17 de Agosto de 2006
Entrevistas Almirânticas - JANJÃO, O TRANSTORNO DE PÂNICO DA FAL

Janjão: “Ah, Almirante, isso de dizerem
que eu encarnei na Fal só pra pegar carona
na fama dela é fofoca dos transtornos
de pânico fracassados e invejosos”.
Dando prosseguimento à série oportunista de entrevistas com personagens de blogs célebres (confira a primeira, com o Capitão Presença), para ver se assim sacudimos a combalida audiência desta embarcação – alguma coisa tem que sacudir esta embarcação, além das violentas vagas na costa das Astúrias –, reproduzimos a conversa reveladora que tivemos com outra famosa personalidade: Janjão, o famigerado transtorno de pânico que há tempos assessora a recordista de audiência da blogsfera – a sua, a minha, a nossa Fal (“Minha também, minha também, minha também!!”, berra Janjão, numa crise de ansiedade debelada com dois tapões na fuça porque faniquito de macho eu trato é assim).
A entrevista aconteceu em nosso convés, regada a muito Montilla com Lexotan e Zoloft. Um dia antes o entrevistado tinha dado uma folga à Fal e ido pegar um cinema, para assistir a “Todo Mundo em Pânico 4”, do qual saiu decepcionado (“O pânico no cinema caiu na fórmula hollywoodiana e se esgotou. Bom era antigamente, quando te trancavam numa sala e exibiam um ciclo completo do Glauber. Isso sim dava pânico”, comenta ele). Acompanhando Janjão veio a dona dele, que – seguindo nossa política de não deixar o blogueiro acompanhar a entrevista para não dar pitaco errado na conversa – ficou no convés, conversando com a tripulação e dando autógrafos de seu livro “O Nome da Cousa” (link aí à esquerda). Só não ganhou autógrafo o marujo Stubb, que nunca foi chegado mesmo na cousa.
A seguir, os melhores momentos da entrevista.
*****
Almirante Nelson – Meu caro, eu me achava um grande oportunista por conta dessa minha série cara-de-pau de entrevistas com personagens de blogs alheios – mas descobri que perto de você eu sou neném. Afinal, você se enrabichou com a blogueira mais célebre da internet brasileira só para ganhar fama na carona do sucesso dela. Qual seu próximo passo? Sair na capa da CARAS?
Janjão – Veja bem, meu caro Almirante, aliás, posso chamar você de Nelson, pois não? Afinal, você é tão jovem! Mas veja: a pessoa tem que ter critérios. Mesmo que a pessoa em questão seja uma Síndrome de Pânico entende? Você vê, tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo e me absorveeeeendo... E eu, que era só uma esquisitice casual, uma anti-sociabilidade passageira, virei um must na vida desta escangalhada molllher, entende? Eu mesmo me assustei com meu progresso. De modos que, agora, é fazer como as modeletes e manequinzetes, amadas amantes dos jogadores de futebór dos mais variados rincões deste planeta e ir administrando a fama. Embora, claro, sempre com muito critério. Ontem mesmo eu falava com duas membras do meu staff: é preciso haver tenência na hora de escolher meios midiáticos para a divulgação de nosso trabalho. Por exemplo, mídia escrita, só veículos corretos e honestos como o seu blog. Nada de jornalecos de quinta, revistas suspeitas. Outra coisa: na tevê, cuidado. Os programas de tevê, salvo raras e honrosas exceções, são armadilhas. Aquele programa da Emetevê em que a moça te entrevista jogando videogame? É mico. Programa da Luciana Gimenez? Mico Leão Doirado, sempre. Você vai lá e ela te bota no palco com uma drag queen, um deputado do Pefelê, um general reformado, um delerusca da entorpecentes e o Inri Cristo, pra debater “Tatuagem de chiclete Ploc: mito ou verdade?”. Quer dizer, não pode. E tem também a Hebe. Não tenho nada contra a Hebe, moça bonita e cheirosa. Mas ela sempre leva como atração musical aqueles nêgos que fazem Boi Bumbá Trance, Marajoara Blues, Pagode White Metal e tal, e te chama pra dançar na hora na música. Então, Hebe tá liberado. Mas não pode levantar do sofá pra dançar, porque aí nem é Mico Leão Doirado de Cannes, é Gorilas in the Mist. Mas isso tudo eu só fui aprendendo com os anos e anos de prática, com a luta diária, com a batalha. Enfim, para resumir: meu próximo passo não é apenas sair na capa de CARAS, mas é sair na capa de CARAS usando aquele maiozim vermelho da Ilha de CARAS. EU vivo pra isso, pra fama.
Almirante Nelson – Peraí, vamos aproveitar então para esclarecer essa confusão que se arrasta há eras: eu achei que você fosse homem. O Janjão. Mas vejo agora que você se refere a você mesmo como muiezinha. Você é um Transtorno de Pânico ou uma Síndrome de Pânico? Ou você é bissexual, tipo a(o) Ana(o) Carolina(o)? Será que esse(a) charme(a) todo(a) é para ser chamada(o) para apresentar o(a) Saia(o) Justa(o)?
Janjão – Mas onde foi que eu disse que era mulézinha, meu filho!!?? Eu sou espada, bebeu!? E de mais a mais, mesmo que eu fosse mulher eu jamais poderia apresentar o Saia Justa: lá só entra QI de um dígito só, o meu tem 3, falou?
Almirante Nelson – Er... Tudo bem. Entendo essa sua, ahn, ambivalência. Faz parte mesmo do mundo muderno. Mas diz uma coisa. Eu ouvi dizer que antes de virar encosto da Fal você não passava de uma mera crise existencial que assolava os poetas lá na Vila Madalena – só que aí viu que os blogs estavam dando mais ibope e resolveu partir para o establishment, grudando em uma blogueira famosa. É verdade isso, ou você nega sua origem underground?
Janjão – Eu nego, veementemente. Criado que fui nos melhores colégios paulistanos, na base de la leche B, não posso admitir sequer a insinuação de que já entrei num daqueles pés sujos pra assombrar a cabeça de bichos-grilos repugnantes, cineastas falidos, poetas de quinta categoria. Não, não, não, Almirante, são meus detratores que espalham inverdades a meu respeito. E depois, tem outra, vamos escancarar as verdades aqui!! Estou grudado nessa molllher da mente torta antes, muito antes dela fracassar também no mundo dos blogs. Quando ela entrou na blogosfera, já havia fracassado no mercado editorial, no mundo dos espetáculos, no mundo acadêmico e no mundo familiar, meu filho! E eu ali, sempre ao lado, dando aquela força! Oras!!! Comigo não! Ou você acha mesmo que se ela tivesse a mínima condição de sair de casa, que ela estaria nessa punheta de blog? Ora bolas, Almirante!! A verdade é uma só: vocês devem aquele blog mal feito, malacabado, sem correção ortográfica, pobre em termos de roteiro e execução, e cheio de referências invejosas às novelas deste país, a mim!! A MIM!!! Se não fosse eu, aquela louca passaria as noites fora de casa, bebendo, fumando, fazendo besteira. É só graças a mim que ela passa as noites quieta em casa, blogando, fumando, bebendo e fazendo besteira!
(Neste ponto as meninas de Millicent invadem a cabine, histéricas, querendo autógrafos do entrevistado, provavelmente por conta do charme das olheiras fundas, dos olhos carentes e da voz fanhosa. Desfaço a confusão explicando a elas que não, aquele não é o Chico Buarque – até porque não entrevisto cantores de MPB. Pensando bem, o único cantor de MPB que eu entrevistaria seria a Ana Carolina)
Almirante Nelson – Bem, Janjão, e que conselho você daria aos transtornos de pânico que estão começando agora? Em quem você sugeriria que eles grudassem?
Janjão – Bem, Almirante, cada transtorno terá sua particular e própria maneira de agir. Há quem prefira derrubar graúdos, há quem prefira os artistas da Globo. Eu de minha parte, sempre preferi as vítimas mais tolas e fracas, sempre. Nos fáceis de solapar as vontades. Nos burraldos. Tipo a Fal, assim. E de preferência pessoas nas quais eu pudesse me instalar, ainda que sutil e gradativamente, desde a infância. Um de meus grandes prazeres é ouvir meu hóspede dizendo (geralmente em análise, hahahaha, pobres boçais) “Meu Deus, eu não tinha percebido, mas esse tipo de reação ocorre há muitos anos comigo!”. É aí que eu sei que minha tarefa foi bem executada.
Almirante Nelson – E para terminar: é verdade que você foi sondado para apresentar o “Pânico na TV” – que aliás teria sido criado inspirado em você? E que, como artista performático, você daria vazão à sua, ahn, ambigüidade sexual apresentando o programa com maiô de lamê e chuquinha da Xuxa?
Janjão – Sim, Almirante, deveras. É verdade. Veja bem, um cara assim, com a nossa pinta, bonitão, bem falante, liberal, de mente aberta, recebe todo o tipo de convites. Da Bispa Sônia, ao rapazes do Pânico, todos me querem em suas emissoras de tevê. Alguns, até mesmo, de maiozinho de lamê (furo jornalístico do seu blog). Ah, sim, quero esclarecer que, em São Paulo, “maiô” também serve para designar aquilo que os cariocas babacas chamam de sunga, ouviu? Bem, de qualquer forma, eu de chuquinhas não ficaria de todo mal... ilarilarilariê-oh-oh-oh, é a turma do Janjão que vai te dando uma mão, ilarielarilariê-oh-oh-oh....
Aproveitando o clima dionisíaco que marca sempre o final de nossas entrevistas, as meninas de Millicent começam a tirar a roupa e a dançar em torno de Janjão cantando o tal ilariê aí e já pensando em formar o grupo “Janjão e as Paniquetes”, a se apresentar no programa do Raul Gil do próximo sábado – mas neste ponto a Fal interrompe a entrevista reivindicando o entrevistado, lembrando que está na hora de levá-lo ao psiquiatra para banho, tosa e a vacina tríplice. Libero-os pois, reparando em Stubb discretamente seguindo Janjão para saber dele mais detalhes sobre essa vida sexualmente ambígua. Retenho o marujo e o jogo ao porão. Quer ambigüidade, é? Pois então que ponha uma moeda de pé no chão e se sente em cima, para sentir os dois lados dela, oras.
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