Fim dos Tempos e da Paciência

Fim dos Tempos e da Paciência

15.09.08 | por Cel | Categorias: Cinema

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M Night Shyamalan apareceu para o mundo em 1999, principalmente por seu segundo filme, O Sexto Sentido. Seu primeiro trabalho, O Pequeno Stuart Little, apesar de bem sucedido e ter gerado uma seqüência, não colocou o cineasta americano, descendente de indianos no mapa das celebridades. Pelo menos, não da forma como passamos a associar seu nome a filmes misteriosos e com uma grande revelação no final.

A filmografia de Shyalaman passa essencialmente por alguns elementos que se repetem nesse seu novo longa, O Fim Dos Tempos (The Happening). O suspense está lá. As suposições e conclusões tiradas ao longo da história também. Personagens atormentados e introspectivos, quase anti-heróis continuam povoando as narrativas. Até o próprio diretor, aparecendo numa ponta, quase despercebido, tudo está presente em The Happening.

O grande problema deste e de outros filmes do diretor, espacialmente Sinais e Dama Na Água, é que a história contada beira o ridículo, o nonsense, resvalando para um filme-B não intencional, quase constrangedor.

Aqui temos Mark Wahlberg no papel de um professor de Ciências numa escola secundaria da Filadélfia. Ele tem problemas no casamento e uma vida sem muitas novidades até que se vê sorvido por um redemoinho de fatos inexplicáveis que começam a assolar a região nordeste dos Estados Unidos, de Boston até sua cidade. Rumores de ataques terroristas chegam em noticias confusas e logo as pessoas estão fugindo, sem saber realmente o que estão fazendo.

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Ao longo do caminho, Wahlberg, sua esposa Alma (vivida pela interessante Zooey Deschanel), o colega Julian (um professor de Matemática, vivido pelo correto John Leguizamo) e a filha deste, Jess (Ashlyn Sanchez) vão notando que quase nada pode deter os acontecimentos e que só lhes resta esperar, resignados pelo destino.

A idéia de Shyalaman tem méritos mas eles estão longe de fazer valer a visita à sala escura. A trama se explica de maneira patética e parece jogada na cara do espectador como uma torta. As cenas de tensão – uma marca registrada do cineasta – estão frouxas e resvalam para a auto-caricatura não intencional e comprometem qualquer possibilidade de se levar The Happening a sério.

Mesmo a badalada teoria de que o ser humano está infligindo danos tão graves ao planeta que pode ser repelido como se fosse um vírus num organismo doente, soa como um mero recurso mal utilizado. É criado um clima de tensão ao longo do filme que acaba de maneira anti-climática e tola, confundindo valores, situações e mesmo conceitos como “instinto de sobrevivência” numa salada pseudo-ecológica de feira de ciências. Passe longe e aproveite para rever o que Shyalaman já foi capaz de fazer, extraindo belas atuações de Bruce Willis (um canastrão assumindo) em O Sexto Sentido e em seu melhor – e mais subestimado filme – Unbreakable, pobremente traduzido para o português como “Corpo Fechado”.



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CEL aka Carlos Eduardo Lima. Jornalista, escritor, crítico musical, fã de cultura pop em todos os seus desdobramentos, espectador do mundo, agente das mudanças, colecionador de momentos, casado com Maria Estrella, filho de Helena, padrasto de Gabriel.

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