10 de Junho de 2008
O Stand-up de Hamlet

(…) Pois então, amigos de Elsinore, reuni todos aqui com a desculpa de que iríamos assistir à peça “A Morte do Gonzago”, mas na verdade é uma rifa para angariar fundos e pagar uma garota de programa para o rei Claudius, que na falta de mulher resolveu pegar minha mãe (risos). Aliás, de uns tempos pra cá, sempre que a oposição xingar o rei de motherfucker, ele vai ter que ouvir caladinho (risos). Mas, sério, vamos encenar a peça para dar serviço a essa trupe ambulante de atores, antes que eles, desempregados, resolvam apelar e assaltar viajantes nas estradas ou, pior ainda, virar ministros do reino (risos). Bom, como eu ia dizendo, em “A Morte do Gonzago” vocês vão ver veneno sendo colocado no ouvido de um monarca. Não, não, nada a ver com o que os conselheiros reais já fazem todos os dias (risos). Aliás, quero agradecer a presença, aí, na platéia, do conselheiro Polônio, que acha que eu sou maluco só porque vivo em solilóquios pelos corredores do castelo. O que dizer dele, que depois que perdeu a mulher, vive soliloquiando pelos banheiros? (risos) Mas voltemos à peça: eu mexi no roteiro, interferi bastante na direção e dei um monte de palpites no elenco. Acabo de inventar, portanto, a figura do produtor (risos). Na encenação, durante o trecho do veneno, quero que todos prestem atenção no rei Claudius. Não, não é por nada, não: é que os diálogos da cena ficaram tão ridículos que acho mais prudente distrair a atenção de vocês (risos). Enfim, prevejo que depois da exibição da peça vai ser derramado muito sangue: é que eu estarei me vingando das resenhas dos críticos teatrais (risos). Por fim, quero agradecer também à presença da doce Ofélia, que, em breve, com a permissão de Polônio e Laertes, pretendo levar ao leito conjugal. Mas só se ela parar antes com essa fixação em leito de riacho (risos). Ah, e agradeço também ao meu amigo Horácio, a quem eu incumbi de relatar a história toda. Então cuidado, viu, Horácio, para não ser plagiado por aquele dramaturgozinho inglês, como é mesmo o nome dele? (...)
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Comentários:
Pra completar o clima lúdico, só faltava algum personagem de "Os Fantasmas Se Divertem".
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Mas o fantasma do pai do Hamlet está se divertindo pacas, Tuma.
Abração!
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Acho que o Yago queria era afogar o ganso, Dennis. E ficar com o cisne negro só pra ele.
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Pode reparar que não há nada mais sitcom que os diálogos de Guildenstern e Rosencrantz, Julio.
Mas hoje não posso resolver nada, estou passando mal desde que comi aquele arenque no almoço. Há algo de podre no reino da Dinamarca...
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Hahahahahaha, excelentes acréscimos, Chris. E lembremos que no final vai cair tudo mesmo na mão do Fortinbrás - que, pra mim, sempre foi nome de estatal brasileira...
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Só se foi no abuso da boa vontade e do tempo dos leitores, Roger.
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Sim, e falando pra caveira do Yorik: "Maldito bufão semita! Teve o que merecia!"
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Aye, Aye, Mme! Boa estada britânica. E se cruzar com o Christopher Marlowe em alguma taberna aí, não dê conversa. O bicho quando bebe fala mais que a boca.
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Acredita que eu também vi aquela bomba, Livia? Deviam ter dado aos produtores um golinho do cálice da rainha Gertrudes...
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Marcão, há até quem diga que o Hamlet original remonta à tragédia grega: pai assassinado, filho fissurado pela mãe, yadda, yadda.
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Ou transformando Macbeth em musical ("The sound of fury", hein? hein?)
Não consigo ficar com raiva do Mel Gibson. Depois de rever Braveheart há algumas semanas, ele voltou a morar no meu coração, apertadinho com o Russel Crowe.
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Tina, só fala aí pro Mel Gibson tomar cuidado, que isso de ficar apertadinho com o Russel Crowe dá briga. O kiwi dude é macho paca e meio esquentadão.
abs

















