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26 de Junho de 2007

Por aqui tudo bem, baby

Por aqui tudo bem, baby. Eu te falei que as vozes na minha cabeça são esquizofrênicas, né? Elas não só me escutam o dia inteiro como acabam induzidas por mim, olha só. Pra começo de conversa, baby, a voz mais aguda, aquela igualzinha à do Martin Scorsese, que mais parece uma matraca hebefrênica, sabe?, então: dia desses, num acesso de raiva, induzi a bicha a se
matar – e de lá pra cá não tenho ouvido mais ela! Sobraram só as outras sete. Aí o que fiz, sugarbabe? Pensei com meus botões, bem baixinho para as vozes não me ouvirem, e depois fui falar em particular com aquela, sabe?, a que parece a do Gary Oldman quando tá sóbrio, ou seja, quando tá dormindo – isso, a voz do Gary Oldman sonâmbulo, deu pra entender? Desculpa, baby, não quis soar grosso. Desculpa. Pois então: insinuei ao Gary Oldman sonâmbulo que ele tinha uma missão divina, que era ser um serial killer do Senhor (estou me achando, hein, honeybabe?), e que eliminasse as vozes infiéis que infestavam minha cabeça. Não é que nos dias seguintes as vozes do Lou Reed, do Tim O’Reilly, da Pamela Anderson e do Agnaldo Timóteo, uma atrás da outra, foram se calando? Olha só, baby. Só sobraram a do próprio Gary Oldman sonâmbulo e aquela parecida com a do meu tio Nadir – sim, o que era psiquiatra, lembra? O problema é que a voz do Gary Oldman – sei lá se é porque surtou depois do massacre – agora deu pra falar sozinha, baby. Não presta atenção ao que eu digo. Então eu tentei induzir a voz do tio Nadir a tratar o Gary Oldman, porque você sabe que louco só internando mesmo. Mas aí o que acontece? A voz do tio Nadir simplesmente sabe que é esquizofrênica, tem noção de que é tudo coisa da cabeça dela, e não se deixa induzir. Pois é, baby. Família é dose. Só matando. Quer dizer. Desculpa, desculpa de novo. Ah, ainda bem que tenho você, baby. E logo a gente vai poder se ver – tenho certeza, tenho certeza de que logo saio daqui. Ninguém me conta pra não estragar a surpresa, mas vai ser logo, honeybabe. Vamos ver quanto tempo então eu agüento manter na cabeça duas vozes que simplesmente não querem falar comigo – isso deixa qualquer um doido. Mas por enquanto tá tudo bem, baby. Um beijo. Te amo. Saudade.


Postado por Nelson Moraes às 14:38:59 | Relacionamentos | 5 comentários





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Comentários:


Comentário de: Solange · http://feitoamao.typepad.com/feitoamao

Uia, que medo de ter um Gary Oldman sóbrio falando na minha cabeça! Ainda bem que só tenho a Wilza Carla, o Jerry Adriani e o Marvin Gaye...
(Mudando de assunto, vi umas ilustrações que achei, aham, a sua cara. Aqui:
http://goldenagecomicbookstories.blogspot.com/2007_06_01_archive.html
nos posts de 8 de junho)
Beijocas

PermalinkPermalink 26.06.07 @ 17:31



Comentário de: tina oiticica harris · http://attu.typepad.com/

Olá, Nelson:

Não gosto do termo humor negro. Por quê negro se sua intenção farsesca/crítica é clara? Gostei da luta entre o Gary Oldman e teu tio. Que vença o melhor para o bem da tua honeybaby.

Até!

PermalinkPermalink 26.06.07 @ 17:41



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.blogspot.com

Bem que eu suspeitei... Falei de vc, Nelson, exatamente tratando de esquizofrenia. http://incautosdoontem.blogspot.com/2007/03/esquizofrnicos.html

PermalinkPermalink 26.06.07 @ 18:26



Comentário de: gugala · http://www.gugaalayon.blogspot.com

não se preocupe. Esquizofrenia não tem cura mesmo. Pra nossa sorte. Ah, e finja estar tomando as medicações certinho, tá?
abç

PermalinkPermalink 27.06.07 @ 11:32



Comentário de: anna

adoraria um gary oldman falando no meu ouvido. só que do lado de fora.

PermalinkPermalink 27.06.07 @ 15:39



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