
Por quase todo o Brasil, agora é época de muito calor, desse tipo que torna o ar do ambiente parecido com aquele do microondas. De alguma forma, a gente consegue se virar pra fugir das temperaturas mais elevadas, do ar condicionado para os mais afortunados, ao ventilador que serve de consolo para refrescar a pele molhada de suor.
Quanto aos animais, por causa dos pêlos, imagina-se que seja um pouco mais complicado pra se driblar o calor, principalmente para aqueles que estão confinados nos quintais e apartamentos das cidades. Ao contrário dos que vivem livres na natureza, os bichos urbanos, como o cão e o gato, têm um leque bem mais limitado de opções para fugirem dos extremos de temperatura. Pra esses, resta apenas a boa vontade de seus donos para terem acesso à sombra e água fresca.
Nos humanos, a perda de calor se dá através da transpiração, graças às glândulas sudoríparas espalhadas por todo o corpo. Agora, nos cães e gatos, essas mesmas glândulas estão localizadas apenas nas patas, entre os dedos, o que deixa um bocado limitada a perda de calor por essa via. Dessa forma, o resfriamento deles acontece primordialmente através de um processo de ventilação proporcionado pela respiração, resultando na clássica imagem do bicho de boca aberta, ofegante, enquanto suporta aquela temperatura digna de comercial de cerveja.
Nos dias mais quentes e úmidos, algumas raças de cães sofrem mais do que outras, sobretudo aquelas de grande porte e de pelagem farta, como o Sheepdog e o Collie. As de focinho curto - como o Pug e o Bulldog - também são bem sensíveis nesse sentido. Nesses casos, a insolação demora bem menos pra acontecer, podendo até ocorrer morte por choque térmico.
Casos de insolação são mais difíceis de acontecer em gatos pelo fato da grande maioria de seus donos andarem pouco ou quase nada com os mesmos por aí, no que resulta em uma menor exposição ao sol. Além disso, comparando-se com cães, felinos que têm acesso a rua costumam ser bem mais hábeis na busca de abrigos com temperaturas mais amenas. Dessa forma, a maioria dos casos de insolação em gatos ocorre em situações onde os mesmos ficam aprisionados em ambientes dos quais é impossível de se escapar.
Independente da espécie e raça do animal, alguns requerem uma atenção extra nessa época, por terem uma regulação deficiente da temperatura corpórea, como é o caso dos muito jovens e dos mais idosos. Pets com excesso de peso também são bem mais susceptíveis aos efeitos nocivos do calor. Os de pele e focinho claros merecem também um cuidado especial, por serem mais susceptíveis ao câncer de pele, razão pela qual já existe um filtro solar de uso veterinário para os mesmos, produzido pela Pet Society.
Considerando-se tudo isso, enquanto um ou outro pingo de suor cai aqui de minha testa para o teclado, resolvi mencionar alguns cuidados necessários para o que o seu pet enfrente numa boa mais um típico verão brasileiro, talvez um pouquinho pior pelo crescente aquecimento global:
* Evite de passear com ele nas horas mais quentes do dia. O mesmo vale para os exercícios. Passear e correr com um cão sob um sol de rachar só é divertido nos comerciais de ração.
* Não o deixe trancafiado no carro. Em questão de poucos minutos, o ambiente vira um forno mais do que insuportável pro bicho. Lembra dos casos de pais que esqueceram seus filhos nessas ocasiões? É por aí.
* Garanta que ele tenha sempre acesso à sombra e água fresca - durante o tempo todo, não só quando você vai dar aquela olhadinha de manhãzinha, antes de sair de casa.
* No verão, procure deixar seu cão tosado de acordo com o padrão da raça. Uma tosa muito exagerada poderá deixar a pele exposta aos raios solares, susceptível a queimaduras.
No mais, é preciso ficar atento para alguns sinais e sintomas que podem ser indicativos de uma insolação que poderá resultar em choque térmico fatal, tais como: respiração mais acelerada e contínua do que o normal, língua e gengiva muito avermelhadas, olhar apático ou perdido, ansiedade, inquietação, fraqueza, depressão, dificuldade pra se manter a postura ou caminhar, vômito, diarréia, dentre outros.
Ao se perceber tudo isso, é preciso agir rápido, ao retirar o animal do ambiente que causou a insolação, levando-o pra uma área coberta. Em seguida, no sentido de reduzir a temperatura corpórea, podem ser aplicadas sobre ele toalhas molhadas com água fria, sobretudo nas áreas com menos pelagem. Não se esqueça de oferecer também água pra ele beber - fria, logicamente. Logo em seguida, depois desses cuidados emergenciais, leve-o ao veterinário.
Enfim, que nesse verão o cachorro quente continue sendo apenas aquele da lanchonete.
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Petisco - flagrante de uma doberman que dificilmente terá uma insolação:
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Re: Que triste, Marcela. Realmente, é complicado determinar quando o bicho está ou não com insolação, já que muitos aparentam não se importar com o calor todo, apesar do corpo, internamente, dizer o contrário. Pra reconhecer tudo isso, somente com a observação aliada à experiência, que você, infelizmente, acabou tendo.
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