Oasis Não Desaponta

Oasis Não Desaponta

04.10.08 | por Cel | Categorias: Música

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O Oasis está de volta. Seu novíssimo disco, Dig Out Your Soul, estará fisicamente disponível a partir do próximo dia 6 de outubro. Digo, fisicamente, pois a íntegra do álbum já está circulando pela Internet desde a última quinzena de setembro e causando diferentes reações nos fãs.

A primeira impressão que tive do disco foi que ele teria lugar na parte menos inspirada da obra dos irmãos Gallagher, ou seja, ao lado de Heaten Chemistry (2002) e Standing On the Shoulder Of Giants (2000). Essa categorização da discografia do Oasis, mais ou menos consensual até para os fãs da banda, aponta uma queda de inspiração no período compreendido pelos dois discos, principalmente por parte de Noel - até então o principal compositor do Oasis - além de uma natural adaptação às (então) novas presenças de Andy Bell (ex-Ride, no baixo) e Gem Archer (ex-Heavy Stereo, na guitarra).

Além disso, Noel ainda enfrentava o rescaldo de seu envolvimento com drogas pesadas, mesmo que, no caso de Standing..., o Oasis ainda tenha conseguido forjar dois belos hinos de estádio, "Go Let It Out" e "Who Feels Love".

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Me permito achar - numa onda nostálgica, talvez - que a existência do Oasis apresentou a um monte de gente bandas como Beatles, Who, Kinks, Stones, T.Rex, autoras da matriz do "som Oasis". Noel e Liam Gallagher nunca tiveram problemas em assumir tais artistas como suas fontes de inspiração, até admitindo que copiavam melodias e acordes deles, e que, se eles copiavam de outros, que copiavam dos melhores de todos os tempos.

Gosto dessa atitude. Outro dia vi um candidato a vereador em Niterói (cidade do Rio de Janeiro, onde moro) pedir votos "pelo amor de Deus", porque "faltaram 500 nas últimas eleições" e que ele deixara de ingressar na Câmara Municipal por causa disso.

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O Oasis é honesto e não posa de moderno, cool ou in. Os Gallagher são dois ogros, nascidos num cafundó industrial e sujo da Inglaterra (Manchester), um lugar tão frio e entediante que dá pra medir pela quantidade de bandas de rock surgidas lá. Uma olhada rápida já mostra Joy Division e Smiths logo de cara. Dizem que Manchester lembra Detroit, a Motortown americana, lar de gente como MC5, Kiss e toda a engrenagem da Motown.

O lançamento de Don't Believe The Truth (2005) recolocava as coisas próximas do lugar de origem, a grandiosidade da banda, a exuberância guitarreira, as levadas, os timbres usados sempre com criatividade e, sim, a chupação do cânone do british rock, com a mesma maestria dos primeiros trabalhos. Definitely Maybe (1994) e (What's the Story) Morning Glory (1995), os dois álbuns iniciais da banda, eram audição obrigatória no meio da década passada. Eram dinâmicos, rápidos (o segundo já se vale de três baladas certeiras, "Don't Look Back In Anger", "Wonderwall" e "Champagne Supernova") e muito bem feitos. Em 2005 parecia que algo dessa exuberância havia voltado, vendo o Oasis reverenciando gente "nova" em seu espectro musical, como, por exemplo Faces e Jam, tornando a banda uma espécie de catálogo ambulante do rock inglês.

Era grande, portanto, a ansiedade em torno de Dig Out Your Soul. O produtor, David Sardy, é o mesmo do trabalho anterior e a maioria das canções com autoria de Liam, pela primeira vez superando o irmão mais velho. Noel fica com três e a dupla Bell/Archer com duas.
O clipe do primeiro single, "The Shock Of Lightning" inicia-se com a banda imitando a capa clássica da coletânea de hits dos Rolling Stones, Hot Rocks (1974) e traz uma levada rápida, quase um aceno à aerodinâmica dos primeiros discos. As guitarras, o vocal miado, baixo e bateria em sintonia total, a música foi suficiente para animar todos com o resultado.

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Quando ouvi o disco pela primeira vez, comentei o que disse no início do texto - que Dig Out Your Soul era mais um disco pouco inspirado da banda. Bem, eu me enganei. Ele é aquele tipo de disco que os americanos gostam de chamar de "grower", ou seja, que cresce a cada audição. É verdade.

O álbum é bom, muito bom. Ouso dizer que é melhor que Don't Believe The Truth, muito por não ter qualquer vergonha de reatar o fio condutor perdido após o terceiro trabalho, Be Here Now (1997), revisitando a grandiloqüência e o exagero da produção, mas, devidamente colocado a favor da banda pela visão objetiva do produtor Sardy.

O Oasis não tem vergonha de confirmar que o padrão beatle de canção sempre prevaleceu sobre os demais em suas composições. Músicas como "The Turning" e "Soldier On" quase passam longe desse padrão, mas o restante não escapa da inspiração beatle. "Bag It Up" e "Waiting For The Rapture" lembram a sonoridade dos Fab Four no ocaso de Let It Be - o disco. "I'm Outta Time" parece uma canção dos anos 70, algo que poderia ser da carreira solo de Paul McCartney, tamanha a leveza e o clima dos violões folk e das cordas. "The Nature Of Reality" é um blues com guitarras invocadinhas, totalmente beatle, com andamento lembrando "With A Little Help From My Friends" e "(Get Off Your) Wild Horse" é um blues com vocal saturado, lembrando "Come Together" (daquela banda de Liverpool) com as palminhas de "Give Peace A Chance" (daquele sujeito, John Lennon). O resto do disco segue o mesmo caminho, com êxito.

A verdade, amigos, é que esse disco do Oasis, um disco bom, nota 8, bate qualquer trabalho de uma banda hype atualzinha, no nível de Klaxons, Bloc Party, Arctic Monkeys e similares. A impressão que os Gallagher passam, apesar de canastrões e marrentos, é que são gente que trabalha e pensa no que faz. Eles seguem fielmente uma linha de pensamento, aplicada às canções e discos que fazem e adoram estar no Oasis. Os sujeitos são orgulhosos de sua banda, dão a entender que não viveriam sem ela.

Talvez essa ingenuidade (ou será honestidade?) seja a mercadoria que mais falte ao rock de hoje. As bandas parecem iguais, as diferenças - se existem - são tênues demais e, a exemplo de um monte de manifestações artísticas, todas parecem muito efêmeras. Gosto de saber que o Oasis existe há 14 anos e que ainda tem lenha pra queimar.

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Dig Out Your Soul não decepcionará os fãs e agradará amantes do rock. Que bom.


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Renato · http://renatoetc.wordpress.com

só uma correção:
"i'm outta here" parece uma canção dos anos 70... -- o nome da música é "i'm outta time"

de fato é o melhor álbum deles desde 'be here now'. um fantástico álbum grower, hehe.

PermalinkPermalink 04.10.08 @ 17:10



Comentário de: Jeremias · http://pleorama.wordpress.com/

Oasis é tudo de bom. Meu disco preferido ainda á o Definitely Maybe. Mas escuto tudo deles e com certeza em breve o Dig Out Your Soul será degustado.

Jeremias
http://pleorama.wordpress.com/

PermalinkPermalink 04.10.08 @ 23:58



Comentário de: Adriano Mello Costa · http://www.coisapop.blogspot.com

Que bom ver o Oasis lançar um disco bom novamente. Na minha concepção esse novo disco só perde para a dobradinha de estreia, passando por pouco inclusive o "Be Here Now". Grata e bela supresa.

PermalinkPermalink 06.10.08 @ 21:16



Comentário de: Tiago Ribeiro Dantas Amorim

Este é um grande disco de uma grande banda, melhor que todas estas novas bandinhas juntas. Melhor música é "i'm outta time", parabéns ao o Oasis.

PermalinkPermalink 07.10.08 @ 08:45



Comentário de: Cláudio da Silva · http://caottico.blogspot.com/

Realmente, o Oasis fez bonito neste novo lançamento. Eu estou ouvindo "Dig Out Your Soul" diretão.


PermalinkPermalink 13.10.08 @ 13:22



Comentário de: Daniel ALvez

Oasis é a melhor banda Noel o melhor compositor do rock atual então não adinata reclamar Oasis esta de volta.......e grande como sempre.....

PermalinkPermalink 02.11.08 @ 17:00



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CEL aka Carlos Eduardo Lima. Jornalista, escritor, crítico musical, fã de cultura pop em todos os seus desdobramentos, espectador do mundo, agente das mudanças, colecionador de momentos, casado com Maria Estrella, filho de Helena, padrasto de Gabriel.

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