De vez em quando você se pega sentado ao lado da porta do banheiro, mas segurando há duas horas uma vontade absurda de fazer xixi? Você nunca encontra aquela sua camiseta preferida no meio do monstro do pântano que virou seu guarda-roupa? Entre fungos e baratas, a sua cozinha agora tem ecossistema próprio?


É, querida, todos os dias você chega em casa altas horas da noite, toda esbaforida, descabelada e com uma dor que você não sabe bem onde se localiza. (Talvez nas costas, quem sabe na consciência, vai saber). E não, eu não estou sugerindo que você seja uma profissional do séquiço que não tem tempo de lavar a própria underwear.


Estou dizendo que, se você respondeu sim para a maioria das questões acima, a sua rotina provavelmente consiste em trabalhar 80 horas por dia e viver se perguntando onde o tempo livre foi parar. Tempo livre não, isso seria luxo, mas apenas um tempinho para arrumar a própria bagunça ou ir à depiladora reverter a sua condição de mulher das cavernas já seria ótimo

Se a sua rotina também é assim, eu adoraria dizer: "então seus problemas acabaram!" e dar um happy end à escravidão. Só que isso é algo que nenhuma engenhoca tabajara é capaz de resolver. E é fato: quanto mais você trabalha, mais irá trabalhar. N-u-n-c-a a-c-a-b-a.


Aí é uma questão de pesar as coisas. Quanto você ganha, o quão mala é o seu chefe ou quanto vale a sua sanidade, são coisas a se considerar nessas horas. Principalmente nos momentos em que você se desespera ao ver sua vida de pernas para o ar por conta de um emprego sobre o qual você não tem de fato uma opinião formada. Só sabe que cansa sua beleza.

 

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Quer um exemplo?

 

 

No início do ano pedi demissão de um escritório sem futuro onde já trabalhei tempo suficiente para perder a alegria de viver. Ganhava mal, odiava o trabalho e vivia reclamando. Demorei muito até tomar a decisão de dar uma bica em tudo aquilo e sair livre, leve, solta (…e pobre), em busca da minha terra prometida. Lembro que na época eu até recebi uma contra proposta, mas o aumento seria irrisório se comparado com a minha satisfação pessoal. Saí de lá e segui em frente, com um sorriso besta nos lábios, rumo à minha nova condição de estatística de desemprego.

Meses depois, cá estou eu de novo correndo feito louca, sem tempo para fazer xixi, em um novo emprego. Só que agora feliz da vida, encarando tudo de maneira menos desesperada do que antes e só percebendo que quase não tenho tempo para a vida pessoal (e para o meu querido Chiqueiro Chique) quando a tal camiseta preferida some em meio à profusão de roupas sujas que se acumulam pela casa.

Enfim, o que eu quero dizer com esse exemplo meio "sem-lenço-sem-documento", é que, se você está literalmente fodida e mal paga em um trabalho tosco, sem perspectivas, e que ainda por cima consome a maioria das horas do seu dia, reconsidere. Se você não tiver 5 filhos para criar, se não for morrer de fome ou parar na rua debaixo do viaduto, vale super à pena ir lá e chuta o pau da barraca. O pior que acontecer é você arrumar um emprego tão ruim quanto o seu.

 

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