6 de Agosto de 2009
Antes ela do que eu
– Ih: a metalinguagem já era.
– Olha, eu concordo que como recurso ela já deu no saco, mas dizer que acabou é ...
– Não. Eu disse que ela morreu mesmo. Ali, na esquina da Nóbrega com a Tenente Firmino, quando ia saltar do ônibus. A sandália ficou presa na porta, aí ela caiu de cara no meio-fio e pimba. Diz que ainda deu umas tremidas na perna, até chegar a ambulância. Acabou morrendo no caminho.
– Hm. Eu devia saber. O próprio título aí em cima não deixa de ser um presságio irônico. Quer dizer que a partir de agora esse nosso diálogo metalingüístico, sobre a ciclotimia das tendências literárias, e repleto de auto-referências, deixa de existir.
– Tá. Mas o que a gente faz?
– Bom. Comecemos admitindo então que não estamos mais no diálogo, uai. E que nossos travessões a partir de agora ficaram obsoletos.
– Que travessões?
– Esses aqui, antes da fala.
– Ah.
– Aliás, nem sei o que fazer com eles.
Não seja por isso: olha aí!
– Queisso?
Ué. Subi no travessão: tou usando de skate. E dá licença, dá licença que eu vou barbarizar nessa rampa aí, ó. Ai, ó, brôu!
– Caramba. Não era rampa. Era o cê do meu “Caramba”. Quase me acertou. E deixa de falar brôu; isso saiu de moda junto com a metalinguagem.
Opa, desculpa. Olha, tenta você também. É fácil.
Ooooooooops \ Ai! Não, não dá certo. Não levo jeito, não. Sou muito velho pra isso.
Então aproveita que você se machucou e usa seu travessão como bengala, ué!
| Ei. Tem razão. Olhaí. Eu agora tenho uma bengala. Tchururu.
Chique no úrtimo, brôu.
| Peraí. Você fica se equilibrando descompromissadamente no seu skate, eu posando de lorde com minha bengala... O problema é que com isso acabamos incorrendo na metalinguagem e dando andamento ao enredo!
Ah, pára.
| Sério! Olhaí: mesmo morta ela faz questão de deixar claro que fora dela não tem trama possível! Não podemos ceder. Não podemos. Precisamos lembrar que essa história não existe mais, caramba: temos que parar de interagir com os elementos constitutivos do texto! Precisamos deixar de acontecer.
Uai. Certo.
| ...
...
| ...
...
| ...
...
| ...
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| ...
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| ...
... \
| ...
... \ _
| ...
... \ _ | _ /
| ...
... \ _ | _ / _ \ _ | _ / _ \ _ | _ /
| Mas... o que é isso, agora?!?
Malabarismo com os travessões, ué. A gente não tava usando mesmo.
| Dá pra parar?
Ah, ficou o maior tédio, aqui! Você olha e...
| Pssst! Não dialoga diretamente comigo. Não podemos fazer sentido! Disfarça e fala baixo. Fala baixo.
Tá. O lance é que isso de não acontecer acaba ficando um pé no saco, e...
| É, eu sei.
É, eu sei.
| Por mim eu punha agora um ponto final na história, mas seria sucumbir de novo à metalinguagem.
Por mim eu punha agora um ponto final na história, mas seria sucumbir de novo à metalinguagem.
| Você tá me imitando?
Você tá me imitando?
| Pára com isso!
Pára com isso!
| Pára, caceta!
Ué, não é pra falar baixo, neguinha?
| Escuta, a cada vez que você fala, ou faz sentido, ou tece uma situação, só piora tudo!
Ah, bobagem. Precisamos é passar o tempo. Ei, que tal ficar sem respirar até a fonte do texto ficar azul? Ou concurso de salto à distância com travessão? Não é porque a metafísica morreu que a gente vai ficar borocoxô, e...
| Peraí. Você disse... metafísica?
Ahn. Er.
| Foi a metafísica que morreu?!?
Uai. Me disseram que tinha sido uma meta-whatever aí. Nem reparei direito.
| Caraaaaaaaaaamba, eu devia saber! Eu devia saber! A metalinguagem não estava descendo do ônibus! A metalinguagem era o ônibus! Eu devia saber!
Ué. Se você diz...
| Aliás, dá licença.
O quê?
– Pronto. Voltei o travessão pro lugar dele. Agora tenha a gentileza de fazer o mesmo.
Ah, brôu, eu vou ficar aqui mesmo, ó.
– Desce desse skate agora mesmo! Vamos retomar nosso conto metalingüístico. E brôu não é gíria de skatista!
Vai, deixa eu ficar aqui. Ó, ó, dá pra fazer uns flips radicais nas falas, e...
– Põe esse travessão na frente de sua fala agora mesmo, ou...
Ou o quê?
– Eu dou um jeito de transformar suas falas em diálogo indireto!
Nhemnhemheitoehnhemformahemfalanhemnhiálogonhehnidireto...
– Como é?!?
– Nada. Nada não.
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- Aí, tio, tem uma moedinha?
Mais fácil do que ganhar a vida escrevendo, não é?
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Qualquer coisa é mais fácil do que ganhar a vida escrevendo, Vinicio.
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me diverti com a sua teoria supra-sensível sobre a metalinguagem.
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Kant rules. E eu plagio.
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Grande abraço!
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É igual zagueiro bruto, Paulo: sempre é pior sem.
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Dá pra comer ao Curry?
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Consta que a metalinguagem depois que morre passa por uma metamorfose, Guga. Só sei até aí - acabaram meus prefixos.
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Imagina só se ela morrer. Como seria a vida sem Vídeo Show, Pânico na TV etc. etc, Academia Brasileira de Letras (que o pessoal de trás não fique bravo).
Pensando bem. Não deixa cair do ônibus. Dá logo um tiro de 12 na cabeça. Só pra garantir.
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A maioria dos membros da ABL nem esquenta mais com metalinguagem. Na idade em que estão, se preocupam mais com metempsicose.
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_a do meio sou eu, de chapéu, engrossando o coro dos seus admiradores, tripulantes e súditos fiéis. Na verdade, queria fazer tirando o chapéu, mas minha metalinguagem não deu pra tanto
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Imagina, Chris. Exagero. Ah, e aqui só tiramos o chapéu pra correr entre a marujada na hora de fazer vaquinha pra pagar o pistache contrabandeado.
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O que é o que é, que cai em pé e corre deitada? A metalinguagem saltando de um ônibus em movimento!
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abraços.
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Se era um protesto Foralagumacoisa, provavelmente foi no Twitter, Mirianne. Ou seja, os atropelamentos devem ter sido metafóricos.
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Agora fiquei confusa.
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Sim, uma metáfora de que tudo é passageiro, menos o motorista.
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Gênio!
Pronto, voltei ao normal.
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Nada, Darw. Post requentado para camuflar a falta de tempo e inspiração. O Senado Blogal devia é cassar meu mandato.
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Ok, Rafael. Segue o e-mail.
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Valeu, André. Mais embromação do que post, mas enfim.
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Apesar que alguns já sofrem desse mal.
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A metalinguagem comemorará o dia em que blogueiros almirânticos desaprenderem a teclar, Vanessa.
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Olha, Marconi, acho que vou aceitar mesmo essa little help from my friends, porque se depender só de mim pra dar início ao projeto...
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por onde andas?
Deste no pé
sem mais aquela?
Por que outras bandas
vai seu talento,
que estas vão mudas?
Que contravento
empurrou a vela
de sua galé
lá pr'onde judas
perdeu o sextante?
:o)
saudade, cumpadi, beijos pra vc e sua tripulação
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Estamos aí, Chris. O neo-concretismo morreu, a blogosfera morreu e eu também não ando me sentindo com essa saúde toda.
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Metalinguagem é um vício... uma praga... mas o que seria d nós sem ela?
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Proponho, pois, a primeira reunião dos metalinguistas anônimos.
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Olha, Vanessa, ultimamente nem eu sei como vim parar aqui.
Url: http://cartaeverso.blogspot.com
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Ei, sumido, cara. Bem-revindo.

















