamos nas estantes que não prestávamos tanta atenção. Adoro quando acho dedicatórias carinhosas ou pequenas anotações.
Srtª Bia, seu comentário sobre dedicatórias e pequenas anotações me fez resgatar um ÓTIMO causo! Logo mais eu vou escrever sobre, porque vale a pena dividir com as pessoas.
Ah, e eu também adoro ir aos sebos sem ter nenhuma idéia em mente... geralmente é quando eu faço as melhores aquisições. A tal da serendipidade (em inglês, serendipity), sabe?!
Tuca, como diz o Millôr, "antes à tarde do que nunca".
E este negócio de dizer que não lê porque livro é caro nunca me desceu... a cidade está repleta de sebos e bibliotecas. Não, não acho que os livros sejam baratos, não mesmo. Mas não dá pra sempre alegar que o problema de não ler é este...
Vou virar leirora assídua!
Sò descordo, quando dizes que a Jorndana é a menina ais bonita da sala, sim ela é bem bonita e uma fofa, todas nós somos lindas por dentro e por fora e com sua peculiaridade.
A Tainá uam das grandes promessas? poxa Lu, achei que todas nós éramos! uhuhauahuahauhauhauhauahuahauh
Fique be claro, nada contra elas, pelo contrário gosto mto das duas!!
Um beijo grande.
Abraço
Felicidades a todos
Estante Virtual: livros São Gabriel Anhunti
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