Categoria: Genética

16.01.08

Uma porção de bife clonado, por favor

Pra muitos profissionais do agronegócio, parece bem promissora a idéia de se trabalhar com animais clonados. Afinal, qual o produtor que não gostaria de eternizar - e multiplicar - a excelente produção da Mimosa, responsável por mais de 30 litros de leite por dia? Ou daquele boi de performance invejável quanto ao ganho de peso em um curto espaço de tempo? Enfim, os melhores índices de produção estariam aparentemente garantidos, para sempre, nessa espécie de atalho genético, sem a necessidade de se recorrer aos processos de seleção, bem mais demorados. Uma verdadeira fábrica de elite à serviço dos produtos de origem animal - carne, leite, ovos, lã e outros mais.

No entanto, esse é mais um cenário onde a ciência interfere no curso natural de algum processo biológico. E, como não poderia deixar de ser, provoca olhares desconfiados quanto à segurança dos alimentos oriundos desses animais. Os mesmos poderiam chegar sem restrições à mesa do consumidor? Existem estudos que comprovam a inocência desses alimentos?

No intuito de gerar respostas à essas questões, o FDA, órgão regulador de alimentos e fármacos dos Estados Unidos, empreendeu um estudo, fundamental para se discutir a viabilidade comercial dessa nova classe de produtos. As conclusões vieram a público nessa última terça, em um relatório de 968 páginas, na forma de sinal verde para o consumo dos alimentos gerados a partir dos animais clonados. Segundo esse documento, um bife da cópia, por exemplo, terá a mesma qualidade e segurança do original. O mesmo vale para o consumo de leite e ovos. Xerox sem contra-indicações. Sem necessidade de rótulos especiais nas prateleiras do supermercado.

Mesmo assim, ainda existe um longo caminho para os entusiastas da clonagem aplicada ao agronegócio. Além das limitações tecnológicas para que isso vire rotina, é preciso apagar a má impressão que os animais clonados têm junto ao público, vistos como aberrações cheias de "defeitos de fabricação". O mais famosos deles, a ovelha Dolly, se notabilizou por um envelhecimento precoce, inexistente no original. Por mais que existam exemplos de sucesso nessa área, de animais clonados que levam uma vida saudável e de envelhecimento normal, a atenção ficará mais depositada nos "defeitos de fabricação". E com alguma razão. Afinal, se é algo que pode vir a freqüentar a nossa mesa, que os esclarecimentos sejam feitos à exaustão, sem que a população termine como cobaia.

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E por falar nisso:

* Embrapa apresenta segundo bezerro de clone bovino: essa notícia, de outubro de 2006, apresentou Galante, o segundo filho do primeiro clone bovino da América Latina, a vaca Vitória. Um exemplo de que é possível um clone gerar descendentes, naturalmente.

* Myths About Cloning: página da FDA, dedicada a esclarecer os mitos mais comuns relacionados a clonagem de animais. (em inglês)

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 10:43:44 Email
Categorias: Animais, Tecnologia, Biotecnologia, Genética, Pecuária, Animais de Produção
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07.11.07

ASHERA

Para muitas pessoas, não basta ter um bicho. É preciso exibi-lo. Pensando nesse tipo de público, a Lifestyle Pets, empresa de genética pet, desenvolveu o Ashera, uma mistura resultante dos felinos Serval, Leopardo Asiático e o gato doméstico. Ele custa a bagatela de US$ 22.000,00, razão pela qual você jamais o encontrará revirando os lixos das periferias.

Segundo o "fabricante" do bicho, os cuidados reservados a ele não diferem muito daqueles destinados aos gatos domésticos. Apesar de ser bem maior, o Ashera se dá bem com a mesma ração, no mesmo ambiente. Assim, por causa do preço, supõe-se que seja como ter um carro de luxo com o custo de manutenção de um Fusca.

Digamos que você tenha dinheiro sobrando em sua conta e adorou esse bicho. Paixão à primeira vista. Quer ter um agora mesmo. Tudo bem, basta desembolsar um adicional de US$ 6.000,00, que você não precisará se submeter ao tempo de espera que dura entre 9 a 12 meses para os mais pobres, - paciência, não se pode ter tudo nessa vida, certo? - que não podem pagar mais de US$ 22.000 pelo Ashera.

O belo felino é entregue em sua mansão casa, já vacinado, microchipado, castrado, com um ano de plano de saúde, dentre outras garantias que asseguram a qualidade do mesmo. Durante dez anos, o dono terá direito a consultar-se com um especialista em comportamento animal, no caso do bicho começar a exibir um comportamento que venha a diferir um pouco daqueles bichanos convencionais.

A Lifestyle Pets é a mesma empresa que desenvolveu o Allerca (US$ 5.950,00), aquele gato geneticamente selecionado que não provoca alergia, ideal pra pessoas feito eu, que adoram um bichano, mas sofrem com a rinite alérgica. Um terceiro produto vem aí, prometido para 2009: a versão canina do Allerca, o Jabari GD, a ser vendida por módicos US$ 15.000.

Pra finalizar, deixo aqui a mensagem da mais nova campanha desse blog:

"Troque seu Ashera por cem gatos pobres."

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Já que estamos falando sobre isso:

Vídeo com uma reportagem sobre o Ashera: narração em inglês (1 min e 50 segundos).

Empresa norte-americana já oferece clonagem de animais de estimação: artigo de 2004, do site ComCiência, que comenta sobre a intenção da empresa de biotecnologia Genetic Savings & Clone de clonar gatos para quem se dispusesse a pagar US$ 50.000,00 por cópia. Em meados de 2006, essa mesma empresa veio a falir.

Empresa dos EUA cria gatos antialérgicos: matéria sobre a a chegada desses animais no mercado de pets.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 22:02:45 Email
Categorias: Animais, Biotecnologia, Genética, Gatos, Pets, Animais Selvagens, Produtos
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17.10.07

AS RAÇAS DO VIRA-LATA

Na rotina veterinária, poucos profissionais usam o termo "vira-lata" para classificar aqueles cães que, definitivamente, não se enquadram no padrão de raça alguma. A maioria prefere recorrer à sigla "SRD" (sem raça definida), pelo fato da mesma não causar ofensas aos donos um pouco mais sensíveis. Um colega meu procura ser mais simpático nesse sentido, usando o termo "misturadinho" pra esses cães. Esse último, a meu ver, é que mais revela a condição do vira-lata/SRD: de ser nada mais do que o resultado de uma mistura de raças.

E por causa dessa mistura, é mais do que comum os donos desses bichos especularem sobre a origem deles. "Olha, o Sultão, certamente, tem um jeitão de poodle muito forte, apesar da cabeça dele ser bem parecida com a de um doberman e o corpo dele lembrar o de um de boxer, eu acho..." Em muitos casos, sobretudo quando não se conhece os pais do bicho, defini-lo nesse sentido é tão confiável quanto tentar adivinhar o formato das nuvens. Pura especulação.

Na intenção de acabar com esse achismo do mundo pet, a empresa norte-americana MetaMorphix criou o Canine Heritage Breed Test, um kit de testes cujo objetivo é o de revelar a origem genética dos "misturadinhos" através de análise de DNA. Funciona da seguinte maneira: obtido a partir da saliva do bicho, através de um cotonete, o DNA dele é identificado e comparado com o padrão do DNA de 38 raças de cães - a empresa espera aumentar em breve esse número para 115. Como resultado, temos as porcentagens dessas raças presentes naquele animal.

O custo para acabar com a curiosidade: US$ 65,00 o kit para a coleta do material e US$ 6,95 para o envio do mesmo para a MetaMorphix. O resultado chega ao dono dentro de 4 a 6 semanas.

Deve ser engraçado acompanhar o resultado ao lado de muitos donos, surpresos ao constatarem que o Rex é, na verdade, composto por uma mistura que não tem nada a ver com aquela que se suspeitava. Husky Siberiano com um bela porcentagem de Daschund, ao invés de Rottweiller com Cocker Spaniel, por exemplo. Suspeito que muitos devem até fazer bolsas de apostas para adivinhações nesse departamento, enquanto o resultado não chega.

Ainda não existe esse tipo de serviço aqui no Brasil, onde a identificação pelo DNA é usada principalmente para comprovar casos de fraudes envolvendo a paternidade de certos animais. Por causa disso, hoje em dia, ficou bem mais fácil de descobrir se aquele cãozinho sem grandes atrativos é mesmo o filho do campeão das exposições, como garantido na ocasião da venda. Nesses casos, não basta ter pedigree, tem que ter DNA também.

Maravilhas da modernidade.

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Conheça alguns laboratórios brasileiros que trabalham com a tecnologia do DNA aplicada a animais:

Cepav: exames de identidade genética, confirmação de paternidade, diagnóstico de algumas doenças pela tecnologia do DNA e sexagem de aves.

Genoa Veterinária: diagnósticos veterinários através da técnica da PCR (Polymerase Chain Reaction). Realiza também exames de imunohistoquímica para diagnóstico e prognóstico de doenças.

Genomax: exames de identidade genética e confirmação de paternidade. Sexagem de aves pelo DNA.

Exon Biotecnologia: exames de identidade genética e confirmação de paternidade para o setor agropecuário. Sexagem de aves pelo DNA, com destaque para avestruzes.

LinkGen: certificação genética e análise de paternidade para o setor agropecuário

Unigen: trabalha exclusivamente com aves, realizando exames de identificação genética, confirmação de paternidade, diagnóstico de doenças pela técnica da PCR e sexagem.

PermalinkEscrito por Marcelo Hernandes às 17:51:32 Email
Categorias: Animais, Tecnologia, Biotecnologia, Genética, Cães, Produtos
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