À primeira vista, pode parecer engraçado ver um cão ou gato caminhando sobre uma esteira, com parte do corpo submersa na água. Material perfeito para uma dessas reportagens toscas no estilo "uau, vejam só, agora os bichos estão recebendo tratamento de gente. Show de bola, hein?" Mas, no caso do exemplo aqui, estamos falando de hidroterapia, uma das alternativas que mais podem auxiliar na recuperação de animais com problemas ortopédicos. Ou seja, algo totalmente justificável na rotina veterinária, não significando de modo algum frescura ou bizarrice a preencher a pauta dos shows de variedades.
Comum há mais tempo no treinamento e reabilitação de cavalos, esse tipo de fisioterapia vem conquistando o seu espaço também na recuperação de cães e gatos. Através de exercícios na água aquecida - em piscinas ou em equipamentos específicos - o animal debilitado tem a oportunidade de movimentar seus músculos e articulações de maneira mais confortável, sem aquele impacto que aconteceria em terra firme, minimizando eventuais dores que poderiam surgir no processo. Ao mesmo tempo, a água oferece uma resistência ao animal, estimulando-o a se exercitar.
Além de ser um bom auxiliar na recuperação de animais com problemas ortopédicos - como displasia coxofemural, hérnias de disco, artroses e pós-cirúrgicos relacionados -, a hidroterapia pode ser útil também em outras situações, como no reestabelecimento do equilíbrio locomotor em alguns pacientes com problemas neurológicos. Pode ser uma boa pedida também para pets obesos que precisam, além de uma alimentação controlada, queimar as calorias através de exercícios.
E dependendo dos exercícios recomendados pelo veterinário, é possível que o tratamento se dê em casa mesmo, como demonstrado no vídeo abaixo:
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E se o bicho for desses que têm a Síndrome de Cascão, com horror à qualquer coisa que lembre água? Bem, o medo pode ser domado aos poucos, fazendo com que o animal vá entrando gradativamente em contato com a água. Depois de tudo isso, quando ele estiver caminhando bem melhor - tomara! -, é bem capaz que o mesmo aceite melhor a hora do banho, sem aqueles escândalos habituais...
E por falar nisso:
Vídeo - Programa Pet & Cia: nessa matéria, a veterinária Luanna F.F. Gomes fala sobre os benefícios da hidroterapia em pets.
Hidroterapia em Cães : artigo do veterinário Renato B. Miracca, publicado no site "Vida de Cão".
Vídeo - Hidroterapia em Cavalo: aqui, temos um eqüino caminhando em uma esteira, com parte do corpo submersa na água.
Hydro Physio: empresa inglesa, fabricante de aparelhos para hidroterapia veterinária. Nos links dessa página, estão as imagens de alguns modelos à venda. Tentei encontrar alguma empresa parecida aqui no Brasil, sem sucesso.
Canine Hydrotherapy Association: site de uma associação inglesa dedicada exclusivamente à hidroterapia canina. Reflete, de alguma forma, a popularidade desse tratamento por lá.
Vídeo - Camarão na Esteira: se você tem um camarão de estimação e acha que ele anda muito preguiçoso, talvez seja a hora de fazê-lo se exercitar um pouco, como mostrado aqui...

Alguns indivíduos, de tão obcecados que ficam com a busca do tal corpo perfeito, perdem um bocado da coerência e chegam a imaginar que são... cavalos. No sentido biológico do termo mesmo. Devem imaginar que se tornaram uma espécie de Centauro, aquele ser da mitologia grega que era meio cavalo, meio homem. Assim, sentem-se fortes o suficiente para consumirem medicamentos veterinários que os ajudem na busca daqueles músculos de Mr. Universo. Com uma autoconfiança aditivada pela desinformação, nunca imaginam que depois de um tempo o corpo mostra a fatura daqueles músculos extras, através de sérios problemas cárdio-circulatórios, hepáticos etc. Em suma, um atalho que pode ser fatal.
Mas, afinal, que medicamentos veterinários são esses?
Um clássico é o Potenay, complexo vitamínico que contém um estimulante circulatório - sulfato de mefentermina -, frequentemente indicado para melhorar a performance de eqüinos com intensa atividade física. Em humanos, dependendo da dosagem e da forma de administração, pode levar o indivíduo a ter uma parada cárdio-respiratória, como ocorrido com um lutador cearense de jiu-jitsu, em plena competição. A popularidade do produto, pelos piores motivos, é tamanha que ele até já virou tema de uma canção, com trechos pra lá de reveladores ( "Ai, ai, ai, eu tomo Potenay/ Pra ficar doidão, Meu coração / E ficar em vão, Na depressão.").
Os esteróides anabolizantes de uso veterinário respondem pela outra parcela de substâncias que visam encurtar o tempo necessário para se obter um físico avantajado. Pela mesma razão, alguns pecuaristas com senso de ética abaixo de zero recorrem aos mesmos para que seus animais atinjam rapidamente o peso ideal, prática considerada ilegal em nosso país, pelos riscos que a carne com "hormônio extra" traz ao consumidor. Mesmo com a venda proibida no Brasil, algumas substâncias destinadas a engorda de bois são adquiridas através de contrabando e pela internet, chegando dessa forma as mãos tanto dos pecuaristas quanto do pessoal desesperado da academia.
Alguns esteróides, como o Equifort e o Solpoise, são normalmente utilizados na rotina veterinária, em eqüinos, mas apenas com o fim de reestabelecer animais debilitados, não de acelerar o ganho de peso nos saudáveis. Em humanos, os efeitos colaterais podem ser devastadores, como já constatado no caso dos jovens do Distrito Federal que consumiram esteróides para cavalos.
Uma simples busca no google revela o quanto esses atalhos em forma de substâncias são populares entre muitos adeptos do fisioculturismo. É possível, sem esforço algum, encontrar páginas de venda desses produtos, com indicações e instruções de uso já adaptadas para humanos. Teoricamente, para se obter esses medicamentos, seria necessária a apresentação de receita emitida e assinada por um veterinário. Bem, teoricamente, teoricamente...
E assim, vemos por aí alguns indivíduos que passam de franguinhos a bois em tempo recorde, numa transformação tão surpreendente quanto a do Hulk. Mas, como não estamos no mundo dos quadrinhos, o fim da história não é nem um pouco digno de um herói.