Chega aquele momento em que muitos profissionais querem ter o seu próprio negócio. No caso do clínico ou cirurgião veterinário, isso normalmente resulta na criação da própria clínica. No entanto, sabemos que boa vontade, apesar de fundamental, não é o suficiente. É aconselhável que nesse processo o novo empreendedor veterinário tenha em mente certas questões, como as listadas abaixo:
• Onde será localizada a sua Clínica Veterinária?
• Como será o processo de “Venda”, isto é, como conseguir clientes na quantidade necessária?
• Como será o processo para ocupação do espaço no mercado, com clientes, concorrentes e fornecedores?
• Como será a operação da Clínica de forma a satisfazer e surpreender os clientes?
• Como será sua equipe de funcionários?
• Como será o formato de gestão, que inclui fixar metas, elaborar planejamento para realizá-las, apurar resultados, corrigir rumo, obter a colaboração da equipe de funcionários e desenvolver capacidade para aproveitar as oportunidades do dia-a-dia?
• Quando sua Clínica estiver funcionando você pretende ter férias regulares? Quem cuidará do negócio neste período? Você ficará tranqüilo durante as férias?
• Você pretende montar outros negócios? Outras empresas?
• Este é realmente um bom negócio para o tipo de pessoa que você é?
Essas questões foram elaboradas pelo pessoal do Sebrae. Uma a uma é analisada e discutida na cartilha "Comece Certo - Clínica Veterinária", desenvolvida para ajudar o pessoal que está prestes a dar seus primeiros passos no ramo. Em vários trechos desse documento é possível perceber algumas orientações que, de alguma forma, podem ser aplicadas a outros tipos de negócio. Portanto, pra um empreendimento existir, além da especialização em si do profissional envolvido, fica o recado de que é preciso seguir as leis universais de sobrevivência do mercado. E, convenhamos, nem sempre esse processo é tranqüilo.
Mais uma vez, taí a dica, que já existia na coluna ao lado aqui no blog, nos "Links Úteis": Comece Certo - Clínica Veterinária. (arquivo em pdf)
Ps: E já que cada vez mais uma coisa está ligada a outra, dê uma conferida também na cartilha Comece Certo - Pet Shop.

Doggy Java é uma bebida que possui o simples propósito de hidratar cães, além de oferecer vitaminas e minerais. Ponto final. Mas, como produto algum pode ser vendido baseado apenas em sua funcionalidade, os fabricantes dessa bebida resolveram seguir aquela velha cartilha do marketing, criando um conceito para a mesma. No caso aqui, ela é anunciada como uma espécie de café para cães. Mas, como fizeram isso, uma vez que o Doggy Java, em sua composição, não tem nada a ver com café? É simples. Bastou vendê-lo com uma enorme xícara, no mesmo formato dessas que nós, humanos, tomamos cappucino por aí. Pronto, conceito criado: "O café do seu cão!"

Por mais esdrúxula que seja a idéia aqui, faz sentido, se considerarmos o perfil do mercado pet. Na grande maioria das vezes, os produtos são desenvolvidos de forma a chamarem primeiro a atenção do dono, é óbvio. Por mais que animais de companhia sejam constantemente comparados com crianças, jamais veremos cães e gatos nos corredores dos pet shops implorando aos seus donos para que comprem aquela bola de morder colorida. Bem diferente de muitas crianças que armam escândalos na loja de brinquedos, convencendo assim seus pais a comprarem aquele carrinho ou boneca. Pro bicho, na grande maioria das vezes, tanto faz o formato e a cor do objeto, de onde ele vai tomar aquele líquido, se é em um pote, ou num bebedouro que lembre uma xícara de café.
No fim das contas, o que importa mesmo para o animal é que o mesmo tenha tudo aquilo que o deixe saudável, de bem com a vida, sem efeitos especiais. O resto, são truques de marketing para conquistar o cliente. Que não é o cão ou o gato, obviamente.
Ps: Sim, café de verdade faz mal para cães. Nessa espécie, a cafeína e substâncias correlatas - como a teobromina, presente no chocolate - podem provocar taquicardia, arritmia cardíaca, convulsões, além de sérios problemas gastrointestinais.

No ranking mundial do mercado de pets, os EUA reinam soberanos na primeira posição. Por lá, as estimativas são de que o ano de 2007 feche com um faturamento recorde, ao redor US$ 41 bilhões. Para se ter uma idéia da magnitude disso, no Brasil, país onde vemos uma proliferação bem acelerada de pet shops, bem como de produtos e serviços para animais de companhia, a cifra estimada para esse ano alcança os US$ 3,3 bilhões.
Nesse quadro, gente de tudo quanto é tipo resolve tirar algum proveito da festa, como garimpeiros que vão em massa rumo a um Eldorado feito de focinhos e patas. Do empresário competente e ético ao picareta genuíno. Por causa desse último tipo, nos EUA, surgiram as "puppy mills".
Mas o que seria isso? Numa tradução livre, "puppy mills" são "fábricas de filhotes", locais afastados dos centros urbanos onde centenas de cães de raça são confinados para gerarem filhotes que, por sua vez, irão "abastecer" os inúmeros pet shops do país. Funcionam em um esquema industrial, muitas vezes com gaiolas em cima das outras, aos montes, com os animais largados em condições de espaço e higiene que não fariam feio aos campos de concentração nazista.
As fêmeas vão parindo a cada ciclo, sem descanso. Quando já não exibem condições para tanto, tornando-se inúteis para a "fábrica", são descartadas, liberando espaço na gaiola pra outras mais produtivas. As mais sortudas vão para leilões. Outras, de tão desgastadas, após várias crias, são sacrificadas por ali mesmo. Assistência veterinária? Pra quê? Gasto demais, ora essa.
Por causa disso, associações de defesa dos animais, além de denunciarem esses empreendimentos - que não possuem autorização legal para funcionar -, promovem também campanhas que procuram desestimular a compra de cães nos pet shops, através da conscientização do público sobre a origem desses animais. Propagam a idéia de que, ao invés de se estimular o comércio das "puppy mills", não seria mais justo adotar um dos bichos que estão nos corredores da morte dos inúmeros abrigos para animais espalhados pelo país?
Aqui no Brasil, grande parte dos cães e gatos de raça ainda são originários dos criadores de pequeno porte - sim, com vários picaretas no meio também -, sem o mesmo perfil industrial das "fábricas de filhotes" dos EUA. Mas, da forma como o mercado de pets vem crescendo por aqui também, ano após ano, temos, infelizmente, um enorme potencial para o surgimento de criações similares às citadas nesse texto. E com a clara desvantagem de contarmos com a boa vontade das autoridades daqui, com aquela eficiência pra fiscalizar que tão bem conhecemos.
Pra finalizar, segue abaixo um vídeo com cenas de algumas "puppy mills", nos EUA:
E aproveitando o assunto:
A indústria de filhotes e seu impacto no abandono e no sofrimento dos animais - a coisa anda feia por aqui também, conforme atesta esse artigo no site da ARCA Brasil, que alerta para o comércio irresponsável de filhotes em nosso país: "por impulso ou falta de informação, muita gente compra um filhote, apenas porque viu uma carinha fofa na vitrine. Alguns sequer têm tempo para dedicar ao animal, outros simplesmente não estão preparados para os gastos ao cuidar dele. Mas aí a coisa já está feita, e a solução é 'dar para alguém', ou pior, o abandono."
Comércio de animais de estimação (Parte I) - artigo de Greicy Pantoja, escrito pra o site Cãozinho Legal, que procura orientar sobre a compra de filhotes, de forma a evitar os criadores inescrupulosos.
Stop Puppy Mills (em inglês) - site criado pela HSUS (The Humane Society of The United States). O título já diz tudo.

Normalmente, novidades da tecnologia costumam servir a dois grandes propósitos:
1 - Presentear a imprensa com aquelas gracinhas mirabolantes que não servirão pra nada, mas que ajudarão a espantar a falta de assunto nos sites, programas de tv, revistas, rodas de boteco e assim por diante. Por exemplo, aqueles inúmeros robôs japoneses que imitam cães, gatos, chinchilas, diabo da tasmânia etc.
2 - Presentear aqueles indivíduos que se beneficiarão, de verdade, com um determinado dispositivo que facilitará, e muito, a vida desses. Por exemplo, aquele robô que realiza delicadas cirurgias cardíacas.
O site UOL Tecnologia publicou hoje uma reportagem que lista algumas novidades tecnológicas criadas para animais de estimação, já disponíveis em alguns de nossos pet shops. Como não poderia deixar de ser nessas matérias, acabamos conhecendo produtos que atendem a situação 1 - como a prancha que faz a famosa chapinha no pêlo dos cães - e outros, perfilados na segunda situação - como é o caso do alimentador automático. Na lista abaixo, temos os sites dos produtos listados na reportagem do UOL Tecnologia. Agora, cabe a você - e ao seu bolso, principalmente - decidir se o seu bicho precisa desesperadamente ter essas engenhocas:
Amicus Inovações: comercializa a Coleira Anti-Latido Smart. Pra alguns vizinhos, um alívio. Pra certos defensores dos animais, uma violência contra o cão.
GA.MA Italy: aqui, dentre outros acessórios de embelezamento, você encontra aquelas pranchas que fazem chapinha no pêlo do cachorro, livrando-o daquele formato encaracolado demodê, sabe?
PetWatch Voicer: comedouro automático para pets, que libera a ração conforme uma programação escolhida pelo dono. Uma voz gravada - que pode ser a do próprio dono - chama o bicho pra comer, condicionando-o. Da mesma empresa, temos também o PetWatch Internet, que possibilita ao dono, através de uma webcam, monitorar a alimentação do seu bicho. Para mais informações sobre esses produtos, visite o site da coreana PetWatch (em inglês).
FindMe: dentre vários produtos para rastreamento e localização, essa empresa disponibiliza o PetFinder, aparelho que permite, através da tecnologia GPS, monitorar os passos daquele pet que resolveu dar uma volta sem rumo por aí, graças ao portão aberto.
Pet Chama: esse produto funciona como uma campainha, acionada pelo próprio cão toda vez que ele quiser chamar a atenção. Só fará sentido se o dono conseguir adestrar o bicho para tanto, é claro. Confira mais informações no site da Lentek, fabricante do produto (em inglês).

Como deve ser muito difícil pendurar uma melancia no pescoço de um cão, mesmo que esse venha a ser um Dogue Alemão, inventaram alternativas mais inteligentes e inofensivas para que o bicho chamasse a atenção por aí. Como a Humunga Tongue, uma bola de borracha conjugada com a imitação de uma enorme língua que, uma vez abocanhada pelo cão, o faz parecer com um desses personagens de desenho animado, com o linguão pra fora. No vídeo aqui dá pra se ter uma idéia do efeito disso.
Certamente, esse produto, que já pode ser encontrado em alguns pet shops brasileiros, foi inspirado em uma famosa coleção de chupetas malucas, que dão a impressão do bebê ter uma outra boca - como a de um vampiro, por exemplo -, pro deleite dos pais engraçadinhos. Nesse sentido, se você for desses que gostaria de ver o seu cão sorrindo, não apenas através de latidos, como naquela canção do Roberto, mas demonstrando isso de maneira mais evidente, talvez uma boa alternativa seja um outro brinquedo curioso, o "Fetch Art - Dog Lips", que deixa o Rex tão sorridente quanto a mais simpática das aeromoças.

Como é de se esperar, alguns cães, como o desse vídeo aqui, não se interessaram muito pela idéia. Pra demonstrar felicidade, preferem abanar o rabo mesmo, sem efeitos especiais. Melhor assim.