Categoria: Veterinária

23.04.08

Novos Tempos

Em boa parte dos municípios do estado de São Paulo, a coisa funcionava assim: depois de 3 dias no canil público, caso não fossem resgatados pelos donos ou adotados por alguma alma caridosa, os cães e gatos recolhidos das ruas eram sacrificados, seja lá em que condições esses estivessem. Agora, segundo uma lei sancionada pelo governador José Serra na semana passada, as coisas mudaram. Sacrifício mesmo, somente quando o animal estiver em alguma das seguintes situações:

- ser portador de doença grave ou infecto-contagiosa incurável que coloque em risco a vida da população.

- tiver histórico de mordeduras em pessoas. Nesses casos, a eutanásia ocorrerá no caso de ninguém o adotar depois de 90 dias de permanência no canil público.

Quanto aos cães e gatos saudáveis, a única injeção usada será a de anestesia, para a cirurgia de castração.

Algumas prováveis conseqüências dessa lei:

- maior contratação de veterinários pelos órgão oficiais: o raciocínio aqui é simples. Menos animais sacrificados nos canis públicos = Maior número de cães e gatos que aguardarão pela adoção = Necessidade maior de profissionais qualificados para o cuidado desses.

- intensificação das campanhas de adoção de cães e gatos: quanto mais animais adotados, menos gastos para as prefeituras com ração, espaço, cuidados veterinários etc. Óbvio, não?

- maior discussão a respeito da posse responsável:
cães e gatos, em 99,9% dos casos, alcançam as ruas por causa da irresponsabilidade de seus donos. Se a pessoa não tem condições de manter um animal, paciência, que não o tenha. Simples assim.

No mais, sorte dos bichos paulistas.

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Pra saber mais:

Lei nº 12.916, de 16 de abril de 2008: texto original da lei mencionada no texto aqui.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 12:40:34 Email
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15.04.08

Raiva e revacinações

Existem controvérsias quanto a obrigatoriedade de ser anual o regime de vacinação contra a Raiva. Muitos, tendo em mãos alguns acompanhamentos sorológicos, alegam que uma única dose da vacina é o suficiente para que o animal fique protegido por 5 a 7 anos. Na intenção de se verificar cientificamente essa suspeita, de forma a comprová-la ou não, um grupo de donos de pets criou o Rabies Challenge Fund, uma fundação norte-americana dedicada a angariar fundos que venham a financiar estudos nessa área. É de se imaginar que alguns laboratórios não estejam gostando nem um pouco dessa iniciativa, por razões óbvias. Na dúvida, enquanto nada de definitivo é anunciado sobre essa questão, continue revacinando o seu bicho como sempre: anualmente. Afinal, estamos falando da Raiva, uma zoonose fatal.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 13:09:07 Email
Categorias: Saúde, Veterinária, Zoonose, Pets
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09.04.08

Hidroterapia Veterinária

À primeira vista, pode parecer engraçado ver um cão ou gato caminhando sobre uma esteira, com parte do corpo submersa na água. Material perfeito para uma dessas reportagens toscas no estilo "uau, vejam só, agora os bichos estão recebendo tratamento de gente. Show de bola, hein?" Mas, no caso do exemplo aqui, estamos falando de hidroterapia, uma das alternativas que mais podem auxiliar na recuperação de animais com problemas ortopédicos. Ou seja, algo totalmente justificável na rotina veterinária, não significando de modo algum frescura ou bizarrice a preencher a pauta dos shows de variedades.

Comum há mais tempo no treinamento e reabilitação de cavalos, esse tipo de fisioterapia vem conquistando o seu espaço também na recuperação de cães e gatos. Através de exercícios na água aquecida - em piscinas ou em equipamentos específicos - o animal debilitado tem a oportunidade de movimentar seus músculos e articulações de maneira mais confortável, sem aquele impacto que aconteceria em terra firme, minimizando eventuais dores que poderiam surgir no processo. Ao mesmo tempo, a água oferece uma resistência ao animal, estimulando-o a se exercitar.

Além de ser um bom auxiliar na recuperação de animais com problemas ortopédicos - como displasia coxofemural, hérnias de disco, artroses e pós-cirúrgicos relacionados -, a hidroterapia pode ser útil também em outras situações, como no reestabelecimento do equilíbrio locomotor em alguns pacientes com problemas neurológicos. Pode ser uma boa pedida também para pets obesos que precisam, além de uma alimentação controlada, queimar as calorias através de exercícios.

E dependendo dos exercícios recomendados pelo veterinário, é possível que o tratamento se dê em casa mesmo, como demonstrado no vídeo abaixo:

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E se o bicho for desses que têm a Síndrome de Cascão, com horror à qualquer coisa que lembre água? Bem, o medo pode ser domado aos poucos, fazendo com que o animal vá entrando gradativamente em contato com a água. Depois de tudo isso, quando ele estiver caminhando bem melhor - tomara! -, é bem capaz que o mesmo aceite melhor a hora do banho, sem aqueles escândalos habituais...

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E por falar nisso:

Vídeo - Programa Pet & Cia: nessa matéria, a veterinária Luanna F.F. Gomes fala sobre os benefícios da hidroterapia em pets.

Hidroterapia em Cães : artigo do veterinário Renato B. Miracca, publicado no site "Vida de Cão".

Vídeo - Hidroterapia em Cavalo: aqui, temos um eqüino caminhando em uma esteira, com parte do corpo submersa na água.

Hydro Physio: empresa inglesa, fabricante de aparelhos para hidroterapia veterinária. Nos links dessa página, estão as imagens de alguns modelos à venda. Tentei encontrar alguma empresa parecida aqui no Brasil, sem sucesso.

Canine Hydrotherapy Association
: site de uma associação inglesa dedicada exclusivamente à hidroterapia canina. Reflete, de alguma forma, a popularidade desse tratamento por lá.

Vídeo - Camarão na Esteira
: se você tem um camarão de estimação e acha que ele anda muito preguiçoso, talvez seja a hora de fazê-lo se exercitar um pouco, como mostrado aqui...

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 12:38:19 Email
Categorias: Animais, Curiosidade, Veterinária, Vídeo, Cães, Gatos, Pets, Cavalos
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22.01.08

Cidadão Vet na Revista Pet Shop Brasil Business

A revista Pet Shop Brasil Business, uma tradicional publicação direcionada aos profissionais do segmento pet, traz na edição desse mês uma entrevista comigo.

Nessa, além de falar sobre os objetivos do "Cidadão Vet", expresso minhas opiniões a respeito dos sites e blogs brasileiros dedicados a animais, um segmento que, a meu ver, ainda tem muito a evoluir.

Enfim, se você quiser saber um pouco mais sobre mim - profissionalmente falando, é claro - e o "Cidadão Vet", confira aqui a entrevista.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 10:44:33 Email
Categorias: Animais, Internet, Veterinária, Mídia, Pets, Produtos, Especialização
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07.01.08

Novos medicamentos veterinários - Destaques de 2007

Em 2007, as inovações do mercado pet não se resumiram apenas a gracinhas criadas para fisgar o gosto dos donos. No quesito saúde animal, acompanhamos o surgimento de novos medicamentos, desenvolvidos para auxiliar no tratamento e prevenção de condições cada vez mais presentes no mundo dos pets, como a obesidade e a ansiedade. Nesse sentido, podemos destacar três produtos, ainda inéditos aqui no Brasil:

Slentrol - inibidor de apetite para cães, da Pfizer. Como nem sempre é fácil mudar a rotina de um cão obeso, através de modificações na dieta e do aumento de exercícios, o Slentrol é uma opção a ser considerada nos casos mais complicados, de acordo com a avaliação de um médico veterinário.

Reconcile - produzido pelo laboratório Eli Lilly, trata a ansiedade de separação canina. Composto pelo mesmo princípio ativo do Prozac - fluoxetina - é indicado para aqueles cães que não suportam ficar algumas horas separados de seus donos, compensando a frustração na destruição de tudo que estiver ao alcance deles. O uso do Reconcile deve ser feito em conjunto com um esquema de condicionamento para se corrigir o comportamento ansioso do cão.

Vacina contra o melanoma canino - produzida pela Merial, essa vacina é considerada a primeira do gênero, indicada para prolongar a vida dos cães acometidos por esse tipo de câncer. Inova também na forma de aplicação, sem a necessidade de agulhas, pela via transdérmica (absorção através da pele, resultando em uma administração lenta e contínua, que potencializa o efeito da vacina). A Merial espera que algumas descobertas a partir desse produto - no momento, comercializado sob licença provisória do Departamento de Agricultura dos EUA - possam beneficiar os humanos também.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 10:41:43 Email
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