O Que Coube A Paul McCartney

O Que Coube A Paul McCartney

18.10.10 | por Cel | Categorias: Música

paul

Atualmente escrever sobre música é um certo luxo, levando em conta minhas prioridades. Não dá, entretanto, para me omitir sobre a vindoura experiência de ver um show de Paul McCartney em terras brasileiras. No meu caso específico, rever, pois estive no Maracanã em 1990 nas duas apresentações do ex-Beatle, divulgando o então recém-lançado disco Flowers In The Dirt. Era um outro tempo, seguindo a lógica de que não há nada mais antigo que o passado recente.

Ver Macca novamente, 20 anos depois, em São Paulo, ao lado da minha família e alguns amigos é a maior mágica que esses eventos podem trazer. Além da música, da experiência, do canto e, sobretudo, do choro, Paul, como se fosse um Cometa de Haley, reaparece por aqui, talvez acenando a um outro tempo nosso - e dele - nos forçando a rever, reavaliar, renascer. Mesmo que você nunca tenha visto um show desse jovem senhor de 68 anos, o sentido de estar lá não é avaliar banda, qualidade de som ou de imagens, mas se permitir, por cerca de três horas, pertencer a uma coletividade de gente que experimentou, viveu, amou, perdeu e ganhou ao longo de cinco décadas de Beatles e de seu consequente legado. Eles estiveram presentes durante a totalidade de nossas vidas e fazer parte disso é inevitável, até para quem prefere Stones, Who ou Velvet Underground. Ver Paul num palco é receber um carimbo de que está tudo bem, apesar de tudo e que há esperança no fim do túnel, que talvez nem seja tão comprido como aparenta. Ou, quem sabe, confirmar felicidade, realizações e o happy ever after talvez prometido lá atrás, na nossa long and winding road.

Não é exagero de um fã confesso. O que coube a Paul McCartney, além de ser o mais talentoso compositor pop de todos os tempos (afirmação sem medo de erro), foi assumir a função de mensageiro de sentimentos e portador de um reservatório de momentos breves ou nem tanto, que nos definem. Pense no signficado de um show de Roberto Carlos para uma grande parcela da população brasileira e multiplique por mil, acrescentando a faceta Peter Pan do rock'n'roll a essa comparação e você terá uma idéia da coisa.

paul ringo

O último lançamento de Paul, o CD/DVD Good Evening New York City, dá pistas do que o show reserva. Há o reencontro generoso com canções dos Beatles que Paul não costumava apresentar ao vivo até 2002, como "A Day In The Life" (que desagua em "Give Peace A Chance", primeiro hit solo de John Lennon), "Something", "Day Tripper", "I've Just Seen A Face", além de canções dos Wings meio deixadas de lado, caso de "Rock Show/Venus And Mars", "Let'em In", "Mrs. Vanderbilt" e "1985", por exemplo. Aliás, as pazes espirituais com Lennon parecem verdadeiras, principalmente pela inclusão da cortante "Here Today", composta em 1981 para o disco Tug Of War. Essa música é, provalmente, a mais bela homenagem feita ao beatle morto, mais que "All Those Years Ago" (de George Harrison) ou "Empty Garden" (de Elton John), só para mencionar outras duas belas rendições.

Fora esses detalhes, o esbalde é certo em "Band On The Run", "Get Back", "Live And Let Die", "Helter Skelter" e, pessoalmente, "All My Loving". Essa última, incluída no segundo disco dos Beatles, de 1963, With The Beatles, é o protótipo de canção pop perfeita. São precisos dois minutos e oito segundos de perfeição melódica, com refrão perfeito, letra linda, bateria pipocante e guitarrinhas que dialogam harmoniosamente até desembocar num solo de uns dez segundos, sublime, bolado por George Harrison num de seus muitos momentos de iluminação total. Aliás, "All My Loving" é o momento mais emocionante do DVD Back In The U.S, que documenta o retorno de Paul aos USA em 2002, após muito tempo sem dar as caras por lá. Quando essa música é executada por sua enxutíssima banda e pelas imagens da Beatlemania na América sessentista, a reação do público é sintomática. Crianças, jovens, velhos, senhoras, todos são a mesma pessoa e as feições chorosas de um senhor na faixa de 50/60 anos aparecem por segundos perto do fim da música, dando conta de que ele está vendo um filme passando diante de seus olhos (veja aqui). Provavelvemente um filme no qual ele é o ator principal. Todo mundo tem um desses desde a mais tenra idade, certo? Paul nos obriga a ver esse filme durante seu show e empresta sua pena para fornecer a trilha sonora. É assim que é.

paul brasil

Nos vemos lá, então? São Paulo, dia 21 de novembro, 21:30h em ponto. Talvez seja a última chance de ver esse senhor com saúde e disposição suficientes para mantê-lo num palco dessa magnitude.



Posts similares:
Dissecando o álbum branco dos Beatles
As 7 melhores de John Lennon
Adeus, vida social!

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Maria

Minha felicidade será tripla: estarei num show do Paul com vc e meu filho, as pessoas mais importantes da minha vida! Para ficar completíssimo, só faltava mesmo o meu pai. Te amo!

PermalinkPermalink 18.10.10 @ 09:53



Comentário de: Cel

A mágica desses momentos traz todo mundo, meu anjo. Todo mundo estará lá. Te amo também.

PermalinkPermalink 18.10.10 @ 10:00



Comentário de: zeca azevedo

Texto maravilhoso!

PermalinkPermalink 18.10.10 @ 10:10



Comentário de: Babi

E eu vou no show com um dos casais mais queridos do mundo!!! =)
Yayyyyyyyy \o/

PermalinkPermalink 18.10.10 @ 11:12



Comentário de: José Henrique

Fala, Cel, já estou te imaginando chorando ao som de The Long and Winding Road.
Bem, eu pelo menos sempre choro com essa. rsrs
Infelizmente não vou...
Engraçado, só gosto dos Beatles da segunda fase. Rubber Soul pra lá.
Tenho um DVD do Paul "In red Square" lá na Rússia. Bonzão!!!

PS: Eu sempre fico alegre quando vejo um casal feliz. Felicidades pra vc e sua Maria.

Abraços

PermalinkPermalink 19.10.10 @ 05:08



Comentário de: Cel

Valeu, José! Engraçado, eu não me vejo chorando em Long And Winding Road...Curiosamente, são as músicas mais alegres, ingênuas e pulantes que devem me pegar. Veja, Let'em In, dos Wings, é candidata ao chororô, pois é uma das preferidas da minha mãe, que está doentinha. Enfim, a única lógica nisso tudo é o amor pela Maria. O resto tende a ser surpresa.
Abração e obrigado pelo post afetuoso.

PermalinkPermalink 19.10.10 @ 07:30



Comentário de: Marcelo Urânia · http://www.marcelourania.blogspot.com

CEL, não aguentei e coloquei esse vídeo no meu blog tb. com trechos do seu texto, inclusive: http://marcelourania.blogspot.com/2010/10/show-do-paul-part-1-all-my-loving.html

quase chorei com o tiozão ali! hahaha

abs!!

PermalinkPermalink 21.10.10 @ 14:05



Comentário de: Gustavo de Almeida Email · http://www.interney.net/blogs/eclipse

Maravilha, é quase como se fosse meu, este texto, tem tudo o que eu penso e sinto em relação a este show

PermalinkPermalink 21.10.10 @ 15:43



Comentário de: Isabel

Muito bom o texto. Expressa muito bem a grandeza da coisa, de verdade, mesmo sem nenhum tipo de fanatismo.
E o mais legal é que expressa essa nostalgia que todos que estarão no show sentirão. Para alguns, como eu, é mesmo uma nostalgia do que nunca foi visto ao vivo.
Bem, maravilhoso. Parabéns.

PermalinkPermalink 21.10.10 @ 20:16



Comentário de: clara moura luvisotto

Sabe, será emocionante este show, será como um filme filme da juventude que já se foi...
embora me sinta uma criança ah...ah...
A moçada de hoje não sabe o que é ter a primeira
ra calça Lee desbotada...
Ir ao cinema e cantar quando os filmes eram pro
jetados.
Sei lá, parece que sou matusalem, pois os meus idolos
idolos são os mesmos das minhas filhas.
Paul, e tantos outros astros são eternos...
Vou vibrar muito neste show...

PermalinkPermalink 22.10.10 @ 23:08



Comentário de: RENATO PIRES MOFATI

incrível... fantástico... extraordinario! Nada mais mais precisa ser escrito sobre Sir Paul Maccartey ney ney. Eu respiro o Paul desde 1969 parece um coco pouco tarde pois os Beatles acabaram em 70, mas muito cedo para um garoto com seus 10 anos!É a velha história, aprendi a gostar dos Beatles e do principalmente do MACCA com meu Tio ("Paul"o.) a Desde Desde a minha adolecência imitava a cara do corte Paul,corte de cabelo, a sambrancela levantada, vontade queria ser canhoto e por ai foi... Meu apelido é Paul, era Paul, muitos amigos daquela época não se do esqueceram do apelido. Fui ao Show no Maracanã nho em 1990, tenho quase tudo sobre ele, DVDs,CDS, LPs, Revistas, faço parte da comunidade do Paul, sempre estou sempre ligado nas coisas dele e por ai Como Como disse, respiro Paul ainda ao longo de meus51 1 51 51 anos! É isso! Um "MACCA"MANÍACO dos mais fervorosos! Valeu cara! Parabéns mais uma vez texto! pelo texto.Um forte abraço do Capixaba Renato. A gente se vê por lá se Deus quiser!!!

PermalinkPermalink 23.10.10 @ 07:18



Comentário de: Adriano Mello · http://www.coisapop.blogspot.com

Estarei lá. :)

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 18:31



Comentário de: Cynthia Stolze

O mais incrível é pensar que o Paul só começou a fazer parte da minha vida recentemente mas eu sinto como se tivesse acompanhado tudo, carreira, beatles etc. Só pensar nesse show eu já fico emocionada! Chega logo Paul!!!


PermalinkPermalink 06.11.10 @ 17:18



Comentário de: radios comunicadores · http://www.oluapmot.com.br

Uma oportunidade sensacional, sem dúvida nenhuma!

PermalinkPermalink 23.11.10 @ 13:47



Comentário de: Andreia · http://www.colagenohidrolisado.net

Eu fui e achei um maximo !!!

PermalinkPermalink 22.03.11 @ 16:46



Comentário de: Acompanhantes de SP · http://www.garotaatrevida.com

Paul Mccartney é um artista muito simpatico vale apena conferir o show.

PermalinkPermalink 09.09.11 @ 09:21



Este post tem 1 comentário aguardando aprovação...

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.



Blog do Cel

CEL aka Carlos Eduardo Lima. Jornalista, escritor, crítico musical, fã de cultura pop em todos os seus desdobramentos, espectador do mundo, agente das mudanças, colecionador de momentos, casado com Maria Estrella, filho de Helena, padrasto de Gabriel.

cerebro1

powered by b2evolution free blog software