
Imagine uma pessoa bem sucedida naquilo que faz, dona de milhões de dólares, caindo em desgraça pela acusação de ter feito algo moralmente condenável. Não, não estou falando do Michael Jackson. No caso aqui, o Michael é outro, o jogador de futebol americano Michael Vick, que foi condenado no início dessa semana a 23 meses de prisão pelo seu envolvimento em brigas de cães. Nessas, onde eram feitas apostas, descobriu-se que ele tinha um papel bem ativo na organização, cedendo espaços em uma de suas casas para a montagem de ringues.
Como crueldade pouca é bobagem, Vick assumiu também responsabilidade direta pelo sacrifício de cães mais fracos, apenas pelo fato dos mesmos não servirem mais para brigas. Na sua propriedade, foram apreendidos 48 pit bulls. Um deles teve que ser sacrificado pelo precário estado de saúde em que foi encontrado. O restante foi encaminhado para associações de defesa dos animais.
Pelo menos diante da justiça e da opinião pública, Vick se diz arrependido. Não é por menos, pois desde que foi descoberta a sua participação nesse tipo de evento, a vida dele mudou um bocado. Primeiro, no campo profissional, onde teve que parar de jogar, com todas as implicações financeiras aí, como a suspensão de patrocínios, a galinha dos ovos de ouro pra qualquer esportista de grande porte. Depois, no campo sentimental, com a namorada de longa data o abandonando dias depois de ter dado a luz à segunda fillha do casal.
Por fim, a população norte-americana, que antes o admirava como jogador de futebol, coloca-o agora como o inimigo público número um dos cães. E isso pode ser um problema e tanto para a imagem de alguém, considerando-se que o mercado pet dos EUA, só nesse ano, movimentou algo em torno de 41 bilhões de dólares.
Esse caso foi emblemático, sendo uma dessas histórias onde a condenação de uma celebridade acaba por chamar a atenção para um determinado tema. Durante meses, desde o início das investigações, ocorrido em abril desse ano, o caso Michael Vick foi explorado à exaustão pela mídia norte-americana. Pelo debate gerado, a população sentiu-se encorajada a denunciar outros criadores mal intencionados, resultando no salvamento de vários outros cães, pit bulls em sua grande maioria. Por tudo isso, o saldo foi positivo.
E aqui no Brasil? Como andam os processos de maus-tratos contra animais? No mais cruel que se tem notícia, o da cadela Preta, dos três acusados, dois foram punidos com multa de R$ 5.000 para cada um e 12 meses de trabalhos comunitários. O principal responsável pela selvageria foi condenado a um ano de detenção em regime aberto, dois anos depois do ocorrido. Se o mesmo está cumprindo a pena, não se sabe. Entre recursos aqui e ali, típicos de nossa justiça, desconfio que não.
Pois é, falta um Michael Vick por aqui. Mas atrás das grades, é claro.
E por falar nisso:
* Preta Clama Por Justiça: blog dedicado a acompanhar o caso da cadela Preta.
* Maus-Tratos: Como Denunciar - página da ARCA BRASIL com orientações, de acordo com nossas leis atuais.
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