6 de Fevereiro de 2006
O ESCÂNDALO DAS CHARGES ALMIRÂNTICAS

Flagrante do momento em que minha embarcação
jogou um Lear Jet contra a redação do jornal que publicou
charges com a reprodução de minha imagem. O atentado
fez mais de duas mil vítimas. Eu só não sabia que cabia
tanta gente assim num Lear Jet.
Amados leitores, a tolerância é como o Universo conhecido e meu cheque especial: vive sempre no limite. Dito isso, venho a público dar a minha versão sobre um fato recente que me tirou do sério e fez com que eu partisse para uma retaliação violenta e exemplar. Porque você sabe que duas coisas são sagradas: meu direito de não aceitar reproduções de minha imagem em charges de jornais e meu outro direito de ao menos ser ressarcido com 50% do valor das vendas em banca.
Ocorre que o diário “Gazeta de Cururupuema do Leste”, de Rondônia, expôs meu nome ao ridículo perante o mundo inteiro, ao publicar charges onde a sacrossanta dignidade que sempre pautou minha conduta é maculada de forma leviana e irreversível (ver os desenhos abaixo). Não deu outra: a embarcação promoveu em resposta um atentado ao prédio-sede do jornal (ver foto acima).
Fica o recado às demais publicações: quem quiser tripudiar de minha pessoa com charge mal desenhada a partir de agora que pense duas vezes. Digo, pense no valor do cachê, multiplique-o duas vezes e me mande logo a OP, caramba.
Confira agora uma a uma as infâmias gráficas e revolte-se comigo, amigo leitor.

Aqui a ignominiosa charge faz chiste de quando eu passei pela vacinação contra a Sífilis do Mediterrâneo. Na legenda eu alerto o enfermeiro: “Não mete a agulha no meio de minha tatuagem de mãe que eu meto no meio da sua!”

A charge, claramente tendenciosa, zomba da firmeza de minhas posições ideológicas, quando, ao enfrentar o Leviatã do socialismo na América Latina, aponto para meu próprio traseiro e digo: “Ah, Evo Morales querendo estatizar refinarias brasileiras? E na bundinha aqui, não vai nada?”

Até onde não se chega no intuito de promover a discórdia entre os povos. A charge mostra a mim na entrada de minha embarcação, fazendo troça de um marujo lusitano: “Certo, você pega umas baleias com essa rede aí e depois pesca três borboletas pro jantar, certo, ó pá?”

A charge que mais mexeu com meus brios de homem do mar. É cruel e concisa. Mostra este que vos escreve em tenra idade, descobrindo empiricamente que, já que o negócio é ter um brinquedinho que navega sem ir a lugar nenhum, por que então não ser blogueiro?

E finalmente, esta charge fazendo pouco de minha virilidade de jovem matalote. Em minha época de grumete, tenho uma conversa com Millicent, mãe do meu piloto Stubb, e ouço dela: “Sim, você bebeu todas ontem e não se lembra de nada. Sim, fizemos uma suruba com o Queequeg. Sim, adivinhe por que você não consegue se sentar?”
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