30 de Agosto de 2006
OITO MADRUGADAS ATRÁS
Um sonho me teve, oito madrugadas atrás. Fui para a cama acordar e dormi sobressaltado por volta de umas cinco da manhã, graças ao silêncio feito lá embaixo pelo ladrão que se furtou a aparecer aquela noite. Notei que o silêncio só podia vir do gazebo no jardim; um silêncio alto de dormir boa parte do quarteirão. Constrangi-me: e se fosse – como há duzentas e setenta e oito madrugadas – sua abrupta ausência, pretty girl? O esperado susto aquietou meu coração. Impetuosamente não abri a porta que dava para o jardim, afinal minha insuspeita era fundada: você estava lá – só não via quem tinha olhos. Voltei ao quarto e me deitei, mas aí o sol já nascia e eu não teria mais tempo de acordar aquele dia. Os sonhos sabem que nós, os insones sonâmbulos, lhes somos tíveis.
(originalmente publicado em agosto de 2004. Pronto. Esse foi o último dos requentados. Os próximos virão feito vingança – quero dizer, como prato frio. Ah, vocês entenderam)
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