8 de Fevereiro de 2008
Cem anos este ano
Um dia você acorda, vai à mesa em companhia de Mariana ou Ana Maria, e comenta casualmente, antes de erguer a fumegante chávena e sem saber exatamente de onde veio a linha de raciocínio: "Sabe, analisando com calma – acho que Capitu traiu, sim", e Mariana, ou Ana Maria, pergunta distraída "Capitu? Que Capitu?" Você se prepara para tripudiar (claro que sem abrir mão da elegância) da abissal ignorância literária de sua companheira mas aí se dá conta: é mesmo, que Capitu? Seu cérebro começa a efervescer de leve, em pontadas: você sonhou. Toda a gama de motes, a aura de cada um dos personagens – você sonhou, sonhou com tal consistência e intensidade que teve a ligeiríssima impressão de que isso se estendia para um século antes e uma manhã depois da noite de ontem, se coagulando na História: não. Tudo condensado num prosaico sonho. Trechos esplendorosamente arquitetados, diálogos soberbamente encaixados – como puderam se espremer num sonho de minutos? Aconteceu, ora. Você inventou. A literatura brasileira passou dos naturalistas aos modernistas sem Helenas, Brás Cubas, Bentinhos, Iaiás Garcias, Quincas Borbas, Conselheiros Aires. Você, já recuperado, se diverte até com o poder de elaboração onomástica do seu cérebro: "M-a-c-h-a-d-o-d-e-A-s-s-i-s. Nome gozado. De onde fui tirar isso?" Então Mariana, ou Ana Maria, lembra a você: o chá está esfriando.
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Contículo
A trilha sonora da minissérie Capitu: "Elephant Gun", do Beirut
VERDADE SEJA DITA
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Comentários:
Vivo tendo essas viagens. Conversas filosófico-literárias comigo mesmo. Mas na hora de escrever, de transformar em algo real. Cadê??? O_o
Depois de um século, ele e aquela dissimulada da Capitu ainda dão muito o que falar, hein?
Gostei da homenagem.
Recentemente li uma entrevista em que o L(
Simão Bacamarte devia internar o
B(L)obão.
Agora tá todo mundo acreditando que esse tal Machado de Assis, realmente, existiu!
Que? Mãe, até você?!
Grande abraço.
Gosto do Millôr, mas depois que ele passou a andar em más companhias(Veja) ficou assim...

















