16 de Junho de 2008
Samba-enredo em homenagem ao Bloomsday
APOGEU E GLÓRIA DE LEOPOLD BLOOM NO REINO ENCANTADO
DE JAMES JOYCE
(Soam os cavaquinhos para esquentar a entrada)
Puxador: Olha o G.R.E.S Ao Mirante aí, geeeeeente, homenageando Ulysses com muito samba no pé e muito rebolado na técnica literário-discursiva!!!!
(Entra a bateria e começa o samba)
Foi num tempo glorioso
Que James Joyce escreveu de próprio punho
Esse romance esplendoroso
Que se passa todo em 16 de junho
Com tanta ginga narrativa
E muita manha no monólogo interior
Construiu-se uma lenda viva
Que aqui eu canto, esquindô, esquindô!
Eis que então aparecem no cenário
Os dois personagens principais
Leopold Bloom, o herói do itinerário
Stephen Dedalus, de birras filosofais
De manhã se econtram na biblioteca
Passando então a debater teologia
E ainda sobra espaço (com a breca!)
Pra reinterpretarem Shakespeare!
(Estribilho)
Salve, salve a epopéia
Encenada em Dublin
No meio da verborréia
Entro com meu tamborim!
Abro a cortina da minha melodia
Pra colocar no samba outros personagens
Que aparecem no decorrer do dia
Num ritmado exercício de linguagem:
Molly Bloom, que vive chifrando o marido
Com Blazes Boylan, Ricardão bem irlandês
Buck Mulligan, poeta corrompido
Que pra Stephen é um pequeno-burguês
Gerty McDowell, a mocinha caliente
Pra quem Leopold bate cinco contra um
Martha Cardiff, a tal correspondente
Que namora por correio com o Bloom
E tantos outros, fazendo figuração
Que na minha opinião (e sou sincero)
Foram inseridos pra traçar comparação
Com a outra Odisséia, a do Homero!
(Estribilho)
Salve, salve a epopéia
Encenada em Dublin
No meio da verborréia
Entro com meu tamborim!
Antes que as lembranças me pifem
Os lugares da história vou cantar
A torre Martello, residência de Stephen
E a Cervejaria Guinness (grande bar!)
O Freeman’s Journal, onde Bloom bate o ponto
E o endereço do herói, na Eccles Street
O bordel de Bella Cohen, nem te conto,
Pra machaiada da cidade é um convite
Pois lá à noite Dedalus leva uma tunda
Por proferir à Monarquia um desaforo
De tanto apanhar o rapaz fica corcunda
Por falar tanto quase lhe arrancam o couro
Aí Leopold sai carregando o coitado
E assim termina o grande dia 16
E pra quem ficou boiando no babado
Não tem problema: eu conto outra vez!
(Estribilho)
Salve, salve a epopéia
Encenada em Dublin
No meio da verborréia
Entro com meu tamborim!
Salve, salve o calhamaço
Que de ler eu tinha medo
Pois acerto o meu passo
E jogo num samba-enredo!
(Repique da bateria. O ritmo ferve na ala das baianas dublinenses. O puxador recomeça o samba)
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Comentários:
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E a Penélope dele pintando e bordando, hein, Chris?
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Squindô.
Este aprendizado é mais fácil. Entendi tudo e vou passá-lo adiante.
Muito obrigada.
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Hooray, hooray, it's the Blooms, Bloomsday.
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Já em 2904, Tuma? Acho que seria muito precipitado. Melhor pegar mais experiência...
Gostei muito.
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Uia. Faça isso todos os anos, então, Milton.
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Só depois que a Xuxa gravar "Retrato do Artista Quando Baixinho", Teo.
Gostei do nome do Blog e vim fazer uma visita. Putz, não é que gostei do conteúdo?
Vou voltar.
Prometo.
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Volte, sim, Renata. Mas se você gostou do nome do blog, cuidado com a Esquadra de Caça aos Trocadilhos.
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Trabalho já devidamente encomendado à funkeira e crítica literária Tati Desconstrói e Interpreta Barraco, Sergio.
Imagine só um puxador (calma, de samba quis dizer) carioca falando "Dublin" ou "Gerty McDowell".
Pensei em uma letra alternativa (coloque a música do samba enredo do "Unidos do Caralho a 4 nessa letra):
"Desde os tempos mais primórdios
Que os livros tão ai!
Chateando a juventude
o presidente sem virtude,
Na Sapucai!
E Joyce,
escreveu esse livrão
uma baita enrolação (que lindo, que lindo)
de intelectual
Um dia
na vida de um irlandês
Aqui a gente fala inglês
Pra tira grana dos otário"
Ai vai pegar! Abs!
T§
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Joyce desce do Olimpo e sobe o morro.
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Squindô, Mme.
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Dennis, ainda te convido pruma roda de samba irlandês de fundo de quintal, com aquela batucada no bodhrán e muita Guinness no copo de plástico!! Giddy-i-ay, giddy-i-ay, giddy-i-ay
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Atravessando as 800 páginas do romance sem atravessar o ritmo!
Uma coisa que não seria muito boa: Ver irlandesas de biquíni tropeçando num dança louca e retardada que elas considerariam samba.
Abraços.
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E os sambistas gritando pra elas: "Say on foot! Say on foot!"

















