10 de Junho de 2005
O QUÊ??? OUTRA AUTO-ENTREVISTA?!?

"Stubb, já lhe contei que sua mãe chora
de saudades de minha luneta?"
Não, desta vez não. Depois daquela ocasião em que entrevistei a mim mesmo enquanto pessoa e em nível de ser humano, meu psiquiatra conversou a sós com o id, o ego e o superego dele e os quatro chegaram à conclusão de que isso de falar sozinho é caso de andar na prancha. Sendo assim, fui entrevistado agora por gente de verdade – os três pilotos da embarcação, Starbuck, Stubb e Flask –, e a pauta foi a recusa por parte deste velho lobo do mar em falar sério nos posts. Óbvio que tentei discordar da insinuação, enquanto cuspia pistache na testa dos entrevistadores e lhes derramava melaço cueca adentro. Ou o contrário? Sei que estão andando esquisito até agora, lá no convés.
Starbuck – Almirante, como explicar sua insistência em não falar sério nos posts?
Almirante Nelson – (estendendo o dedo indicador) Só respondo se você puxar aqui.
Starbuck prepara-se para puxar mas Flask dá um tapa na mão dele e fala: “Tá louco? E ainda por cima ele comeu bacalhau com ovo no almoço!”
Stubb – Isso não seria uma prova de imaturidade, Almirante? Digo, alienar-se dos assuntos que assolam a nação para restringir-se a chistes gratuitos? Não consistiria isso numa recusa em deixar a infância? Uma fixação na fase latente, na figura materna?
Almirante Nelson – Stubb, meu velho, a única fixação em figura materna que eu tenho é na sua. Que aliás anda batendo um bolão lá no porto de Nantuckett, viu?
Flask – Almirante, temos aí no noticiário o caso dos mensalões, que anda sendo debatido a sério em boa parte da blogosfera. E o senhor? Aonde acha que chegarão as proporções do caso? Será que o governo segura essa?
Almirante Nelson – Se ele segurar aqui, ó, vai ver as proporções do caso crescerem absurdamente.
Stubb – (insistindo) Esta sua tendência a achincalhar uma conversa séria... não seria um mecanismo de defesa, Almirante?
Almirante Nelson – Claro que é. E pretendo vender ele à Seleção Brasileira, que se tivesse defesa que prestasse não levava fubecada da Argentina. Outra opção seria ter sua mãe no time, já que ela – reafirmo – anda batendo um bolão.
Starbuck – Almirante, qual sua posição sobre a Constituição Européia?
Almirante Nelson – Você acabou de dizer: minha posição é sobre. Eu em cima, a européia embaixo – pode ser a Sophie Marceau, eu deixo – pra aí constituirmos um casal fodão.
Flask – O senhor acha que a crise política brasileira pode fragilizar os alicerces democráticos ou, pelo contrário, ela seria uma via para o diálogo institucional definitivo? Existiria um caminho?
Almirante Nelson – Só o caminho de paca. Nele tatu caminha dentro.
Stubb – (não entregando os pontos) Almirante, essa jactância nas declarações, essa tendência à auto-afirmação priápica, essa profusão de termos de baixo calão... Tudo caracteriza uma carapaça na qual o senhor tenta se proteger do mundo real. Estou certo?
Almirante Nelson – Claro. Eu estou aqui nesta carapaça, protegidinho, enroladinho, e você sabe com quem, né?
Starbuck (erguendo-se, sacudindo incomodado as calças e dando por encerrada a entrevista) Certo, Almirante. Vamos publicar a entrevista hoje mesmo, já que o blog não é atualizado tem uns quatro dias. O senhor deseja levantar mais alguma questão?
Almirante Nelson – Questão não, mas vou levantar outra coisa. E só digo o que é se você puxar aqui (estende o dedo).
Starbuck prepara-se para puxar mas os outros dois o detêm e o arrastam para fora da cabine, deixando no chão um rastro de melaço com pistache. Certificando-se de estar sozinho o Almirante acessa então o Sitemeter para ver se hoje, ao contrário dos outros dias, teria chegado alguma visita vinda lá do porto de Nantuckett. Ah, Millicent, Millicent. Aquela vadia.
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