
A meu ver, além dos Direitos Universais da Criança, um elemento não poderia faltar na cesta básica de qualquer pessoa durante a infância: a presença de um animal na vida dela. Salvo raras exceções, é difícil encontrarmos adultos que não se lembrem com carinho daquele bicho que tanto os acompanharam nos primeiros anos de vida. E, pelo que sei, quanto mais boas recordações temos na infância, mais bem resolvidos entramos na vida adulta. Mas, um momento. Não quero pregar aqui que a presença de um pet, por si só, funcione como um antídoto pra solucionar futuras complicações lá na frente. Ninguém recebe melhores condições pra negociar dívidas só pelo fato de ter sido dono do saudoso Rex, por exemplo. No entanto, de alguma forma, certos valores aprendidos no início da vida, por causa da convivência com seus bichos, podem ter um papel significativo na formação do caráter da pessoa. Dentre esses valores, destaco aqui um, que tanta falta sentimos por aí: o senso de responsabilidade.
É muito bonitinho ver a criançada brincar com a bicharada, um correndo atrás do outro pela casa inteira. Concordo. No entanto, a convivência não deve se resumir apenas a isso. Aquele ser engraçadinho, parecidíssimo com o bicho de pelúcia lá da prateleira, não pode ser encarado pela criança como apenas mais um brinquedo que, uma vez usado, volta pro baú. Tampouco como um objeto sujeito ao instinto violento de alguns ditadorzinhos que, sem terem ainda plena consciência de seus atos, acham bacana desferirem eventuais chutes, tapas e apertões no coitado do cachorro ou gato. Dizem que educar uma criança é prepará-la para o mundo. Respeito pelo outro está incluso nesse aprendizado. Se desde o início os pais conseguem transferir esse valor pros seus filhos, convencendo-os a conviverem harmoniosamente com o mascote da casa, creio que uma boa semente foi plantada aí. Compartilhar alegrias e assumir responsabilidades é a base de todo bom relacionamento. Seja lá em qual grau for esse.
Por tudo isso, não basta arranjar um bicho qualquer e jogá-lo nas mãos da criançada, como quem dá um presente comprado por impulso na loja de 1,99 lá da esquina. Há um longo manual de instruções a ser seguido, documento esse que vai sendo revelado no dia-a-dia, que, bem cumprido através de bom senso e aconselhamento constante de um profissional, garantirá futuras alegrias. Conforme a idade das crianças que rodearão esse ser carente de atenção, existirão responsabilidades de vários níveis pra elas, de um simples limpar da sujeira até a fiscalização da carteira de vacinação. E, convenhamos, das várias formas de exercitar o senso de cidadania e humanidade em uma criança, essa, de cuidar bem de um bichinho, seja lá de que espécie e tamanho esse for, é das mais gratificantes.
Enfim, um belo treino de respeito pelo outro, moeda cada vez mais rara nos dias de hoje.
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MAS FICO COM O REX, SIM? O RESTO É SEU...
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Re: se eu fosse um bicho, eu gostaria de ter uma dona como vc. Principalmente se eu fosse um gato, é claro...