
Ok, eu confesso. Fui desses que, quando criança, ficava preocupadíssimo ao ver um gato preto cruzar na minha frente. Afinal, o senso comum dizia que isso dava má sorte. Pois bem, o tempo passou e, felizmente, percebi que superstições não passam de desculpas para justificarem os nossos problemas. E assim, ignorando trevos de quatro folhas e passando por debaixo de escadas, passei a encarar os gatos pretos mais como adoráveis miniaturas de panteras negras do que como portadores de ameaças do além. Hoje em dia, tenho medo mesmo é de coisas mais palpáveis como farol fechado, político tagarela e cliente caloteiro.
No entanto, grande parte de nossa população, gente bem crescidinha até, ainda encara esses bichos como seres do mal, nessa herança cultural que custa a ir embora de vez. Vez ou outra, ainda surgem na mídia algumas figuras que, sem base alguma, reiteram esse preconceito. Como o caso da médium que, num programa de TV, aconselhou o povo a tomar cuidado com os gatos pretos, uma vez que os mesmos, segundo ela, seriam usados pelas feiticeiras para provocar o mal. Ela, como as feiticeiras da Idade Média, ficou queimada, mas perante os defensores dos animais que, felizmente, não deixaram passar barato a afirmação de tamanha bobagem. Bem feito.
Por causa dessa imagem negativa, de todos os gatos, o preto continua sendo o mais rejeitado nos locais de adoção de animais. Pra piorar, o coitado ainda é considerado útil para atividades que nada têm a ver com a sua condição de pet, como servir de sacrifício para rituais satânicos.
Em países de tradição católica, o preconceito costuma ser maior, por causa da herança de uma idéia que relacionava, na Idade Média, os gatos pretos às feiticeiras. E isso, não seria diferente na mais do que católica Itália, é claro, lar de muitas histórias de atrocidades passadas e atuais contra esses animais. Para tentar diminuir os efeitos dessa herança por lá, que resulta na morte de aproximadamente 60.000 gatos pretos anualmente, uma associação local de direitos dos animais (AIDAA) instituiu o “Dia do Gato Preto”, com o objetivo de “educar as pessoas e restituir a dignidade desses animais, de forma que se pare com esse massacre”, afirma o presidente da associação, Lorenzo Croce.
Para tanto, no último dia 17, data em que ocorreu o evento, o grupo responsável criou 200 postos de informação espalhados por toda a Itália, onde foram distribuídos materiais com explicações que procuram espantar o preconceito contra o gato preto. Além disso, a população pôde também assinar petições que pediam maior proteção a esses animais. E se a pessoa demonstrava um interesse especial pela causa, era aconselhada a adotar um gato preto, desde que tivesse condições para tanto, é claro.
Nem o Papa Bento XVI, conhecido por sua afeição pelos gatos, escapou da campanha, ao receber uma carta que o convidava a apoiar o movimento. “Seria muito bom se ele pudesse reconhecer a nossa iniciativa, ao falar publicamente sobre a falta de bom senso que é o preconceito contra os gatos pretos”, disse Croce.
Pela pouca informação disponível sobre “O Dia do Gato Preto”, desconfio que o evento tenha atraído pouca atenção da mídia e, conseqüentemente, da população. Mas, enfim, fica aqui a idéia para que a “Festa Nazionale Del Gatto Nero” tenha outras edições, inclusive por aqui. Os dois gatos pretos que a minha namorada tem, e com os quais eu mais tenho a SORTE de conviver, os adoráveis Cartola e Otelo, agradecem.
Fonte desse post: BBC News
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Petiscos:
Vídeo de um gato preto curtindo a vida:
Vídeo curiosíssimo de dois gatos "conversando":
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