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15 de Março de 2007

Escritor gosta mesmo é de apanhar

Quem ficou surpreso ao saber do barraco entre o Garcia Márquez e o Vargas Llosa, acontecido em 76 (donde deduzimos que a Literatura Moderna não consiste apenas num soco no estômago do leitor: às vezes vale murro em olho de autor), é porque nunca soube de outros casos, tão mais apetitosos quanto abafados, também envolvendo literatos – e que as organizações Ao Mirante trazem para você, com exclusividade.

Por exemplo, o beliscão no mamilo que o Machado de Assis tomou do Gregório de Mattos, e que fez o Bruxo do Cosme Velho sair dando pulinhos em ziguezague pela calçada do Forte de Copacabana gritando "Bof quoi, dis donc, fait chier!". Segundo fofocas, o fato de nunca terem sido contemporâneos – com quase um século e meio dividindo os dois – deve ter sido a causa do desentendimento: se já nunca tinham se falado antes do incidente, aí é que não voltaram a conversar. Outro caso que deu o que falar foi o demorado pisão no pé que Ernest Hemingway tomou de F. Scott Fitzgerald, num baile em Fresno. Segundo Hemingway, foi porque Fitzgerald não suportava os "therefore" que ele tinha enfiado indevidamente em "O Sol Também se Levanta". Segundo Zelda Fitzgerald, que presenciou tudo, foi porque Hemingway tirou Fitzgerald para dançar. E segundo Fitzgerald, o décimo-quinto Martini estava ótimo e ele não se lembra de mais nada. Houve também o caso de Fernando Pessoa, que uma vez se trancou no banheiro de uma tabacaria no Ribadouro, em Lisboa, e quem encostou o ouvido na porta acompanhou o tenso diálogo que culminou em Alberto Caieiro enfiando o dedo no olho de Ricardo Reis. Como não se lembrar também de Lord Byron e Mme. de Stäel, que chegaram a trocar cusparadas, tufos de cabelo e pedaços de unha – e tudo isso por correspondência? Aliás, no quesito briga de casais, houve o caso de Norman Mailer, que, depois de ter se pegado com uma namorada também escritora, foi a um bar com uma faca cravada nas costas. Quando os amigos, depois de vários rodeios, com muito jeitinho apontaram o fato, ele teria virado um gole de bourbon e dito: "Pois vocês precisavam ver como ela ficou".

Voltando lá no início, há quem diga que no caso do Vargas Llosa e do Garcia Márquez tinha uma mulher no meio. Ainda bem que ela se desviou bem na hora.


Postado por Nelson Moraes às 10:31:07 | Literatura | 18 comentários





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Comentários:


Comentário de: Moziel T.Monk · http://www.obusilis.ueuo.com

Tudo pelo velho velho embate entre direita e esquerda. No caso, quem venceu foi o murro de direita do Vargas Llosa

PermalinkPermalink 15.03.07 @ 11:54



Comentário de: Valdez

Saudações almirânticas!

A briga do Fernando Pessoa com seus "eus" no banheiro devia ter como trilha sonora a música ALL BY MYSELF...


PermalinkPermalink 15.03.07 @ 13:35



Comentário de: Millicent La Goulue

"Fait chier" ?! Hahahahaha... c'est pour ça que je t'aime, mon amiral. Vachement ! Meeeuh...

:o*

PermalinkPermalink 15.03.07 @ 15:57



Comentário de: Livia

Hahahahaha. A do Machado dando pulinho ficou the must!!!!!!

PermalinkPermalink 15.03.07 @ 18:02



Comentário de: karla nazareth · http://www.plasticsurprise.com

e ele ficou tão sexy com aquela sombra roxa ao redor do olho.

PermalinkPermalink 16.03.07 @ 14:03



Comentário de: Nelson Moraes Email

Ah, a título de crédito: a piada com o Norman Mailer eu meio que adaptei do Neil Simon (aquela fala do Peter Falk, em "Murder by Death". Alguém lembra?)

PermalinkPermalink 16.03.07 @ 15:24



Comentário de: Pinto · http://www.zeno.com.br

:^)))))))))))))))))

PermalinkPermalink 16.03.07 @ 18:01



Comentário de: Cynthia

O mais surpreendente foi o fato de o Vargas Llosa ter socado o García Márquez, e não o contrário. Porque se sou eu o colombiano, ao ouvir que o amigo tinha transformado em realidade o monstruoso clichê de 5a categoria "se apaixonou por uma aeromoça sueca e largou a família", dava-lhe um pescoção que ia deixar o Mario (que Mario ?) catando mamona até hoje. Quer trair e abandonar a mulher, tudo bem, mas pelo menos que fosse com algo mais original, sei lá, uma mecânica de tratores polonesa, uma poetisa húngara ou até um efebo italiano...

;o)

PermalinkPermalink 16.03.07 @ 18:07



Comentário de: tina oiticica harris · http://attu.typepad.com/universo_anarquico/

Por essas e outras seguro é ler "As Meninas Exemplares" e o "General Dourakine" da Condessa de Ségur, onde só serviçais levam chibatadas.

Descanse, Nelson, bom fim de semana.

PermalinkPermalink 16.03.07 @ 19:44



Comentário de: Alexandre · http://www.buscarletras.com.br

concordo com o Moziel T.Monk:
Tudo pelo velho velho embate entre direita e esquerda.
No caso, quem venceu foi o murro de direita do Vargas Llosa

PermalinkPermalink 17.03.07 @ 16:52



Comentário de: j. noronha · http://www.ofimdavarzea.com

Muito bom, impressão minha ou há um toque de Woody Allen nesse post?

PermalinkPermalink 19.03.07 @ 13:19



Comentário de: Nelson Moraes Email

Noronha, pra entrar no clima do post, não se tratou exatamente de um toque: foi mesmo um cutucão. Do Woody Allen e mais o Art Butchwald, o Neil Simon e uns tantos aí. No final saí todo alquebrado. ;-)

PermalinkPermalink 19.03.07 @ 18:04



Comentário de: Alex Castro Email

se alguma critica literaria quiser pisar em mim, eu gamo!

PermalinkPermalink 19.03.07 @ 18:27



Comentário de: jayme · http://www.ditoassim.blogger.com.br

Hmpf, já entendi: para minha carreira literária decolar eu preciso tomar umas bolachas. Sabia, devia ter ouvido o véio quando ele me disse que eu deveria fazer engenharia e prestar concurso para a EFA, Estrada de Ferro Araraquarense.

PermalinkPermalink 19.03.07 @ 19:37



Comentário de: Luis T Ladeira · http://luis-tavares.blogspot.com

Hahahahahahahahahahahaha!!!!!!

PermalinkPermalink 19.03.07 @ 22:05



Comentário de: Biajoni · http://www.verbeat.org/blogs/biajoni

ei, tem brigas muito mais recentes... especialmente entre blogueiros-escritores.
;>)

PermalinkPermalink 20.03.07 @ 10:21



Comentário de: Milton Ribeiro · http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/

Heterônimos em luta! Já pensou a esquizofrenia?

PermalinkPermalink 20.03.07 @ 10:55



Comentário de: Milton Ribeiro · http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/

Dizem que Reis acusou Caieiro de roubar-lhe um poema que teria migrado de um para outro. Um baita problema.

PermalinkPermalink 20.03.07 @ 11:26



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