Categoria: Suínos

27.11.07

Suínos versus porcos

Ainda hoje, não é raro ouvirmos alguém alegar que não come carne suína por duas razões principais:

1 - É algo sujo, que provoca doenças. Teníase, principalmente.
2 - Não é saudável, pois tem muita gordura. Uma bomba pro coração!

São alegações que até faziam algum sentido há uns trinta anos atrás, quando ainda era comum o consumo do famoso porco de quintal, aquele alimentado com lavagem - uma mistura de tudo com qualquer coisa que o bicho comia - e submetido à condições mínimas de higiene. Pois bem, mas o que mudou hoje em dia? Muita coisa. Desde a genética do suíno, passando pela alimentação, até a higiene do local em que o mesmo é criado. Tudo isso configurado dentro daquilo que o mercado chama de "Suinocultura Industrial".

Nessa, o suíno torna-se um animal tão livre de doenças quanto qualquer outro criado sob rígidas condições sanitárias e constante supervisão veterinária. Só pra exemplificar, falemos da teníase, que é a doença que mais assusta os consumidores dessa carne. Em uma criação moderna, fica praticamente impossível o risco do animal adquirir o parasita causador dessa zoonose, uma vez que o mesmo é criado confinado, num piso de cimento, constantemente sanitizado. E como ninguém ainda descobriu um agente mutante causador da teníase que tenha perninhas, asas, e se desenvolva no cimento, o risco continua mais do que nulo.

No entanto, mesmo tendo noção de tudo isso, muitas pessoas continuam antipatizando com aquele lombo na prateleira do supermercado. Afinal, "carne de porco" é a que possui mais colesterol, disparado, sem dúvida alguma, dizem. A vovó já afirmava isso, ora essa. Mais uma vez, uma constatação que teve lá sua razão em meados do século passado. Agora, na suinocultura industrial, não. Ao longo dos anos, a seleção - não manipulação, que é algo totalmente diferente - genética tratou de ajudar a produzir suínos com cada vez mais músculos - ou seja, carne - e menos gordura - ou seja, mais saudáveis. Assim, chegamos num ponto em que o consumo dessa carne pode ser diário, desde que com moderação, é claro. Algo impensável na época do "porco de quintal".

E é claro, como toda criação industrial, existem aqueles pontos que geram intermináveis controvérsias entre os produtores e os representantes das associações de proteção animal. Aí já é outra estória, que não cabe discutir no âmbito desse texto. E, sim, ainda existem, e muito, aqueles que consomem o porco criado de forma caseira, sobretudo nos locais mais pobres de nosso país. Esses, infelizmente, ainda continuam tão vulneráveis aos riscos dessa carne quanto nossos avós na juventude. Mas se você é desses que só vê carne suína na prateleira dos supermercados, devidamente carimbada com o selo de inspeção do Ministério da Agricultura, bom apetite.

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Pra saber mais:

Carne Suína: Profanações e a verdade científica - artigo do Dr. Márcio Maltarolli Quida, professor de suinocultura da EAFMuz. Aqui, de maneira muito bem humorada, muitos mitos são derrubados a respeito da carne suína.

Suíno: mitos e verdades - artigo escrito por Luciano Roppa, Médico Veterinário, presidente da Nutron, empresa de nutrição animal.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 22:11:02 Email
Categorias: Animais, Mitos, Animais de Produção, Suínos
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