Espaços

Blog de Papel

Minúsculos Assassinatos

Um Defeito de Cor

Incompletos

Patinando com o Alter Ego

As aventuras do capitão presença

Virgínia Berlim - Uma experiência

Todas as festas felizes demais

Operação P-2 - Olivia Maia

Meias Vermelhas - Marcos Donizetti

16 de Novembro de 2009

Literatura Visceral

O aspirante a escritor Ney Valter pensava que o título perfeito para seu livro modernamente visceral seria “Meu cu é a saída”. Mas considerou as embaraçosas implicações semânticas. Na verdade a intenção era demarcar o orifício anal como o epílogo da instigante saga – em 113 páginas sem pontuação nem parágrafo – de um double cheddar do Bob’s do metrô da Barra Funda, nas oito horas seguintes à deglutição. Entretanto Ney Valter considerou: se um desavisado leitor deparasse tão somente com o título na capa, sem maiores esclarecimentos temáticos, estaria em pleno direito de imaginar tratar-se da insinuação de que o ânus do narrador seria a solução, em tempos de crise, para priápicos desprovidos de mulher e necessitados de descarga seminal urgente. Ressalte-se que Ney Valter, a despeito de sua mente descompromissada de amarras morais, preservava latentes pruridos heterossexuais. Considerou então o similar “Meu cu é o fim” – mas encafifou-o agora a possibilidade de interpretação, por parte destes mesmos desesperados priápicos, de que encarar sua orla retal seria a sarjeta. Uma faísca de vaidade ferida não deixou de alfinetar. Encantado portanto com a dubiedade de construções frasais como estas, lembrou-se das múltiplas significações de caracteres, por exemplo, das línguas semíticas – onde um vocábulo traz mais de um significado, dependendo da frase. Ligou então para aquele famoso poeta, lingüista e tradutor (inclusive do hebraico) e propôs justamente um início de conversa a respeito, citando suas dúvidas quanto ao título do livro. Aconteceu foi que o outro, atribulado no trabalho e após quinze minutos ouvindo a lengalenga, sugeriu a Ney Valter enfiar a obra no cu. Para o consagrado autor foi a saída. Para Ney Valter, o fim.


Postado por Nelson Moraes às 09:15:42 | Livros | 17 comentários





Posts similares:
calendário de lançamentos
Livros e mais livros (online, claro)
PETISTOSFERA: PESOS E MEDIDAS NA SATIAGRAHA

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Rafael

Esses "escritores"...


________


Pois é. :)

PermalinkPermalink 16.11.09 @ 09:41



Comentário de: Vivien Morgato · http://www.mejoana.blogspot.com

Alguns escritores olham em demasia para seus próprios umbigos e cus.;0)


________


Indeed, apesar de eu me reservar o direito de não querer visualizar a cena. ;)

PermalinkPermalink 16.11.09 @ 09:54



Comentário de: Vivien Morgato · http://www.mejoana.blogspot.com

(off topic)

Eleição pra governador do Rio, 1984. O fulano na rua, batendo boca com a mulher que fazia boca de urna para o Moreira Franco:
- Quem tem cu, tem medo e vota no Figueiredo!!
Ela berrava de volta:
- Eu tenho, eu tenho... eu tenho cu!

Sempre gostei de debates com alto nível.


________


Debates em política sempre são de alto nível. ;)

PermalinkPermalink 16.11.09 @ 09:58



Comentário de: De large · http://www.encouracado.blogspot.com

Afinal,o cu é a entrada ou a saída?


________



O cu é o meio. :D

PermalinkPermalink 16.11.09 @ 15:54



Comentário de: Te

E quem vai fazer a análise desse livro, um crítico literário ou um proctologista?


________


Um colonoscopista desconstrucionista. :D



PermalinkPermalink 16.11.09 @ 23:24



Comentário de: Paulo Chiva

Desesperados priápicos é sacanagem, em todos os sentidos. E pelo visto, literaturas viscerais são com eles mesmos.


________



Anyway, sempre é bom manter-se encostado na parede. ;)

PermalinkPermalink 17.11.09 @ 00:05



Comentário de: Milton Ribeiro · http://miltonribeiro.opsblog.org/

Pobre Ney Valter. E que belo nome ele tem! Lembrei do Ney Ducu, ops, Ney Duclós.


________


Se o Ney Valter soubesse escolher nome pro livro com o mesmo bom gosto que me fez escolher o nome dele, tava feito. :D

PermalinkPermalink 17.11.09 @ 10:23



Comentário de: **** · http://semsugestaodenomes.blogspot.com

Onde o KY ajuda, afinal aquelas arestas não devem ser nem um pouco agradáveis.
Abraços!


________


Abraços, mas mantendo uma certa distância. :D

PermalinkPermalink 17.11.09 @ 13:46



Comentário de: Zezim de Belzonte

E assim o livro não entrou para os anais da História!..


________


Mas parece ter saído deles. :D

PermalinkPermalink 17.11.09 @ 22:36



Comentário de: ratapulgo proctologista · http://orabolas.blogspot.com/

Boa parte da literatura deveria ser impressa em macias folhas duplas, né não?

- Aliás, qual o oposto do autor que é do caralho?


________


O caralho que é do autor? :)

PermalinkPermalink 18.11.09 @ 07:51



Comentário de: Márcia W. · http://blogafora.blogspot.com/

Se o Ney entrasse numa onda new age verde poderia escrever um thriller ambiental: "Passarinho que come pedra sabe o cu que quem", ou poderia, quem sabe, descambando para a auto ajuda: "Cu doce".


________


Perfeito, Márcia. Ou ainda o thriller à moda Stephen King, "Quem tem cu tem medo". Por aí. ;)

PermalinkPermalink 18.11.09 @ 13:34



Comentário de: aiaiai

Comandante, hoje você me fez chorar de rir e seus comentaristas arremataram sem misericórdia. Acho até que meu olho está inchado (o olho que vê, bem entendido)
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


________


Issaí, aiaiai. Em terra de sem-cus, quem tem um olho encosta na parede. ;)

PermalinkPermalink 18.11.09 @ 18:22



Comentário de: Ramiro Conceição · http://não tenho.com.br

Prezado Almirante,
já que o tema deste post é tão balsâmico - e interessa tanto aos jaburus passivos quanto àqueles ditos, digamos, ativos -, nada melhor que um poema escatológico-filosófico...



BOCA D’ALMA
by Ramiro Conceição


À luz da biologia,
a boca termina no cu.
À luz da poesia,
a boca termina na alma.
Entre as demências
prefiro aquela contida num beijo
ou nas 4 cordas — de um violino.


________



Rapaz, acho que cu entrou aí igual Pilatos no Credo. Credo. :D

PermalinkPermalink 19.11.09 @ 12:24



Comentário de: Reinaldo Azevedo · http://reinaldoazevedo.wordpress.com/

Almirante, lamento, mas você não passa de um sórdido petralha mal disfarçado!


_________


Mas o que tem o cu a ver com o comment? :D

PermalinkPermalink 20.11.09 @ 04:52



Comentário de: Tiago Ferreira da Silva · http://atemporalizando.blogspot.com/

Fiquei pensando com meus bugalhos: 113 páginas sem pontuação nem parágrafos. Rapaz, daí vai sair um toleto viu... de repente seria melhor ele seguir a sugestão do autor e 'segurar' no cu mesmo tudo isso aí!


________


Sim, literatura introspectiva. ;)

PermalinkPermalink 20.11.09 @ 16:26



Comentário de: Inaiara

Atualize-se: Cú, Cocô verde...


________


Sorry pelo analcronismo. ;)

PermalinkPermalink 21.11.09 @ 13:36



Comentário de: googala · http://www.googala.opsblog.org

certos escritores protostômios não são nem um pouco chordatos

PermalinkPermalink 18.12.09 @ 19:49



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.