Top 5 coisas que me irritam

05.02.10

(Pois eu sou irritável, impaciente, intolerante e mais um monte de "in". Mas desabafo no blog para não sair explodindo na vida real, e todos pensam que eu sou um doce. :D Eu disfarço bem. )

1) A pronúncia "dois mili dez".

É odiosa.

2) A pronúncia "lí-cui-do", em vez de "lí-ki-do".

É detestável.

3) Gente que fica dizendo "esqueci de almoçar, passou da hora e eu nem lembrei".

Certo, eu posso até entender que a pessoa tenha dias corridos e não tenha tempo de almoçar, mas isso de dizer que sublimou a necessidade de comer me aborrece SOBREMANEIRA. Eu sinto necessidade de comer o tempo todo, tenho pensamentos gordos.

4) Gente que não responde e-mails.

Entendo que e-mails com orações em Yorubá, power point de rinocerontinhos, piadas de vietnamita não sejam respondidos; afinal, que perda de tempo, não é? Mas e quando você manda um comunicado importante pra um grupo de vinte pessoas, enviando um documento para ser analisado, e dois dias depois NINGUÉM RESPONDEU? E quando você envia um convite para fazer parte de uma equipe de trabalho cuja função inicia em oito dias, e nenhum dos oito confirma presença? WHY, OH LORD, WHY? Eu deveria colocar que se o e-mail não for respondido em vinte minutos vai acontecer um furacão em Manaus?

5) Gente que não ajusta o discurso ao ambiente.

Argumentos religiosos em debates acadêmicos. Argumentos científicos em conversa de amigos. Reclamar da cidade para um nativo. Vamos ser mais adequados, vamos?

Bonus track: A pronúncia "pandeló", quando, pelo amor da farinha de trigo com fermento, o certo é PÃO-DE-LÓ! Qual a razão pra falar PANDELÓ?

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Catarse, Humor
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A concurseira e a Prova Impossível

26.01.10

Aí que eu, a doida, me inscrevi na prova do Instituto Rio Branco. Inocentezinha. Mamãe sempre quis que eu fosse diplomata, e depois que eu voltei da Irlanda, ela não fala de outra coisa. Eu voltei da Irlanda em OUTUBRO DE 2008, então vocês avaliam.

Aí, que eu me animei toda quando vi no site do CESPE (aplicadora da prova, famosa pela maldita regra que diz que uma questão errada conta pontos negativos, o que te desestimula a chutar) um "Guia de Estudos", com exemplos de respostas das pessoas que foram aprovadas no concurso passado! Olha que beleza!

Aí, eu baixei o Guia de Estudos em PDF e li. E comecei a tremer da cabeça aos pés. Como assim, TRATADOS DE LIMITES DA TANZÂNIA COM A NIGÉRIA? Como assim? Estuda-se isso onde?

Aí, eu comecei a pesquisar, e achei fóruns de concurseiros. E eu descobri que esse é O CONCURSO IMPOSSÍVEL. O concurso das três fases matadoras. O concurso que exige matérias que ninguém exige - história, geografia, economia, História do Brasil. Fichamentos de Casa Grande e Senzala, Raízes do Brasil, aqueles calhamaços livros muito importantes do Gilberto Freyre que eu nunca tomei vergonha na cara pra ler enquanto estive na faculdade. Eu estudei Admnistração; Adm é quase Humanas, e eu deveria ler Raízes do Brasil, não é? Pois eu não li. Ainda. Tá na lista.

E quanto mais eu me informava sobre o concurso, mais eu achava que tinha queimado os cem reais da taxa de inscrição. Qualquer nível superior pode concorrer + cem vagas pro Brasil todo + salário de rico (sete mil!) = "Não tenho a menor chance, mas vou fazer assim mesmo, pois adoro um desafio - e ainda posso ficar com a prova!" Eu tenho uma coleção de provas: Vestibulares, testes ANPAD, Concursos nacionais e regionais. E creiam-me, eu as pego ocasionalmente e vou procurar a resposta daquela questão que eu errei. Um dia, após errar bastante e aprender como não se erra, eu acertarei e serei aprovada! (Olha o tamanho da minha fé...)

E a prova foi domingo, dia 24. Em Manaus, no horário de Verão, essas provas de concursos públicos adquirem contornos cruéis: a prova COMEÇOU às seis e meia da manhã. Passei uma madrugada aflitiva, tendo pesadelos com a prova. Juro. No primeiro pesadelo, eu estava no Motel - acompanhaaaada, tá! - e PERDIA A HORA DO CONCURSO. Saía correndo no meio da rua, e pegava carona em uma CARROÇA (daquelas puxadas por jumentinhos), e o carroceiro dizia: "Ih, seis e meia, já fecharam os portões." Olhei ao redor com aquela sensação de que eu devia tomar um táxi,levantei da cama e só depois que lavei o rosto percebi que o sonho não era verdade, eu estava sonhando (pesadelando) que ainda era madrugada e véspera do concurso - e não estava em Motel nenhum, estava em casa! (Aliás, faz algum tempo que não vou a nenhum motel.) Olhei no relógio: DUAS DA MANHÃ! SUBCONSCIENTE ANGUSTIADO FIDUMA ÉGUA, EU PRECISO DORMIR!

Dormi de novo, e tive uma sequência do Pesadelo. Sim, "Hora do Pesadelo 2". Só comigo. Na continuação, eu entrava em um lugar cheio de escadas e salões (parecia o Museu do Vaticano), e tinha centenas da cadeiras encostadas nas paredes, e pessoas sentadas nas cadeiras fazendo a prova. Eu sentava, pegava uma prova, lia a prova inteira e não sabia nada.Claro, afinal,era um pesadelo. Tinha uma pergunta sobre o filme Cidade de Deus. E eu pensava, no sonho: "Nem assisti esse filme. Todo mundo assistiu, menos eu. Como a prova é pra Diplomata, vou escrever sobre o impacto do filme na imagem do Brasil no exterior" Até eu sonho eu cito o Alex Castro! E a prova já estava toda riscada com outra letra, e eu saía de corredor em corredor, pedindo outra prova, pois aquela era de outra pessoa, e eu queria a minha. Que beleza de subconsciente eu tenho.

Eu tive que acordar às quatro e meia, tomar o mingau de aveia que Mamãe faz pra mim em dia de concurso (ahhh, amido, amido, viva o amido), comer um pão com ovo (dia de concurso é dia de tomar Super Breakfast) e ir pro lugar da prova.

Cheguei lá seis e dez, e levei um susto: não tinha fila de carros, não tinha engarrafamento. Achei que já tinham fechado os portões, de acordo com o carroceiro do meu sonho. Mas não. Entrei no local de prova, pra descobrir que só haviam TRÊS salas com pouco mais de trinta alunos cada uma. Ou seja, só cem pessoas em Manaus se animaram a fazer a Prova Impossível. Isso me deu um pouco mais de empolgação - "quem sabe então haja alguma chance."

Fiz a primeira prova: Português, Relações Internacionais e Geografia. Sou boa em português e em Geografia, e teve duas perguntas sobre Amazônia que estavam facílimas. Não sei nada sobre Relações Internacionais. Chutei adoidado. Acabei às dez e meia. Almocei às ONZE E MEIA DE LA MAÑANA, (num domingo!num domingo!) pra voltar pra fazer prova de novo. Inglês, Economia e História. Os textos de inglês eram ÓTIMOS, perguntas excelentes, que me deixaram salivando de prazer. (Eu sou CDF. E falei que adoro um desafio.) As perguntas de Economia me pareceram medianas, eu estudei vários conceitos pedidos na prova durante a graduação; mas sempre que eu acho uma prova fácil, é porque na verdade não entendi direito a profundidade cabeluda da questão. Já na Prova de História, considerei golpe baixo perguntarem sobre a Constituição Mexicana de 1917. Palhaçada. Eu ouvi falar de Pancho Villa, mas não sei o que ele fez!

Cheguei relaxada e alegre em casa, com duas provas novas pra coleção, crente que tava abafando e que a Prova Impossível tinha sido um passeio no parque. Aí, entrei no fórum de concurseiros. E a maioria dos concurseiros diz que o ideal é deixar VINTE OU VINTE E CINCO em branco. E eles fizeram cálculos na prova de Economia. Cálculos. Cálculos. Eu não percebi a existência de nenhuma questão que pedisse cálculos. Todos tinham lido livros sobre Relações Internacionais, e sabiam tudo sobre a Convenção dos Animais e Vegetais da África, que aconteceu em 1900. Debatiam vírgulas e conjunções. E eu lá no meio. Tudo o que eu tenho é uma mãe que acha que eu devia seguir carreira de diplomata.

Bicho, eu só deixei quatro em branco. Me ferrei. Vou errar tudo, e as poucas que acertar, anularei com meus chutes contando pontos negativos.

Acho que o Brasil vai ficar sem uma diplomata amazonense de cachinhos.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Turismo, Humor, Indignação, Família
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E bota um parêntese (Um bocadinho mais); Bota uma piada interna (um bocadinho mais)

11.01.10

No final do ano aqui em casa, a fábrica do Distrito Industrial onde minha mãe trabalha deu uma cesta de Natal para os empregados funcionários colaboradores. Essas cestas normalmente são um rancho - rancho é o termo amazonense pra cesta básica - mas essa, surpreendentemente, continha produtos "Natalinos". Ganhamos, entre outras coisas, nozes, castanha de caju, ameixas, passas, azeitonas, salgadinhos, palitinhos de chocolate, um espumante e um vinho (junto comigo, leitor: OOOOOHHHH!), farofa pronta, lentilha, macarrão de estrelinha, e mais uma pilha de coisas.

Na véspera de Natal, depois de voltarmos do trabalho (EU E MINHA MÃE TRA-BA-LHA-MOS DIA 24 DE DEZEMBRO!), eu comecei a quebrar as nozes com um...martelo, pois ainda não tenho um quebra-nozes mágico que vira príncipe durante a noite.

Arrumamos os petisquinhos, e eu comecei a lembrar da música do Caymmi. "Bota castanha de caju, um bocadinho mais..." E aí se seguiu o diálogo bobo com a mamãe:

- Mãe, o vatapá de Salvador é mesmo que nem diz a música?
- Qual música, Eva?*
- "Bota castanha de caju, um bocadinho mais!" Leva mesmo castanha de caju, pimenta malagueta, amendoim, coco ralado, gengibre? (Fiz uma carinha de nojo.)
- Leva... (Ela fez uma pausa.) É forte, forte, forte, forte!**
- E eles não botam pão no vatapá?
- Não sei... (Outra pausa.) Mas é forte, forte, forte! Puro dendê, annh... (Ela fez cara de nojinho)
- Na música não fala de pão.
- (Cantarolando) "Quem quiser vatapá, que procure fazer. Primeiro o fubá, depois o dendê..." É fubá que eles usam!
- Elas, né? As negas baianas que sabem mexer...

E nós duas começamos a rebolar no meio da cozinha, cantando alto:

- Que saiba mexer, que saiba mexer, que saiba mexer!

Rimos até não poder mais.

Eu quero muito que a Bel, que mora lá em Ilhéus, venha aqui se assustar com o vatapá da minha terra, que não leva nem fubá, nem gengibre, nem coco ralado, nem amendoim, nem castanha de caju, mas é presença certa na mesa do amazonense. "O vatapá da minha terra é um creme mole, quando se come todo mundo bole..."
Em Manaus, não existe aniversário sem vatapá. As vendedoras de comida na rua vendem churrasquinho, maionese, vatapá , pirarucu de casaca e salpicão. Nas festas juninas: vatapá. Nos restaurantes self-service mais simples dos bairros, como uma opção para quem não quer feijão, vatapá. Junto do peixe frito, vatapá.

* Minha mãe não me chama de Eva. Ela me chama pelo meu segundo nome - que eu não divulgo aqui para evitar a fadiga.

** Vocês sabem como é que se diz isso? Ela repete três vezes a mesma palavra, cada vez cantando uma oitava acima. É bonito e expressivo. Minha mãe diz coisas como "ele mora longe, longe, longe" "aquilo era caro, caro, caro" "ai, tô cansada, cansada, cansada" "hoje vai chover, chover, chover". Eu tenho vontade de responder: "Fígaro, Fígaro, Fígaro!"

P.S.: Ouça a música do Vatapá aqui.

Os textos que estão aqui

09.01.10

Dentro de mim, toda vez que alguém me conta uma piada boa. Toda vez que a vida fica legal, ou quando ela se torna uma chatice. As comidas, o regime, o cansaço, os projetos, e a idéia que eu tenho de escrever sobre Manaus, tanta confusão acontecendo em Manaus e eu não escrevo.

E eu não escrevo sobre prazer, eu não escrevo sobre mim, eu não escrevi sobre o Natal ou o Ano Novo (assistindo ao Show da Rita Lee na praia da Ponta Negra). Eu não escrevo sobre nada, nem no blog nem no Twitter nem no Facebook nem nos comentários do Inagaki nem no Lv da Fal.

Eu não escrevo sobre o amor suave que estou vivendo (estou, gente, estou). Eu só consigo escrever sobre a Falta de Tempo pra Escrever, e quando eu consigo tempo para escrever, todos os assuntos já passaram e eu não sei o que escrever pra vocês.

Desculpem. Eu gosto de escrever, mas tá ficando tão difícil. O os textos estao aqui, dentro de mim, estao aqui.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento
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O post anual de Natal

22.12.09

A correria está horrenda, leitores e leitoras. Mas eu vou fazer meu post delsumbrado de Natal, que já é tradição da blogosfera. :D

Volto em breve.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Blogosfera
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Princesas, sapos e trocadilhos

15.12.09

Eu sou o público perfeito pra desenho animado. Eu rio alto, choro naquela hora que é pra chorar, saio do cinema cantando ás músicas e fico com vontade de comprar o caderno, a agenda e a mochila do desenho.

Mas, gente, esse desenho da princesa de Nova Orleans me pegou pelo pé e me deu uma rasteira. Estou perdidamente apaixonada pelo filme. Assisti ontem à tarde com meu namorado, numa sessão com poucas crianças. Digamos que eu quero TODOS os vestidos que ela usa. Especialmente o de noiva-sapinha, com as flores do pântano do Mississipi!

E as músicas? Eram as músicas do meu pai. Trompete, bateria, bandolim, ukulele. Jazz dixieland, blues, o tempo todo, em grande estilo.

E - por favor alguém me explica - porque o pai dela tem que ser tão parecido com o meu?

**********

Pequeno diálogo bobo no ônibus(estilo conversas furtadas)

Ele - Mas eu posso fazer uma colocação?
Eu (maliciosa)- Pode. Vai, coloca tudo!
Ele - (ri tanto que esquece o que ia dizer)

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Cinema
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