7 de Abril de 2005
Depoimentos Chocantes!
ENTREVISTA COM O PRISIONEIRO LITERÁRIO

O Prisioneiro Literário: "Prefiro ser
impiedosamente dissecado pelo
Harold Bloom a continuar nesse limbo!"
Depois de muitas negociações, conseguimos uma exclusiva com o Prisioneiro Literário. Entidade que nunca consegue ver a luz do dia, aqui ele se revela por inteiro e explica o porquê de viver preso no limbo. Aos leitores o aviso – tirem as crianças do template: os trechos são chocantes.
Ao Mirante, Nelson!: No que consiste este limbo em que você se encontra confinado?
Prisioneiro Literário: (cigarro apagado no canto da boca) O negócio é o seguinte: desse limbo saem todas as entidades que encarnarão em personagens de obras literárias. Que ganharão vida no papel, sabe?
Ao Mirante, Nelson!: Sei. Elas encarnam e ficam por lá?
Prisioneiro Literário: (fazendo o cigarro dançar nos lábios, para ver se o repórter se toca e o acende) Não. Depois que os personagens são devidamente assimilados pelos leitores e dissecados pelos críticos, as entidades desencarnam e voltam para cá. Algumas chegam até a reencarnar, quando são produzidas seqüências das obras. (rebrilho proustiano no olhar e tom de inveja na voz) Ah, as sortudas.
Ao Mirante, Nelson!: O processo cármico é todo este?
Prisioneiro Literário: (desistindo de sinalizar com o cigarro) Bom, existe uma galeria de personagens à clef, meio ficcionais, meio de carne e osso, que ficam esvoaçando pela eternidade literária, sem muita certeza de sua real composição. (aponta com a cabeça) Olhaí. Acabou de passar uma.
Ao Mirante, Nelson!: E com você - qual é o problema?
Prisioneiro Literário: (deixa o cigarro cair da boca) Aí é que está: sou daquelas amaldiçoadas entidades que nunca deixam o limbo! Permanecemos presas a uma obra só, já que o autor jamais consegue terminar! Ficamos nessa burilação eterna, durante a lapidação de um romance, ou um conto, ou uma novela – que não acaba nunca!
Ao Mirante, Nelson!: E qual seu apelo?
Prisioneiro Literário: (olha desesperado para a lente do fotógrafo) Peçam a esse filho da puta, que eu sequer conheço e que se acha escritor, para publicar logo essa merda! Quero deixar este confinamento! Quero ver a luz do dia! Quero existir, ser lido! Façam aí um abaixo-assinado! Criem uma ONG!
Ao Mirante, Nelson!: Uma última pergunta. Você aceita um cigarro?
Prisioneiro Literário: (enxurrada de termos de baixo calão referentes ao local onde o repórter poderia inserir o oferecimento)
_______
Update: atendendo a pedidos da Meg e do Milton, disponibilizo aqui a versão original do post. Be my guests: leiam, comparem e escolham. :)
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