Categoria: Tecnologia

14.09.09

Ovos e vacinas contra a gripe

Você sabia que ovos de galinha são usados na fabricação de vacinas contra o vírus da gripe? Sim, inclusive o da Gripe Suína (H1N1). Acompanhe no vídeo a seguir uma reportagem veiculada pelo canal Globo News, que mostra todo o processo de produção dessas vacinas, da granja de ovos em Brotas até o Instituto Butantan em São Paulo:

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12.02.08

A sorte de Pepper

células-tronco

Para Pepper, um poodle norte-americano de 10 anos, parecia o fim da linha. Tratamento convencional algum fora capaz de amenizar as dores ocasionadas pela artrite que atingira o quadril dele. Pelo caminhar do coitado, cada vez mais limitado, percebia-se que os antiinflamatórios vinham sendo tão eficazes quanto o ataque atual do Corinthians. Uma nulidade só. Diante daquele sofrimento sem possibilidade de alívio, seus donos já vinham considerando a alternativa mais temida: o sacrifício. Para amenizar a dor daquela perda que viria em breve, decidiram adotar um cãozinho que, de alguma forma, preencheria o espaço que um dia fora de Pepper. A vida teria que seguir em frente, fazer o quê?

No entanto, vários dias depois, o velho poodle conseguia caminhar normalmente ao lado de seu novo companheiro. Como assim?

Por acaso o novo cãozinho seria uma espécie de santo, capaz de curar outros animais com seu toque? Ou Pepper sofria apenas de um raríssimo caso de "artrite psicológica", gerada pela ausência de companheiros da mesma espécie? Nada disso. Ao invés de ser colocado pra dormir eternamente, Pepper teve a sorte de, já no fim do segundo tempo, vir a ser um dos pacientes agraciados pela Vet-Stem, uma empresa norte-americana especializada em biotecnologia veterinária. O que aconteceu:

1 - Retirada de um pequeno fragmento de tecido adiposo (a famosa "gordura"), localizado na barriga do cão.
2 - Envio do material para a Vet-Stem.
3 - Após 48 horas, o veterinário responsável por Pepper recebeu uma seringa com células-tronco obtidas a partir do fragmento enviado.
4 - Injeção do conteúdo da seringa nas regiões afetadas pela artrite.

Algumas semanas depois, Pepper estava irreconhecível, caminhando bem, em nada lembrando aquele cão praticamente paralisado pela artrite. Tecido local regenerado. Coisas do século 21.

Essa história, presente em uma reportagem da Newschannel 5, é mais um exemplo de que a tecnologia das células-tronco, aos poucos - pelo menos na medicina veterinária -, vai deixando de ser algo exclusivo dos centros de pesquisa, disponível também para qualquer um que possa requisitar os serviços da Vet-Stem, mediante valores que variam de US$ 1.000 a US$ 3.000 (ou R$ 1.760 a R$ 5.280,00). Até o momento, os sucessos estão concentrados em problemas relacionados ao aparelho locomotor que, de alguma forma, dependem da regeneração de tecidos para que as funções voltem à normalidade - ou perto dessa. Problemas como artrite e ruptura de tendões e ligamentos.

Mesmo ainda distante de curas para problemas mais complexos - como, no caso de humanos, Mal de Parkinson e Alzheimer -, as terapias atuais com células-tronco, como vemos, apontam pra novas direções que, segundo muitos pesquisadores, podem, em questão de uma ou duas décadas, praticamente obrigar que sejam reescritos todos os livros de medicina - humana e veterinária. Pra sorte de cães como Pepper, um dos primeiros capítulos já está em pleno andamento.

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E por falar nisso:

Genética Aplicada: empresa brasileira de biotecnologia com foco em Medicina Veterinária Regenerativa. Possui serviços que englobam as áreas de terapia celular regenerativa com células tronco e armazenamento de DNA ou células de animais especiais para clonagem.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 11:35:26 Email
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16.01.08

Uma porção de bife clonado, por favor

Pra muitos profissionais do agronegócio, parece bem promissora a idéia de se trabalhar com animais clonados. Afinal, qual o produtor que não gostaria de eternizar - e multiplicar - a excelente produção da Mimosa, responsável por mais de 30 litros de leite por dia? Ou daquele boi de performance invejável quanto ao ganho de peso em um curto espaço de tempo? Enfim, os melhores índices de produção estariam aparentemente garantidos, para sempre, nessa espécie de atalho genético, sem a necessidade de se recorrer aos processos de seleção, bem mais demorados. Uma verdadeira fábrica de elite à serviço dos produtos de origem animal - carne, leite, ovos, lã e outros mais.

No entanto, esse é mais um cenário onde a ciência interfere no curso natural de algum processo biológico. E, como não poderia deixar de ser, provoca olhares desconfiados quanto à segurança dos alimentos oriundos desses animais. Os mesmos poderiam chegar sem restrições à mesa do consumidor? Existem estudos que comprovam a inocência desses alimentos?

No intuito de gerar respostas à essas questões, o FDA, órgão regulador de alimentos e fármacos dos Estados Unidos, empreendeu um estudo, fundamental para se discutir a viabilidade comercial dessa nova classe de produtos. As conclusões vieram a público nessa última terça, em um relatório de 968 páginas, na forma de sinal verde para o consumo dos alimentos gerados a partir dos animais clonados. Segundo esse documento, um bife da cópia, por exemplo, terá a mesma qualidade e segurança do original. O mesmo vale para o consumo de leite e ovos. Xerox sem contra-indicações. Sem necessidade de rótulos especiais nas prateleiras do supermercado.

Mesmo assim, ainda existe um longo caminho para os entusiastas da clonagem aplicada ao agronegócio. Além das limitações tecnológicas para que isso vire rotina, é preciso apagar a má impressão que os animais clonados têm junto ao público, vistos como aberrações cheias de "defeitos de fabricação". O mais famosos deles, a ovelha Dolly, se notabilizou por um envelhecimento precoce, inexistente no original. Por mais que existam exemplos de sucesso nessa área, de animais clonados que levam uma vida saudável e de envelhecimento normal, a atenção ficará mais depositada nos "defeitos de fabricação". E com alguma razão. Afinal, se é algo que pode vir a freqüentar a nossa mesa, que os esclarecimentos sejam feitos à exaustão, sem que a população termine como cobaia.

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E por falar nisso:

* Embrapa apresenta segundo bezerro de clone bovino: essa notícia, de outubro de 2006, apresentou Galante, o segundo filho do primeiro clone bovino da América Latina, a vaca Vitória. Um exemplo de que é possível um clone gerar descendentes, naturalmente.

* Myths About Cloning: página da FDA, dedicada a esclarecer os mitos mais comuns relacionados a clonagem de animais. (em inglês)

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 10:43:44 Email
Categorias: Animais, Tecnologia, Biotecnologia, Genética, Pecuária, Animais de Produção
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26.10.07

PETS 2.0

Normalmente, novidades da tecnologia costumam servir a dois grandes propósitos:

1 - Presentear a imprensa com aquelas gracinhas mirabolantes que não servirão pra nada, mas que ajudarão a espantar a falta de assunto nos sites, programas de tv, revistas, rodas de boteco e assim por diante. Por exemplo, aqueles inúmeros robôs japoneses que imitam cães, gatos, chinchilas, diabo da tasmânia etc.

2 - Presentear aqueles indivíduos que se beneficiarão, de verdade, com um determinado dispositivo que facilitará, e muito, a vida desses. Por exemplo, aquele robô que realiza delicadas cirurgias cardíacas.

O site UOL Tecnologia publicou hoje uma reportagem que lista algumas novidades tecnológicas criadas para animais de estimação, já disponíveis em alguns de nossos pet shops. Como não poderia deixar de ser nessas matérias, acabamos conhecendo produtos que atendem a situação 1 - como a prancha que faz a famosa chapinha no pêlo dos cães - e outros, perfilados na segunda situação - como é o caso do alimentador automático. Na lista abaixo, temos os sites dos produtos listados na reportagem do UOL Tecnologia. Agora, cabe a você - e ao seu bolso, principalmente - decidir se o seu bicho precisa desesperadamente ter essas engenhocas:

Amicus Inovações: comercializa a Coleira Anti-Latido Smart. Pra alguns vizinhos, um alívio. Pra certos defensores dos animais, uma violência contra o cão.

GA.MA Italy: aqui, dentre outros acessórios de embelezamento, você encontra aquelas pranchas que fazem chapinha no pêlo do cachorro, livrando-o daquele formato encaracolado demodê, sabe?

PetWatch Voicer: comedouro automático para pets, que libera a ração conforme uma programação escolhida pelo dono. Uma voz gravada - que pode ser a do próprio dono - chama o bicho pra comer, condicionando-o. Da mesma empresa, temos também o PetWatch Internet, que possibilita ao dono, através de uma webcam, monitorar a alimentação do seu bicho. Para mais informações sobre esses produtos, visite o site da coreana PetWatch (em inglês).

FindMe: dentre vários produtos para rastreamento e localização, essa empresa disponibiliza o PetFinder, aparelho que permite, através da tecnologia GPS, monitorar os passos daquele pet que resolveu dar uma volta sem rumo por aí, graças ao portão aberto.

Pet Chama: esse produto funciona como uma campainha, acionada pelo próprio cão toda vez que ele quiser chamar a atenção. Só fará sentido se o dono conseguir adestrar o bicho para tanto, é claro. Confira mais informações no site da Lentek, fabricante do produto (em inglês).

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 18:04:15 Email
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17.10.07

AS RAÇAS DO VIRA-LATA

Na rotina veterinária, poucos profissionais usam o termo "vira-lata" para classificar aqueles cães que, definitivamente, não se enquadram no padrão de raça alguma. A maioria prefere recorrer à sigla "SRD" (sem raça definida), pelo fato da mesma não causar ofensas aos donos um pouco mais sensíveis. Um colega meu procura ser mais simpático nesse sentido, usando o termo "misturadinho" pra esses cães. Esse último, a meu ver, é que mais revela a condição do vira-lata/SRD: de ser nada mais do que o resultado de uma mistura de raças.

E por causa dessa mistura, é mais do que comum os donos desses bichos especularem sobre a origem deles. "Olha, o Sultão, certamente, tem um jeitão de poodle muito forte, apesar da cabeça dele ser bem parecida com a de um doberman e o corpo dele lembrar o de um de boxer, eu acho..." Em muitos casos, sobretudo quando não se conhece os pais do bicho, defini-lo nesse sentido é tão confiável quanto tentar adivinhar o formato das nuvens. Pura especulação.

Na intenção de acabar com esse achismo do mundo pet, a empresa norte-americana MetaMorphix criou o Canine Heritage Breed Test, um kit de testes cujo objetivo é o de revelar a origem genética dos "misturadinhos" através de análise de DNA. Funciona da seguinte maneira: obtido a partir da saliva do bicho, através de um cotonete, o DNA dele é identificado e comparado com o padrão do DNA de 38 raças de cães - a empresa espera aumentar em breve esse número para 115. Como resultado, temos as porcentagens dessas raças presentes naquele animal.

O custo para acabar com a curiosidade: US$ 65,00 o kit para a coleta do material e US$ 6,95 para o envio do mesmo para a MetaMorphix. O resultado chega ao dono dentro de 4 a 6 semanas.

Deve ser engraçado acompanhar o resultado ao lado de muitos donos, surpresos ao constatarem que o Rex é, na verdade, composto por uma mistura que não tem nada a ver com aquela que se suspeitava. Husky Siberiano com um bela porcentagem de Daschund, ao invés de Rottweiller com Cocker Spaniel, por exemplo. Suspeito que muitos devem até fazer bolsas de apostas para adivinhações nesse departamento, enquanto o resultado não chega.

Ainda não existe esse tipo de serviço aqui no Brasil, onde a identificação pelo DNA é usada principalmente para comprovar casos de fraudes envolvendo a paternidade de certos animais. Por causa disso, hoje em dia, ficou bem mais fácil de descobrir se aquele cãozinho sem grandes atrativos é mesmo o filho do campeão das exposições, como garantido na ocasião da venda. Nesses casos, não basta ter pedigree, tem que ter DNA também.

Maravilhas da modernidade.

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Conheça alguns laboratórios brasileiros que trabalham com a tecnologia do DNA aplicada a animais:

Cepav: exames de identidade genética, confirmação de paternidade, diagnóstico de algumas doenças pela tecnologia do DNA e sexagem de aves.

Genoa Veterinária: diagnósticos veterinários através da técnica da PCR (Polymerase Chain Reaction). Realiza também exames de imunohistoquímica para diagnóstico e prognóstico de doenças.

Genomax: exames de identidade genética e confirmação de paternidade. Sexagem de aves pelo DNA.

Exon Biotecnologia: exames de identidade genética e confirmação de paternidade para o setor agropecuário. Sexagem de aves pelo DNA, com destaque para avestruzes.

LinkGen: certificação genética e análise de paternidade para o setor agropecuário

Unigen: trabalha exclusivamente com aves, realizando exames de identificação genética, confirmação de paternidade, diagnóstico de doenças pela técnica da PCR e sexagem.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 17:51:32 Email
Categorias: Animais, Tecnologia, Biotecnologia, Genética, Cães, Produtos
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