Dias atrás, dei uma entrevista a Rádio CBN, em que falei sobre o Cidadão Vet. Em pouco mais de dez minutos de conversa com a jornalista Luciana Marinho, percebi duas coisas:
Mas, cá entre nós, eu acho que o resultado final ficou acima do razoável. Confira o áudio logo abaixo e diga se você concorda ou não comigo:
Se a qualidade do áudio estiver ruim para você, ouça a entrevista diretamente do site da CBN, clique aqui.
Ps: O Cidadão Vet agora está no twitter. Fique de olho, que em breve eu passarei a atualizar com bastante frequência por lá também.

Ok, eu confesso. Fui desses que, quando criança, ficava preocupadíssimo ao ver um gato preto cruzar na minha frente. Afinal, o senso comum dizia que isso dava má sorte. Pois bem, o tempo passou e, felizmente, percebi que superstições não passam de desculpas para justificarem os nossos problemas. E assim, ignorando trevos de quatro folhas e passando por debaixo de escadas, passei a encarar os gatos pretos mais como adoráveis miniaturas de panteras negras do que como portadores de ameaças do além. Hoje em dia, tenho medo mesmo é de coisas mais palpáveis como farol fechado, político tagarela e cliente caloteiro.
No entanto, grande parte de nossa população, gente bem crescidinha até, ainda encara esses bichos como seres do mal, nessa herança cultural que custa a ir embora de vez. Vez ou outra, ainda surgem na mídia algumas figuras que, sem base alguma, reiteram esse preconceito. Como o caso da médium que, num programa de TV, aconselhou o povo a tomar cuidado com os gatos pretos, uma vez que os mesmos, segundo ela, seriam usados pelas feiticeiras para provocar o mal. Ela, como as feiticeiras da Idade Média, ficou queimada, mas perante os defensores dos animais que, felizmente, não deixaram passar barato a afirmação de tamanha bobagem. Bem feito.
Por causa dessa imagem negativa, de todos os gatos, o preto continua sendo o mais rejeitado nos locais de adoção de animais. Pra piorar, o coitado ainda é considerado útil para atividades que nada têm a ver com a sua condição de pet, como servir de sacrifício para rituais satânicos.
Em países de tradição católica, o preconceito costuma ser maior, por causa da herança de uma idéia que relacionava, na Idade Média, os gatos pretos às feiticeiras. E isso, não seria diferente na mais do que católica Itália, é claro, lar de muitas histórias de atrocidades passadas e atuais contra esses animais. Para tentar diminuir os efeitos dessa herança por lá, que resulta na morte de aproximadamente 60.000 gatos pretos anualmente, uma associação local de direitos dos animais (AIDAA) instituiu o “Dia do Gato Preto”, com o objetivo de “educar as pessoas e restituir a dignidade desses animais, de forma que se pare com esse massacre”, afirma o presidente da associação, Lorenzo Croce.
Para tanto, no último dia 17, data em que ocorreu o evento, o grupo responsável criou 200 postos de informação espalhados por toda a Itália, onde foram distribuídos materiais com explicações que procuram espantar o preconceito contra o gato preto. Além disso, a população pôde também assinar petições que pediam maior proteção a esses animais. E se a pessoa demonstrava um interesse especial pela causa, era aconselhada a adotar um gato preto, desde que tivesse condições para tanto, é claro.
Nem o Papa Bento XVI, conhecido por sua afeição pelos gatos, escapou da campanha, ao receber uma carta que o convidava a apoiar o movimento. “Seria muito bom se ele pudesse reconhecer a nossa iniciativa, ao falar publicamente sobre a falta de bom senso que é o preconceito contra os gatos pretos”, disse Croce.
Pela pouca informação disponível sobre “O Dia do Gato Preto”, desconfio que o evento tenha atraído pouca atenção da mídia e, conseqüentemente, da população. Mas, enfim, fica aqui a idéia para que a “Festa Nazionale Del Gatto Nero” tenha outras edições, inclusive por aqui. Os dois gatos pretos que a minha namorada tem, e com os quais eu mais tenho a SORTE de conviver, os adoráveis Cartola e Otelo, agradecem.
Fonte desse post: BBC News
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Petiscos:
Vídeo de um gato preto curtindo a vida:
Vídeo curiosíssimo de dois gatos "conversando":

Ainda hoje, não é raro ouvirmos alguém alegar que não come carne suína por duas razões principais:
1 - É algo sujo, que provoca doenças. Teníase, principalmente.
2 - Não é saudável, pois tem muita gordura. Uma bomba pro coração!
São alegações que até faziam algum sentido há uns trinta anos atrás, quando ainda era comum o consumo do famoso porco de quintal, aquele alimentado com lavagem - uma mistura de tudo com qualquer coisa que o bicho comia - e submetido à condições mínimas de higiene. Pois bem, mas o que mudou hoje em dia? Muita coisa. Desde a genética do suíno, passando pela alimentação, até a higiene do local em que o mesmo é criado. Tudo isso configurado dentro daquilo que o mercado chama de "Suinocultura Industrial".
Nessa, o suíno torna-se um animal tão livre de doenças quanto qualquer outro criado sob rígidas condições sanitárias e constante supervisão veterinária. Só pra exemplificar, falemos da teníase, que é a doença que mais assusta os consumidores dessa carne. Em uma criação moderna, fica praticamente impossível o risco do animal adquirir o parasita causador dessa zoonose, uma vez que o mesmo é criado confinado, num piso de cimento, constantemente sanitizado. E como ninguém ainda descobriu um agente mutante causador da teníase que tenha perninhas, asas, e se desenvolva no cimento, o risco continua mais do que nulo.
No entanto, mesmo tendo noção de tudo isso, muitas pessoas continuam antipatizando com aquele lombo na prateleira do supermercado. Afinal, "carne de porco" é a que possui mais colesterol, disparado, sem dúvida alguma, dizem. A vovó já afirmava isso, ora essa. Mais uma vez, uma constatação que teve lá sua razão em meados do século passado. Agora, na suinocultura industrial, não. Ao longo dos anos, a seleção - não manipulação, que é algo totalmente diferente - genética tratou de ajudar a produzir suínos com cada vez mais músculos - ou seja, carne - e menos gordura - ou seja, mais saudáveis. Assim, chegamos num ponto em que o consumo dessa carne pode ser diário, desde que com moderação, é claro. Algo impensável na época do "porco de quintal".
E é claro, como toda criação industrial, existem aqueles pontos que geram intermináveis controvérsias entre os produtores e os representantes das associações de proteção animal. Aí já é outra estória, que não cabe discutir no âmbito desse texto. E, sim, ainda existem, e muito, aqueles que consomem o porco criado de forma caseira, sobretudo nos locais mais pobres de nosso país. Esses, infelizmente, ainda continuam tão vulneráveis aos riscos dessa carne quanto nossos avós na juventude. Mas se você é desses que só vê carne suína na prateleira dos supermercados, devidamente carimbada com o selo de inspeção do Ministério da Agricultura, bom apetite.
Pra saber mais:
Carne Suína: Profanações e a verdade científica - artigo do Dr. Márcio Maltarolli Quida, professor de suinocultura da EAFMuz. Aqui, de maneira muito bem humorada, muitos mitos são derrubados a respeito da carne suína.
Suíno: mitos e verdades - artigo escrito por Luciano Roppa, Médico Veterinário, presidente da Nutron, empresa de nutrição animal.

Uma bela parcela da população ainda encara a produção de frangos no Brasil com a mesma desconfiança reservada àqueles homens ultramusculosos: pra aumentar de tamanho em tão pouco tempo, só mesmo com a ajuda de hormônios. Em muitas rodinhas de conversa, dessas onde se dá palpite pra tudo, da escalação ideal da seleção ao provável vencedor do Big Brother, quando o assunto é o frango produzido por aqui, a opinião ainda vigente é curta e grossa: sim, não há a mínima dúvida que aquelas aves crescem rápido por causa do uso de hormônios na alimentação deles. Imagina. Não tem outra explicação.
Tem sim: manejo, seleção genética e nutrição.
Mesmo quando digo isso, na minha posição de médico veterinário que já teve contato com a avicultura industrial, recebo como resposta olhares desconfiados, como se eu estivesse defendendo as boas intenções do programa nuclear iraniano, por exemplo. Existe uma dificuldade de aceitação pra versão real. Afinal é mais fácil acreditar que certos avanços são possíveis apenas se forem adotados métodos inescrupulosos. Basta um toque de mágica, representado pelo hormônio vilão e pronto, temos em 42 dias um frango com o peso ideal para o abate.
Para desfazer essa lenda, informações é o que não faltam. Um simples digitar das palavras "frango" e "hormônio" no Google (a esfíngie do nosso tempo, desde que usada com cautela) já é o suficiente pra encontramos fontes e mais fontes que explicam o absurdo que é a idéia do "frango criado a base de hormônios". Nessas, descobrimos que nenhum criador em sã consciência poderia optar por esse atalho, por razões inúmeras, que vão da inviabilidade econômica do uso de hormônios à impossibilidade desse composto agir de forma eficiente no organismo do frango em 42 dias, tempo médio atual do abate desse.
Pode-se questionar o método atual de criação do frango industrial, baseado num regime intensivo onde procura-se aproveitar ao máximo o potencial genético do mesmo. Algumas associações de defesa dos animais discutem isso, sem apelar para o golpe baixo da fantasia do frango hormonal. Nesses casos, concorde-se ou não, pelo menos o debate fica mais justo. Sem grandes bobagens.
Pra saber mais:
Por que hormônios não são usados na alimentação do frango de corte: artigo escrito pelo Zootecnista Antônio Mário Penz Júnior, da UFRGS.
Trabalho genético explica mito do hormônio do crescimento em aves: matéria da Folha Equilíbrio.
Carne de frango não tem hormônio: comunidade do orkut dedicada ao assunto. Entre uma bobagem e outra, aparece gente lá pra discutir o tema de forma sensata.
Você é o que você come: esse artigo exemplifica bem as bobagens que podemos encontrar pela internet, como nesse trecho: "E o frango é outro vilão. Criado de maneira intensiva, fica confinado e recebe doses enormes de hormônios de crescimento.”
O mito do hormônio da carne de frangos: mais um bom artigo que esclarece a questão. Escrito por Cláudio Bellaver, Médico Veterinário, da Embrapa Aves e Suínos.