
Pode parecer exagerado, mas, pra mim, faz sentido: a decisão sobre ter ou não um bicho em casa é parecida com aquela relacionada a ter um filho. É preciso muita reflexão antes de levar aquele filhotinho fofo e lindinho para casa. Afinal, junto com aquele ser, além das alegrias, existem imensas responsabilidades que os responsáveis deverão atender por um belo tempo. Sim, é quase como ter um filho. Não basta ter apenas a empatia pelo bichinho que, como todo ser vivo, tem lá as suas necessidades. E mesmo adulto, ele continuará a depender da atenção especial de quem o adotou. Isso parece óbvio a você? Sim. Mas, pra muita gente, parece que não.
Concordo que é gostoso ter algo que empolgou a gente. É o tal sentimento da posse, que alivia imediatamente aquela carência que nos incomodou. Que maravilha que é ter aquela roupa que piscava pra gente lá da vitrine, não? E aquele carro que nos hipnotizava na propaganda da TV, agora na garagem de casa? Muito bom. Entretanto, na sociedade em que vivemos, cada vez mais imersa no consumismo, as pessoas se desencantam por suas aquisições na mesma velocidade com a qual se apaixonam por por elas. E outras necessidades, urgentes e irrelevantes, acabam surgindo e por aí vai. Tudo bem, são apenas objetos. Não tem problema em descartá-los. O complicado é que esse apego-desapego, infelizmente, vem acontecendo cada vez mais com a bicharada. Tem muita gente por aí adotando cães e gatos com o mesmo comprometimento reservado a um par de tênis qualquer.
Costumo dizer que a condição básica para se adotar um bicho é simplesmente se comprometer a não abandoná-lo. Diante disso, alguns podem concluir: "Ah, tranqüilo. Então, basta deixá-lo dentro do quintal - ou apartamento -, com água e comida, certo?" Errado, ora essa. Cuidar de um animal, de forma responsável, implica em muito mais do que alimentá-lo e deixá-lo protegido dos perigos da rua. É preciso ter consciência de tudo aquilo que o bicho precisa para o seu bem-estar, nos seus mínimos detalhes. Várias perguntas a pessoa deve se fazer antes de trazer aquele filhotinho lindo para casa. Algumas eu deixo em destaque:
* Ele terá companhia ao longo dos dias? Outras pessoas? Outros animais? Dependendo do bicho, alguns podem entrar num quadro de severa depressão por causa da solidão.
* E o meu bolso? Terei condições de alimentá-lo com uma ração minimamente decente? De levá-lo ao veterinário e comprar medicamentos sempre que for preciso? - sim, já vi casos de pessoas me implorando, em vão, para que eu sacrificasse um animal saudável, pois seus donos alegavam não ter mais condições financeiras de sustentá-lo. Triste, não?
* O espaço do meu lar se adequa ao tamanho e comportamento daquele pet que quero ter? Convenhamos, um Dog Alemão, por exemplo, não ficaria nem um pouco à vontade em um apartamento, certo?
* Conseguirei ter controle sobre a sua reprodução ou ele viverá solto por aí, gerando outros filhotinhos que acabarão na rua? Castração é uma opção que deverá sempre ser considerada.
* Não seria melhor esperar que o meu filho amadureça um pouco mais antes de dar aquele cãozinho ou gatinho que ele tanto quer? E, além disso, será que a minha resposta é "sim" para todas as perguntas acima?
Diante de tudo isso, é preciso muita calma antes de sucumbir à tentação de adotar aquele filhote. Afinal, "posse responsável" é um conceito que vai bem além de uma empolgação inicial. Bem mais do que isso, significa estar apto a um comprometimento que durará por boa parte de nossa vida. Se você achou óbvio demais esse texto, sorte do seu bicho, pois ele certamente está em boas mãos. Caso contrário, continue refletindo, o que já é um bom começo, concorda?

Desde agosto do ano passado, o artista plástico costa-riquenho Guillermo Vargas vem sendo uma das personalidades mais odiadas do planeta. Também pudera, ele que foi o responsável por aquela polêmica "obra de arte" que resultou na morte de um cão vira-lata em uma exposição nicaragüense. Ao contrário do público que presenciou a cena, não houve quem ficasse indiferente diante de tamanha crueldade. Quase todo mundo lamentou não estar ali, para que pudesse libertar o pobre do cachorro e dar uns safanões corretivos em Guillermo Vargas. De qualquer forma, textos indignados e petições de boicotes contra o artista é o que não faltaram nos últimos meses, internet afora.
No entanto, de acordo com uma reportagem do jornal britânico Telegraph, tudo isso pode ter sido mais um desses mal entendidos que ganham força na internet. Bem, pelo menos no que diz respeito à agonia e morte do animal. Segundo Juanita Bermudez, diretora da galeria onde se deu a polêmica, Guillermo tratou bem o cão, que acabou escapando do recinto um dia depois da exposição ter acontecido. "Ele só ficou amarrado nas três horas em que ocorreu a exibição para o público. No resto do tempo, ele foi regularmente alimentado com ração para cães, trazida pelo próprio Gullermo.", defende Juanita.
De qualquer forma, pelo estado em que se encontrava o animal - caquético, sarnento, visivelmente doente -, mesmo que ele tenha sobrevivido como garante os responsáveis, Guillermo Vargas continua sendo o autor de uma das piores obras de arte de todos os tempos. Bem, pra muitos, nesses tempos cínicos, chamar a atenção, nem que seja de forma grotesca, é uma forma de arte. Vai entender...

Imagine você em um futuro não muito distante, entrando na seção de carnes de um supermercado qualquer. Dentre as opções disponíveis, você acaba levando 500 gramas de uma genuína picanha, produzida pelo laboratório "New Age Meat Solutions Inc". No caixa, enquanto seus dedos alisam aquele pacote de carne, vem um pensamento na sua cabeça, imaginando o absurdo que era antigamente, quando existiam açougues, aqueles locais onde, veja só, os animais eram mortos.
Idéia meio viajante, não? Pois bem, pra PETA, uma conhecida organização de defesa dos animais, nem tanto.
Tendo como base os últimos avanços da biotecnologia, vide os representados pelas células-tronco, a PETA anunciou nessa semana um concurso que premiará em um milhão de dólares o primeiro cientista que conseguir, até 2012, produzir em laboratório uma carne de frango que seja comercialmente viável, tanto na qualidade quanto na quantidade. Isso mesmo, carne in vitro. A idéia aqui é estimular o desenvolvimento de uma espécie de carne do século 21, que não envolva o abate de animal algum para que se alcance os pratos.
Além de poupar a vida de bois, porcos, frangos etc, o domínio dessa nova tecnologia traria também benefícios ecológicos ao provocar, teoricamente, o fim das criações de animais para abate, responsáveis, segundo alguns estudos, por boa parte da poluição em nosso planeta. Consideram-se também as vantagens para a saúde pública, onde esse novo produto seria mais seguro em comparação com as carnes geradas pelos meios mais "tradicionais", onde são maiores as condições para o surgimento de inúmeras doenças infecto-contagiosas.
Mesmo assim, segundo reportagem do jornal The New York Times, muitos ativistas não apóiam a idéia da carne in vitro, pois, segundo eles, essa continuaria sendo um alimento capaz de causar doenças cardíacas, diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer. O sabor de uma carne suculenta, mesmo que vinda do laboratório, não compensaria as perdas na saúde, alegam.
Mas seria a carne in vitro uma piração saída da mente de vegetarianos que comeram brócolis alucinógenos? De modo algum. De fato, existem centros de pesquisa dedicados a tornar isso uma realidade do dia-a-dia. Um deles fica na Holanda, na Universidade de Utrecht, de onde o professor Bernard Roelen, um dos cientistas envolvidos no tema, avisa: mesmo com grandes investimentos, é praticamente impossível que a meta proposta pela PETA seja atingida antes de 2012.
Bem, se um dia criarem uma picanha in vitro tão saborosa quanto a original, maravilha, serei um dos que deixarão definitivamente de lado aquela outra, gerada pelo boi. Quem sabe em algum churrasco de 2030. Agora, deve ter por aí um povo que não está simpatizando nem um pouco com essa possibilidade, como aquele representado pela ABCZ que, definitivamente, não veria graça alguma em manter o boi apenas como animal de companhia...
E por falar nisso...
New Harvest: site de uma organização sem fins lucrativos, dedicada a promover o debate a respeito de alternativas para a carne convencional. Dentre essas, o desenvolvimento da carne in vitro.

Em boa parte dos municípios do estado de São Paulo, a coisa funcionava assim: depois de 3 dias no canil público, caso não fossem resgatados pelos donos ou adotados por alguma alma caridosa, os cães e gatos recolhidos das ruas eram sacrificados, seja lá em que condições esses estivessem. Agora, segundo uma lei sancionada pelo governador José Serra na semana passada, as coisas mudaram. Sacrifício mesmo, somente quando o animal estiver em alguma das seguintes situações:
- ser portador de doença grave ou infecto-contagiosa incurável que coloque em risco a vida da população.
- tiver histórico de mordeduras em pessoas. Nesses casos, a eutanásia ocorrerá no caso de ninguém o adotar depois de 90 dias de permanência no canil público.
Quanto aos cães e gatos saudáveis, a única injeção usada será a de anestesia, para a cirurgia de castração.
Algumas prováveis conseqüências dessa lei:
- maior contratação de veterinários pelos órgão oficiais: o raciocínio aqui é simples. Menos animais sacrificados nos canis públicos = Maior número de cães e gatos que aguardarão pela adoção = Necessidade maior de profissionais qualificados para o cuidado desses.
- intensificação das campanhas de adoção de cães e gatos: quanto mais animais adotados, menos gastos para as prefeituras com ração, espaço, cuidados veterinários etc. Óbvio, não?
- maior discussão a respeito da posse responsável: cães e gatos, em 99,9% dos casos, alcançam as ruas por causa da irresponsabilidade de seus donos. Se a pessoa não tem condições de manter um animal, paciência, que não o tenha. Simples assim.
No mais, sorte dos bichos paulistas.
Lei nº 12.916, de 16 de abril de 2008: texto original da lei mencionada no texto aqui.
Muita gente ficou escandalizada diante desse anúncio, que mostra um cão aparentemente com medo, tremendo um bocado. Alegou-se que, para o bicho chegar nesse estado, só podiam tê-lo submetido a maus-tratos, algo imperdoável. No entanto, um porta-voz da Volkswagen negou toda e qualquer acusação nesse sentido, dizendo que o cão usado na propaganda foi um tipo de terrier conhecido por suas tremedeiras - seria um Jack Russel Terrier? -, que podem acontecer por inúmeras razões, todas relacionadas a alguma forma de ansiedade - por exemplo, quando ele está prestes a se alimentar.
O comercial ficou pouco tempo no ar. Dizem que por causa dos protestos dos telespectadores. Mais uma vez, a Volkswagen nega. De qualquer maneira, foi mais um desses anúncios que procuram reforçar aquela idéia de que, dentro do carro, você pode se tornar um macho autoconfiante. Meio babaca isso, não? Eu acho.