2 de Julho de 2005
DA DESONESTIDADE INTELECTUAL
Não, filhinhos, desonestidade intelectual não é ter Milton Friedman na estante de casa e de vez em quando dar uma escapulida até o motel para folhear Noam Chomsky, babando de volúpia. Nem receber mensalão para votar no Rubem Fonseca para a Academia Brasileira de Letras. Nem tampouco vandalizar a obra de Omar Khayan em busca de versos químicos. Muito menos receber a faixa presidencial do fã-clube d’ “A República” e fingir não ver seus amiguinhos sujando de gordura as páginas do volume. Desonestidade intelectual não é pontificar sobre o “Imitação de Cristo” mantendo na algibeira um exemplar do “Mein Kampf” no original. Não tem nada a ver com ser sócio do Círculo do Livro e acabar pego com a mão no Livro-Caixa. Definitivamente não é bolinar o intelecto daquela gatinha no MSN, citando Walt Whitman, enquanto a outra mão boba apalpa o mouse clicando no Google. Talvez a melhor definição para desonestidade intelectual seja fazer um post com título tão auspicioso e acabar se perdendo em evasivas trocadilhescas. Mas, cá para nós, o assunto é tão auto-explicativo que a saída acaba sendo mesmo o empirismo. Just look around. Isn't it?
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