Pronto! SPFW acabou, Campus Party já foi e agora estou aqui jogada no sofá, tentando colocar a vida e o trabalho em ordem, ainda me recuperando da semana caótica que passou. Só agora consegui ver todos os desfiles para poder falar alguma coisa, mas já vou adiantando que, em se tratando de roupas, essa edição da SPFW foi bem pobrinha. Nos portais, ao invés de notícias sobre moda de fato, pipocaram manchetes sobre Jesus na primeira fila, Xisseele vestindo os mesmos trapinhos toscos da Colcci, Fernanda Lima insistindo no discurso "tive gêmeos e continuo lendja" e Agyness desprezando o Brasil.
Mas vamos lá, entre os melhores, os piores e os que não valem uma opinião furada, o Chiqueiro ficou com:
Osklen
Eu sou um pouco suspeita para falar da Osklen porque sou fã de carteirinha do Oscar Metsavaht. Como pode um médico largar tudo para viver de moda e ainda por cima fazer isso de uma maneira tão incrível? Adoro, adoro, adoro. A coleção, que segundo ele se chama "Rising" e apresentou looks super urbanos, com modelagens amplas e moleton, muito moleton. A cartela de cores se limitou a tons de cinza, para dar destaque às texturas do tecido.

Ronaldo Fraga
Sem dúvida, a emoção causada pelos desfiles de Ronaldo Fraga são o ponto alto de toda edição da SPFW. Mas, esse último desfile-conceito levou essa emoção ao limite e borrou a maquiagem de muito fashionista. O desfile de Ronaldo me fez esquecer um certo sentimento de vazio que permeia o evento fashion week como um todo, e lembrar que a moda ainda pode fazer pensar, contar histórias e ter um sentido maior que o "parecer". Fez sorrir e ter esperança.

Raam. Limpa a baba.
Agora, vamos à parte mala da coisa toda. Enquanto Ronaldo Fraga não precisa fazer cara de koo para impressionar, tem muita gente que nem nascendo de novo a cada seis meses consegue vir melhor.
Carlota Joakina disse que queria vestir a mulher com algo lúdico. E fez isso...

Sério, seguindo essa linha de raciocínio, lúdico é fantasia de pokemón, homem sanduíche, cosplay...
Eu sei, eu sei que o desfile da Christine Yufon foi uma homenagem aos 10 mil anos de carreira dela, que era para ser um desfile de acessórios, que nesses casos as roupas são meras coadjuvantes, etc e tal. Mas precisava vestir a modelo com um pijama cafona de cetim? Precisava? Alôu Dudu Bertholini, você não é assim que eu sei.

Olá, abandonado leitor,
Sei que estou em falta com vocês, mas, infelizmente, certos luxos como tempo livre não fazem parte da minha vida. Principalmente nessa movimentada semana em que acontecem simultaneamente dois eventos imperdíveis: CampusParty Brasil e São Paulo Fashion Week. Oh, céus!
Eu praticamente me mudei para a Campus Party, trabalho daqui, escrevo daqui, almoço e janto aqui, só não durmo e tomo banho porque não sou afeita à acampamentos. Como esse ano o evento acontece num espaço é longe pra caramba, só consegui ir mais um dia para ir à SPFW. Mas esse dia rendeu, e tenho aqui as fotos dos lounges mais bonitos para mostrar para vocês.
WGSN
Já falei aqui sobre como o WGSN arrasa. E esse famoso portal de tendências de comportamento e de consumo acertou mais uma vez na ambientação de seu lounge, um dos mais bonitos da SPFW. Também, não é para menos, o responsável pelo espaço é o todo poderoso Marcelo Rosenbaum e sua equipe, que conseguiram dar um ar de "brasilidade" sem apelar para bundas e baianas.
As paredes e o piso foram revestidos pela Paviflex (de quem recebi um simpático bolinho na saída do lounge) e assim como os puffs e as luminárias gi-gan-tes, ganharam desenho baseado em estampa da estilista Adriana Barra. Um detalhe muito importante: esse é um dos poucos lounges com ar condicionado potente o suficiente para não derreter os visitantes.

Foto: Douglas Garcia
Na hora que eu fui fotografar estava rolando uma festinha beem boa. Só que ficou um pouco escuro e quase não deu para ver detalhes da decoração do lounge.

TAM
O lounge da TAM, como vários outros espaços da SPFW, tem inspiração regionalíssima, com referências ao artesanato, literatura e música de diversas partes do país.
A responsável pelo espaço é a agência a Criaccita, que utilizou peças de artesão do Norte e Nordeste brasileiros como parte da ambientação. Bonecos de Olinda, fitinhas do Senhor do Bonfim, referências à festa do Divino, frases de escritores como Jorge Amado e Guimarães Rosa e até uma artesã cearense confeccionando ali mesmo aquelas garrafinhas com areia colorida, fazem parte do espaço. O toque especial ficou por conta do buffet de comidinhas super brasileiras, assinado pela chef Ana Luiza Trajano.



Volto quando der tempo. E sim, como fotógrafa eu sou uma ótima blogueira!
Beijos!
Hoje foi o primeiro dia da São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda do Brasil (desculpa aí, Rio de Janeiro) e o Chiqueiro Chique esteve lá para conferir tudo o que aconteceu na Bienal.
Nessa edição a SPFW buscou no tema brasilidade inspiração para decorar a Bienal. Eu sei, eu sei, boring. Quase que todos os ícones "brazucas" (eumeodeioporterescritoessapalavra) já foram explorados à exaustão e nossas bananas já não são mais as mesmas. I know. Mas, acreditem ou não, mulatas, chita, mocotó e samba no pé ainda rendem muitos milhões.
Deixando um pouco o mau humor de lado, confesso que adorei a primeira edição do SPFW Journal, que conta com um especial Carmem Miranda, gostei mais ainda do fato de ter uma exposição dedicada à pequena por lá. (Vocês já viram algum filme dela? Os excessos da mulher, fazem com que ela seja um dos poucos ícones verde-amarelos que jamais perderão a graça.)
Outra coisa digna de nota é a decoração das paredes da bienal inspirada nas carrocerias de caminhão tipicamente brasileiras. Me lembrou o trabalho maravilhoso do designer paraibano Christus Nóbrega. Ponto para os organizadores.

Foto: Caio Novaes
Bem, depois de dar umas voltas por lá, fui conferir a coletiva de imprensa com as novas modelos da C&A. Carol Trentini, Emanuela de Paula e Alessandra Ambrósio (que acabou de ter filho e continua incrível) são as beldades que representarão a marca pelos próximos seis meses. Reparem que as iniciais dos nomes das três formam um "CEA". Ham...ham, got it? E ainda dizem que foi pura coincidência...
No mais elas falaram de coisas super interessantes como por exemplo, quais seus pratos preferidos e para qual destinos gostam de viajar, tudo naquela linguagem "aingeintein" típica de modelo. Sensacional. Só faltou mesmo explicar como será a próxima coleção, mas com esse trio milionário quem liga, não é mesmo?

Foto: Caio Novaes
Volto mais tarde para contar mais detalhes, dessa vez dos lounges mais legais da SPFW.
Para mim, pintura corporal aquele óleo com glitter que passam na mulata globeleza no carnaval. Só.
Ou seja, nunca dei a mínima até encontrar essas imagens incríveis da Emma Hack:


Vendo isso, lembrei o quanto adoro fotos em que o corpo ou a roupa se confundem com o plano de fundo. Resgatei algumas que já colecionava há algum tempo, como essas do Ram! do Flickr:

Ou mesmo a bidimensional Celia Rhodes nesse wallpaper de Weeds:

Não sei se tem algum nome específico para esse tipo de imagem (se alguém aí souber me conte), mas que acho todas fantásticas, acho.
Já diria Ataulfo Alves: "Diz-me com quem andas e te direi quem és". Sábias palavras. Palavras que traduzem mui bien o lifestyle de Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos, atual Little Joy.
Pois, vejam, há pouco tempo atrás ele andava por aí de moleton esfarrapado e tentava revolucionar a MPB com rimas ricas, em companhia do malfadado Marcelo Camelo...e o que víamos (e ouvíamos) era algo assim:

Sim, esse das fotos é o mesmo Rodrigo Amarante que me fez dormir em dois shows dos Los Hermanos (sorry fãs, hipérbatos, anástrofes e inversões em geral me cansam), o mesmo que usava camisas pólo com listras horizontais. Mãaas, graças ao que Mulher Jaca chamaria de uma "guinada de 360º na carreira", ele já não é mais o mesmo.
A versão 2.0 de Amarante vive em companhia do luxuoso Fabrizio Moretti (Fab, me liga, ghato), produz música surpreendentemente boa e, pasmem, até se veste melhor. Observem a família Little Joy:

Ai, ai...se isso não é uma brisa de ar fresco nesse cenário nacional de músicas nacionais sem graça, eu não sei mais o que é.
Contem comigo berrando as músicas do Little Joy no show de São Paulo.
AMO!
Olá, renovados leitores, o Chiqueiro Chique está de volta das mini férias e deseja a todos um bom 2009. Espero que todo mundo tenha engordado bastante, bebido bastante e dado muito vexame.
Na semana passada eu resolvi superar um trauma antigo e passar a virada no Rio de Janeiro. Sim, o Rio de Janeiro, a terra mítica do jeitinho brasileiro, mulatas, caipirinhas, bundas e praias lotadas.
Sorry cariocas, quem me conhece sabe que tenho os dois pés atrás e, quando se trata da sua cidade, estou sempre à espera do próximo assalto-assédio-acidente.
Chegando na Cidade Maravilhosa tive a primeira sensação de idiotice aguda (que começo acreditar ser inerente a todo turista). Havia esquecido uma mala (justo a dos sapatos, ui!) na esteira do aeroporto e, em meio a mil recomendações, foi preciso que meu herói particular voltasse lá para pegar. Mas não se animem tanto com a minha desgraça: Narcisa não me jogou ovo, esse episódio e o surgimento de alguns taxistas pilantras foram as úinicas coisas chatas viagem.
No dia da virada consegui atualizar todo o meu repertório de sociologia urbana em apenas uma volta pelo calçadão. Incrível como tinha de tudo: tiozinhos na "reive", gente dormindo na areia, bonde das piriguetis, paulista fazendo a local (alôu menininhas do Studio SP, não basta colocar roupa de algodão branco e falar "feisshhhta", vocês continuam tendo cabelo from UK) e até gente normal. Só que o verdadeiro HIT da temporada era isso:

Só que ao invés da mão com esses pompons, tinha algo parecido com o Pão de Açúcar, onde se podia ler em glitter: "Feliz Ano Novo", oouun. Que coisa. Meu sonho de reveillon (aliás por que esse nome "reveillon"?) foi achar uma dessas pisoteada no asfalto, caída da cabeça de alguma moça da vida embriagada. Belo souvenir.
Não posso dizer que minha imagem do Rio de Janeiro é outra, mas pelo menos está bem melhor do que a anterior. Fiz horrores de programas turísticos, conheci gente legal e me diverti com os gringos babando no gingado das travas de Copacabana...saldo infinitamente positivo.