
O amor entre duas pessoas pode acabar. É a vida, fazer o quê. Separações costumam ser mais dolorosas ainda quando o casal dividia o mesmo teto. Nesses casos, por mais cordialidade que possa existir, sempre existe a iminência daquele momento "mas fico com o disco do Pixinguinha, sim, o resto é seu." Cada qual empacotando as suas coisas, até mais, passar bem. As coisas ficam mais fáceis quando não existem filhos nessa partilha. No entanto, o que acontece quando existe a disputa pelo cão ou gato do casal? "Mas fico com o Rex, sim, o resto é seu."?
Pelo menos nos Estados Unidos, a coisa adquiriu uma importância tal que existem até profissionais que ajudam os juízes a decidirem com qual dono o bicho vai ficar, conforme ilustra uma matéria do jornal Boston Globe. Antigamente, era comum que a disputa pela custódia de um cão se baseasse num método simples demais, dando margem a contestações. Nesse, cada dono ficava em um canto de uma sala, esperando pelo bicho, que era segurado por alguém. Ganhava a custódia o primeiro que recebesse a atenção do cão, logo quando o mesmo era solto.
Hoje em dia, pra resolver esses casos de maneira mais justa, existem profissionais como Amy Marder, uma veterinária especializada em comportamento animal. Ao invés de testar uma simples disputa de atenção, ela prefere passar uma hora e meia junto com o casal e o pet. Nesse tempo, os donos respondem a uma série de perguntas, como quem passa mais tempo com o animal, quem brinca mais com ele, quem o alimenta etc. Procura-se saber também a respeito da forma como o cão foi educado, sobre o temperamento dele, o quanto ele se exercita, dentre outras questões.
No fim, tendo como base todas essas informações, bem como a observação da linguagem corporal do bicho diante de seus donos, Marder dá a sua recomendação, sobre quem seria a pessoa ideal pro cão continuar a conviver. Nessa, visa-se não apenas o dono que poderia cuidar melhor do pet, mas com quem o animal tem uma ligação afetiva maior - os mesmo tipos de considerações que normalmente são decisivas nos casos de disputa pela custódia de uma criança. Algumas vezes, ela recomenda o compartilhamento da custódia, mas apenas se julgar que o animal tem condições psicológicas para tanto. "Alguns animais acham o máximo viver em dois lares", diz ela. "Outros não, por ficarem muito ansiosos a cada vez em que se separam dos donos".
Se com um cão é complicado, imaginemos quando esse tipo de disputa envolve outros bichos, nos casos em que o casal mantinha um verdadeiro zoológico em casa. Peixes, hamster, papagaio, gatos, e outros mais. Coitados desses, que nem imaginam que o amor pode acabar. Ficam sem entender nada, perdidos. Que nem crianças.
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Re: o amor acabar, acontece. Agora, o que não pode deixar é que isso se estenda ao bicho também.
Re: hum.. julgar o que é amor e o que não é, referente a seres humanos, é um troço bem complicado. Eu passo. Agora, do amor que um cão ou gato sente pelo dono, aí fica bem mais fácil de definir. Ainda bem!