31 de Julho de 2006
Entrevistas Almirânticas – CAPITÃO PRESENÇA

Capitão Presença: “Olha, Almirante, o
segredo de minha beleza apolínea é a
dieta natural. Devo meu corpinho a ela”.
No exercício salutar e cara-de-pau de promover nossa embarcação à custa de celebridades de blogs alheios, este almirante que vos posta dá início à série de entrevistas oportunistas com ninguém menos que o destaque da seleção cannabinho (onde ele joga ora de ponta, ora de beque): o seu, o meu, o nosso Capitão Presença – cuja candidatura à Presidência da República já decolou há muito tempo e só não pousa por receio da Polícia Federal ter montado cerco nos aeroportos.
A entrevista aconteceu no convés de nossa embarcação, regada a muito rum e outros aditivos que deixassem o candidato presidencial inteiramente à vontade para falar sobre política, economia, mulher, Eva Green (que é muito mais que mulher) e o escândalo das ambulâncias em Birigüi da Serra. Acompanhando o Capitão Presença veio seu criador, Arnaldo Branco - que a meu comando foi imediatamente detido na entrada da nau e mantido a uma distância segura da entrevista, para evitar os tão inconvenientes pitacos autorais na conversa (ao menos ele foi o tempo todo distraído por Millicent e suas meninas, que ficavam gritando “Me dá um autógrafo, Arnaldo Antunes?”).
A seguir, os melhores trechos da entrevista.
Almirante Nelson – Antes de mais nada, e dentro de um tema inerente ao seleto ambiente do oficialato, uma pergunta de almirante para capitão: andas carcando muita mulher?
Capitão Presença – Nem mais nem menos, é como a Bruna Surfistinha - minha fama é anterior à publicação do livro... já tinha minha cota de pussies antes. Como diz o slogan do pessoal das passeatas pró-legalização: "Maconha dá moral com as mina!". Ainda bem que não vivo no Universo Marvel, senão iam me arrumar uma namoradinha fixa, talvez quem sabe (bate na madeira) um casamento...
Almirante Nelson – Sem falar que herói Marvel não tem pinto. É só olhar nos desenhos. Nesse caso não ia adiantar nem moral. Mas falemos de política. Nosso mandatário atual, o desdigitado das gentes, costuma dar mais expediente no Aerolula do que no Palácio. Sua administração também vai ser viajandona assim?
Capitão Presença – Minhas viagens não queimam combustível, se é que você me entende... de qualquer forma, dependendo da lei de entorpecentes local, evito compromissos internacionais. Com certeza você não vai me ver fechando um acordo comercial com a Turquia, por exemplo - talvez eu mande o Mané Bandeira em meu lugar, e com sorte ele goste das (faz o gesto de aspas com os indicadores) acomodações...
Almirante Nelson – Falando em Mané Bandeira, você não teme que ele seja flagrado na vistoria de algum aeroporto com uma cueca de seda? Ou acusado de prelaricação (crime que consiste em antecipar a larica ao fumar o baseado antes do horário de expediente)? Você lavaria as mãos e diria que não sabia de nada?
Capitão Presença – Se eu temo? O livro de ocorrências do Mané Bandeira já está na quinta edição, o cara roda mais que funcionário da Varig. Ele é do tipo que pede a pata pra cão farejador... evidente que ia lavar as mãos, com as cadeias super-lotadas o cara não pode reclamar de falta de companhia. Veja como funcionou bem no caso do Lula, o corrupto brasileiro é sempre o último a saber...
(Neste ponto o marujo Stubb pega o microfone e intromete-se na entrevista)
Stubb – Capitão Presença, a imprensa brasileira está contaminada pelo vício da adulação, ou seja, entrevista-se com o objetivo de sempre levantar a bola do entrevistado, nunca de confrontá-lo. Então vou pelo caminho oposto: o senhor não acha que o Arnaldo desenhou o senhor mal pacas? Seu traço não é um tanto tosco?
(Imediatamente o Almirante ordena que Stubb seja trancafiado no porão para descascar duas toneladas de batata e aprender a não falar pelos cotovelos – fazendo valer nossa máxima “Ao falador as batatas”).
Almirante Nelson – Não repare na impertinência de meus marujos, Capitão. Nem tampouco na acusação infundada. Levantar a bola do entrevistado. Hmpf. Mas continuemos: de onde vem essa sua beleza apolínea? Maconha rejuvenesce?
Capitão Presença - Esse Arnaldo vive dizendo que esses lances de Ecoline, pincel, gramatura, é tudo coisa de Metrossexual, mas eu acho que é caô... realmente, o cara não desenha nada - mas qual é o problema, te dificulta a sacar as piadas? Porque o Chico Caruso desenha bem mas mesmo assim eu não consigo entender a graça... e o segredo da minha beleza é a minha dieta natural, sou herbívoro...
Almirante Nelson – Falando em dieta natural, seu governo não tenderá a transformar a população brasileira em um amontoado de obesos, com o programa Larica Zero? Vai ter comida para todo mundo?
Capitão Presença – Er... não tinha pensado nisso... já que o Ministério da Agricultura vai reimplantar o sistema de monocultura - você sabe de que - no Brasil, acho que vou ter que bolar alguma pasta pra cuidar desse problema... vou criar um Ministério da Larica, e dar a cadeira para o José Hugo Celidônio, Olivier Anquier ou um desses caozeiros, pros caras inventarem tipo um sanduíche de atum com geléia de morango e amendocrem que não engorde... os restaurantes populares de 1 real também serão obrigados a servir coisas como nuggets com queijo e sorvete de pistache, fundamental na dieta de um cidadão acometido de larica. Aposto que as mulheres grávidas também vão gostar!
Almirante Nelson – Meus ancestrais navegantes ficavam muitos meses no mar, para fazer a Rota da Seda e trazer o produto da Ásia. Hoje o usuário encontra seda em qualquer loja de conveniência, a dois minutos de casa. A modernidade matou o romantismo – ou é tudo vã nostalgia deste velho lobo do mar?
Capitão Presença – Pois é , Marco Pólo devia ser canonizado, trouxe para o ocidente a seda e o Miojo, Top 1 Larica de Todos os Tempos. Esse era preza. Eu prefiro facilidade, saca, vida de maconheiro já tem muito perrengue. Andar com o Mané Bandeira já é aventura suficiente - e na real sou a favor da legalização até para poder impressionar as gatas na seção de Importados do super... imagina as estantes: Jamaica, México...
(Neste ponto o Almirante pede a Millicent duas de suas meninas – uma a cara da Nastassja Kinksi, outra a sósia da Monica Bellucci –, põe ambas no colo do Capitão Presença, enche de novo a caneca de rum dele e manda descer uma pratada de lagosta au fin gratin)
Almirante Nelson – Bom, a embarcação gostaria de saber se o entrevistado tem alguma reclamação no tocante às acomodações e ao serviço de bordo, bem como ouvir do candidato suas últimas palavras para conclamar os eleitores a não fazer cagada na cabine eleitoral em outubro (mas se insistirem em fazer, que pelo menos dêem descarga ao sair).
Capitão Presença - (Olhando para as meninas) - Na real eu ia pedir o telefone do buffet... então (limpa a garganta), quero convocar o povo brasileiro para votar com a consciência - bastante alterada, de preferência. Eu sei que o presidente confessadamente maconheiro que me precedeu, o THC... digo, FHC, não fez um bom trabalho, mas fala sério, olha pra cara dele e vê se ele representa bem a classe. Aposto que ele não tragou, tipo o Bill Clinton...
Bem, depois deste colóquio só nos restava içar velas e partir para uma viagem de circunavegação da Jamaica, com o Capitão ao leme. A se registrar apenas o fato do cartunista Arnaldo Branco, que até então assistia a tudo à distância, ter se introduzido sorrateiramente no porão onde Stubb descascava batatas e ido direto ao ponto: “Quer dizer que eu desenho mal, é, marujo? Mesmo? Então pega aqui no meu pincel e me mostra como é que faz um traço. Pega!” Pano rápido.
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[...] Dando prosseguimento à série oportunista de entrevistas com personagens de blogs célebres (confira a primeira, com o Capitão Presença), para ver se assim sacudimos a combalida audiência desta embarcação – alguma coisa tem que sacudir esta embarcação, além das violentas vagas na costa das Astúrias –, reproduzimos a conversa reveladora que tivemos com outra famosa personalidade: Janjão, o famigerado transtorno de pânico que há tempos assessora a recordista de audiência da blogsfera – a sua, a minha, a nossa Fal (“Minha também, minha também, minha também!!”, berra Janjão, numa crise de ansiedade debelada com dois tapões na fuça porque faniquito de macho eu trato é assim). A entrevista aconteceu em nosso convés, regada a muito Montilla com Lexotan e Zoloft. Um dia antes o entrevistado tinha dado uma folga à Fal e ido pegar um cinema, para assistir a Todo Mundo em Pânico 4, do qual saiu decepcionado: “O pânico no cinema caiu na fórmula hollywoodiana e se esgotou. Bom era antigamente, quando te trancavam numa sala e exibiam um ciclo completo do Glauber. Isso sim dava pânico”, relembra ele). Acompanhando Janjão veio a dona dele, que – seguindo nossa política de não deixar o blogueiro acompanhar a entrevista para não dar pitaco errado na conversa – ficou no convés, conversando com a tripulação e dando autógrafos de seu livro O Nome da Cousa. Só não ganhou autógrafo o marujo Stubb, que não é chegado mesmo na cousa. A seguir, os melhores momentos da entrevista. [...]
[...] A avidez por conseguir mais leitores para esta decadente embarcação, por meio de aproveitadoras entrevistas com personagens célebres de blogs alheios (ver as anteriores aqui e aqui) é igual a meu cheque especial: extrapola qualquer limite. Pois agora, novamente nos valendo da fama de uma personalidade fictícia consagrada na blogosfera, fomos mais além. Quer dizer – fomos ao além. Inaugurando a categoria de entrevistas espíritas, trouxemos de volta a alma de Smart Shade of Blue, a outrora famosa entidade que os social-democratas juravam entender e os neocons juravam de morte. Deu no que deu. [...]

















