Pelo número de acessos e tempo de publicação, é bem provável que muitos de vocês já tenham visto este vídeo. Mesmo assim, resolvi publicá-lo aqui, na esperança de que - ok, eu sei, estou me explicando demais - muitos de vocês não tenham acompanhado este intrigante flagrante da relação gato-impressora. Seja lá como for, como diria um programa global, vale a pena ver de novo. Eu assisti três vezes em meia hora. E ri três vezes. Divirta-se:
Dias atrás, dei uma entrevista a Rádio CBN, em que falei sobre o Cidadão Vet. Em pouco mais de dez minutos de conversa com a jornalista Luciana Marinho, percebi duas coisas:
Mas, cá entre nós, eu acho que o resultado final ficou acima do razoável. Confira o áudio logo abaixo e diga se você concorda ou não comigo:
Se a qualidade do áudio estiver ruim para você, ouça a entrevista diretamente do site da CBN, clique aqui.
Ps: O Cidadão Vet agora está no twitter. Fique de olho, que em breve eu passarei a atualizar com bastante frequência por lá também.

Pode parecer exagerado, mas, pra mim, faz sentido: a decisão sobre ter ou não um bicho em casa é parecida com aquela relacionada a ter um filho. É preciso muita reflexão antes de levar aquele filhotinho fofo e lindinho para casa. Afinal, junto com aquele ser, além das alegrias, existem imensas responsabilidades que os responsáveis deverão atender por um belo tempo. Sim, é quase como ter um filho. Não basta ter apenas a empatia pelo bichinho que, como todo ser vivo, tem lá as suas necessidades. E mesmo adulto, ele continuará a depender da atenção especial de quem o adotou. Isso parece óbvio a você? Sim. Mas, pra muita gente, parece que não.
Concordo que é gostoso ter algo que empolgou a gente. É o tal sentimento da posse, que alivia imediatamente aquela carência que nos incomodou. Que maravilha que é ter aquela roupa que piscava pra gente lá da vitrine, não? E aquele carro que nos hipnotizava na propaganda da TV, agora na garagem de casa? Muito bom. Entretanto, na sociedade em que vivemos, cada vez mais imersa no consumismo, as pessoas se desencantam por suas aquisições na mesma velocidade com a qual se apaixonam por por elas. E outras necessidades, urgentes e irrelevantes, acabam surgindo e por aí vai. Tudo bem, são apenas objetos. Não tem problema em descartá-los. O complicado é que esse apego-desapego, infelizmente, vem acontecendo cada vez mais com a bicharada. Tem muita gente por aí adotando cães e gatos com o mesmo comprometimento reservado a um par de tênis qualquer.
Costumo dizer que a condição básica para se adotar um bicho é simplesmente se comprometer a não abandoná-lo. Diante disso, alguns podem concluir: "Ah, tranqüilo. Então, basta deixá-lo dentro do quintal - ou apartamento -, com água e comida, certo?" Errado, ora essa. Cuidar de um animal, de forma responsável, implica em muito mais do que alimentá-lo e deixá-lo protegido dos perigos da rua. É preciso ter consciência de tudo aquilo que o bicho precisa para o seu bem-estar, nos seus mínimos detalhes. Várias perguntas a pessoa deve se fazer antes de trazer aquele filhotinho lindo para casa. Algumas eu deixo em destaque:
* Ele terá companhia ao longo dos dias? Outras pessoas? Outros animais? Dependendo do bicho, alguns podem entrar num quadro de severa depressão por causa da solidão.
* E o meu bolso? Terei condições de alimentá-lo com uma ração minimamente decente? De levá-lo ao veterinário e comprar medicamentos sempre que for preciso? - sim, já vi casos de pessoas me implorando, em vão, para que eu sacrificasse um animal saudável, pois seus donos alegavam não ter mais condições financeiras de sustentá-lo. Triste, não?
* O espaço do meu lar se adequa ao tamanho e comportamento daquele pet que quero ter? Convenhamos, um Dog Alemão, por exemplo, não ficaria nem um pouco à vontade em um apartamento, certo?
* Conseguirei ter controle sobre a sua reprodução ou ele viverá solto por aí, gerando outros filhotinhos que acabarão na rua? Castração é uma opção que deverá sempre ser considerada.
* Não seria melhor esperar que o meu filho amadureça um pouco mais antes de dar aquele cãozinho ou gatinho que ele tanto quer? E, além disso, será que a minha resposta é "sim" para todas as perguntas acima?
Diante de tudo isso, é preciso muita calma antes de sucumbir à tentação de adotar aquele filhote. Afinal, "posse responsável" é um conceito que vai bem além de uma empolgação inicial. Bem mais do que isso, significa estar apto a um comprometimento que durará por boa parte de nossa vida. Se você achou óbvio demais esse texto, sorte do seu bicho, pois ele certamente está em boas mãos. Caso contrário, continue refletindo, o que já é um bom começo, concorda?

A simpatia de um casal em relação aos pets pode ser fundamental para a evolução de um relacionamento. Se ocorrem divergências nesse departamento, fica difícil imaginar uma harmonia duradoura. Conheço pessoas que toleram uma eventual antipatia do ser amado pela sogra ou sogro. Ok, a vida tem dessas coisas. Agora, o mesmo sentimento pelo Tobby, o poodle da família? Ah, isso não! É caso para se discutir a relação, ora essa!
Um pet, muitas vezes, é como um filho para seus donos. Um irmão querido. Um grande amigo, mais do que necessário. O que for. É inevitável, a outra metade da laranja terá que conviver com o mesmo. Pois é, situação bem parecida com aquela em que um dos lados do casal tem um filho. Aí, o ponto-chave para o romance ir adiante reside justamente na empatia entre a criança e o candidato a padrasto ou madrasta. Sabemos que um relacionamento não se restringe à convivência entre duas pessoas. Nesse, há um intercâmbio entre dois mundos, composto por outras pessoas e, sim, eventualmente, animais.
Imaginemos a seguinte situação. Fulano conhece Beltrana. Ambos se apaixonam. A história dá tão certo que chega o inevitável dia de Fulano vir a conhecer os pais da amada, através de um jantar na casa dela. Tudo vai muito bem, até o momento em que Mingau, o gato da casa, resolve pular no colo do rapaz, que não consegue disfarçar uma expressão de nojo enquanto empurra o bicho para o chão. Mais tarde, intrigada, Beltrana pergunta para o novo namorado se ele gosta de gatos. Ele confessa que odeia, não suporta. Faz aquele discurso clássico de que gatos são interesseiros, antipáticos, indiferentes etc. Para finalizar, afirma, com todas as letras, que jamais gostará de gatos. Aliás, admite que não gosta de cães também. De bicho algum. Problemas à vista, sente Beltrana. Problemões, isso sim. Mingau ou Fulano?
O coração tem armadillhas que nos fazem reconsiderar certos gostos e opiniões. Em mundo perfeito, a pessoa amada aceitaria imediatamente todas as nossas manias e predileções. Que aceitasse o Mingau, o Tobby e todo o resto de nosso zoológico particular, lá no quintal de casa. Mas, nem sempre é assim. Por mais estranho que pareça, desafiando uma espécie de senso comum, pessoas maravilhosas podem não gostar de animais. Acontece. Mas isso não quer dizer que será uma situação eterna. Nada como um amor para que se inicie um interessante processo de reconsideração junto aos pets. Se existe amor aí mesmo, o Fulano que odeia animais fará um esforço considerável para que, antes do beijo de boa noite na amada, passe a achar válido também um afago no bicho. Aí, quem sabe, o mesmo também não queira um bichano igualzinho ao Mingau, mais adiante, logo depois do casamento? Pois é, coisas do coração.

A meu ver, além dos Direitos Universais da Criança, um elemento não poderia faltar na cesta básica de qualquer pessoa durante a infância: a presença de um animal na vida dela. Salvo raras exceções, é difícil encontrarmos adultos que não se lembrem com carinho daquele bicho que tanto os acompanharam nos primeiros anos de vida. E, pelo que sei, quanto mais boas recordações temos na infância, mais bem resolvidos entramos na vida adulta. Mas, um momento. Não quero pregar aqui que a presença de um pet, por si só, funcione como um antídoto pra solucionar futuras complicações lá na frente. Ninguém recebe melhores condições pra negociar dívidas só pelo fato de ter sido dono do saudoso Rex, por exemplo. No entanto, de alguma forma, certos valores aprendidos no início da vida, por causa da convivência com seus bichos, podem ter um papel significativo na formação do caráter da pessoa. Dentre esses valores, destaco aqui um, que tanta falta sentimos por aí: o senso de responsabilidade.
É muito bonitinho ver a criançada brincar com a bicharada, um correndo atrás do outro pela casa inteira. Concordo. No entanto, a convivência não deve se resumir apenas a isso. Aquele ser engraçadinho, parecidíssimo com o bicho de pelúcia lá da prateleira, não pode ser encarado pela criança como apenas mais um brinquedo que, uma vez usado, volta pro baú. Tampouco como um objeto sujeito ao instinto violento de alguns ditadorzinhos que, sem terem ainda plena consciência de seus atos, acham bacana desferirem eventuais chutes, tapas e apertões no coitado do cachorro ou gato. Dizem que educar uma criança é prepará-la para o mundo. Respeito pelo outro está incluso nesse aprendizado. Se desde o início os pais conseguem transferir esse valor pros seus filhos, convencendo-os a conviverem harmoniosamente com o mascote da casa, creio que uma boa semente foi plantada aí. Compartilhar alegrias e assumir responsabilidades é a base de todo bom relacionamento. Seja lá em qual grau for esse.
Por tudo isso, não basta arranjar um bicho qualquer e jogá-lo nas mãos da criançada, como quem dá um presente comprado por impulso na loja de 1,99 lá da esquina. Há um longo manual de instruções a ser seguido, documento esse que vai sendo revelado no dia-a-dia, que, bem cumprido através de bom senso e aconselhamento constante de um profissional, garantirá futuras alegrias. Conforme a idade das crianças que rodearão esse ser carente de atenção, existirão responsabilidades de vários níveis pra elas, de um simples limpar da sujeira até a fiscalização da carteira de vacinação. E, convenhamos, das várias formas de exercitar o senso de cidadania e humanidade em uma criança, essa, de cuidar bem de um bichinho, seja lá de que espécie e tamanho esse for, é das mais gratificantes.
Enfim, um belo treino de respeito pelo outro, moeda cada vez mais rara nos dias de hoje.