
Meus caros, aqui estamos para colocar a casa em ordem. Estou atrasado em relação ao prazo que eu mesmo dei para o retorno do Blog à sua atividade normal. Ficamos ausentes por pouco mais de um mês, quando o planejamento dava conta de cerca de 20 dias. Tudo bem, provarei pra todos que bons motivos levaram ao prolongamento das minhas merecidas férias. Leiam, portanto, esse textão para colocar o swing of things em ordem.
Viajei com a família para Portugal e Inglaterra. Visitamos duas cidades em cada país, todas muito diferentes e encantadoras. Dentre Lisboa, Porto, Londres e Liverpool, a capital portuguesa levou o título de favorita da casa. É simples, mas talvez só para quem já a conheça. Não há sujeira por lá, a sensação de se aproximar pelo alto, vendo os telhados dos prédios e casas, além da incontestável simpatia dos portugueses, aliado a um cosmopolistismo com cara de uma imensa e avançada cidade histórica mineira na Europa são fatores que credenciam Lisboa para um retorno assim que possível. Logo atrás vem Londres, que todos nós julgamos que seria o ápice de nosso tempo por lá. É legal, a sensação de você "estar no mundo" é grande, tamanho o melting pot de etnias que passeiam pela Oxford Street e pelas estações do Underground, conhecido aqui como Metrô. Porto e Liverpool vem depois, são cidades menores e folclóricas, cada uma a seu jeito. Foi minha primeira ida à Europa, após três viagens aos Estados Unidos. Viajar é sempre bom e o melhor de tudo é a saudável alienação que se instala. Esquecemos todos os problemas e (quase todas) as responsabilidades no Brasil. Igualmente boa é a sensação de chegar em casa e, finalmente, dormir um bom dia de sono.

Uma das grandes vantagens de estar em cidades como essas é experimentar alguns traços culturais que nos são meio estranhos. Dou um exemplo: ainda há gente comprando discos por lá e, claro, há lojas com ofertas legais e lançamentos pipocando. Sei muito bem que a indústria do disco está com as horas contadas, que mil formatos interativos vão aparecer e disponibilizar tudo fácil fácil pra todos, de Bangladesh a Foz do Iguaçu, mas, nada como a sensação de escolher discos numa prateleira, achá-los e riscar numa listinha. Em Lisboa encontramos uma FNAC simpática num bairro meio boêmio chamado Chiado. A loja, a exemplo das megastores francesas e suas irmãs paulistanas e cariocas, traz uma grande oferta de lançamentos que procuram ser plurais. Por exemplo, era possível comprar títulos do Depeche Mode na versão CD/DVD da Rhino inglesa por 12 euros. Menos que 30 reais. Fiquei por um bom tempo com o Music For The Masses, o Violator e o Songs Of Faith And Devotion nas mãos e os descartei. Em troca recebi doses cavalares de arrependimento. Em Londres o bicho pegou em forma de promoções das edições Deluxe a 12 libras, menos que 40 reais. De The Who a Housemartins. De Eric Clapton a Alan Parsons Project. Algumas dessas foram adquiridas sem piedade, entre elas, alguns discos favoritos de muito tempo como Solid Air, de John Martyn; Too-Rye-Aye, do Dexy's Midnight Runners e Sketches Of Spain, de mestre Miles Davis. Também vieram na bagagem The Who, Waterboys, Emerson, Lake And Palmer, Beatles remasterizados, Air, Madredeus e outros. Foram aquisições felizes.

Algo que me chamou a atenção tanto em Lisboa quanto em Londres foi a atenção dada ao último disco do A-Ha, Foot Of The Mountain. Isso nos leva a um outro assunto.
Eu pretendia fazer um texto em defesa do A-Ha desde antes da viagem. Acho que há um preconceito enorme em relação ao trabalho do trio noruguês e um equívoco tremendo em caracterizá-lo como "uma banda dos anos 80". Claro que os dois primeiros discos da banda. Hunting High And Low (1985) e o magnífico Scoundrel Days (1986) marcaram aquela década e o multiplatinado (ainda que um pouquinho inferior) Stay On These Roads (1988) serviu para cravar a imagem de rapazes bonitões e new romantics do A-Ha no imaginário dos eighties. Uma olhada atenta para o ano 2000 mostrará o primeiro disco da banda em 7 anos (o anterior fora o sombrio e subapreciado Memorial Beach em 1993), Minor Earth Major Sky. Ali, Morten Harket, Paul Waaktaar-Savoy e o tecladista Magne Furuholmen praticamente se reinventavam e mantinham intacta sua maneira de fazer música. Talvez a condição nórdica dos caras desse ao A-Ha uma certa emulação de fraseados clássicos e um bom gosto meio diferente dos ingleses, vá saber. Os lançamentos posteriores a esse trabalho, Lifelines (2002), Analogue (2005) e o novíssimo Foot Of The Moutain (2009) confirmam isso. A-ha é legal, ou melhor, era legal, uma vez que o trio anunciou o fim de suas atividades no ano que vem, após uma última turnê mundial. Aliás, quem quiser conferir a capacidade live do A-Ha deve correr atrás do duplo How Can I Sleep With Your Voice In My Head (2003), que traz a turnê de Lifelines, com belas releituras dos clássicos de antanho. A frase que dá nome ao disco é um verso de "The Swing Of Things", single menor do segundo disco do A-Ha. Ouçam sem preconceito pois a banda é melhor que todas as formações emuladoras de pós-punk inglês e britânico surgidas a reboque de Strokes e cia.

Falando em Strokes: o disco solo de Julian Casablancas já estava com posters no metrô londrino quando viemos embora. Não levei fé, apesar da imagem de Julian empunhando uma guitarra plugada num amplificador ser bastante convincente de que Phrazes For The Young, seu primeiro trabalho off-Strokes seria motivo de atenção.
Muito mais que isso: o disco é surpreendentemente legal e supera largamente todos os trabalhos paralelos de seus companheiros de Strokes. Em Phrazes For The Young, Casablancas, além de compor tudo, deixa um pouco de lado o seu cinismo strokiano e se mostra vulneravel a amor, tédio, desilusão, falta de esperança. A sonoridade oscila entre algo que tanto os Cars quanto o Television poderiam fazer se fossem formados por gente nascida em 1978 e há canções que superam tudo que os Strokes fizeram até agora. Ouça "Left And Right In The Dark", "Ludlow St." e "River Of Brakelights" e comprove.

Na pilha de "novos lançamentos a serem comentados" ainda está Raditude, o novo trabalho do Weezer. Uma leitura atenta a este blog revelará que este escriba é um grande simpatizante do rock nerd praticado por Rivers Cuomo e sua banda. Mantendo a tradição cromática de seus discos, o Weezer estampa uma capa "normalzinha" após trabalhos que tenham uma capa onde uma cor aparece como pano de fundo para a banda. Sendo assim, após o chamado "Red Album" do ano passado, surge Raditude, para a felicidade geral da nação. O que faz desse disco uma pequena delícia é a cuca fresca de Rivers Cuomo em relação ao mundo e sua reconciliação com o imaginário adolescente americano da virada dos anos 80/90, que sempre forneceu munição para suas letras e para a própria postura da banda. Um post antigo desse blog faz uma análise sobre o disco anterior do Weezer e constata que Cuomo esteve vivenciando uma bela crise da meia-idade, algo que parece totalmente superado em Raditude. Canções como "The Girl Got Hot" mostram que tudo passou e que o vocalista e líder da banda continua o mesmo, observando o mundo por trás de seus óculos nerdíssimos. Melhor pra nós. Raditude será lançado no Brasil ao longo desse mês de novembro.

Ainda na pilha de lançamentos está o novo disco de Norah Jones, Fall. Bem, Norah Jones é uma gatinha, além de talentosa e dona de uma bela voz aveludada e com uma capacidade para se equilibrar nas fronteiras que aproximam folk, blues e jazz. Neste novo disco, a moça resolveu mudar e fazer tudo que queria fazer. Deixou o piano de lado, empunhou uma guitarra e resolveu chamar músicos diferentes, entre eles Joey Waronker, que colabora com o REM. Além disso, parcerias com Ryan Adams e Will Sheff, além da produção de Jacquire King, famoso por pilotar estúdios para o Modest Mouse e o Kings Of Leon, confirma uma singela guinada indie na carreira da moça que, para completar o upload, resolveu descobrir que é dona de uma sensualidade inocente que pode ser fatal. O primeiro single do disco, "Chasing Pirates", é um belo exemplo de como Norah soube proceder uma sutil reinvenção. Ela, Weezer e Casablancas estão credenciados para o Top 10 deste ano. É esperar para ver.

Dois discos bem importantes completam aniversários significativos e recebem edições de luxo, daquelas irresistíveis. Unforgettable Fire faz 25 anos e recebe um tratamento de gala, ganhando versão dupla, dupla com DVD e múltipla, com DVD, CD, LP, selo, fio de cabelo do Bono, areia do deserto de Los Angeles...Não é pra menos: este foi o disco que credenciou o U2 para o estrelato mundial. Se eles eram uma ótima aposta rock para a década de 1980 com o êxito de War (seu terceiro disco, lançado um ano antes), com Unforgettable Fire e a chegada de Brian Eno e Daniel Lanois para os cargos de produtor e engenheiro de som, o U2 foi capaz de criar um disco com uma sonoridade única e instigante, ao mesmo tempo rock e esparsa. Somando essa novidade a belas composições como "Pride" ou "Bad", o U2 saiu das paradas das college radios e programas de clipes para o Fantástico e para o quadro-negro da minha sala de aula no Colégio Santo Agostinho em pleno 1985, em meio ao boom roqueiro daquele início de ano. Unforgettable Fire, além de ser um discaço, é senhor de um lugar só seu no coração desse jornalista.
O outro disco a ser repaginado e receber louros é Space Oddity, de Mr. David Bowie. Esse é o trabalho que marca o início da persona camaleônica de Bowie, após este imprimir mudanças radicais em termos de approach e visão musical. Da produção de Tony Visconti e Gus Dudgeon (produtor de Elton John), vieram canções como "Janine", "Memories Of A Free Festival" e, sobretudo, a faixa-título, produzida apenas por Gus. Se Bowie parecia indeciso entre as sonoridades folk-progressivas que dominavam a Inglaterra de 1969, com este disco ele escolheu o caminho mais complicado: criou algo novo, que ganharia forma e seria reverenciado dali pra frente. Para os mais alvissareiros, "Space Oddity", a canção, traz a estréia de um dos mais famosos personagens de Bowie, o controverso Major Tom, que voltaria a aparecer 11 anos depois na letra de "Ashes To Ashes", do lancinante Scary Monsters. História sendo feita, amigos.

Mudando um pouco de assunto, mas ainda no âmbito das pequenas obras de arte que são históricas. Uma das minhas canções nacionais prediletas em todos os tempos pertence a Erasmo Carlos e chama-se "Largo da Segunda-Feira". É a faixa de abertura de seu disco mais confessional, o maravilhoso Sonhos e Memórias 1941/1972. Longe de ser o Tremendão da Jovem Guarda, Erasmo faz aqui uma viagem sentimental à sua infância e adolescência na Tijuca e se deixa levar pela famigerada crise dos 30 anos (ele tinha 31 anos então). Incapaz de resistir ao ideal hippie (traduzido no Brasil como uma vida tranquila no interior do país, principalmente por canções como "Casa No Campo"), Erasmo compôs "Meu Mar", na qual ele clama por um "lugar bem pertinho ao mar", cuja letra diz "quero um pileque de água de côco e da vida saber muito pouco, quero os olhos da minha janela e ter muitos filhos com ela", referindo-se à esposa Nara. É legal ver a alternância entre o lar idealizado pelo homem de 31 anos e sua saudade pelo lar que existia quando era menor. Bem, essa digressão serve para dizer que, finalmente, Erasmo Carlos recebe uma biografia, "Minha Fama de Mau". Não bastasse a felicidade de poder ler as histórias do "Carlos menos famoso", é o próprio que as escreve, num tom de conversa de bar. Tive a oportunidade de conhecer Erasmo pessoalmente - na verdade, eu o estava tietando - por conta do lançamento de seu último e bom disco, Rock'n'Roll, e ele parece ser ótima pessoa. Nem se importou em assinar todos os dez encartes de discos que levei para ele. Leiam o livro, conheçam o homem.

Erasmo Carlos ainda tem outras músicas que remetem à sua vida adolescente tijucana, a mais óbiva é justamente "Turma da Tijuca", que integra seu disco homônimo de 1984. Dessa época também é o sucesso "Close", que, supostamente, ele teria composto para o travesti Roberta Close. Lembro de vê-lo no Cassino do Chacrinha interpretando a canção e sobre o programa do Velho Guerreiro faço algumas considerações. O documentário Alô, Alô Terezinha, de Nélson Hoineff deve ser visto até por quem nunca ouviu falar em Abelardo Barbosa.
Eu tive oportunidade de ver o Cassino do Chacrinha entre os anos 1985 e 1988 e, a princípio o fazia por motivos onanísticos. As chacretes eram o principal atrativo do programa para o adolescente de 14 anos, num tempo em que não havia internet ou qualquer coisa que se assemelhasse à facilidade que a grande rede proporciona em termos de pornografia ou algo assim. Aliás, ver as chacretes não era pornografia para a maioria das pessoas. Para mim, entretanto, era a mais alta e celestial pornografia. Elas não seguiam um padrão de beleza, não tinham os corpos malhados e/ou magérrimos que estabeleceram os padrões de beleza atuais, tampouco usavam próteses de silicones ou mesmo faziam poses ginecológicas ao som de funks podres. Pelo contrário. As chacretes, mesmo que não economizassem em sensualidade, eram revestidas por uma aura de inacessibilidade, pelo menos para o solitário adolescente de 14 anos. Eu tinha minhas preferidas e a famigerada Rita Cadillac não figurava entre elas. Dançarinas como Cristina Azul, Maryângela, Chininha ou Erika Selvagem me atraíam muito mais. Aliás, imagino que eu tenha ido buscar algo da adolescência perdida em Alô, Alô Terezinha e, sim, encontrei. O filme é uma contundente lição de como o tempo pode passar para todos e me deu a sensação de ser um adulto de 39 anos. O adolescente de 14 ficou lá, trancado no quarto do passado, ao se deparar com as chacretes hoje, na meia-idade (ou mais velhas, no caso das mais veteranas), tentando levar a vida longe do glamour que tinham. Muitas reclamaram da maneira como o filme as trata, principalmente por insinuar que muitas faziam programa ou namoravam artistas famosos. Talvez o mais triste seja limitar as mulheres que dançavam ao status de chacrete. O documentário é interessantíssimo e nos faz pensar no que aconteceu à televisão brasileira após a morte daquele sujeito que jogava verduras, legumes e bacalhaus na audiência e que debochava da feiúra dos calouros. O "politicamente correto" nem pensava em existir naqueles tempos e homossexuais, feios e desafinados eram detonados em rede nacional, em plena época da ditadura militar. Enfim, o tempo passou, amigos.

Fechando esse textão com mais duas recomendações cinematográficas: Distrito 9 e Adventureland. O primeiro estreiou antes da viagem e eu não deixei de conferí-lo assim que voltei. Longe do bom mocismo sociológico que muita gente diz ter visto no filme, Distrito 9 - uma ficção científica sobre alienígenas que habitam uma favela em Johannesburgo - é uma paulada na lata. E incomoda demais pela brutalidade que salta da tela. No elenco não há ninguém conhecido e a presença de Peter Jackson na produção garante um rigor estético implacável, ainda que eu não seja exatamente um fã da trilogia de Senhor dos Anéis. Adventureland foi minha distração no vôo de volta de Londres. Na minha concepção, sono, avião e noite não se misturam e eu passei quase a totalidade do vôo (9 horas!) acordado em busca de distração. Revi "Anjos e Demônios" e "Wolverine" e resolvi apostar no filme que dizia ter sua história ambientada no ano de 1987. James Brennan (Jesse Eisenberg) é um adolescente meio nerd que pretende visitar a Europa mas vê sua intenção fracassando por conta dos problemas financeiros enfrentados pelos pais. Sendo assim, James precisa ficar em casa e trabalhar no verão, caso queira continuar sonhando com uma viagem ao velho continente. Ele encontra esse emprego em Adventureland, um parque de diversões meio decadente, no qual ele vai conhecer pessoas interessantes e alguns picaretas. No primeiro time estão Joel (Martin Starr) e a lindinha Em (vivida pela badaladinha Kristen Stewart, que se credencia ao posto de Meg Ryan dark pela participação em Twilight e Lua Nova), por quem se apaixona. É o ponto de partida para um simpático filme sobre coming of ages, dirigido por Greg Mottola, responsável pelo excelente Superbad em 2007. Aqui temos a revisitação de alguns ícones oitentistas, entre ele uma prática que se perdeu no tempo - a troca de fitas cassete entre pessoas apaixonadas. A trilha sonora traz Lou Reed (de quem Brennan é fã), Replacements, Crowded House, The Outfield, The Cure, músicas originais do Yo La Tengo, além de uma canção que desencadeou um processo sério de reavaliação do INXS, "Don't Change". Essa é uma música do terceiro disco da banda australiana, Shabooh Shobaah, gravado em 1983, bem antes dos sujeitos atingirem o mega-estrelato - algo que só viria com o sexto disco, Kick, em 1987. Para quem vê o INXS como uma banda fanfarrona (é uma espécie de Aerosmith pós-punk, alternando ótimos e péssimos momentos, além de demonstrar uma queda para a canastrice equivalente), recomendo audições desse terceiro disco.

A prometida lista de 60 melhores discos entre 1999 e 2009 está no prelo. Até o fim da semana virá ao ar. Talvez vocês gostem, talvez não e isso será muito legal. Até.

Segunda-feira passada, dia 24/08, eu assisti à reprise do concurso de Miss Universo. A festa e toda a organização do Miss Universo estão a cargo do mega-multi trilionário americano Donald Trump, que levou toda a parafernália do pleito para as Bahamas, mais precisamente para seu novíssimo hotel no arquipélago caribenho. Uma olhadinha no site do concurso mostra que Trump e seu penteado aerodinâmico estão à frente dos concursos de Miss USA e Miss Teen USA. Nas Bahamas estiveram 84 jovens em busca do sonho de se tornar a Miss Universo 2009, sucedendo a venezuelana Diana Mendonza.
Quando eu estava na onanística idade de 13, 14 anos, me interessava em ver o concurso pela transmissão da TVS, atual SBT, desprezando as conotações afetadas e meio gays do ideário da Miss Universo para me concentrar exclusivamente nos atributos físicos das moçoilas, bastante interessantes. Naquele tempo, há cerca de 20 anos, as misses exibiam curvas interessantíssimas. O momento dos trajes de banho era o meu favorito. Hoje, não só a presença de um homem de negócios por trás da coisa bem como o próprio e proverbial afago do tempo mudaram quase tudo.

Então, estava eu vendo o desfile pela TNT e contemplando a dupla cafona de apresentadores, os jurados mequetrefes de sempre, as cenas das misses em locações paradisiácas, todas felizes, sorridentes, sem qualquer problema aparente em sua jovem existência, prontas para salvar o mundo da maldade e da mesquinharia do ser humano, passível de evanescer com um aceno de mão e um sorriso amarelo. Até que a Miss Bélgica adentrou a passarela.
Zeynep Sever, 19 anos, morena de fazer inveja ao nosso torrão natal, desfilou com elegância e simpatia. Um sorrisão anunciava a moça e um corpão anormalmente bem feito me fez acreditar na preservação do modelo de beleza feminino. Sim, porque as misses agora se tornaram primas-irmãs das top models, seguindo seu anoréxico padrão de beleza. Mulheres com rostos lindos e corpos esquálidos, beirando o estranhamento. Nada de bundas, pouco de peitos, o que, convenhamos, são o que interessa num concurso de beleza. Sei que muitos vão argumentar sobre a tal beleza interior, o que, penso, toda miss deve ter. A tal vontade e crença da salvação do mundo pelo simples fato de ser dona de beleza universal. Meu lado ogro detém a opinião que beleza interior é algo para ser apreciado apenas por cirurgiões, restando portanto, os contornos das meninas para serem admirados pelos pobres mortais.

A Miss Bélgica não foi a única a me impressionar. As misses Suécia (Renate Cerljen), Austrália (Rachael Finch) e México (Karla Carrillo), todas com 21 anos também mandaram muito bem, ficando a australiana com a terceira colocação. As outras, incluindo minha favorita belga, no máximo atingiram o top 15. Pesquisando um pouco mais sobre Zeynep Sever, me deparei com o fato da moça ter origens turcas, o que justificaria sua morenice e contornos levemente asiáticos e refleti sobre a mudança que o mundo vivencia. As misses Suiça e França, igualmente morenas, também não guardam nada do estereótipo europeu.
No fim das contas, Stefania Fernandez, outra representante da Venezuela, foi escolhida a mais bonita da noite, numa decisão questionável. A brasileira Larissa Costa nem se classificou entre as top 15. A torcida venezuelana, formada por aqueles tipos canastrões que habitam os cassinos - sejam eles na Europa, na América ou em qualquer lugar, balançaram sua bandeira tricolor como se ganhassem uma Copa do Mundo. Bem, talvez seja o único concurso que o país de Chavez tem favoritismo.

Longe dali, Zeynep Sever, 19 anos, a mulher mais bonita do país que inventou as batatas fritas (sim, não foram Estados Unidos ou França, crianças), devia amargurar uma considerável decepção. Pena, era a mais bonita da noite.
PS: a ordem das fotos mostra as misses Bélgica, México, Suécia e Austrália.

Houve, certa vez, um momento em que comecei a ouvir rock. Ao contrário do que a maioria dos jornalistas musicais apregoa, não comecei a ouvir rock pelas mãos do Led Zeppelin ou pelas invenções do Talking Heads, tampouco pelo 1,2,3,4 dos Ramones. Quem me conduziu, por volta dos 11 anos de idade, ao mundo do rock foi o Police.
Eu gostava de músicas que tocavam em trilhas sonoras de novela e, apesar de algumas pessoas acharem que essas compilações que serviam de retrato musical dos folhetins globais guardarem alguma forma tacanha de sabedoria, o rock não estava exatamente ali. Até hoje eu não sei onde está o rock, mas, em 1981, parecia que o trio comandado por Sting, que emplacava sua “Every Little Thing She Does Is Magic” nas paradas do mundo e nos anúncios do cigarro Hollywood pareciam saber alguma coisa.
A partir do Police, tomei conhecimento de Men At Work, Culture Club, Bruce Springsteen e Duran Duran, o que hoje pode parecer uma involução musical, pelo menos no que diz respeito ao rock. Até que, num dia qualquer de 1984, 1985, alguém escreveu bem grande no quadro negro da minha sala de aula: U2. Eu sabia que era a sigla de um avião espião americano, que quase causou a Terceira Guerra Mundial, durante a crise dos mísseis de Cuba, no início dos anos 60, mas não pensava que algum maluco por aviação militar estaria enaltecendo o velho Lockheed U2 para uma platéia de jovens cariocas.

Descobri que um sujeito chamado Almir, meu colega de turma, hoje um dentista de sucesso, era o autor da suposta pichação. O cara tocava contrabaixo e um dia foi com a camisa da banda. Ao mesmo tempo, as rádios cariocas abriam espaço para a passagem de “(Pride) In The Name Of Love”, que começou a tocar insistentemente (antes disso, claro, já constavam da programação da rádio Fluminense FM várias faixas de Boy, October e War).
Nos programas de clipes, pré-pré-MTV, como FM TV e Clip Clip, os pequenos filminhos musicais da banda irlandesa começavam a pipocar. Primeiro foi “New Year’s Day”, com os cavalos na neve. Depois veio “Sunday Bloody Sunday”, ao vivo, com Bono carregando a bandeira branca. Ainda vieram os clipes de “Two Heartbeats As One” e “Gloria”, além do meu preferido, que não era da banda, mas que trazia Bono logo na abertura, Band-Aid, o projeto para ajuda às crianças africanas, com “Do They Know It’s Christmas”. Nessa época, ele rivalizada com o “We Are The World”, do conglomerado USA For Africa. Mas, longe disso, o U2 havia chegado pra ficar.
Eu comprei o War e o Unforgettable Fire juntos, na filial Copacabana das Lojas Americanas. Ouvi ambos e... não gostei. Sim, é verdade. Eu preferia The Head On The Door, do Cure. Preferia Misplaced Childhood, do Marillion. Eu preferia, bem, eu preferia O Passo Do Lui, dos Paralamas Do Sucesso, principalmente porque lembrava e muito, The Police.
A grande verdade é que fui gostar de U2 por causa de uma menina bonita da minha turma, que achava “Bad”, faixa do Unforgettable Fire, “linda de morrer”. Fernanda era o nome dela. E, bem, eu passei a gostar de “Bad” por causa dela, sob alguma influência hormonal que a crítica musical correta e altiva não comporta, for the record.
Off the record, tanto críticos quando músicos sabem muito bem o que querem do rock, mas isso é outra história. Devidamente doutrinado pelo gosto alheio, realmente apreciei o U2 de verdade quando Joshua Tree foi lançado em 1987. Era impossível não gostar da banda, era quase inconcebível. Desde então, seja na aurora rock’n’roll da minha vida ou no ainda distante ocaso diluído em lembranças pálidas de algumas tardes de verão dos anos 80, estará o rádio do carro de alguém tocando “With Or Without You”.
Não sei onde andam Almir ou Fernanda hoje, mas espero que lembrem, assim como eu, do tempo em que as descobertas, musicais (ou não), conduziam a sorrisos e aprendizados, como se fossem parte de um roteiro de filme de Sessão da Tarde pré-escrito. De uns tempos pra cá, descobertas são como filmes iranianos, escritos, produzidos, pagos e vendidos por nós para nós mesmos.

PS: Rogo ao leitor que perdoe o tom confessional-bloguístico desse textinho, mas, a despeito do que pode ser certo em termos de jornalismo musical, não há música sem emoção. A idéia é falar tudo sobre o U2, portanto, é legal (ainda que possa soar piegas) dizer pra vocês como descobri a banda ainda adolescente. Além disso, vocês sabem que os adolescentes são, acima de tudo, animais emocionais. That’s it.

Houve um tempo em que eu alugava CDs. Eu e uma multidão de pessoas que passavam pelos dezoito, vinte anos em 1991/92. Era um tempo bom e ingênuo de descoberta musical constante. Não consigo achar a mesma graça quando um download se encerra e eu começo a ouvir as músicas em meu Windows Media Player.
O mais legal dessa coisa de alugar CDs é que muitas bandas que ouvi/conheci no início da década de 1990 ficaram associadas a essa prática que se perdeu no passar dos anos. Pense: se hoje as pessoas não compram CDs, por que iriam alugar? E se as pessoas baixam da internet todos os discos possíveis e imagináveis, a prática de locar discos torna-se ainda mais descabida.
Eu me lembro de cruzar o Rio de Janeiro, de Copacabana à Tijuca, em direção à Praça Saenz Peña, local onde se situava um pequeno complexo musical que abasteceu minha discoteca - muitos LPs, vários CDs na época - por um bom tempo. Na simpática Vitrine da Tijuca, uma galeria ao lado da Confeitaria Palheta, haviam a Sub Som e a Vídeo Game Center.

A primeira, como o nome já dizia, ficava no subsolo da galera e me lembro de encontrar lá o vinil de Two Wheels God, segundo disco do Prefab Sprout, por volta de 1991. Esse disco saiu aqui no ano do seu lançamento, 1985, incluído numa leva de álbuns com o duvidoso selo New Rock. O Prefab foi visto pela primeira vez por mim nesse mesmo ano, através do clipe de "When Love Breaks Down", uma canção que permanece entre as minhas Top Five eternas. Procurei o disco por muito tempo e, cinco anos depois, encontrei um vinil muito bem conservado, em meio a um saldão da Sub Som numa manhã de sábado.
Nessa época ainda não estava familiarizado com a Vídeo Game Center, dois andares acima e isso só aconteceu quando entrei para a Faculdade de Comunicação Social da Uerj. Os nascentes profissionais de jornalismo musical, iludidos pelo bom mocismo que sempre nos assalta em algum momento da vida pós-adolescente, se reuniam na casa de Leonardo Salomão, no Grajaú, bairro próximo à Tijuca, para ouvir os discos que eram alugados na VGC.
A loja - como o nome já diz – tinha como carro-chefe a vendia e aluguel filmes em VHS e games, mas guardava um cantinho em que era possível pegar os discos recém-lançados nos USA e Inglaterra, que chegavam ali com uma simultaneidade impressionante para a época. Foi pelas mãos da VGC que conheci Sonic Youth, Pixies, Breeders, Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains, Lemonheads, Dinosaur Jr, enfim, toda a produção indie americana daquele momento, além do melhor das bandas de acid rock britânicas como Ride, Stone Roses, Soup Dragons, Inspiral Carpets, Blur e muito mais.
Num tempo em que era caro adquirir discos importados, que, além disso eram achados apenas na Modern Sound (loja que também ajudou a formar a minha discoteca) por um preço salgadíssimo, o aluguel de discos era uma alternativa romântica e eficiente.
Por isso, talvez pra sempre, eu ouça determinadas canções e me sinta transportado de volta à galeria da Tijuca. Não preciso dizer que a VGC também não existe mais por lá, como os pequenos Cinemas Paradiso da nossa vida.
Outra história de bravura musical aplicada à aquisição de discos teve lugar na Rua Pedro Lessa, no Centro da Cidade. Até hoje, com bem menos intensidade, funciona ali um comércio informal de discos e vinis raros. Com a popularização do CD e sua atual decadência, movida pela internet, a Pedro Lessa é um lugar bem menos movimentado.
Num dia de 1993, no entanto, eu cheguei lá com disposição para comprar o segundo disco do Blur, Modern Life Is Rubbish. O mais difícil - encontrar o disco – foi resolvido logo de cara, quando vi a capa e seu desenho de locomotiva surgindo em na pequena fileira de discos. O preço era de vinte e poucos reais - lembre-se, era 1993 - e eu não tinha um único centavo na carteira. Saquei o talão de cheques e vi que a última folha havia sido usada poucas horas antes e eu não havia retirado um tostão.

Não pensei duas vezes: ofereci três tickets-refeição para o vendedor. Se ele fosse taxativo e dissesse um "não" incontestável, minha proposta informal e alternativa de uso do ticket refeição seria rechaçada. Ele hesitou, entretanto. Foi a deixa para a minha insistência vencê-lo após algumas tentativas. Deixei os tickets e fui para a Uerj com a minha cópia lacrada do segundo disco do Blur, feliz da vida.
Meu problema com a modernidade é que esses pequenos desafios são ceifados da nossa vidinha. Quando e como a obtenção de músicas e discos será tão prazerosa novamente? O ser humano precisa inventar algo para resolver o déficit de prazer em adquirir músicas. Do contrário, como dizia o título do disco que repousava em minha mochila, a vida moderna sempre será bobagem.

Amigos, amigos, estou ouvindo o disco de Roberto Justus, Só Entre Nós, lançado recentemente pela Sony/BMG. Fico pensando em como o mundo é um lugar interessante e irônico.
Justus é um empresário bem sucedido do ramo de comunicação que surgiu para a mídia nos anos 90, após casar-se com a apresentadora de TV Adriane Galisteu. Não deu certo. Depois casou-se com outra loura falante da TV, Eliana, aquela que cantava uma música falando sobre os dedinhos. Não deu certo. Hoje ele é o marido da filha da Garota de Ipanema, Ticiane Pinheiro.
Ele também é o CEO do Grupo Newcomm, uma das maiores empresas nacionais no ramo de cases e coisas que versam sobre o assunto comunicação. Imagino que empresas como essa sejam responsáveis pela banalização da comunicação empresarial, pelo anglicanização da publicidade, pela adoção da filosofia de trabalho calcada em palavras e conceitos subjetivos como “empreendedorismo”, “proatividade”, “alavancar negócios”, "target", "budget", enfim, pelo teatro de vaidades que existe nesses lugares.

Bem, sou intencionalmente leigo nesses aspectos e minhas opiniões podem ser motivo para a criação de um case sobre a desinformação, mas, uma coisa lhes garanto, amigos, eu gosto do Justus não por ser bem sucedido, mas por ser um cara que não tem medo de pagar micos. Seu disco é um mico, um King Kong, um elefante branco tão grande que me atraiu a atenção a ponto de merecer um texto, hum, sério sobre os motivos que o levaram a existir. O homem gravou clássicos do cancioneiro mundial com uma baita cara-de-pau. Uma olhada no site da Saraiva e me deparo com o seguinte textinho sobre o Só Entre Nós:
“Em 2007 Justus foi convidado para fazer uma participação no show de um amigo e o que era para ser apenas uma brincadeira acabou se tornando uma coisa séria. Como em todos os seus negócios, Justus colocou todo seu empenho na gravação de seu primeiro CD intitulado “Just Between Us”. Justus produziu uma tiragem limitada de apenas duas mil unidades e o álbum tornou-se objeto de desejo entre seus fãs. Este álbum chega agora pela SONYBMG com seu nome em português Só Entre Nós, mas com o mesmo repertório: os grandes sucessos da musica internacional.”
Sentiram a ironia com o título em inglês quase formando o nome JUSTUS? Just Between Us? Viram o tino comercial mambembe para a coisa? Quase posso ver executivos – como os que ele demite em O Aprendiz – pensando nas possibilidades de nomes e imaginando como agradar o homem. Mas existe muita coisa sobre o disco que o mundo precisa – ou não – saber.

O repertório avilta e joga na lama do mau gosto momentos de Beatles, Louis Armstrong, Rod Stewart, Elvis Presley, Elton John, Frankie Valli, Nat King Cole, Frank Sinatra, Mamas & Papas, em seus sucessos mais manjados, banalizados e pasteurizados, levados a cabo por uma big band de dez pessoas, comandada pelo talento musical de Afonso Nigro, o produtor. Para quem não sabe ou não lembra, Nigro já foi líder do Dominó, famosa boy band brazuca oitentista que grassou na parada de sucesso nacional com canções que escorraçavam a inteligência da nossa juventude. Dizem que Gugu Liberato estava por trás do Dominó, ou vice-versa, enfim, Nigro é o maestro do disco de Justus e executa todas as composições como se fossem uma só.
O modelo a ser seguido é daquelas bandas de baile, nas quais o teclado faz a diferença e dá essa impressão de uniformização do mal. Sem noção de arranjo ou interpretação, Entre Nós flui como um desses eventos de engravatados e emproadas, regado a muita aparência e bebidas espumantes, tudo muito brega e constrangedor.
Veja a inclusão de “Perhaps Love” no repertório. Ela figurou num disco obscuro do cantor country John Denver gravado em 1983, mas foi recolocada no mapa como trilha sonora de um comercial no início dos anos 90. Com a participação do tenor espanhol Plácido Domingo na gravação original, “Perhaps Love” é "interpretada" no disco de Justus por Agnaldo Rayol. A sutileza do dueto de Denver e Domingo é transformada num engalfinhamento estético de Justus com Rayol, certamente pensando apenas na objetividade funcional, ou seja, a voz pop e a voz erudita, apenas isso.
Em “Tonight’s The Night”, de Rod Stewart, nosso amigo Roberto conta com a participação imperdoável (mais uma para a extensa coleção) de Paulo Ricardo. Justus deve ter pensado: essa canção é rock, precisa de alguém totalmente rock para dar veracidade à minha interpretação. Paulo Ricardo também participa da execução sumária de “Your Song”, de Elton John. Dizem ainda que os discos American Songbook, de Rod Stewart, serviram de inspiração para o conceito de Só Entre Nós. É possível.
As primeiras duas mil cópias foram compradas pela Daslu, famosa boutique paulistana para serem dadas como presente para os clientes mais assíduos. O que pensar disso? Você gasta uma fortuna na loja e ganha Justus trucidando clássicos do pop internacional? Anti-marketing? Quem compra na Daslu, conhecida por envolvimentos com sonegação fiscal, talvez mereça mesmo um disco desse quilate.

O mau gosto, senhoras e senhores, chegou a um ponto de não retorno. Os conceitos do que é bom e ruim, cool e brega foram levados a um extremo que permite essas situações. Essa gente que pensa e age como se estivesse em outro país, mostra a total incompetência para manifestar-se de uma maneira artística, quando é necessário.
É engraçado ver Justus na televisão demitindo as pessoas que participam de seu programa, ainda que ele seja uma versão tupi de The Apprentice, show americano que traz Donald Trump como o empresário durão e mauzão. O laquê de Justus é fichinha perto do cabelo aerodinâmico de Trump. Ouvir Justus, entretanto, só como piada. De gosto duvidoso, claro.
Você pode dizer: esse tal de CEL é um cara despeitado, malhando o executivo bem sucedido com essas noções de crítico musical. Então ele não sabe que o Justus não deve ser levado a sério como cantor? Deve ganhar num mês o que Justus ganha em um minuto. Se você pensou isso, não está errado, pelo menos no que diz respeito aos vencimentos. De resto, é preciso que alguém se manifeste com o mínimo de propriedade sobre um evento – ou case – dessa natureza. Um disco do Justus, senhoras e senhores, é a abertura de um buraco negro na música, seja ela pop, rock ou para boi dormir.
Track list:
- What A Wonderful World
- I’ve Got You Under My Skin
- Unforgettable – dueto com Cathy Justus Fischer
- Yesterday
- Perhaps Love – dueto com Agnaldo Rayol
- Can’t Take My Eyes Off Of You
- Always On My Mind
- Your Song – dueto com Paulo Ricardo
- Tonight’s The Night – dueto com Paulo Ricardo
- Something
- My Way
- California Dreamin’

CEL aka Carlos Eduardo Lima. Jornalista, escritor, crítico musical, fã de cultura pop em todos os seus desdobramentos, espectador do mundo, agente das mudanças, colecionador de momentos, casado com Maria Estrella, filho de Helena, padrasto de Gabriel.
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