
Para Pepper, um poodle norte-americano de 10 anos, parecia o fim da linha. Tratamento convencional algum fora capaz de amenizar as dores ocasionadas pela artrite que atingira o quadril dele. Pelo caminhar do coitado, cada vez mais limitado, percebia-se que os antiinflamatórios vinham sendo tão eficazes quanto o ataque atual do Corinthians. Uma nulidade só. Diante daquele sofrimento sem possibilidade de alívio, seus donos já vinham considerando a alternativa mais temida: o sacrifício. Para amenizar a dor daquela perda que viria em breve, decidiram adotar um cãozinho que, de alguma forma, preencheria o espaço que um dia fora de Pepper. A vida teria que seguir em frente, fazer o quê?
No entanto, vários dias depois, o velho poodle conseguia caminhar normalmente ao lado de seu novo companheiro. Como assim?
Por acaso o novo cãozinho seria uma espécie de santo, capaz de curar outros animais com seu toque? Ou Pepper sofria apenas de um raríssimo caso de "artrite psicológica", gerada pela ausência de companheiros da mesma espécie? Nada disso. Ao invés de ser colocado pra dormir eternamente, Pepper teve a sorte de, já no fim do segundo tempo, vir a ser um dos pacientes agraciados pela Vet-Stem, uma empresa norte-americana especializada em biotecnologia veterinária. O que aconteceu:
1 - Retirada de um pequeno fragmento de tecido adiposo (a famosa "gordura"), localizado na barriga do cão.
2 - Envio do material para a Vet-Stem.
3 - Após 48 horas, o veterinário responsável por Pepper recebeu uma seringa com células-tronco obtidas a partir do fragmento enviado.
4 - Injeção do conteúdo da seringa nas regiões afetadas pela artrite.
Algumas semanas depois, Pepper estava irreconhecível, caminhando bem, em nada lembrando aquele cão praticamente paralisado pela artrite. Tecido local regenerado. Coisas do século 21.
Essa história, presente em uma reportagem da Newschannel 5, é mais um exemplo de que a tecnologia das células-tronco, aos poucos - pelo menos na medicina veterinária -, vai deixando de ser algo exclusivo dos centros de pesquisa, disponível também para qualquer um que possa requisitar os serviços da Vet-Stem, mediante valores que variam de US$ 1.000 a US$ 3.000 (ou R$ 1.760 a R$ 5.280,00). Até o momento, os sucessos estão concentrados em problemas relacionados ao aparelho locomotor que, de alguma forma, dependem da regeneração de tecidos para que as funções voltem à normalidade - ou perto dessa. Problemas como artrite e ruptura de tendões e ligamentos.
Mesmo ainda distante de curas para problemas mais complexos - como, no caso de humanos, Mal de Parkinson e Alzheimer -, as terapias atuais com células-tronco, como vemos, apontam pra novas direções que, segundo muitos pesquisadores, podem, em questão de uma ou duas décadas, praticamente obrigar que sejam reescritos todos os livros de medicina - humana e veterinária. Pra sorte de cães como Pepper, um dos primeiros capítulos já está em pleno andamento.
E por falar nisso:
Genética Aplicada: empresa brasileira de biotecnologia com foco em Medicina Veterinária Regenerativa. Possui serviços que englobam as áreas de terapia celular regenerativa com células tronco e armazenamento de DNA ou células de animais especiais para clonagem.
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Re: existe sim essa possível relação entre células-tronco e o câncer, de acordo com essa notícia aqui. Agora, quanto as probabilidades disso acontecer, não tem jeito, será preciso que se alcance um número de pacientes estatisticamente significativo, de forma que esse risco seja melhor avaliado. E, por enquanto, foram poucos os pacientes. Obrigado pela contribuição!
Re: preços mais acessíveis? No curto prazo, não.
Re: Sim, Pâmela. Esses tratamentos, de alguma forma, são vistos como uma espécie de experimento por grande parte dos pesquisadores vinculados à medicina humana. Ainda mais no caso aqui, quando não envolve o uso de embriões, esvaziando o principal argumento ético dos que são contra as pesquisas com células-tronco em humanos.