16 de Junho de 2005
Samba-enredo em homenagem ao Bloomsday
APOGEU E GLÓRIA DE LEOPOLD BLOOM NO REINO ENCANTADO
DE JAMES JOYCE
(Soam os cavaquinhos para esquentar a entrada)
Puxador: Olha o G.R.E.S Ao Mirante aí, geeeeeente, homenageando Ulysses com muito samba no pé e muito rebolado na técnica literário-discursiva!!!!
(Entra a bateria e começa o samba)
Foi num tempo glorioso
Que James Joyce escreveu de próprio punho
Esse romance esplendoroso
Que se passa todo em 16 de junho
Com tanta ginga narrativa
E muita manha no monólogo interior
Construiu-se uma lenda viva
Que aqui eu canto, esquindô, esquindô!
Eis que então aparecem no cenário
Os dois personagens principais
Leopold Bloom, o herói do itinerário
Stephen Dedalus, de birras filosofais
De manhã se econtram na biblioteca
Passando então a debater teologia
E ainda sobra espaço (com a breca!)
Pra reinterpretarem Shakespeare!
(Estribilho)
Salve, salve a epopéia
Encenada em Dublin
No meio da verborréia
Entro com meu tamborim!
Abro a cortina da minha melodia
Pra colocar no samba outros personagens
Que aparecem no decorrer do dia
Num ritmado exercício de linguagem:
Molly Bloom, que vive chifrando o marido
Com Blazes Boylan, Ricardão bem irlandês
Buck Mulligan, poeta corrompido
Que pra Stephen é um pequeno-burguês
Gerty McDowell, a mocinha caliente
Pra quem Leopold bate cinco contra um
Martha Cardiff, a tal correspondente
Que namora por correio com o Bloom
E tantos outros, fazendo figuração
Que na minha opinião (e sou sincero)
Foram inseridos pra traçar comparação
Com a outra Odisséia, a do Homero!
(Estribilho)
Salve, salve a epopéia
Encenada em Dublin
No meio da verborréia
Entro com meu tamborim!
Antes que as lembranças me pifem
Os lugares da história vou cantar
A torre Martello, residência de Stephen
E a Cervejaria Guinness (grande bar!)
O Freeman’s Journal, onde Bloom bate o ponto
E o endereço do herói, na Eccles Street
O bordel de Bella Cohen, nem te conto,
Pra machaiada da cidade é um convite
Pois lá à noite Dedalus leva uma tunda
Por proferir à Monarquia um desaforo
De tanto apanhar o rapaz fica corcunda
Por falar tanto quase lhe arrancam o couro
Aí Leopold sai carregando o coitado
E assim termina o grande dia 16
E pra quem ficou boiando no babado
Não tem problema: eu conto outra vez!
(Estribilho)
Salve, salve a epopéia
Encenada em Dublin
No meio da verborréia
Entro com meu tamborim!
Salve, salve o calhamaço
Que de ler eu tinha medo
Pois acerto o meu passo
E jogo num samba-enredo!
(Repique da bateria. O ritmo ferve na ala das baianas dublinenses. O puxador recomeça o samba)
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