Twittess e redes sociais: uma entrevista com Tessália Serighelli

10Jun
2009

Quem é esta moça que de uma hora para outra tornou-se uma das pessoas mais conhecidas na Twittosfera em Português. É o que você vai descobrir na entrevista que realizei com @twittess, ou melhor, Tessália Serighelli, através do gTalk. Nesta conversa franca (ela pediu apenas que não se falasse sobre scripts de adição automática de pessoas no Twitter), você saberá o que Tess pensa sobre o Twitter, publicidade e sobre as críticas que recebe de blogueiros de renome nacional.

Alex Primo: Tess, você ficou conhecida na twittosfera quase que instantaneamente. Contudo, pouco se sabe sobre você. Por favor, fale um pouco sobre você, o que faz, e onde é, etc.

Tess: Eu nasci em Curitiba, e fui criada aqui, na terra do frio! Meus pais são professores.. Minha familia toda é, na verdade. Depois de terminar o Ensino Medio, fui conhecer outras cidades. Morei em São Paulo e Brasília, trabalhei principalmente com fotografia nesses lugares. Fiz um semestre de faculdade em cada lugar.. Publicidade, Jornalismo, Moda foram alguns dos cursos que estudei, mas sem concluir nenhum. Hoje estou de volta a Curitiba, moro com minha filha, a Valentina, que tem 4 anos. E pretendo mudar de cidade novamelte, até o fim do ano.

Alex Primo: Essa mudança de cidade se deve ao fato de você ter se tornado bastante conhecida na internet?

Tess: Não. isso tudo foi antes. tem mais a ver com minha vontade de conhecer pessoas e culturas diferentes. Sociedades diferentes.. A diversidade brasileira.

Alex Primo: Celebridade é um conceito da mídia de massa. Em redes sociais online, por outro lado, falamos de reputação e autoridade. Por outro lado, muitos tem considerado você uma celebridade do Twitter. Como você vê esse comentário?

Tess: Não me preocupo com a nomenclatura. Até porque, o conceito que tenho de celebridade de maneira alguma se encaixa no que eu me vejo. Mas não podemos negar, que o twitter é usado por milhares de pessoas. É ferramenta de pesquisa, de análise social, de comunicação , por que não, em massa também. O twitter pode ser comunicação dirigida, mas também pode influenciar muitos, em diferentes classes, nichos, sociedades, cidades... Eu não me preocupo com o que decidem me chamar. Celebridade, rainha do twitter, esses nomes nada mais são que comparáveis aos apelidos que recebemos no colégio. Ou vocie aceita e se diverte, ou fica brabo e aumenta a repercussão. :)

Alex Primo: Até o momento você tinha uma participação ativa em comunidades no orkut sobre redação publicitária. Mas você era desconhecida entre blogueiros. Quando e por que decidiu construir uma vultosa rede de seguidores no Twitter?

Tess: Nunca tive um blog. Meu interesse sempre foi em conversar, trocar opniões, e não apenas "falar". Era a impressão que eu tinha dos blogs na época. E, sim, anteriormente os blogs eram tão unilaterais quanto redes de notícias. Por isso o twitter, quando decidi entrar realemente, me pareceu parfeito para a idéia que tenho de interação. No twitter eu passo as notícias, os links que filtro, e acho interessantes, mas também recebo muito de volta. Existe o feedback, em tempo real. E talvez, por eu já estar tão adaptada no meu modo de vida, mesmo sem existir twitter eu já "twittava" com meus amigos, por msn, e-mail, gtalk, etc.. Ele foi apenas uma ferramenta de optimização do que eu já fazia. O sucesso veio pela fácil adaptação.

Alex Primo: Existe hoje um grande furor sobre o Twitter. O que esse serviço tem lhe oferecido em retorno?

Tess: A opinião de milhares de pessoas.

Alex Primo: O Twitter tem alguma vinculação com seu trabalho? Em tempo, fale um pouco sobre sua atuação profissional no momento.

Tess: Trabalho como assistente de fotógrafa aqui em Curitiba. Mas também sou cool hunter independente. Claro, pra minha segunda atuação o twitter é bem fundamental. Mas costumo usar a ferramenta mais para diversão do que para trabalho.

Alex Primo: Como o Twitter tem lhe ajudado na atividade de cool hunter. Fale mais um pouco sobre essa profissão.

Tess: Eu uso para analisar tendências, mas não só o twitter, a internet é uma boa fonte para isso. E compartilho com meus seguidores o que acho que é do interesse deles. Nåo publico tudo, porque faco análise dos posts que são mais clicados e que tem maior relevância, então, não repito o mesmo assunto se não é algo que quem me segue quer ler.

Alex Primo: Você publica uma grande quantidade de links. Como é seu processo de seleção? Além disso, diga quanto tempo você permanece online por dia e por quê?

Tess: primeiramente, seleciono o que eu gostaria de ler. Depois, o que é relevante, de alguma maneira. E por fim, vejo o histórico 9na verdade já meio que sei de cor) do que é de maior interesse.

Tess: Meu tempo online depende muito. Mas no mínimo 2h por dia.

Alex Primo: Você comentou que usa o Twitter para se comunicar, compartilhar links e ouvir a resposta de milhares de pessoas. Mas por que trabalhou para conquistar dezenas de milhares de seguidores? Fale mais sobre como se deu esse processo.

Tess: Bem, eu sigo de volta quem me segue. Com isso, não encho minha timeline com respostas, posso responder por direct messenges, e posso responder a todos.

Tess: Com isso, tenho um canal aberto, consigo falar e ter a resposta. Consigo engater uma conversa mais produtiva, mais demorada.

Alex Primo: Há um interesse normal de agências por líderes de opinião. Isso não seria diferente na internet. Recentemente você comentou uma promoção de uma marca de lingeries. Tratava-se de um tweet pago? A sua popularidade tem lhe oferecido contratos publicitários?

Tess: Não tenho nenhum contrato publicitário. O que posto é por fazer parcerias com sites que são de interesse dos meus seguidores. Eu costumo dar RT em promoções e oportunidades mesmo sem que a pessoa que twittou tenha pedido :) Se é interessante, eu posto.

Alex Primo: Confesso que não vejo problema algum na contratação de blogueiros e twitteiros para promoverem produtos, desde que tal parceria fique clara. O que pensa sobre isso? E você está aberta a contratos publicitários que possam aproveitar o alcance de suas mensagens, tendo em vista o número de seguidores que você tem?

Tess: Sendo pertinente para meus seguidores, não vejo problema.

Alex Primo: Até o momento seus mais de 40 mil seguidores não lhe renderam nenhum benefício publicitário?

Tess: Não.

Alex Primo: Tess, você nos mostrou que não apenas a mídia de massa tem o poder de catapultar personalidades ao reconhecimento público. Do anonimato você saltou para a Playboy. Como você é da área da Comunicação, gostaria muito de ouvir seus comentários sobre isso.

Tess: Bem Alex, agora você pode dar um ctrl+c ctrl+v sobre "como os tempos mudaram e nós temos o poder nas mãos.. Os blogs são tão acessados quanto grandes portais de notícias, e até mesmo atribuídos a eles mais confiabilidade do que a ações publicitárias e repostagens jornalísticas.". A gente já sabe de tudo isso. E não porque lemos, estudamos, pesquisamos. Mas porque somos geração Y, nascemos na era digital, vivemos disso. Não importa mais como era "antes". Nós é quem mandamos agora. No que queremos ver, ouvir, falar. Como, quando, onde. Ou há uma adaptação, ou há perda de audiência. Se o twitter brasileiro coloca uma garota anônima como a mais seguida do Brasil, não somente atribui alguma relevância a ela como formadora de opnião, algo que na realidade, não difere muito do formato anterior, mas principalmente, mostra um direcionamento de poder voltado à audiência, ao receptor, e não mais ao emissor. O meio é nosso. Cabe aos emissores adequarem a mensagem.

Alex Primo: O blog de Gabriela Rolim lançou uma campanha para você posar na Playboy. Você a conhece? E como reagirá se esse convite chegar? Isso seria importante para você?

Tess: Conheço a Gaby pelo twitter. Ela é uma garota bem querida :) Imagino que essa "campanha" é mais como uma brincadeira. :) Eu sou de falar, não sou de mostrar ;)

Alex Primo: Quantas vezes em média uma mensagem sua é retweetada?

Tess: Depende muito. Do dia, do assunto. Vocie pode conferir pelo migre.me. Mas a média é de 500 cliques. RT varia muito.

Alex Primo: Você tem recebido muitas críticas em blogs, podcasts e no Twitter. Principalmente de blogueiros que estão há anos atuando na rede. A que você justifica tais críticas?

Tess: Mesmo dentro da "nova" web 2.0 já é possível perceber um antes e depois. Alguns blogueiros estão acostumados com o antes. Eles apareceram numa época comparada à uma pós ditadura. Uma época em que criar um blog era quase um ato de rebeldia, uma afronta ao poder centralizado da informacão pelos grandes jornais. Foram os precessores, os desbravadores, os iniciantes :) Era uma época em que era necessário ser mais rígido, mais ríspido, combater algo. Formaram legiões de fãs, e conseguiram um público fiel. Bem, como todo bom porquinho que chega a poder, que se preze, agora eles ficam assustados com uma nova era, dentro de uma mesma era 2.0. É uma nova revolução. Eles tentam se adaptar ao microblog, mas estranhamente, seus seguidores são apenas os que migraram de seus blogs para o twitter. :) Eles não tem novos seguidores. Seus números não crescem. Eles não fazem sucesso na nova mídia. Eles são uma adaptação, e como foram os primeiros portais de notícias e jornais, que apenas adaptavam o conteúdo. Eles nasceram no 2.0, mas esta é a 2.1. Aqui, mais do que gorjear, vale mais quem consegue que a mensagem seja uma troca. Refletida, repassada, repercutindo e, como num boomerang, voltando mais forte, com mais opniões e impressões.

Alex Primo: Você se tornou conhecida pelas dezenas de seguidores que conquistou. Esse número vultuoso lhe trouxe ainda mais seguidores. Um fenômeno conhecido na teoria das redes como "os ricos ficam mais ricos". O seu sucesso na rede pode ser justificado apenas pelo número de pessoas que assinam seu Twitter? O que podemos esperar da Tess daqui para frente?

Tess: Bem, acredito que esse dito "sucesso" tenha a ver com o numero de seguidores também. Mas não apenas por isso. Aqueles que tomaram um tempo para receber minhas mensagens, acabam por hora creditando relevância. Não é apenas por uma twittada que você define toda o potencial "twittico"(hehe) de um usuário do twitter. E sim por uma rede de relacionamento, que demanda tempo, conversa, troca de informações. Aqueles que se permitiram experimentar, e não apenas se deixar levar por opniões alheias, em maior parte, continuam a seguir. A prova disso é que nunca tive uma baixa no número de seguidores. Assim, prevejo que tenha uma taxa de retenção bem alta. :)

Alex Primo: Você comentou que usa o Twitter pelo simples prazer da comunicação e que não conseguiu nenhum contrato publicitário. Então por que trabalhou para conseguir dezenas de milhares de seguidores, de forma tão rápida? Trata-se de uma estratégia para projetos futuros, tendo em vista que você é uma publicitária?

Tess: Uma publicitária nunca descartaria o poder que uma rede tão consistente quanto o alto número de seguidores em um perfil do twitter pode ter. Mas sim, eu twitto por diversão. E como já respondi anteriormente, eu estou sempre procurando novidades, então, a minha rede tem papel fundamental nisso :)

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Por que o Google precisa comprar o Twitter?

22Abr
2009

A produção em sites colaborativos e em serviços da Web 2.0 vem aumentando exponencialmente a quantidade de conteúdo publicado na rede. Esse é um desafio para os mecanismos de busca, que precisam rastrear rapidamente todas essas novidades na rede. Foi justamente essa a principal razão da compra do Blogger pelo Google em 2003. Diante da crescente publicação na blogosfera, o Google percebeu que precisava rastrear essas informações com maior agilidade.

Já em 2006, mesmo tendo o serviço Google Video, a empresa também reconheceu a importância da compra do YouTube. Essa aquisição bilionária não se justificava apenas pelo conteúdo lá publicado, mas também pela riqueza da base de assinantes do sistema. E, como tudo na Web 2.0, onde há um volume significativo de pessoas interagindo recorrentemente e produzindo bom conteúdo existe também o alto potencial de lucratividade. (Bem, no caso do YouTube os custos andam muito mais altos que seus lucros).

Pois essas são as mesmas razões que nos mostram que mais cedo ou mais tarde o Google comprará o Twitter. Na verdade, o Google precisa fazer essa aquisição. A base de assinantes do Twitter cresce de forma impressionante. O conteúdo publicado a cada segundo é muito rico e precisa ser rastreado pelo Google. Na verdade, o Twitter Search (ex-Summize) e o Twazzup já fazem um excelente trabalho. Mas, perder ações de busca para outros mecanismos é prejuízo para o Google, pois deixa de monetizar seus anúncios com valor pleno. E mais, a imagem de seu mecanismo de busca fica desafiada.

Além do potencial futuro do Twitter na área da propaganda online, a base de assinantes e os dados sobre as redes que eles formam são informações fundamentais para estratégias mercadológicas. É verdade que o Twitter ainda não explora a propaganda em suas páginas, mas ele vem se preparando para isso. Na primeira quinzena de abril o Twitter deixou escapar uma pista sobre como pretende começar a veicular anúncios. Como se vê na imagem ao lado, as definições veiculadas em breve serão comercializadas. Mesmo que a empresa tenha dito que a veiculação da frase "Sponsored definition" foi um engano (!), muito em breve estaremos vendo anúncios no serviço.

Apesar da falta de rendimentos, o Twitter continua angariando investimentos. Enquanto isso, o número de assinantes tem aumentado muito nas últimas semanas. Na sexta passada, a apresentadora americana Oprah deu a sua primeira twittada ao vivo em seu programa, entrevistou o Evan Williams (co-fundador do Twitter) e o ator Ashton Kutcher (o primeiro a ultrapassar a marca de um milhão de seguidores). Em tempo, ninguém me convence que todo esse destaque no programa da Oprah não passou de um testemunhal pago para aumentar o valor de venda do Twitter. Já aqui no Brasil, a grande imprensa descobriu o Twitter faz pouco. A capa da revista Época e uma matéria no Fantástico atraíram um novo público para o serviço.

Enquanto cresce o interesse pelo Twitter e o número de assinantes vai aumentando, cresce também o possível valor de venda. O Google ainda precisará esperar mais um pouco para conseguir comprar o Twitter. Esta empresa certamente está esperando o momento e o valor certo. Ou será que um Rupert Murdoch da vida vai comprar antes? Ou o Twitter vai resistir todas as ofertas, como fez o Facebook?


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