Categoria: Comportamento

07.09.09

A DAMA, O VAGABUNDO E O DÁLMATA

Quando um cão resolve interagir com a TV o resultado costuma ser curioso. É o caso do vídeo abaixo, que mostra o esforço de um dálmata para se enturmar com a cachorrada do desenho "A Dama e o Vagabundo". Para mim, o bicho foi tão convincente na imitação que poderia faturar uns ossos como dublador da Disney:

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Categorias: Comportamento, Humor, Curiosidade, Vídeo, Cães
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05.10.08

Amores e Pets

Amores e Pets

A simpatia de um casal em relação aos pets pode ser fundamental para a evolução de um relacionamento. Se ocorrem divergências nesse departamento, fica difícil imaginar uma harmonia duradoura. Conheço pessoas que toleram uma eventual antipatia do ser amado pela sogra ou sogro. Ok, a vida tem dessas coisas. Agora, o mesmo sentimento pelo Tobby, o poodle da família? Ah, isso não! É caso para se discutir a relação, ora essa!

Um pet, muitas vezes, é como um filho para seus donos. Um irmão querido. Um grande amigo, mais do que necessário. O que for. É inevitável, a outra metade da laranja terá que conviver com o mesmo. Pois é, situação bem parecida com aquela em que um dos lados do casal tem um filho. Aí, o ponto-chave para o romance ir adiante reside justamente na empatia entre a criança e o candidato a padrasto ou madrasta. Sabemos que um relacionamento não se restringe à convivência entre duas pessoas. Nesse, há um intercâmbio entre dois mundos, composto por outras pessoas e, sim, eventualmente, animais.

Imaginemos a seguinte situação. Fulano conhece Beltrana. Ambos se apaixonam. A história dá tão certo que chega o inevitável dia de Fulano vir a conhecer os pais da amada, através de um jantar na casa dela. Tudo vai muito bem, até o momento em que Mingau, o gato da casa, resolve pular no colo do rapaz, que não consegue disfarçar uma expressão de nojo enquanto empurra o bicho para o chão. Mais tarde, intrigada, Beltrana pergunta para o novo namorado se ele gosta de gatos. Ele confessa que odeia, não suporta. Faz aquele discurso clássico de que gatos são interesseiros, antipáticos, indiferentes etc. Para finalizar, afirma, com todas as letras, que jamais gostará de gatos. Aliás, admite que não gosta de cães também. De bicho algum. Problemas à vista, sente Beltrana. Problemões, isso sim. Mingau ou Fulano?

O coração tem armadillhas que nos fazem reconsiderar certos gostos e opiniões. Em mundo perfeito, a pessoa amada aceitaria imediatamente todas as nossas manias e predileções. Que aceitasse o Mingau, o Tobby e todo o resto de nosso zoológico particular, lá no quintal de casa. Mas, nem sempre é assim. Por mais estranho que pareça, desafiando uma espécie de senso comum, pessoas maravilhosas podem não gostar de animais. Acontece. Mas isso não quer dizer que será uma situação eterna. Nada como um amor para que se inicie um interessante processo de reconsideração junto aos pets. Se existe amor aí mesmo, o Fulano que odeia animais fará um esforço considerável para que, antes do beijo de boa noite na amada, passe a achar válido também um afago no bicho. Aí, quem sabe, o mesmo também não queira um bichano igualzinho ao Mingau, mais adiante, logo depois do casamento? Pois é, coisas do coração.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 22:30:27 Email
Categorias: Comportamento, Relacionamentos, Cães, Gatos, Pets
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21.08.08

Infância sem bicho, infância incompleta

A meu ver, além dos Direitos Universais da Criança, um elemento não poderia faltar na cesta básica de qualquer pessoa durante a infância: a presença de um animal na vida dela. Salvo raras exceções, é difícil encontrarmos adultos que não se lembrem com carinho daquele bicho que tanto os acompanharam nos primeiros anos de vida. E, pelo que sei, quanto mais boas recordações temos na infância, mais bem resolvidos entramos na vida adulta. Mas, um momento. Não quero pregar aqui que a presença de um pet, por si só, funcione como um antídoto pra solucionar futuras complicações lá na frente. Ninguém recebe melhores condições pra negociar dívidas só pelo fato de ter sido dono do saudoso Rex, por exemplo. No entanto, de alguma forma, certos valores aprendidos no início da vida, por causa da convivência com seus bichos, podem ter um papel significativo na formação do caráter da pessoa. Dentre esses valores, destaco aqui um, que tanta falta sentimos por aí: o senso de responsabilidade.

É muito bonitinho ver a criançada brincar com a bicharada, um correndo atrás do outro pela casa inteira. Concordo. No entanto, a convivência não deve se resumir apenas a isso. Aquele ser engraçadinho, parecidíssimo com o bicho de pelúcia lá da prateleira, não pode ser encarado pela criança como apenas mais um brinquedo que, uma vez usado, volta pro baú. Tampouco como um objeto sujeito ao instinto violento de alguns ditadorzinhos que, sem terem ainda plena consciência de seus atos, acham bacana desferirem eventuais chutes, tapas e apertões no coitado do cachorro ou gato. Dizem que educar uma criança é prepará-la para o mundo. Respeito pelo outro está incluso nesse aprendizado. Se desde o início os pais conseguem transferir esse valor pros seus filhos, convencendo-os a conviverem harmoniosamente com o mascote da casa, creio que uma boa semente foi plantada aí. Compartilhar alegrias e assumir responsabilidades é a base de todo bom relacionamento. Seja lá em qual grau for esse.

Por tudo isso, não basta arranjar um bicho qualquer e jogá-lo nas mãos da criançada, como quem dá um presente comprado por impulso na loja de 1,99 lá da esquina. Há um longo manual de instruções a ser seguido, documento esse que vai sendo revelado no dia-a-dia, que, bem cumprido através de bom senso e aconselhamento constante de um profissional, garantirá futuras alegrias. Conforme a idade das crianças que rodearão esse ser carente de atenção, existirão responsabilidades de vários níveis pra elas, de um simples limpar da sujeira até a fiscalização da carteira de vacinação. E, convenhamos, das várias formas de exercitar o senso de cidadania e humanidade em uma criança, essa, de cuidar bem de um bichinho, seja lá de que espécie e tamanho esse for, é das mais gratificantes.

Enfim, um belo treino de respeito pelo outro, moeda cada vez mais rara nos dias de hoje.

PermalinkEscrito por Cidadão Vet às 12:18:42 Email
Categorias: Comportamento, Crianças, Cães, Gatos, Pets
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07.07.08

O sorriso dos cães

"Eu cheguei em frente ao portão / Meu cachorro me sorriu latindo." Atire o primeiro osso quem nunca se emocionou com essa frase, eternizada na canção "O Portão", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Nessa música, os autores conseguiram captar exatamente o sentimento daquele bicho que reencontra o dono, depois de um longo período de distância. A imagem do cachorro no portão de casa, latindo e abanando o rabo pro dono que, da rua, vem se aproximando cada vez mais, na minha opinião, é a que melhor simboliza o elo entre esses bichos e nós, humanos. Parece que eles querem dizer algo como "Ufa! Que bom, você voltou! Entra logo, entra!". Simples e sincero.

Muitas vezes, nem é preciso ser dono de um cão pra receber o sorriso dele. Tampouco há a necessidade de portões. Nada. Basta ele ir com a sua cara. Anos atrás, quando eu estava em uma fazenda por causa de um estágio do meu curso, eu voltava todos os fins de tarde para a casinha onde eu estava hospedado sozinho, no meio do mato. Em uma de minhas caminhadas por aquela estradinha de terra, percebi que um cachorro me seguia. Era um vira-lata - ou SRD (Sem Raça Definida), como preferem os mais politicamente corretos. Simpático, fizemos amizade ali mesmo, e ficamos lado-a-lado. Por todo o percurso, fui contando pra ele do meu dia-a-dia naquela fazenda. Sim, eu estava carente de conversas com seres bacanas, e ele foi um ótimo ouvinte, conforme atestavam aquelas orelhas que se erguiam a cada frase emitida por mim. Apesar do meu convite pra que ele passasse a noite por ali, perto de mim - "vem cá, vem!"-, o meu novo amigo preferiu continuar caminhando, sumindo na próxima curva. Tudo bem, talvez o meu papo não fora tão interessante assim. Acontece.

Na tarde do dia seguinte, o reencontrei, na mesma estradinha. Pra minha surpresa, quando ele chegou perto de mim, abriu um baita sorriso. E não foi latindo. Sorriu mesmo, que nem gente, exibindo toda a arcada dentária superior, dentes e, principalmente, gengiva. Desconcertante. Por causa daquela gengiva, exposta como um imenso painel de propaganda, passei a chamá-lo de "Gêngis Cão", meu companheiro de caminhadas e sorrisos nos fins de tarde. Confesso que o estágio naquele lugar, realizado por causa da conclusão do meu curso de Medicina Veterinária, era de uma chatice sem igual, compensado apenas pela presença do sorridente Gêngis Cão, que, depois de umas semanas, desapareceu. Não tenho idéia do que aconteceu com ele. Até hoje, prefiro imaginar que ele encontrou uma companheira e resolveu se mandar pra um lugar melhor, de forma que pudesse criar melhor seus gengiscãezinhos. Não gosto de considerar a possibilidade dele ter sido atropelado. Que algum brucutu tenha atirado nele pra defender o galinheiro. Não, pra mim, se morreu, foi de velhice mesmo, depois de muitos anos. E sorrindo.

E sim, depois da minha experiência com o Gêngis Cão, passei a acreditar mais ainda naquela canção do Roberto Carlos, de que cachorros sorriem mesmo. Seja latindo, abanando o rabo, pulando, rodopiando, e até mostrando as gengivas. Alguns, se pudessem, soltariam fogos de artifício a cada novo reencontro, sem dúvida alguma. E você, já recebeu o sorriso do seu hoje?

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 02:01:43 Email
Categorias: Animais, Comportamento, Cães, Pets
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29.02.08

Zoonazismo

zoonazismo

Existem aquelas pessoas que, por uma ética particular, não consomem nada que seja de origem animal. São os adeptos da cultura vegan, onde temos o ex-Beatle Paul McCartney como um dos exemplos mais célebres. A maioria, sempre quando pode, faz questão de declarar essa opção publicamente, em voz alta, argumentando que animal algum merece sofrer para servir ao homem. Ao defenderem seus pontos de vista, muitos acabam atraindo novos adeptos para a causa. Até aí, normal. No entanto, para outros, não basta o discurso apenas. Concluem que é preciso partir para a ação, uma vez que animal algum consegue se defender diante da vontade humana. Ao combate então.

Aqui no Brasil, um exemplo clássico foi a série de ataques que a novelista Glória Perez sofreu quando a mesma anunciou, no início de 2005, que faria uma novela - América - cujo protagonista seria um peão de rodeio. Furiosos com a opção de Glória, ativistas da causa animal mais exaltados iniciaram uma campanha contra ela, ao colocarem milhares de mensagens ofensivas na página de recados do orkut da novelista. No ápice da agressividade, alguns resolveram postar fotos do cadáver esfaqueado de Daniela Perez, acompanhadas de mensagens grotescas como: "Veja sua filha furada!", "A Dani, nesta foto, parece uma vaca morta depois de um rodeio!". Haja comprometimento com a causa, não?

Foi um caso emblemático, que mostrou como funciona parte da filosofia desse grupo. Pra eles, a importância de um boi abatido é a mesma de uma pessoa assassinada, seja ela quem for. Aliás, entre os adeptos desse pensamento, um animal jamais é abatido, mas sim "assassinado". E quem de alguma forma faz parte do processo de exploração dos animais, das criações a certos institutos de pesquisa, é um inimigo a ser combatido. Nos EUA, existem grupos que chegam a empregar táticas de guerrilha contra pesquisadores que usam animais em seus experimentos, como a explosão de bombas nas residências dos mesmos. Um terrorismo que, na visão de seus praticantes, é legitimado pela necessidade de defender vidas inocentes, trancafiadas em gaiolas dos laboratórios e biotérios.

No ano passado, o jornalista Hélio Pimentel escreveu um livro que procurou rebater muitas das idéias e métodos empregados por esse tipo de ativismo. Trata-se de "Zoonazismo: Quando os Defensores Atacam", disponível para download, no formato de pdf, gratuitamente. A obra serve como contraponto para a atitude apática de grande parte da imprensa diante desse tema, como se não quisessem comprar briga pelo receio das já clássicas retaliações desses grupos, que não toleram pensamentos contrários aos mesmos. Enfim, os "zoonazistas", termo cunhado por Hélio Pimentel, que distinguiu eles dos vegans da seguinte maneira:

"O vegano discursa contra o churrasco. O zoonazista bota fogo no açougue."

Se o assunto lhe interessa, independente do lado que você estiver, recomendo a leitura de "Zoonazismo". Afinal, é sempre interessante conhecer outros pontos de vista, concorda?

***************

E por falar nisso:

Pelo Fim do Holocausto Animal - blog de um grupo dedicado a promover campanhas contra a crueldade em animais. Trecho da apresentação, no site do mesmo: "É um grupo formado por pessoas que têm a mesma ideologia: os animais não nos pertencem. Portanto, assim como ocorria com os escravos, há três séculos, os membros deste grupo lutam pelo fim da escravidão animal."

Pea - entidade ambiental que tem como missão "mudar o cruel tratamento que os animais e o ambiente recebem nos dias de hoje".

Instituto Nina Rosa - segundo consta no site desse, "é uma organização independente, sem fins lucrativos, que desde 2000 promove conhecimento sobre defesa animal, consumo sem crueldade e vegetarianismo por meio da educação humanitária."

A Carne é Fraca - documentário produzido pelo Instituto Nina Rosa, que, em tom de denúncia, defende a abolição do consumo de carne.

The PETA Files - blog da associação mais atuante no exterior no ativismo pelos direitos dos animais. (em inglês)

Entrevista com Peter Singer - filósofo, autor do livro Libertação Animal, uma das principais obras de referência entre alguns adeptos mais radicais da causa animal.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 01:25:09 Email
Categorias: Animais, Comportamento, Direito dos Animais, Ecologia, Veganismo
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