2007, o ano em que faremos contatos
21.12.06
A época do Natal sempre me deixa mais pra triste do que pra feliz. Talvez por isso eu tenha preferido me recolher a escrever textos melancólicos ou mesmo amargurados aqui (já que o possível aumento dos deputados me deixou de cabelos em pé e com acessos de cólera por dias).
Como minha parceira manda MUITO bem nos textos (do contrário não seria minha parceira. Eu sou exigente, oras! :P), não titubeei ao dizer: “Lu, ‘güenta as pontas no blog uns dias que minha vida e meu emocional tão meio abalados. Logo mais eu volto.”
Meus Natais, até meus oito anos de idade - período que coincide com o casamento dos meus pais - foram bem divertidos e um tanto enigmáticos.
Meu pai tinha o hábito de, todos os anos, pedir para que eu e meu irmão nos escondêssemos em algum cômodo, lá pelas 23:55. Só poderíamos deixar o recinto após soarem 12 badaladas de um sininho que havia em casa (eu digo sininho porque ele era pequeno… mas o som que dele saía ecoava pela casa toda, quiçá até pelo prédio).
Estes cinco minutos eram providenciais para que ele pudesse dispôr nossos presentes sob a árvore, em cima dos cinco respectivos calçados (meu, do meu irmão, dos meus pais e da minha já falecida avó paterna, que vivia conosco).
(Sim, eu gosto e uso muitos parênteses às vezes. :P)
Mas voltando: esta noite costumava ser mágica pra mim, mesmo eu não acreditando em Papai Noel. Incrível, por mais que falassem que quem havia deixado os presentes sob a árvore havia sido o bom velhinho, algo no meu interior me dizia: “foi nada, foi meu pai mesmo!”, mas claro que eu não dizia palavra. Nunca contestei. No fundo era legal este mise-en-scéne todo. Eu fingia que acreditava, eles fingiam que não sabiam que eu sabia, e tudo bem.
Após a separação dos meus pais, esta data foi gradativamente perdendo a graça pra mim, por motivos que renderiam no mínimo uns cinco posts, então deixa pra lá.
No Natal deste ano, pela primeira vez em muito tempo, eu vou voltar a conviver com crianças, que são os sobrinhos do meu namorado. Nestes anos todos eu sempre proferi que Natal, pra mim, só vale a pena em casa com criança. Do contrário, perdoem-me os mais religiosos, eu não via sentido. Já cheguei a passar um Natal conversando no MSN com pessoas tão céticas quanto eu, falando bobagens e discutindo de tudo, de Nietzsche a piadas de humor negro ou mesmo imbecil.
Acredito que devemos ser pessoas boas, na medida do possível, em todos os dias de nossa existência. Sim, o ano todo eu pratico o bem e quem convive comigo sabe. No dia em que eu for mãe, certamente montarei árvores, comprarei presentes e adorarei ter um legítimo Papai Noel em casa. Será divertido e acho que toda criança merece.
Neste ano, eu desejo a você, querido leitor, um Natal maravilhoso, com ou sem Papai Noel, você sendo cético como eu ou religioso como a Luciana. Nós duas, de maneiras distintas, acabamos sempre dando recados muito semelhantes, já perceberam? Porque ceticismo não transforma ninguém em insensível, da mesma forma que a religiosidade e todas as simbologias que tanto fazem parte do dia-a-dia da Luciana, não fazem dela uma mulher ingênua ou alienada.
Aliás, acho isso muito legal, estas nossas visões distintas sobre algumas coisas. Duas pessoas pensando e escrevendo de forma igual num mesmo blog soaria algo um tanto monótono, não?
Obrigada pela presença de vocês aqui, de coração.
E um obrigada ainda maior à Luciana, por ser meu porto seguro e me fazer sentir à vontade o suficiente para deixar o blog em suas mãos.
Ah, aguardem fortes emoções para o Cintaliga em 2007. Vou repetir à exaustão o mantra do Inagaki, “A vida é boa e cheia de possibilidades!”, para atrair coisas boas e energias melhores para minha vida e minha casa ano que vem, que certamente refletirão no blog e nos textos.
Feliz Natal! Ho ho ho!
Arquivado em: Cotidiano, Amizade, Emoção, Espiritualidade, Infância, Saudade, Crianças
1 comentário
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Comentários:
Dezembro 22nd, 2006 às 12:36 pm e
Querida Patrícia, estava com saudades. Queria desejar um Feliz Natal para você, Luciana, familiares e amigos. Que vocês tenham um noite de muita paz. Beijocas minha linda.
Ricardo Antunes da Costa disse:
Dezembro 22nd, 2006 às 1:33 pm e
Feliz Natal, Patrícia. E pra Luciana também!
Norbs disse:
Dezembro 22nd, 2006 às 2:50 pm e
“Sensibilidade a distância”, descobri com você uma leitura que continua me tocar com muita força.
Desejo toda felicidade nos projetos e no “Coração”.
GRANDE BJÖKONA PRA TODOS.
Biajoni disse:
Dezembro 22nd, 2006 às 5:44 pm e
que munitinho!
Kandy disse:
Dezembro 22nd, 2006 às 10:25 pm e
Você lá leu o que o Natal fez e ainda faz comigo. Sempre gosto de saber o que ele fez e faz com as outras pessoas, céticas ou religiosas, não importa. Para mim, essa época vai além da religião, embora eu também fique mais para triste do que para feliz, pois constatar certas coisas dói pra caramba. Mas fazendo um balanço de 2006, eu só tenho a agradecer. Ter conhecido você e a Luciana por meio dos textos de vocês já mudou muito meu olhar, porque a gente sempre aprende com as pessoas. Então, de certa forma, você já exerceu esse seu lado Mamãe Noel. Obrigada! Feliz Natal para você e divirta-se com as crianças. Todas são o máximo!
Luciana disse:
Dezembro 23rd, 2006 às 12:35 am e
Olha, eu sou sua amiga. Eu quis isso, ser sua amiga. Fui procurar seu mail pra poder falar com você outra vez, muitas vezes.
Tenho muitos defeitos e muitas falhas que me fazem acreditar que não consigo ser o porto seguro de ninguém. Mas sempre vou ser sua amiga.
Eu sei disso porquê sempre fui, desde criança, egoísta e ciumenta demais pra dividir algo com outra pessoa. Mas eu acalentei por um ano o sonho de ter algo em comum com você, que é este Cintaliga aqui.
E às vezes sei que sou chata sim, porque pergunto dos seus textos, peço pra você postar, mas é porque não quero que esse blog seja mais meu do que seu. Quero sempre que seja nosso.
E se um dia você não quiser mais brincar de cintaliga comigo, eu também não vou mais brincar. Vou criar outro blog, porquê parar de escrever eu não consigo, mas escrever aqui sem você, eu não vou.
Eu amo muito você e é claro que eu tô chorando, né? Por isso que não comentei ontem, mas não adiantou retardar o momento, porque estou chorando do mesmo jeito.
Eu amo muito você e quero que seja sempre feliz. Com o Tuca, com a sua mãe, com seus gatos. Que continue a estudar, que visite seu pai, que volte a fazer mosaicos.
E que venha me ver qualquer dia, porque eu morro de saudade de você. Eu sempre lembro de quando você chegou e ficamos sentadinhas na cama do hotel que nem adolescentes - que é o que no fundo somos - batendo um loooooongo papinho furado. Foi quando você me contou do Tuca, lembra?
Eu não sei o que falar mais não. Eu tô muito emocionada. E que bom que você me entende.
Um beijo grande, grande, grande da sua amiga Lu.
Inagaki disse:
Dezembro 24th, 2006 às 1:05 am e
Vivo chamando a Lu de Pat e vice-versa, tal é a simbiose que constato existir entre vocês duas. A propósito, não se esqueçam do meu novo mantra para este fim de ano: 2007 promete!!! Um Feliz Natal para todos nós.
André disse:
Dezembro 24th, 2006 às 9:28 pm e
Aêêê… ela voltou a escrever!!!!!! Pô, mas o que é esse emocional e vida meio abalados. Não que os meus também não estejam, mas sempre fica uma curiosidade.
No meu caso, a noite de Natal quando eu era criança sempre tinha os presentes na porta da casa de minha avó, em um sistema que até hoje nunca soube como funcionava. Impressionante a eficiência da coisa.
Sobre Natal só valer a pena com criança, tudo bem que é legal termos os pequenos por perto (disse Ele “vinde a mim as criancinhas” e várias outras exaltando as ditas cujas). Porém, boa parte das vezes nessa ocasião só havia adultos ou adolescentes (eu e meu mano quando menos crescidinhos que hoje).
O que encaro no Natal, fora minha crença em Cristo, é que é daquelas ocasiões que nos são dadas para refletirmos. Refletirmos como foi o ano, como fomos enquanto pessoas, essas coisas. Recentemente, presenciei um fato que me fez lembrar de um sentido do Natal muito além de fetichização dos presentes (http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D33249%26Editoria%3D874%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D5068585636%26fnt%3Dfntnl), fora fatos muito interessantes em meu trabalho: uma cesta de Natal com nove (isso mesmo) panetones. Foi a oportunidade que me foi dada para poder dividir. Deixei mais feliz meu Natal, o da diarista que vem aqui na quinta e de uma criança que mandou carta para Papai Noel (todo ano, os Correios precisam de voluntários para dar conta das cartas e, mais além, tentar realizar os sonhos dessas crianças. Claro que há alguns casos de falta de vergonha na cara, como adolescentes escrevendo carta para o bom velhinho, mas são exceção).
Então, às pessoas daqui, feliz Natal, feliz Hannukah, feliz Kwanzaa ou outras coisas que puderem deixar depois do “feliz”, mas que nem tenha lembrado.
Tuca disse:
Dezembro 24th, 2006 às 9:58 pm e
Até uns anos atrás o Natal era literalmente um porre pra mim, uma vez que eu sempre acordava ressaqueado na manhã do dia 25. No entanto, como de uns 4 anos pra cá a família me encarregou de ser o carinha que se fantasia de papai-noel, não posso mais encarar essa data com a mesma porra-louquice dos outros anos. Não posso dar bandeira como um papai-noel bêbado frente a sobrinhada. Responsabilidade imensa. Mas, independente se convenço ou não na pele do bom velhinho, a criançada aqui é privilegiada. Muito. Lembro que uma das minhas frustações de Natal era nunca ter visto o papai noel entrar na sala, dando presentes diretamente na minha mão. Desconfio que meus sobrinhos, quando adultos, lembrarão com carinho dessa data, em grande parte por causa de um papai-noel magrelo, meio tosquinho. Mas com a mais nobre das intenções, a de contribuir pra lembranças inesquecíveis da infância, das boas. Anos incríveis, tenho lá o meu crédito. Nesse contexto, nem tenho mais vontade de questionar a validade ou não dessa data, incomodado com o perfil agressivamente comercial dela, religiosidade equivocada, etc. Quando a criançada crescer, volto aos meus porres…
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