Uma reflexão sobre o Ultimate Fighter

08.04.12

Senhor Galante é um lutador. Em diversos aspectos, na vida e na profissão: ele é capoeirista e está se preparando para ser instrutor de Kung Fu.

Eu sou a rainha da cabecice. Eu sou muito ligada ao raciocínio e à lógica. Não quer dizer que eu seja superdotada ou sábia: sou só cerebral mesmo. Até os meus sentimentos, fico querendo explicar - e por isso eu tenho um blog!

Nós dois conversando no ônibus, ele me falou muito animado sobre um reality show de uma determinada rede de Televisão. Os participantes são lutadores (não sei dizer de qual modalidade, não entendo do assunto), e eles ficam em uma casa sendo filmados o dia inteiro, sob as orientações de dois lutadores mais famosos. Não colocarei links.

Meu comentário: ah, que bacana, eles vão receber orientações do "mestre", tem um lance de treinamento. Deve ser tipo ter a chance de assistir a um simpósio. (Reparem na minha cabecice. Eu sei que eu sou chata.)

Ele prosseguiu, me explicando que a participação do público seria telefonar pra escolher dois atletas para combater, e o perdedor seria eliminado, até só um deles ganhar um prêmio e um patrocínio.

Eu refleti uns segundos e fiz uma cara que deve ter sido horrenda, pois ele perguntou se eu estava me sentindo mal.

E eu, que não sei ficar calada quando seria o melhor a fazer, disparei:

- Mas que horror! É como no Coliseu, escolha o gladiador para que eles se enfrentem até a morte! Cruzes, que coisa de mau gosto, horrenda, animalesca! É a humanidade se mantendo no primitivismo do estímulo à agressividade! Que nojo, me deu até enjôo no estômago! Ao menos a morte é figurada, mas a banalização do sentimento humano é...

E eu só parei depois de já ter ferido profundamente o coração do meu lutador.

Desumana sou eu, e não os atletas, que seguem regras de disciplina, ética e dignidade.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento
Deixe seu comentário

Orkuttes ou Lattes Book?

29.02.12

Estive atualizando meu currículo Lattes, e fiquei fascinada com essa ferramenta.

Eu fico envergonhada do meu Lattes, pois ele é um resumo fragmentado de mim. Especialista em Administração Pública, Estudante de graduação em Teatro, Funcionária pública, nenhum trabalho publicado, organizadora de dois eventos de Educação Tutorial. Dá a impressão que eu atiro pra todos os lados, mas na verdade o que eu queria é ser considerada Multitarefa. :D

Como eu estive atualizando uns dados no meu Lattes, detectei algo estranho: se você vai inserir alguma atividade artístico-cultural, você precisa ser um dos autores. Ora, ser atriz em uma peça de teatro não equivale a ser autora da obra! Acho que ser atriz em uma peça teatral equivaleria a comparecer a um congresso como participante. A não ser em alguns casos de direção coletiva...ih, complicou.

Apesar de a Plataforma Lattes não dispor de recursos de rede social, ela de certa forma funciona como um Orkut (ai, Eva, que coisa mais 2003) da classe acadêmica.

Por exemplo, quando sai resultado de concurso, todo mundo vai fuçar no Lattes pra ver quem é o professor. E os comentários começam: "Ela trabalhou no exterior!" "Ele orientou trocentos TCC´s!" *

Você pode pesquisar quem estuda ou leciona na Universidade tal, quem pesquisa determinado tema, quem orientou quem, quem fez parte de quais bancas... Outro dia eu estava procurando alguém que, como eu, fosse formado em administração e pesquisasse Teatro, Cultura e Arte. Achei alguns economistas, todos com livros publicados, só pra me fazer sentir minúscula. :D

Visitei os Currículos Lattes de dois professores particularmente queridos, que me ministraram aulas na Graduação e na Especialização da UFAM, e fiquei embasbacada com a experiência profissional e acadêmica deles. Deu até vontade de assistir aulas com eles de novo!

* TCC - Trabalho de conclusão de curso, também conhecido como Monografia, também chamado de Inferno, Pesadelo, O Horror, Rito de Passagem....

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Escola
1 comentário

Julie & Julia & Nós

05.02.12

Assisti ao filme Julie e Julia, e chorei até o nariz triplicar de tamanho.

Eu quero contar histórias assim. HIstórias que valorizem a vida, histórias de gente de verdade, gente possível, gente que queima a carne e faz coisas legais.

Eu quero contar essas histórias. Não sei se sou boa atriz o suficiente, mas pode ser como roteirista, figurinista, maquiadora, ou fazendo as planilhas. Pode ser no blog ou em livro, pode ser falando pros meus filhos, mas eu quero ajudar a contar essas hitórias.

P.S.: Eu tinha um texto mil vezes melhor que esse na minha cabeça, mas eu não sei mais escrever. E o filme é sobre um blog. Ai que saudade me deu.

Professeur Joelma

23.01.12

Eu não sei se no resto do Brasil vocês sabem, mas tá rolando uma grande imigração haitiana aqui em Manaus. Tipo, eles vêm (ainda tem acento no "vêm"?) pela tríplice fronteira Peru-Colômbia-Brasil, em Tabatinga, e após terem seus pedidos de refúgio aprovados, normalmente mudam-se para Manaus em busca de emprego.

Eu, particularmente, acho ótimo. Manaus sempre foi muito ilhada, e acho que aprender a conviver com pessoas diferentes (desde o idioma até o tipo físico) é algo positivo pra cidade, que afinal de contas,está aprendendo a ser uma metrópole.

De um modo geral, em Manaus a gente não estava acostumado a ver negros-muito-negros. Normalmente, quem é negro-muito-negro era militar carioca que vinha pra cá transferido. E os haitianos tem um tipo físico inédito por aqui: eles são negros-muito-negros, altos, fortes. Em Salvador, passariam despercebidos, mas aqui em Manaus, é muito fácil olhar e ver que aquela pessoa é de fora.

Enfim. Estava eu na parada de ônibus, e chegam três haitianos. Lindos, lindos, lindos (eu tenho paixão por pessoas morenas e negras, acho lindo, em São Luís e St. Maarten eu pagava mico de tanto olhar pras pessoas). Altos, esguios, dentes brancos, mãos enormes. #MeAbana

Aí, quando eles sentaram, eu gastei um pouco do meu francês: "Salous!". Não era jogando charme, sou mulher fiel e séria, mas gosto de fazer as pessoas se sentirem bem vindas na minha cidade.

Eles riram, surpresos (ninguém deve falar com eles em francês, né?), e começaram a perguntar "Comme ça va", e eu disse "Ça va bien", e depois "ma français ces´t fini". Eles entortaram de tanto rir, e um deles: "Mas o meu português não acabei".

Em suma, enquanto esperavam o ônibus, esse moço conversou comigo, dizendo que aprendeu português muito rápido ouvindo música. E eu disse que ele estava falando muito bem mesmo, com vocabulário muito bom, que eu queria saber qual música ele ouvia. Ele me põe o celular pra tocar -bem alto, na parada lotada - "A lua me traiu", da Banda Calypso. E comenta:

- Essa mulher, melhor cantora bresileira. Joelmá.

E eu:

- Je ne suis pas d´accord...

E ele:

- Pourquoi non?

E eu:

- Ela grita.

E ele:

- Que nada! Ela melhor professora português.

E começou a cantar junto com a Joelma no celular, "Fiquei sozinha, louca por você..."

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Tecnologia, Lugar
Deixe seu comentário

Natal tem todo ano

18.12.11

Eu sou apaixonada pelo Natal. Sempre fui, procurando nos arquivos deste blog de dezembro, sempre tem texto sobre o Natal.

Mas esse ano tá diferente. É que eu ando muito cansada, muito ocupada, muito estressada mesmo. O ano não deu a pausa natural de dezembro, eu continuo tendo aula na faculdade, continuo trabalhando (MUITO MAIS DO QUE O NORMAL). Não teve aquela pausa pra olhar pros lados e "olha só, luzinhas e enfeites".

Tem sim, luzinhas e enfeites, por todos os lados. Mas eu ando tão nervosa com isso. Tudo é da China, entendem? Qual a graça de papai noel de plástico da china? Nenhuma. Qual o encanto de pisca-pisca de led da China? Zero!

Algum funcionário da prefeitura de Manaus teve a bela ideia de fazer árvores de natal de PET. Ugh... Reciclagem é legal, mas não basta cortar as garrafas, gente, há que buscar a harmonia, há que esforçar-se na estética.

No mais, o que eu continuo gostando do Natal não são as comidas nem os presentes, não é o plástico verde e vermelho. Eu continuo achando formidável essa ideia etérea de um Deus-Menino. Celebrar o nascimento de uma criança, e pensar que afinal, todo nascimento de todas as crianças mereciam ser comemorados, com luzinhas e presentes, caso fosse possível.

Eu amo o Natal, amo tanto. Mas não o associo a consumo e despesas, em momento algum.

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Consumismo, Esperança
2 comentários

Coisas muito grandes pra esquecer

04.12.11

Nós dois sentados em um sofá na Universidade.
Sexta-feira, seis e meia da tarde.
Eu com restos de maquiagem vermelha no rosto, os pés pintados de preto, cansada depois de uma pequena apresentação didática.
Você com um compromisso em alguns minutos, trabalho pra fazer.
Eu tinha um sanduíche de queijo na bolsa.
Nós dividimos. Conversamos sobre alguma coisa simples e tola, não lembro mais o quê.
Você me abraçou, eu pus a cabeça no seu ombro, segurei sua mão.
Eu te desejei tanto... um calor subindo pro rosto, mas sabia dos seus compromissos e da minha necessidade de ir para casa. O conforto do seu corpo, a alegria de uma semana particularmente ruim estar terminando tranquilamente.
Você disse que estava "tão feliz". Eu disse que aquele era um momento tão bobo que nem lembraríamos depois. Perguntei: "Tem algum modo de fazer esse momento parar?" Você disse: "Batendo uma foto!"
Eu ri, disse que não era bem isso que eu tinha em mente. Mas depois refleti, e percebi que era mesmo a melhor maneira de fazer aquele momento durar pra sempre.
É uma das nossas melhores fotos. Escrevo para não esquecer.

Senhor Galante e Menina Eva

Escrito por Menina Eva
Arquivado em: Comportamento, Cotidiano, Relacionamentos, Amor, Lugar, Papelão, Romance
3 comentários

:: Próxima página >>